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18 fevereiro 2013

EXPERIÊNCIAS COM DEUS

Qual a importância de nossas experiências pessoais com Deus?




Há momentos em nossa caminhada onde somente a certeza plena de que Jesus é o Cristo poderá sustentar nossa fé. Tal certeza não se dá por meio da teologia ou do testemunho de outros irmãos, mas de nossas próprias experiências pessoais com Deus.

Assim ocorreu com Paulo, o apóstolo. Não foi seu conhecimento teológico , ou o testemunho dos mártires cristãos que o converteram a Cristo, mas a sua própria experiência com Deus no caminho para Damasco.

Nessa mensagem, pregada do púlpito da Igreja Bíblica Cristã em 10 de Fevereiro de 2013, abro meu coração e revelo algumas de minhas experiências pessoais com Deus e de como elas foram cruciais para que eu não desistisse do meu chamado pastoral.

Após ouvir essa mensagem sinta-se a vontade não somente para comentá-la, mas principalmente para compartilhar conosco as suas próprias experiências pessoais com Deus.

Alan Capriles

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Para ouvir mais mensagens que preguei confira nossa Playlist no YouTube.
Para baixar o áudio desta e de outras pregações, entre na página de áudio deste blog, clique no título desejado, aguarde abrir uma nova página, e escolha a opção download. O arquivo baixará gratuitamente para o seu computador no formato mp3.
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05 janeiro 2012

A ENORME RESPONSABILIDADE DO PREGADOR


Por Alan Capriles

A chamada Parábola do Semeador é uma das mais conhecidas ilustrações contadas por Jesus. Sua importância se torna evidente não somente pelo fato de constar em todos os evangelhos sinópticos, mas também por ser uma das poucas parábolas explicadas pelo próprio Senhor. Mas, a despeito de sua clareza, percebo que um ponto crucial  tem passado despercebido no entendimento correto da explicação dada pelo Senhor. Trata-se da responsabilidade do pregador, ou seja, daquele que semeia a palavra.

A Parábola do Semeador é quase sempre interpretada com o foco nos diversos tipos de solos e não na pessoa do semeador. Aliás, alguns teólogos até preferem chamá-la de Parábola dos Solos. Segundo esses intérpretes, a culpa da semente não dar fruto seria exclusivamente do solo na qual ela caiu, ou seja, do coração na qual a palavra foi semeada. Nenhuma culpa teria o pregador se a palavra não vier a dar frutos, pois a responsabilidade seria somente dos ouvintes.

Pois bem, discordo dessa interpretação. Mas, antes de explicar minhas razões, preciso reconhecer que durante anos também pensei como a maioria, tirando qualquer culpa do pregador quanto ao resultado de sua mensagem. O que me fez despertar para o correto entendimento dessa parábola foi uma palavra-chave, que consta da explicação dada pelo Senhor segundo o evangelho de Mateus.

A palavra-chave é o verbo “compreender” que aparece no início e no final da explicação dada por Jesus. Segue o texto, com essa palavra em destaque:
Mateus 13:18-23
18   Atendei vós, pois, à parábola do semeador.
19   A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
20   O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria;
21   mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.
22   O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.
23   Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um. 
Perceba que a explicação começa se referindo àqueles que não compreendem a palavra e termina com os que a compreendem. Desta forma, podemos concluir que entre um e outro estão aqueles que “compreenderam mal” a boa nova do reino.

A fim de que isso fique bem esclarecido, analisarei a seguir cada trecho da explicação que o Senhor deu acerca desta parábola, comentando [entre colchetes] cada tipo de solo onde o semeador lançou a semente. Lembre-se que o foco dessa parábola é o semeador, ou seja, aquele que semeia a palavra. Prova disso é que o próprio Jesus, ao iniciar sua explicação, chamou-a de Parábola do Semeador (v. 18) e não de parábola dos solos, como alguns querem chamá-la:
19   A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
[Não a compreendem por quê? Provavelmente porque o semeador (pregador) não se deu ao trabalho de explicar a palavra. De fato, é cada vez menor o número de pregadores que exponham com fidelidade a palavra de Deus. Muitos apenas leem alguns versículos das Escrituras, que muitas vezes é um trecho do Antigo Testamento, para em seguida falar algo que nem sequer aponta para Cristo e seus ensinamentos. Ora, se nem o pregador sabe o que é o evangelho, como esperar que seus ouvintes o compreendam?]
20   O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria;
21   mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.
[Por que esse ouvinte recebeu prontamente a palavra e também com alegria? Certamente porque ele a compreendeu mal. E a culpa, uma vez mais, recai sobre o pregador, o qual não alertou acerca das renúncias e das provações que necessitam passar todos que se convertem a Cristo. A fim de conseguir um número maior de decisões, esse tipo de evangelista encobre o fato de que seguir a Jesus implica em se carregar uma cruz. Por essa mesma razão é que esse ouvinte recebeu logo a palavra, porque o pregador lhe pressionou a tomar uma decisão emocional e não a considerar os custos de seguir a Cristo. São apelos assim, superficiais, que são realizados por pregadores imediatistas, os quais estão mais preocupados com números do que com a genuína conversão de vidas. Mas o próprio Jesus sempre testava a decisão dos que queriam segui-lo. Sendo assim, devemos desconfiar da veracidade da conversão daqueles que alegremente recebem a Cristo, sem lágrima nos olhos, como se o Caminho da verdade fosse um passeio no parque.]
22   O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.
[Como isso foi acontecer? Ou melhor, por que esse ouvinte continuou entretido com o mundo e fascinado com as riquezas, mesmo se dizendo cristão? Sem dúvida, porque o pregador não lhe explicou que seguir a Cristo significa renunciar a si mesmo. Antes, pelo contrário, prometeu-lhe uma vida de prosperidade, como se fosse possível amar a Deus e continuar amando ao dinheiro, ou ser amigo de Deus e do mundo ao mesmo tempo. São pregadores que misturam a verdade com a mentira, criando expectativas mundanas em seus ouvintes. Atualmente existem igrejas cheias de pseudo-cristãos, os quais buscam a Deus por interesse, motivadas pelo "ter" e não pelo "ser", gente que nunca chega a se converter completamente. Mas estão lá, dizendo ser da igreja. Aliás, prega-se prosperidade com esse fim: o de encher a igreja, ainda que seja de bodes e não de ovelhas.]
23   Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.
[Por que esse ouvinte frutificou? Porque compreendeu a palavra. E por que ele a compreendeu? Ora, porque o pregador demonstrou verdadeiro amor por ele, tendo a paciência de lhe explicar bem a palavra do reino, que é o evangelho da salvação. Salvação, não apenas do inferno pós-morte, mas de sermos um diabo nesta vida. E reino, não apenas como evento futuro, pós-apocalíptico, mas como um estado presente de ser uma nova criatura em Cristo, o que significa (e implica) viver sob o seu reinado, dando frutos de santidade e de boas obras, em amor e para a glória de Deus.]
Como se percebe, Jesus não se equivocou ao dar o título de Parábola do Semeador para o seu ensinamento. A semente é boa - aliás, excelente - o problema está, antes de tudo, no despreparo de quem a semeia.

Alan Capriles

28 novembro 2011

DESABAFO DE UM EVANGELISTA


Cláudio Pimenta - cumprindo cabalmente seu ministério no extremo sul do Ceará, fronteira com Piauí e Pernambuco, região mais pobre do Brasil. Pregadores da teologia da prosperidade não abrem igrejas por lá. Motivo: O maior salário em algumas cidades do interior é de 90 reais por mês. Como é que o povo poderia sustentar o alto padrão de vida desses mercenários?

Obs.: Assisti a esse vídeo pela primeira vez no Mulheres Sábias, o excelente blog de nossa amiga Rô.

11 julho 2011

A FESTA DE DEUS


Fiquei profundamente comovido ao ler essa história, contada por Brian D. McLaren em seu livro chamado "A Mensagem Secreta de Jesus". Isso sim é compreender o evangelho e viver no Reino de Deus. Vale a pena conferir:
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Jesus sempre comparava o Reino a festas, celebrações e banquetes. Hoje em dia poderíamos dizer que Deus convida as pessoas para deixarem gangues violentas e participarem de uma festa; a deixarem seu vício de trabalhar de forma doentia, em uma espécie de competição insana, e se unirem a uma festa; a deixarem sua solidão e seu isolacionismo e entrarem em uma festa; a deixarem seus partidos exclusivistas (por exemplo, os políticos que ganham eleições colocando os eleitores uns contra os outros), e se juntarem a um partido inclusivo que festeja continuamente por ser de uma espécie diferente; a pararem de brigar e de reclamar, de odiar e de competir, e, em vez disso, começarem a festejar e a celebrar a bondade do amor de Deus. [...]

Meu amigo Tony Campolo conta em história real que também serve como uma excelente parábola nesse sentido. Ele se encontrava em um local que tinha um fuso horário bem diferente e não conseguia dormir. Então, bem depois da meia-noite, saiu perambulando até chegar a uma confeitaria. Algumas prostitutas locais também ali entraram no meio da madrugada, depois de suas atividades habituais. Lá ele não pôde evitar de ouvir uma conversa entre duas delas. Uma, chamada Agnes, disse à outra: “Sabe de uma coisa? Amanhã é o meu aniversário. Vou fazer 39 anos.” Sua amiga respondeu rispidamente: “E o que você espera de mim? Uma festa de aniversário? É isso? Quer que eu arrume um bolo e cante parabéns prá você?” Agnes respondeu: “Ah, pára com isso, por que tem que ser assim tão má? Por que tem que me botar pra baixo? Só estou dizendo que é meu aniversário. Não quero nada de você. Quer dizer, por que eu teria uma festa de aniversário? Nunca tive uma em toda a minha vida. Por que uma logo agora?”

Quando saíram, Tony teve uma idéia. Perguntou ao proprietário da confeitaria se Agnes ia lá todas as noites, e, quando ele disse que sim, convidou-o a participar de uma conspiração para organizar uma festa surpresa. Até a esposa do proprietário se envolveu. Juntos, arrumaram um bolo, velas de aniversário e decoração para que festejassem com Agnes, que para Tony não passava de uma completa estranha. Na noite seguinte, quando ela entrou, todos gritarem: “Surpresa! Surpresa!” – e Agnes não podia acreditar no que seus olhos estavam vendo. Os fregueses da confeitaria cantaram e ela começou a chorar tanto que mal conseguiu soprar as velinhas. Quando chegou a hora de cortar o bolo, Agnes perguntou se não se importariam de não cortá-lo para que pudesse levá-lo para casa – apenas para poder saborear aquele momento mágico por mais alguns instantes. Em seguida, ela saiu carregando seu bolo como se fosse um tesouro.

Tony conduziu os convidados em um momento de oração por Agnes e o proprietário da loja disse que não fazia a menor idéia de que Tony fosse um pregador. E então perguntou a Tony de que tipo de igreja ele era. Tony respondeu que era uma igreja em que se dão festas de aniversário para prostitutas às 3:30 horas da madrugada. O homem não podia acreditar. “Não, isso não é possível. Não existe uma igreja assim. Se existisse, eu me juntaria a ela. É, com certeza eu faria parte de uma igreja desse tipo.”

Infelizmente, existem muito poucas igrejas como essa; no entanto, se mais de nós compreenderem a mensagem secreta de Jesus, esse número crescerá intensamente.

Brian D. McLaren

09 julho 2011

ISSO NÃO É PREGAR O EVANGELHO


Por Alan Capriles

Circula um vídeo na internet no qual pregadores são detidos pela polícia por estarem pregando contra a prática homossexual. Particularmente, sou totalmente a favor da liberdade de expressão, motivo pelo qual discordo da atitude daqueles policiais. No entanto, não é por isso que escrevo estas linhas, mas por achar equivocado e perigoso o argumento usado por um dos pregadores detidos. Sua alegação para não ser preso era a de que eles estavam somente "pregando o evangelho". Mas, será que estavam mesmo?

O que é pregar o evangelho? Será que dizer qualquer coisa a respeito de Jesus, ou ler qualquer trecho da Bíblia é realmente estar pregando o evangelho?

Pra começar, a maioria dos pregadores atuais não sabe nem sequer definir o que é o evangelho de Cristo, muito menos pregá-lo! Esse é um problema seríssimo, com graves consequências espirituais. Confundem evangelho com promessas de milagres, sucesso, riquezas, ou, como se vê neste vídeo, com ataques contra os pecadores.

Além disso, muitos pregadores utilizam-se publicamente de textos bíblicos que não serão compreendidos por todos os ouvintes (1Co 2:14). É o caso do vídeo que mencionei. Apesar do áudio da filmagem estar péssimo, é possível identificar a leitura da carta aos Romanos, exatamente no trecho em que Paulo menciona e condena a prática homossexual (Rm 1:26-32). Mas, apesar de Paulo ter escrito mesmo isso, duas coisas precisam ser lembradas. Primeiro, que ele estava escrevendo dentro de um contexto, tratando-se de uma carta para irmãos em Cristo, que tinham o discernimento espiritual para compreender seus argumentos. E, segundo, que Paulo, o apóstolo, não pregava desta maneira, apesar de assim escrever.

Como se sabe, o homossexualismo não é algo que só aconteça atualmente. Dados históricos revelam que a prática homossexual era ainda mais comum nos dias de Paulo de Tarso do que nos nossos. No entanto, em nenhuma de suas pregações públicas ele ataca os homossexuais. Aliás, nenhuma das pregações do evangelho reveladas no livro de Atos contém qualquer tipo de ataque contra alguma prática pecaminosa específica. Se alguém duvidar, basta que se confira nas seguintes referências: Atos 2:14-41; 3:12-26; 4:8-12; 5:29-32; 10:34-43; 13:16-41; 17:22-31.

Isso acontece por uma simples razão: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus." (Rm 3:23,24)

Ora, se qualquer pecado nos afasta da glória de Deus, os que praticam o homossexualismo são tão pecadores quanto os adúlteros, ou fornicadores, por exemplo. E práticas sexuais ilícitas são também tão graves quanto qualquer outro pecado, tais como a ganância, o ódio, ou a hipocrisia - males tão comuns entre tantos religiosos.

Portanto, é um equívoco atacar determinada prática pecaminosa, como se não fôssemos todos pecadores, cuja única esperança está em Jesus Cristo, o justo e justificador de todos os que nele crêem. Atacar aos homossexuais não é pregar o evangelho, mas promover uma discórdia totalmente improdutiva. Essa discurso agressivo tem erguido muralhas, ao invés de pontes, muralhas que impedem os homossexuais de enxergar o quanto Deus os amou, a ponto de dar-nos seu único Filho, Jesus Cristo, o qual é poderoso para nos libertar de qualquer prática pecaminosa e nos transformar em verdadeiros filhos de Deus, que vivam para sua glória e eternamente.
Alan Capriles

08 julho 2011

O MARCO ZERO DA MINHA VIDA

Por Alan Capriles

A Praça da Sé é o marco zero da cidade de São Paulo, minha cidade natal, mas tornou-se também o marco zero da minha vida. Foi onde, no início da década de 90, passei por uma experiência que mudaria para sempre o rumo da minha vida. 

Suponho que deva difícil para muitos leitores acreditar no que direi agora, mas cerca de um ano antes, 1989, eu já passara pela forte experiência de ouvir (literalmente falando) Deus me chamar pelo meu nome, confirmando minha chamada para ser pregador do evangelho. Isso aconteceu no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro, como resposta a uma oração secreta que eu havia feito, razão pela qual posso afirmar ter sido a voz de Deus. Apavorado, pedi demissão de meu emprego e mudei para São Paulo, com a desculpa de que precisava dividir um apartamento com um amigo que havia sido aprovado na USP, mas que não tinha condições de pagar sozinho o aluguel. Fomos morar no bairro do Brás, num minúsculo apartamento, eu e mais dois amigos, que (acredite se quiser) se chamavam Cefas e Paulo de Tarso. Apesar dos nomes bíblicos, eles não compartilhavam da mesma fé e não demorou muito para que eu deixasse completamente de frequentar a igreja. Aliás, era isso mesmo que eu queria: fugir e esconder-me de Deus.

Apesar de ter conseguido um emprego logo na primeira semana em que cheguei a São Paulo, seis meses depois eu já estava desempregado, sem dinheiro e sozinho. Sozinho porque era o período de férias e meus amigos haviam viajado, um para Taubaté e o outro para mais distante, Natal, no Rio Grande do Norte.  

Eles passeavam, mas eu estava sozinho e faminto naquele inverno de 1990. Lembro-me do dia em que abri a despensa e não havia nada além de uma lata com um resto de farinha láctea. Na geladeira, um pote de doce-de-leite com ameixa e uma garrafa de água. Nesse dia sombrio, foram as únicas coisas que comi e bebi, pela manhã, a tarde e a noite. 

No dia seguinte, tive a ideia de vender alguns de meus livros para os sebos que existem próximos à Praça da Sé, a fim de conseguir dinheiro para comprar o que comer. E assim foi feito. Lembro-me de ter vendido um excelente livro em capa-dura por uma quantia irrisória, que mal dava para comprar um prato feito. Mas, faminto como eu estava, de que me serviria aquele livro? 

Após alimentar-me, decidi caminhar pela enorme Praça da Sé. Talvez não haja no Brasil nenhum outro lugar semelhante a esse, onde pessoas de todas as partes do país (e da América Latina) tentam ganhar a vida com sua arte: malabaristas, piadistas, mágicos, músicos, repentistas - tem de tudo que se possa imaginar. E, é claro, há muita pilantragem também. O fato é que são várias as distrações na Praça da Sé para quem deseja somente passar o tempo. Bem, naquela época era assim, não sei como está hoje.

Como eu não tinha mais o que fazer, aproximei-me de um aglomerado de pessoas, que formavam um círculo ao redor de alguém. Imaginei que devesse ser uma boa apresentação artística e fui juntar-me ao grupo de curiosos. Mas tratava-se de um pregador, um autêntico pregador do evangelho. Como eu já não ouvia uma pregação há mais de seis meses, decidi permanecer um pouco, tentando chegar o mais perto possível para ver se conseguia ouvir alguma coisa.

Não sei precisar exatamente quanto tempo se passou, mas tenho certeza de que não foi muito. Algo entre dois e cinco minutos. Repentinamente o pregador interrompe sua mensagem e declara, olhando ao redor: "Eis que o Senhor me revela que acaba de chegar entre nós um jovem a quem ele chamou pelo nome, mas que tem fugido de sua presença." Gelei. Ninguém em São Paulo sabia daquilo, nem sequer meus amigos. Eu também não havia estado em nenhuma igreja daquela cidade, muito menos queria conversa com crentes. Mas o pregador insistia: "O Senhor te chamou pelo nome, mas você tem resistido. Jovem, dura coisa é recalcitrar contra os aguilhões" - dizia ele, fazendo referência à conversão de Saulo. [1]

Em seguida, lembro-me de ser amparado por dois crentes, pois.eu já chorava copiosamente, sem forças para continuar de pé. Lá estava eu, ajoelhado naquele chão encardido, por onde passa todo o Brasil, rendido ao fato de que não é possível esconder-se da presença de Deus. Lá estava eu, no marco zero de minha cidade natal, de volta ao propósito da minha existência. Lá estava eu, prostrado, não perante os homens, mas perante o Cristo, que um dia me chamou pelo nome, sem eu nada merecer.

Desde então, muitas experiências com Deus tem marcado minha vida.[2] São tantas as histórias, que as estou reunindo em livro. Mas, de todas, nada se compara a este momento na Praça da Sé, onde tive a plena certeza de minha missão e de que o Senhor não havia desistido de mim, apesar de meus temores e pecados. Sem dúvida, aquele foi o reinício de tudo, o meu voltar ao começo, o marco zero da minha vida.

Alan Capriles
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Notas
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[1] Passagem bíblica do Novo Testamento, na qual Paulo de Tarso relata como foi comissionado pelo Senhor para o apostolado. (Atos 26:14)

[2] Relato algumas dessas histórias na mensagem "Experiências com Deus", a qual você poderá ouvir agora mesmo, clicando aqui. 

02 junho 2011

A CIDADE MAIS EVANGÉLICA DO MUNDO... E DAÍ?


Por Alan Capriles

As estatísticas apontam São Gonçalo, no município do Rio de Janeiro, como a cidade que concentra o maior número de evangélicos por metro quadrado em todo o mundo. De fato, assim que cheguei a São Gonçalo, no final da década de 90, impressionou-me a quantidade de igrejas evangélicas que se espalhavam por toda a cidade. A princípio, julguei ser algo muito positivo, mas com o passar dos anos comecei a duvidar disso.

Primeiro, porque percebo que grande parte dessas igrejas nasceram de feridas não tratadas. Geralmente, surgem como solução para desavenças não resolvidas, mascarando um perdão que jamais foi sequer cogitado.

Segundo, porque o culto na maioria das igrejas em São Gonçalo é voltado para o homem, não para Deus. Espalham-se as faixas que fazem propaganda daquilo que Deus pode fazer por você, bastando para isso participar da campanha, ou da corrente.

Terceiro, porque as igrejas por aqui estão disputando os membros, tal como as lojas disputam a clientela. Ou ainda pior do que isso! Há alguns anos, por exemplo, saíram de nossa igreja mais de vinte membros de uma só vez, que foram todos recebidos por outra igreja próxima, sem exigência alguma de carta, ou coisa parecida. E, em poucos dias já estavam sendo nomeados para algum cargo, com título e tudo mais! Isso é muito comum acontecer por aqui.

Quarto, porque as igrejas de São Gonçalo parecem existir mais para o entretenimento do que para a edificação de seus membros. Nunca vi tanto ativismo religioso como nessa cidade. São eventos e mais eventos: de congressos e chás, a festivais e arraiais. Os membros ficam tão sobrecarregados com ensaios e demais preparativos, que mal sobra tempo para a família, para os amigos e, pior ainda, não há tempo para Deus!

Quinto, porque parece não haver mais ética cristã por aqui. Por incrível que pareça, tornou-se comum em São Gonçalo encontrarmos uma igreja em frente de outra, ou até mesmo ao lado! E não pensem vocês que seus líderes estão preocupados se o volume do som interfere no culto da outra igreja. É guerra mesmo!

Sexto, porque nunca vi tanta meninice espiritual como em São Gonçalo. A maioria dos crentes daqui vive correndo atrás da última novidade gospel, do novo “mover do espírito”, do “revelamento” e da “profetada”. Para esses, a pregação só é boa se, aos gritos, o pregador os iludir com promessas de sucesso e riquezas. São cada vez mais raras as mensagens que tratam de arrependimento, conserto, da eficácia da cruz e do ser uma nova criatura em Cristo Jesus.

E sétimo, porque apesar das igrejas evangélicas se multiplicarem por aqui, a ponto de São Gonçalo ser apontada como a cidade com o maior número de evangélicos por metro quadrado no mundo, que diferença isso trouxe para essa sociedade? Pelo menos, desde que moro aqui, não vi nenhuma diferença.

Muito pelo contrário, a violência só tem aumentado nesta cidade. E continua o descaso dos políticos daqui para com o cidadão e do próprio cidadão para com o seu próximo. As ruas estão mais imundas do que nunca, não apenas porque a coleta de lixo é ineficaz, mas porque os próprios moradores de São Gonçalo não pensam duas vezes antes de sujar as ruas de sua própria cidade. E, enquanto os evangélicos de São Gonçalo se divertem, brincando de igreja, os bares, boates e motéis continuam se multiplicando por aqui. Aliás, pra quem não sabe, apesar de ser o segundo maior município do seu Estado, São Gonçalo não tem hotéis, nem sequer um, apenas motéis, e aos montes! Preciso dizer mais alguma coisa?

Mas, apesar de toda essa triste constatação, preciso confessar que tenho verdadeiro amor pelo povo desta cidade. Amo principalmente os evangélicos de São Gonçalo. Vejo que são pessoas simples, sinceras e sedentas de Deus. Mais do que isso, são pessoas inocentes, beirando a ingenuidade, razão pela qual se deixam enganar pelos comerciantes da fé.

Após pregar por mais de dez anos nessa cidade, em inúmeras igrejas, cheguei à triste conclusão de que grande parte dos evangélicos de São Gonçalo é analfabeta de Bíblia, tornando-se presa fácil para os espertalhões. A maioria conhece apenas o que lhes é pregado dos púlpitos, ou ensinado pelas revistas da escola bíblica dominical. Muitos crentes daqui nunca leram sequer os evangelhos, muito menos todo o Novo Testamento. Por isso são tão facilmente enganados, ou estão enganando sem o saber.

O fato é que ser cristão pouco ou nada tem haver com fazer parte de uma igreja evangélica. O que importa é converter-se a Jesus Cristo, e não a uma denominação. Se realmente todos os evangélicos de São Gonçalo fossem convertidos a Cristo, veríamos um enorme impacto positivo na sociedade. Isso ocorreria naturalmente, pelo simples fato de que um verdadeiro cristão não se conforma com este mundo, mas se torna um agente de transformação social, trazendo a realidade do reino de Deus para a Terra, por meio do senhorio de Cristo. Ora, se a maioria dos habitantes de São Gonçalo é mesmo cristã, onde estão os sinais do reino de Deus nesta cidade?

Sendo assim, sinto-me como missionário em São Gonçalo, cidade que defino como uma babilônia gospel. É assim que me sinto aqui, de todo meu coração. Não digo isso para fazer graça. Isso não é uma brincadeira, é algo muito sério. O povo dessa cidade necessita urgentemente do evangelho da graça de Deus, a começar pelos próprios evangélicos.

De fato, quem prega um evangelho puro e simples nessa cidade, só pode estar mesmo em missão. Talvez, na mais dura de todas as missões: a de evangelizar evangélicos, sendo incompreendido e perseguido por seus próprios irmãos.

Conto com sua ajuda em oração.

Alan Capriles
Missionário em São Gonçalo

11 março 2011

O BRAMIDO DO MAR E DAS ONDAS

“Sobre a terra, angústia entre as nações
em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas”
(Jesus Cristo - Lc 21:25)
Por Alan Capriles

Notícias acerca de tsunamis cada vez mais devastadores não deveriam nos surpreender. Ondas gigantes foram preditas pelo Senhor Jesus como mais um dos sinais que precederiam sua vinda.

Alguns argumentam que tsunamis sempre ocorreram, o que não deixa de ser verdade. Mas a profecia de Jesus não relata somente a ocorrência de ondas gigantes, mas também que nações ficariam perplexas e angustiadas com isso. E esse é um detalhe importante, pois não poderia ocorrer tal preocupação mundial antes deste século.

Foi somente após o Tsunami de 2004, no qual morreram mais de 230 mil pessoas, que os países do chamado “círculo de fogo do Pacífico” se prepararam com alertas de Tsunami. Na ocorrência de algum terremoto marítimo, os alertas são emitidos e as nações se preparam para o pior.

Nesse exato momento que escrevo, por exemplo, um alerta de tsunami foi emitido em cerca de 50 países, por decorrência do pior terremoto que atingiu o Japão, com 8,9 graus na escala Richter. Esse já está sendo considerado o sétimo maior terremoto da história no mundo.



Aliás, grandes terremotos também foram preditos pelo Senhor (Lc 21:11), assim como outras coisas espantosas. O que não podemos esquecer é do motivo pela qual Jesus nos alertou acerca dessas coisas. Não foi para que nos preparássemos com kits de sobrevivência, ou rotas de fuga. Vamos relembrar o que nos preveniu o Senhor:
“Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça, porque a vossa redenção se aproxima.”
“Quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus.”
“Vigiai, pois, a todo tempo, orando, pra que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem.”
(Lucas 21:28,31,36)
Não devemos ignorar os sinais do fim que, como um ressoar de trombetas, servem para que acordemos de nossa indolência (Rm 13:11-14). Mas, que efeito essas calamidades tem exercido sobre nós? Será que percebemos o quanto se aproxima o fim? E, se percebemos, de que adianta, se nada fizermos? No mínimo, deveríamos dedicar mais tempo à oração, solidariedade e evangelização, atitudes que serão requeridas de cada um de nós pelo Senhor na sua vinda. (Se duvida, confira as três últimas parábolas acerca do fim: Mt 25:1-13; 14-30; 31-46)

E catástrofes ainda maiores estão por vir. Estou convencido de que o versículo mencionado no início não se refere somente a tsunamis, mas também ao nível do mar que aumenta mais rapidamente a cada ano. E este é um processo irreversível, de conseqüências calamitosas.

Quando cidades litorâneas do mundo inteiro forem tomadas pelo próprio mar, e não somente por suas ondas, então teremos a correta dimensão do que Jesus quis dizer com angústia e perplexidade entre as nações. E quando os últimos grandes sinais acontecerem, que serão cósmicos - no sol, na lua e nas estrelas - então “haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo” (Lc 21:26). Mas este é um assunto extenso, que vamos examinar em outra ocasião, se Deus assim nos permitir.

Alan Capriles

07 março 2011

O QUE É O EVANGELHO

Por Alan Capriles

O evangelho de Jesus não é algo complexo, de difícil compreensão. Porém, ao mesmo tempo em que o evangelho é simples, a sua definição precisa ser elaborada com cautela.

O evangelho é simples no sentido de que até uma criança pode compreender essa mensagem de boas novas. Aliás, “boas novas” é a tradução literal do termo grego “evangelho”. Mas dizer simplesmente que “o evangelho é Jesus”, ainda que não esteja errado, pode confundir mais do que esclarecer. Por exemplo, uma pessoa pode estar pregando sobre Jesus e não estar pregando o evangelho. Aliás, isso é o que mais tem acontecido hoje em dia!

A necessidade de cautela para se definir o evangelho foi comentada por John Piper, numa de suas obras:
“Um extremo é definir o evangelho cristão em termos tão amplos que chamaremos de evangelho tudo o que é bom na mensagem cristã. O outro extremo seria definir o evangelho cristão em termos tão restritos que a definição não faça justiça a todos os usos do Novo Testamento.”[1]

Nessa busca por uma definição equilibrada, o que não podemos perder de vista é o fato de que o evangelho é uma mensagem, uma proclamação ao mundo. Na verdade, é a notícia mais importante, maravilhosa e urgente de todos os tempos, para todas as épocas e para todos os homens. O conteúdo dessa mensagem pode ser resumido, mas seus pilares não podem ser alterados, ou removidos.

Creio que o exame cuidadoso das pregações apostólicas e dos textos que tratam do evangelho nas epístolas seja o melhor caminho para se chegar a uma definição bíblica do evangelho. Foi com base nesse acurado exame, e após muito pedir auxílio do alto em oração, que elaborei uma definição resumida do evangelho:

O evangelho é uma notícia maravilhosa:
Deus nos libertando de nossos pecados
por meio da fé em Jesus Cristo
e vindo habitar em nós por meio do Espírito Santo.
Isso nos possibilita uma vida repleta de alegria, paz
e incondicional amor ao próximo,
além de nos tornar agentes do Reino de Deus na terra
e herdeiros da vida eterna.
[2]

Cada linha desta sentença expressa grandiosas verdades. O conjunto delas perfaz a mensagem completa do evangelho. Uma mensagem maravilhosa, alegre, de reconciliação com Deus por meio de Jesus! Quanto mais destas verdades houver numa pregação, mais próxima esta será de uma genuína pregação do evangelho. Por outro lado, quanto mais forem esquecidas, mais distante o pregador estará do “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16).

A misericordiosa graça de Deus, o senhorio de Cristo, a centralidade da cruz, a ressurreição, a necessidade do arrependimento, a justificação pela fé em Jesus, a comunhão do Espírito Santo, a regeneração, o alerta do juízo final, a salvação e herança dos santos - cada um desses pontos, ou a grande maioria deles, estavam presentes em cada pregação apostólica (confira no livro de Atos 2:14-41; 3:12-26; 4:8-12; 5:29-32; 10:34-43; 13:16-41; 17:22-31).

Porém, como se percebe, esses pilares do evangelho estão ausentes da maioria dos púlpitos hoje em dia. Pouquíssimas pregações contêm sequer a metade do conteúdo das pregações apostólicas, o que é muito grave, pois o evangelho está sendo diluído e perdendo seu poder para conversão de vidas. Ora, o Espírito Santo, que convence do pecado, da justiça e do juízo, não tem compromisso com a nossa palavra, mas com a palavra de Deus (João 16:7-13). Quando um servo fiel prega o verdadeiro evangelho, que é segundo a palavra de Deus, o Espírito Santo entra em ação e convence o pecador da sua necessidade de Cristo.

Mas há também muitos outros versículos no Novo Testamento, além das pregações em Atos, que concentram boa parte do conteúdo do evangelho. Aliás, memorizar esses versículos, que transcrevo abaixo, é de grande utilidade, pois podem ser mencionados não apenas numa pregação, mas também no evangelismo pessoal.
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)


“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:23-26)


“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:8-9)


“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” (1 Coríntios 15:1-4)


“Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntios 5:19-21)


“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2:4-10)


“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.” (Tito 2:11-14)


“Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.” (Tito 3:4-7)


“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1 Pedro 3:18a)
A relação de versículos acima, que não é exaustiva, nos revela que o evangelho não tem por finalidade conduzir as pessoas a conquistas materiais, e sim conduzi-las ao próprio Deus, por meio de Jesus Cristo, único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2:5). Revela-nos também que a mesma verdade do evangelho pode ser dita de várias formas diferentes, contanto que não se altere sua doutrina.

Como exemplo disso, apresento algumas definições contemporâneas do evangelho:
“O Evangelho é a boa nova sobre a vinda e a obra de Jesus.” (Walter McAlister) [3]


“O evangelho é Cristo crucificado, sua obra consumada na cruz” (John Stott) [4]


“A mensagem central da Bíblia é o evangelho, ou boas notícias sobre a pessoa e obra de Jesus Cristo.” (Mark Driscoll) [5]


“O evangelho é as boas novas ou as notícias alegres de salvação ou da libertação da penalidade, do poder e da presença do pecado, inteira e exclusivamente através da pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo” (John A. Kohler)[6]


“O essencial do evangelho é ‘Cristo morreu pelos nossos pecados’.” (Executiva IPB) [7]
Como se percebe, existe um ponto de convergência em todas essas definições do evangelho: Jesus e sua obra consumada na cruz. Portanto, isso é o que jamais pode faltar em qualquer exposição do evangelho, razão pela qual Paulo afirmou aos coríntios: “decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.” (1 Coríntios 2:2) Tal como o próprio Senhor profetizou a seu respeito: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.” (João 12:32)

Que, a exemplo de Paulo, rejeitemos como anátema o falso evangelho, que conduz ao próprio ego, ou a líderes humanos e suas instituições. Mas que vivamos no verdadeiro evangelho, de uma plena comunhão com Deus e amor ao próximo, por meio de Jesus Cristo, que consumou na cruz para sempre a nossa salvação. Isso sim é boa nova, pois esse é o evangelho!

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11:36)
Alan Capriles
_______________________________
[1] John Piper, em “Deus é o Evangelho” - editora Fiel - página 26.
[2] Comentarei cada linha desta sentença no artigo “O Resumo do Evangelho”.
[3] http://formspring.me/WalterMcAlister/q/168477861387210451
[4] http://monergismo.com/textos/evangelho/o_que_evangelho_stott.htm
[5] http://marshillchurch.org/about/the-gospel
[6] http://monergismo.com/textos/evangelho/o_que_evangelho_kohler.htm
[7] http://executivaipb.com.br/Conviccoes/o_que_e_o_evangelho.pdf

04 março 2011

O QUE NÃO É O EVANGELHO

Por Alan Capriles

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” - esta foi a ordem deixada pelo Senhor Jesus no momento de sua partida. Desde então, muitos discípulos de Cristo tem saído pelo mundo afora e falado a toda criatura. Mas será que todos estão, de fato, pregando corretamente o evangelho?

Não basta ir e falar qualquer coisa em nome de Jesus - é preciso dizer a mensagem correta. Falhar nesse ponto é mais do que prestar um desserviço ao reino de Deus - é trazer um prejuízo de conseqüências eternas, tanto para o mensageiro, quanto para os que recebem a mensagem.

Esse é um assunto tão grave, que Paulo, em sua carta aos Gálatas, considera anátema (amaldiçoado) aquele que perverter a mensagem do evangelho (Gl 1:6-9). Logo em seguida, o apóstolo questiona: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.” Com isso, subentende-se que alguns estavam pregando um evangelho agradável aos homens, ou centrado no próprio homem e não em Cristo.

Apesar de evangelho significar “boas novas”, ou “alegres notícias”, isso não quer dizer que pregar o evangelho seja alegrar os pecadores. A finalidade do evangelho não é, de forma alguma, massagear o ego das pessoas. Antes, pelo contrário, a verdadeira mensagem do evangelho faz oposição ao sistema deste mundo e “acaba com a festa” daqueles que vivem como se Deus não existisse.

No entanto, muitos pregadores da atualidade pregam justamente aquilo que as pessoas querem ouvir, a fim de agradá-las, e não o que precisam ouvir para salvá-las. A triste realidade é que Cristo tem sido anunciado mais como a “solução” de problemas do que como o Salvador de nossas vidas. Com isso, reduzem nosso amado Jesus a um “garoto propaganda” e o evangelho a um produto de mercado, que serve para mil e uma utilidades.

“E esta é a promessa que ele mesmo nos fez, a vida eterna. Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar.” (1 João 2:25-26)

Promessas de saúde, riqueza, fama e poder tem sido anunciadas como se isso fosse o evangelho. “Aceite Jesus e você terá direito a essas bênçãos” - esse é o falso evangelho que tem sido anunciado para se atrair um número cada vez maior de pessoas egoístas, materialistas e interesseiras. Como não faltam pessoas assim no mundo, as igrejas que prometem essas coisas enchem mais rapidamente, atraindo um público que não está nem um pouco disposto a renúncias, mas muito interessado em conquistas.

E é justamente a pregação desse falso evangelho, que não converte vidas, a razão pela qual a igreja não tem mais incomodado o mundo. Exemplo disso é o número cada vez maior de cantores evangélicos convidados para cantar em programas mundanos, ou o fato de cruzadas evangelísticas ganharem cobertura em canais de TV que anteriormente perseguiam os cristãos. E a maioria dos crentes está tão cega que considera esse aplauso do mundo uma conquista, quando na verdade é o sintoma de que algo não vai nada bem com a igreja.

“Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas.” (Lucas 6:26)

Portanto, o verdadeiro evangelho não trás alegria para o perdido e nem recebe os aplausos do mundo, mas trás o perdido para a verdadeira alegria e o liberta das paixões desse mundo.

O falso evangelho pode até alegrar as pessoas por um tempo, com suas expectativas temporais, mas não lhes concede a verdadeira  e eterna felicidade, que está em desfrutarmos da plena comunhão com Deus por meio de Jesus Cristo, no qual há verdadeira e eterna vida.

Mas, se o próprio Deus é o bem maior do evangelho, o que é o evangelho? Que mensagem devemos pregar? Minha tentativa de responder biblicamente a essa pergunta encontra-se no próximo artigo, intitulado “O que é o evangelho”.

Alan Capriles

01 março 2011

O FOLHETO PROIBIDO

Por Alan Capriles

Há muito tempo venho pregando que os próprios evangélicos é que precisam ser evangelizados. Minha certeza decorre da inquestionável discrepância entre o que Jesus ensinou e o que se pratica hoje na maioria das igrejas evangélicas.

Por acreditarem cegamente em seus líderes, muitos crentes têm se afastado da simplicidade do verdadeiro evangelho, trocando a suficiência da fé em Cristo por uma série de superstições e práticas desnecessárias à vida cristã.

Um exemplo dessa grave realidade é o alerta contido no folheto que transcrevi abaixo. Ele foi distribuído aos participantes de um congresso de batalha espiritual, liderado por Neuza Itioka, que se intitula apóstola. Os idealizadores do referido folheto, destinado aos crentes, são corajosos irmãos em Cristo, decididos a militar (literalmente) pelo retorno ao verdadeiro evangelho.

Erguendo faixas que transcreviam versículos bíblicos, esses guerreiros da fé se dispuseram em pontos estratégicos, a fim de entregar os folhetos a quem se dirigisse ao evento. Porém, por mais pacífica, silenciosa e bíblica que fosse a manifestação, os envolvidos relataram ter sofrido intimidação por parte dos seguranças do congresso.*

Como se não bastasse, a entrada dos congressistas só era permitida depois que eles entregassem na portaria o folheto que haviam acabado de receber. Ou seja, o folheto foi censurado e, muito provavelmente, nem chegou a ser lido pelos participantes do evento.

Mas, o que havia nesse folheto de tão ameaçador assim?

Simplesmente isso: A verdade.
__________

Transcrição do folheto:
Batalha Espiritual Bíblica
LEIA, PEDINDO DISCERNIMENTO
AO ESPÍRITO SANTO.

Jesus levou sobre si nossas dores e enfermidades (Is 53.4) e nos deu Sua paz, diferente da que o mundo dá (Jo 14.27), mas nesse mesmo versículo completa: “Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. Isso é muito importante para mostrar que, mesmo na Paz de Cristo, há situações para os cristãos capazes de nos atemorizar, de nos angustiar o coração. Em outras passagens Jesus nos mostra isso, por exemplo, quando nos conclama a não sermos ansiosos com o que haveremos de comer ou vestir (Mt 6.25-34), ou quando nos pede para não nos afligirmos, afinal Ele venceu o mundo (Jo 16.33). Assim, é um ENGANO achar que o cristão não pode ter dificuldades financeiras, doenças, aflições, e é um ENGANO AINDA MAIOR atribuir todos os problemas dos cristãos aos demônios. Lembremos do Apóstolo (de verdade) Paulo.

"Voltemos ao Evangelho puro e simples"
Não é preciso fazer curso de libertação e cura interior para se expulsar demônios. Faz pouco tempo que o movimento de libertação iniciou, contudo faz mais de dois mil anos que Deus liberta seu povo e os livra do inimigo. No século passado pastores como Peter Wagner receberam “revelações” de que para uma pessoa ser liberta, precisaria passar por uma série de rituais e o perdão de Deus apenas não bastava.
LUTA CONTRA MAMON
Nos ministérios de libertação e cura interior, lutar contra Mamom é o cristão dar o seu dinheiro na igreja. Não à toa, uma das ministrações é uma oferta do MELHOR que o cristão tiver no momento, sem a qual a pessoa continuaria prisioneira do tal demônio, tendo em consequência suas finanças presas também. Porém, segundo Jesus, a luta contra Mamom é justamente lutar contra o que as novas doutrinas têm pregado sobre prosperidade.
MINISTÉRIO APOSTÓLICO
Os verdadeiros apóstolos simplesmente expulsavam e os demônios saíam em nome de Jesus. É assim que nós, hoje devemos continuar fazendo se realmente somos seguidores de Cristo. Devemos segui-Lo e não a ensinamentos e “revelações” de pastores e líderes. Tudo o que foge à simplicidade e pureza do Evangelho de Cristo deve ser considerado anátema.
MALDIÇÃO HEREDITÁRIA
Não existe maldição hereditária para quem é cristão. Em Cristo, somos novas criaturas, as demais coisas já passaram. Ter a mesma doença que o pai ou o avô não é maldição hereditária, mas sim um problema de ordem física, genética, que Deus, se quiser, pode curar. Ser pobre como o pai ou o avô não é maldição hereditária, mas sim talvez a chance que Deus está nos dando de depender exclusivamente Dele, conforme Mt 6.25-34. Há também problemas de ordem psicológica, as quais demandam terapia e tratamento profissional adequado.
UNÇÃO SOBRE CHACRAS
Ungir para fechar chacras, não cruzar as pernas e os braços durante a sessão de libertação, ter que expulsar os demônios citando-lhes os nomes (sendo que Jesus expulsou toda uma legião – ou seja, até 6 mil membros – sem nominá-los individualmente), tudo isso são práticas e rituais que nada tem a ver com os ensinos dos Evangelhos. São, no mínimo, superstições gospel e na pior hipótese, são ensinos demoníacos.

A VERDADE É QUE JESUS CRISTO NOS BASTA!
__________

Veja a imagem completa do folheto.
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* Confira o relato de alguns participantes do protesto em seus blogs:

http://pedrasclamam.wordpress.com/2011/02/26/um-dia-no-agape-da-ap-neuza-itioka/

http://exemplobereano.blogspot.com/2011/02/o-show-tem-que-parar.html

http://oproponente.blogspot.com/2011/02/o-how-tem-que-parar-neua-ypioca-min.html

09 dezembro 2010

A VERDADE SOBRE MISSÕES



Há uma grande necessidade em Missões, ainda maior e mais urgente do que o envio de novos missionários. Quem nos faz o alerta e explica o que está ocorrendo é Paul Washer - pastor, missionário, escritor e fundador da Heart Cry, uma respeitada sociedade missionária norte-americana.

Antes de publicar este vídeo, mostrei-o a um casal de amigos que fazem missões na África. Eles ficaram muito impressionados e confirmaram cada palavra de Paul Washer. Segundo eles, este é mesmo um problema sério, que atinge missionários que eles conhecem. Trata-se de um alerta tão importante que o transcrevi abaixo, a fim de facilitar sua divulgação:

Por Paul Washer

A grande necessidade no campo missionário é de uma teologia sistemática e de uma pregação expositiva que seja cristocêntrica, ou seja, centrada em Jesus Cristo.

Todos falam sobre missões: “Temos que fazer missões!”

Não, nós não precisamos fazer mais missões do que já estamos fazendo. Nós, norte-americanos, somos o povo que mais tem missões em mente sobre a face da Terra.

O problema é que a maior parte do que chamam de missões é anti-bíblico. E isso é muitíssimo grave. As missões tornaram-se ateológicas (sem teologia). E isso é mal.

Missões agora são dirigidas pelo sociólogo, pelo antropólogo e pelo perito em cultura, quando as missões devem ser lideradas pelo teólogo e exegeta. Missões devem estar baseadas na Escritura.

Deixe-me dar um ou dois exemplos:

Anos atrás um jovem no seminário me telefonou, quando eu estava no Peru, e me disse: “Senhor Washer, quero ir trabalhar com o senhor, quero entregar minha vida no Peru”. E eu lhe pedi: “Fale-me sobre sua teologia”. Ele respondeu:

- Minha teologia não é realmente o meu forte, só quero entregar minha vida.

- Fale-me de seus estudos e preparação para pregar.

- Veja, senhor Washer, só quero ir e entregar minha vida.

Eu respondi: “Jovem, ninguém no Peru precisa da sua vida. Então não venha para cá. Eles necessitam de alguém que abra a sua boca e lhes fale sobre Deus. Eles precisam de Deus.”

Outro exemplo:

Simplesmente não consigo entender as idéias que temos acerca de missões! Às vezes estou num aeroporto em outro país e vejo 40 adolescentes e estudantes norte-americanos com suas camisetas e seus grupos cristãos indo para salvar o mundo. E tudo desperdiçado. Gasta-se 80 mil dólares em média por semana para seu “passeio missionário”. São 40 deles. Chegam, pregam o “evangelho” que não é realmente evangelho nenhum. Fazem seus shows, agitam-se, e tudo mais e logo estão de volta dizendo que mil pessoas se salvaram, quando provavelmente ninguém se salvou de fato. Digo isso porque todas essas pessoas que fizeram decisões nunca aparecem na igreja no próximo domingo. Para eles é um exercício e algo banal.

Com este mesmo dinheiro posso colocar 25 pastores peruanos no campo por um ano inteiro, os quais falam o mesmo idioma, pregando o evangelho 24 horas por dia.

De modo que se faz um montão de atividade missionária e a maioria é inútil, pois não se baseia nesta verdade:

Fazer missões não se trata de enviar missionários. Fazer missões é enviar a verdade do evangelho de Deus a este mundo através de homens e mulheres.

Então, se você tem paixão por missões, não me importa... Não me importa. Isto tem pouco valor pra mim. Porque todos estão correndo com sua paixão por missões.

A questão é:

Você tem que se dedicar em conhecer a Deus e conhecer e sua palavra de maneira que quando for ao campo missionário possa abrir sua boca para instruir as pessoas acerca de Deus.

Se você não está preparado, não entre no campo missionário.

Eu conversava com um irmão que ensina teologia sistemática e pregação expositiva na China. E ele dizia que acabara de terminar um trabalho de estatística sobre o campo missionário e muitas missões e agências missionárias. E ele estimava que 4% do dinheiro missionário e de atividade missionária são investidos para proclamar a verdade. Tudo vai para campanhas evangelísticas e quanta gente se batizou e fazer uma porção de eventos e logo, de tudo, não sobra quase nada.

Do que é que necessitamos no campo missionário?

Nós precisamos plantar mais igrejas locais que sejam bíblicas e sãs. E devemos apoiar estas igrejas até que se tornem autônomas, tenham um pastor bíblico e uma liderança bíblica, até que possam multiplicar-se e difundir a verdade que professam.

É um trabalho duro. Missão não se trata de fazer campanhas enviando um montão de pessoas por um tempo, para nada fazer, e que depois voltam relatando contos.

Se você quer se envolver com missões, deixe-me lhe dar um conselho: Pare de juntar-se a grupos e ficar correndo por aí em nome de Jesus. Abra sua Bíblia, consiga bons livros, estude as Escrituras, memorize capítulos, organize suas idéias em uma teologia sistemática e conheça bem o que você crê. Prepare-se para defender a Verdade, conheça algo da história da Igreja. Seja mestre na palavra de Deus e só depois faça missões.

Até que isto aconteça, fique em casa. Fique em casa. Porque não necessitamos mais do desastre que já está lá fora. Soa muito forte, mas lamento:

É a verdade.
Por Paul Washer
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Comentário de Alan Capriles:

Espero que todos tenham compreendido a urgência deste alerta. Se missionários estão indo para o campo sem o estudo adequado da Palavra de Deus e, principalmente, sem compreender o que é o evangelho de Cristo, muito provavelmente não acontecerão genuínas conversões. Mas a culpa não é deles, e sim das igrejas e agências missionárias que não os preparam adequadamente. Aliás, não podemos esperar muito do campo missionário enquanto nossas próprias pregações e ensino não voltarem a ser puramente bíblicos. Lembrando que, graças a Deus, sempre há exceções.

06 dezembro 2010

CURTA O NOSSO PRIMEIRO CURTA!


Esse é o primeiro curta-metragem filmado por nossa igreja. Gravamos em pouco mais de uma hora, com uma simples máquina fotográfica digital, de apenas 6.2 mega pixels. Editei e publiquei no youtube no mesmo dia, 04 de Dezembro.

A idéia do tema não foi nossa, mas baseada num vídeo norte-americano da "I'll be Honest" que foi editado pelo blog "Voltemos ao Evangelho". O vídeo original pode ser visto no link: http://www.youtube.com/watch?v=h-v9g359CvU

Após assistir ao nosso curta-metragem, vale a pena conferir o vídeo americano, pois ele é acrescido de uma excelente palavra do pastor Tim Conway e de testemunhos de jovens.

E, por falar nisso, o jovem do nosso curta é meu filho Filippe, de 14 anos. O garoto vai longe... Literalmente falando!

Agora estamos gravando uma estória nossa, chamada "Um Presente para Jesus", cujo texto divulguei na postagem anterior. Trata-se de um conto natalino, que terá vários personagens, jovens membros de nossa igreja. É um grande desafio, pois teremos que filmar em vários lugares diferentes, exigindo uma edição mais aprimorada. E somos todos amadores!

Sendo assim, pedimos a sua ajuda em oração, a fim de que prossigamos com este projeto de levar a palavra de Deus por meio de vídeos na internet. Se você tiver canal no youtube, adicione nosso vídeo entre seus favoritos e assim nos ajudará nesta missão.

A Deus seja a glória!

27 novembro 2010

PARA QUE O EVANGELHO SEJA REALMENTE UMA BOA NOVA

Por Alan Capriles
"E esta é a promessa
que ele mesmo nos fez, a vida eterna.
Isto que vos acabo de escrever
é acerca dos que vos procuram enganar."
(1 João 2:25-26)

O evangelho de Cristo é a mais extraordinária e fantástica notícia! Não é por acaso que o termo evangelho significa “boa nova”. No entanto, muitos que se dizem alcançados pelo evangelho não parecem ter a alegria de alguém que foi alvo de tão grande bênção. E muitos crentes, quando evangelizam, já não o fazem mais com o entusiasmo de alguém que é porta voz da notícia mais maravilhosa de todas.

O que está acontecendo?

A resposta é simples: já não se evangeliza mais o verdadeiro evangelho. E como isso já vem acontecendo por décadas, grande parte dos crentes de hoje (que atenderam a um falso evangelho), talvez estejam na igreja pelas razões erradas. Não é difícil chegar a essa conclusão. A lógica é a seguinte: Se o convite evangelístico está errado, a motivação para atendê-lo também será equivocada. Ou seja, desde que se passou a anunciar outro evangelho, conseqüentemente temos passado a atrair outro público.

Antigamente se anunciava Jesus como a salvação para nós, pecadores. Agora, e desde há muito tempo, anuncia-se Jesus como a solução para nossos problemas.

Prova disso é o tão famoso slogan “Cristo é a solução”. Solução para o desemprego, para a doença, para a solidão, para o vício, para as causas impossíveis, solução para todos os nossos problemas! “Venha para Jesus e sua vida vai melhorar” – é assim que muitos “evangelizam” hoje em dia. O problema é que isso não é evangelizar, simplesmente porque essa não é a mensagem do evangelho.

Sabemos que essa alteração no convite evangelístico se deve à influência que a pós-modernidade tem exercido sobre a igreja. Ao invés de não se conformarem com o presente século, como nos alertou Paulo, a maioria dos crentes está tomando a forma deste mundo. Analisamos isso no artigo anterior.

Apresentar Jesus como a solução se tornou cada vez mais atrativo para uma sociedade cada dia mais materialista e egocêntrica. E uma tentadora saída para “fisgar os peixes” em nosso evangelismo. A busca insaciável por números e resultados, que também caracteriza nossa sociedade, contaminou o coração de muitos líderes evangélicos. Numa sede por quantidade maior de membros, a maioria dos pastores busca estratégias que dêem resultados, ainda que não haja embasamento bíblico para tais estratégias. A isso se dá o nome de “pragmatismo”, a filosofia que não se importa com o que é certo, mas com o que dá certo.

Dá certo apresentar Jesus como a solução? Atrai o público? É isso que eles querem ouvir? Então chamemos isso de evangelho! – Esse é o pensamento pragmático que tem dominado a maioria das igrejas evangélicas da atualidade. E, com isso, muitos não têm sequer idéia do que seja o verdadeiro evangelho.

Este evangelho pragmático tem atraído justamente o tipo de pessoas que Jesus mais repelia. Qualquer um que leia o capítulo seis do Evangelho de João chegará a esta conclusão. Quando o Senhor Jesus percebeu que uma grande multidão o seguia por causa do milagre da multiplicação de pães e peixes, ele passou a pregar aquilo que esta mesma multidão classificou como um “duro discurso”. E, por fim, quando perceberam que Jesus falava mesmo sério, a multidão se dispersou, comentando: “Quem o pode ouvir?”

É importante ressaltar que o Senhor não correu atrás daquela multidão, como fariam muitos pregadores da atualidade. Muito pelo contrário, Jesus encarou seus doze discípulos e lhes perguntou se eles também não gostariam de se retirar!

Por que Jesus fez aquilo?

Pedro nos dá uma boa pista, ao explicar: “Para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” É isso que o Senhor espera daqueles que o seguem, a percepção de que somente ele pode nos dar vida verdadeira, vida que perdure além da vida, vida eterna!

Quando se anuncia Jesus por qualquer outro motivo, que não seja a nossa salvação, se reduz o Senhor ao mesmo nível de qualquer ícone religioso existente. Cristo é assim colocado no mesmo leque de opções no qual está Buda, Maomé, Alan Kardec, ou ainda qualquer entidade do chamado baixo espiritismo. Por isso a evangelização que é feita com promessas de cura e prosperidade não pode gerar a alegria de uma verdadeira boa nova. Pois, afinal de contas, o que há de novo com esta mensagem? Qualquer seita promete também cura, sucesso e prosperidade.

“Para quem iremos nós?” – Esta indagação de Pedro revela a singularidade de Jesus: Somente ele tem as palavras da vida eterna. Cristo nos dá o que nenhum outro jamais poderia ou poderá nos dar: uma vida com Deus.

Neste ponto nos deparamos com outra realidade.

Quem ainda insiste na mensagem de que Jesus é o Salvador sabe muito bem disso: a sociedade na qual vivemos não se importa mais com a eternidade. Ninguém deseja pensar nisso. Esse é um assunto que não desperta mais interesse. Talvez estejamos todos entorpecidos com a mensagem subliminar contida em filmes, novelas, músicas, programas de televisão, e sites de relacionamento da internet. Em todos eles uma mesma mensagem oculta, que nos diz repetidamente: “Tudo está bem sem Deus... Tudo está bem sem Deus... Tudo está bem sem Deus...”

Não é isso mesmo que a mídia nos diz? Ao apresentar suas programações totalmente desvinculadas do conceito da existência de Deus, a mensagem que diariamente nos é transmitida, direta ou indiretamente, é essa: “Toda história pode ter um final feliz, ainda que Deus não seja buscado, ou sequer lembrado.” Será que temos idéia do quanto o conceito de “uma vida boa e normal sem Deus” está enraizado na mente da maioria das pessoas que desejamos evangelizar?

Para que a mensagem da salvação seja de fato uma boa nova precisamos primeiramente despertar os ouvintes para esta cruel realidade, que deve ser dita sem rodeios: “Não, sua vida não vai nada bem. Acorde! Se você não tem Cristo, sua condição atual é a de ser inimigo de Deus, e se você morrer sem se converter a Ele o seu destino final será a perdição eterna.”

Enquanto uma pessoa não for convencida de sua triste realidade sem Cristo, de nada adiantará apresentar-lhe a vida eterna em Jesus. Afinal de contas, ela já se acha salva. A grande maioria das pessoas não se preocupa com a eternidade porque acreditam que, de alguma forma, Deus terá misericórdia delas.

Pergunte a qualquer um que não seja evangélico se ele acredita no inferno. Dentre vários que confessarão não acreditar, alguém dirá que acredita, mas com a certeza de que só irão para o inferno os piores pecadores, tais como assassinos e pedófilos. Todas as pessoas, independentemente de seu credo religioso, acreditam que algo melhor virá depois desta vida. E isso porque todos se acham “bonzinhos”, apesar de Jesus ter dito claramente que nenhum de nós é realmente bom.

Existe um consenso social de que basta ter uma boa conduta para se ter um destino melhor. Seja este destino o céu ou uma reencarnação, como prega o espiritismo. Mas este consenso é totalmente contrário ao ensino bíblico cristão. Aliás, fosse verdade tal idéia, nem precisaria Jesus ter vindo ao mundo. Tanto antes de Cristo, quanto depois dele, houve muitos outros que ensinaram a moralidade como caminho para salvação. Mas a prática de boas obras não leva ninguém para o céu, pelo simples fato de que fazer o bem não passa de nossa obrigação, não havendo mérito algum nisso. Além do mais, a própria Bíblia nos afirma que não há ninguém que faça o bem e nunca peque. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Essa é uma verdade que o evangelismo pós-moderno procura esconder.

Jesus não veio ao mundo para ser um mestre de moralismo, ainda que ele mesmo tenha nos dado bom exemplo, andando por toda parte fazendo o bem; Jesus também não veio para resolver nossos problemas existenciais, ainda que ele tenha curado muitos doentes e até ressuscitado mortos; Jesus veio sim para nos reconciliar com Deus, retirando sua ira de sobre nós, ao tomar sobre si nossos pecados e sofrer na cruz do calvário o castigo que nos traz a paz. Sua ressurreição, ao terceiro dia, é a prova de que o Pai aceitou a remissão de nossos pecados por meio do Filho. Assim como Jesus vive, todos os que nele crêem viverão também através dele, por ele e para ele. E não há nada melhor do que isso! Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, mas Jesus nos oferece gratuitamente a vida, nos purificando e nos enchendo com seu Santo Espírito, a garantia de nossa salvação! Agora sim, temos uma boa nova de grande alegria!

Você percebe? Para que alguém se alegre com o evangelho necessita primeiro reconhecer sua miserável condição sem Cristo. Sendo assim, todo aquele que deseja anunciar a Jesus precisa mostrar o quão perdido alguém está sem ele.

Evangelizar não se trata de uma questão de uma pessoa se sentir melhor, tendo isso ou aquilo por meio de Jesus. Evangelismo é muito mais do que isso! Trata-se de uma questão de vida eterna ou de perdição eterna!

Portanto, se queremos que o evangelho seja realmente reconhecido como uma grande boa nova, estamos diante de um enorme desafio: convencer esta humanidade pós-moderna do quanto ela está perdida e necessita se arrepender, de que há justificação somente pela fé em Cristo e de que haverá um terrível juízo para quem rejeitar este convite de amor.

Mas, graças a Deus, não estamos sozinhos nesta grandiosa missão de evangelizar um mundo perdido. Se fizermos isso com fidelidade, temos a maravilhosa promessa de que o Espírito Santo nos ajudará (Mateus 10:19-20). Ele é quem convence o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo. (João 16:8) Nossa tarefa é somente pregar o verdadeiro evangelho (Marcos 16:15), o restante é por conta dele.

Seja um verdadeiro proclamador das boas-novas, cheio do Espírito Santo, e não de confiança em si mesmo, e jamais esqueça: “maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo.” (1 João 4:4)

Por Alan Capriles

19 novembro 2010

O TRIPLO DESAFIO DO EVANGELISMO NA PÓS-MODERNIDADE

Por Alan Capriles
"Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. 
Ninguém vem ao Pai senão por mim."
(Jesus Cristo - em João 14:6)

O ambiente social no qual vivemos é influenciado por três conceitos errôneos, que caracterizam a chamada pós-modernidade. Na realidade, tais conceitos perfazem o tripé sobre o qual nossa sociedade pós-moderna se baseia. São eles chamados de relativismo, pluralismo e humanismo.

Cada um destes “ismos” está presente no seu cotidiano, mesmo que você não se dê conta disso. Está presente nos relacionamentos, nas artes, no sistema de ensino, nas propagandas, nos jogos, nas músicas, nos filmes, na moda e em cada programa de televisão que assistimos. Estamos de tal forma cercados por tais conceitos, que já nos acostumamos com eles.

A maior prova de nossa letargia é a influência que o relativismo, pluralismo e humanismo têm exercido na religião cristã. Estes conceitos errôneos da pós-modernidade não apenas afetaram o modo de se fazer culto, mas também distorceram as nossas bases teológicas, principalmente no ramo da cristologia e da soteriologia.

Estou certo de que enfrentar estes conceitos, que são contrários à fé cristã, representa nosso maior e mais urgente desafio. Precisamos analisar o quanto os conceitos da pós-modernidade têm afetado nosso ensino bíblico, nossa pregação do evangelho e, principalmente, nossa forma de se fazer evangelismo.

Não podemos negar que vivemos nesta época, chamada de pós-modernidade, mas é nosso dever, como discípulos de Cristo, rejeitar com veemência os conceitos equivocados que caracterizam o presente século e que estão contaminando a igreja do Senhor. Mais do que nunca se faz necessário enfatizar este alerta: "não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Rm 12:2 - ARA)

Sendo este um assunto de conseqüências eternas, analisaremos individualmente cada um dos conceitos errôneos que moldam as mentes do presente século, e com as quais não podemos nos conformar:

Relativismo

O relativismo consiste na certeza absoluta de que não existem certezas absolutas. Desta forma, todo ponto de vista seria válido, pois se altera de acordo com a época, o lugar, o grupo social e os indivíduos.

Apesar de ter se consolidado nas últimas décadas, o relativismo já era prenunciado desde o século 19, como nos versos do poeta espanhol Ramón de Campoamor:

E neste mundo traidor
nada é verdade nem mentira;
tudo depende da cor
do cristal com que se mira.

Este conceito de incertezas, no qual tudo depende do ponto de vista de cada um, ganhou ainda mais força no século 20, apoiado na teoria da relatividade, de Albert Einstein. A partir de 1919, com a confirmação de sua teoria, começou a circular a crença de que não havia mais absolutos: tempo e espaço, bem e mal, conhecimentos e valores – agora tudo era relativo.

Ora, se tudo é relativo, nossas crenças religiosas também devem ser relativas. Segundo este conceito, aquilo que não pode ser comprovado não pode ser ensinado. No relativismo, histórias bíblicas, tais como a criação, o dilúvio e a Torre de Babel, não podem ser mais interpretadas como história verídica, mas somente como ilustrações de cunho moral. Verdades eternas, tais como o céu e o inferno, não devem sequer ser mencionadas, pois não há espaço para tais crenças numa cultura relativista.

O resultado inevitável do relativismo é a idéia de que Jesus não seria “o” caminho, mas apenas “um” caminho, entre tantos outros. E muitos que se dizem cristãos já pensam exatamente assim.

Note como atualmente os crentes ensinam, pregam e evangelizam evitando enfatizar a Jesus como único caminho de salvação. O relativismo desta sociedade pós-moderna os intimida. Eles têm medo de parecerem ridículos ao falar do céu ou do inferno, e de serem tidos como intolerantes ao rejeitar outras crenças religiosas.

Nosso primeiro desafio é um retorno à ousada pregação de que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens. (1Tm 2:5) Precisamos proclamar claramente que “em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:12) O mundo necessita desta mensagem! Faz-se urgente que voltemos a proclamar que só Jesus é a porta da salvação, que só ele é o caminho da vida eterna! (João 10:9; 14:6)

Pluralismo

O pluralismo é o conceito que tenta eliminar a verdade, ao aceitar tudo como verdade. É o reconhecimento passivo da diversidade, como tentativa de boa convivência social. Segundo o pluralismo, Jesus não seria “a” verdade, mas apenas “uma” verdade.

A influência do pluralismo na religião é uma conseqüência do chamado “pluralismo político”, que caracteriza a democracia moderna. Com a democratização das sociedades, que considera todos os sujeitos religiosos como legítimos, não é mais politicamente correto duvidar das crenças e valores de ninguém. Aliás, tornou-se até perigoso.

Por exemplo, pregações contra homossexualismo, prostituição e aborto são proibidas por lei em alguns países, nos quais estas práticas já foram legalizadas. Qualquer pessoa que se sinta ofendida com a verdade da palavra de Deus pode processar o pregador, pois ele questionou a “sua” verdade particular.

Em suma, pluralismo significa isto: jamais opor-se perante o pensamento contrário. Assim sendo, você pode até declarar a sua verdade, desde que não se oponha à minha verdade.

Perceba como o pluralismo está presente no ensino, na música, nas entrevistas, nos filmes, nas novelas, nos programas de auditório, nas propagandas, nos shows, e até nos diálogos mais informais.

Antigamente, se um cristão perguntasse a crença de outra pessoa e esta lhe dissesse “sou budista”, o crente tentaria lhe converter a Jesus Cristo. Mas hoje, intimidado pelo pluralismo da sociedade pós-moderna, o crente apenas comentaria: “Que bom! O importante é crer em Deus.” E pode ser que talvez, após ganhar a simpatia do budista, o crente se encoraje a lhe convidar para conhecer a sua igreja.

Se você não vê mal algum nesse tipo de evangelismo, certamente o conceito pluralista já lhe cegou para a urgente verdade da palavra de Deus. A terrível condenação que aguarda o homem que morre sem Cristo talvez não lhe diga mais nada. Provavelmente o seu raciocínio seja este: “Um Deus de amor não poderia excluir da salvação os não-cristãos pelo simples fato de não serem cristãos.” Pois esta frase é uma das máximas do pensamento pluralista. E muitos crentes perderam o ardor evangelístico e missionário porque foram envenenados por esta mentira.

Nosso segundo grande desafio é voltar a proclamar que Jesus Cristo é a revelação plena da verdade absoluta. Ele é a própria verdade. Passará o céu e a terra, mas as suas palavras são eternas, jamais passarão. (Mc 13:31)

Humanismo

A terceira característica desta sociedade pós-moderna é o humanismo: a crença que coloca o ser humano no topo de qualquer escala de valores, no centro de todas as coisas, e como finalidade para todas as causas. Segundo o humanismo, Cristo não seria mais o centro da vida, mas o próprio homem.

O humanismo não é uma novidade na história. Suas raízes remontam ao século 15, por ocasião do início do movimento renascentista na Europa. Mas a ideologia humanista, que exalta o homem e sua individualidade, está mais forte do que nunca.

Pode até parecer incrível, mas este humanismo anticristão é o conceito que mais tem influenciado a igreja, deturpado o evangelho e enganado os crentes.

A começar pelo evangelismo. Ao invés de uma exposição da verdade bíblica acerca da terrível condição e destino do homem sem Cristo, os evangelizadores pós-modernos preferem declarar: “Você é tão importante para Deus, que Cristo deu a sua vida por você!” Quando a verdade é o oposto disso: “Somos tão miseráveis pecadores, que Deus precisou enviar seu próprio filho para nos salvar, tão somente por sua graça, sem nada merecermos.”

Já não se fala mais em pecado, renúncia, regeneração, volta de Cristo, juízo final, céu, inferno – tudo isso foi riscado dos atuais métodos de evangelismo. Os pregadores evitam esses assuntos. O apelo pós-moderno não é mais por arrependimento de pecados, mas por aceitar a Jesus, como se ele precisasse de nós, e não o contrário.

Nossos cultos mais parecem um balcão de ofertas do que um serviço de adoração a Deus. O que você precisa? Se for de cura, venha na segunda-feira; causas impossíveis, na terça; vitória, na quarta; prosperidade, na quinta; libertação, na sexta; um novo amor, no sábado; restauração da família, no domingo. Você percebe? O culto não é mais para Deus, mas para o homem!

Nossas pregações já não enfatizam o senhorio soberano de Cristo, mas o apresentam como uma espécie de papai-noel, que tem por obrigação realizar nossos desejos. As mensagens atuais enfatizam mais o que Deus pode fazer por você, do que como Ele deseja que andemos. Há pregadores que ameaçam até rasgar suas bíblias se Deus não atender suas petições.

Os crentes pós-modernos não criam raízes em igreja alguma. Quando seus desejos demoram a se realizar, ou se o culto não está mais lhe satisfazendo, simplesmente trocam de igreja, em busca do próprio prazer. Atentos a este “mercado”, as igrejas pós-modernas disputam a “clientela”, prometendo bênçãos, facilidades e, muitas vezes, títulos e cargos, a fim de seduzir os egocêntricos.

As igrejas deste século mais se parecem com casas de show do que com aquilo que deveriam ser: casas de oração. O altar, por exemplo, se transformou em palco, no qual os crentes disputam aparecer, seja cantando ou dançando. O pastor pós-moderno mais parece um animador de auditório do que um líder espiritual. O tempo que deveria ser gasto fora das quatro paredes, com evangelismo e obras de caridade, agora é usado entre as quatro paredes, em prolongados ensaios para o próximo evento. E mal termina um evento, já precisamos nos preparar para o próximo! Afinal de contas, neste tempo de pós-modernidade, igreja boa é igreja que oferece bastante entretenimento, a fim de atrair uma sociedade fútil e descompromissada. Na pós-modernidade, o importante é encher a igreja, ainda que seja com bodes e não ovelhas.

Você já deve estar se perguntando como é que deixamos isto acontecer. A resposta é: “Não deixamos acontecer, já nascemos assim.” O ser humano já nasce egoísta e querendo ser o centro das atenções. O problema é que há milhares e milhares de crentes que não sepultaram o velho homem, com seus desejos egocêntricos. Continuam sendo egoístas e querendo aparecer. São crentes que precisam de conversão, a começar por muitos pastores. São pessoas que nunca nasceram de novo, apesar de terem largado vícios e viverem uma vida moral – padrão alcançado na prática de qualquer religião. Estão enganando e sendo enganados.

Se alguém acredita ser cristão sem ter morrido para si mesmo, a fim de viver para glória de Deus, simplesmente tal pessoa nunca se converteu realmente.

E este é o terceiro e maior desafio da evangelização na pós-modernidade: converter os próprios crentes ao senhorio de Cristo. Precisamos voltar a vivenciar e a pregar a razão da nossa própria existência, que é vivermos para a glória de Deus (Ef 1:12). Jesus Cristo não é algo que acrescentamos à nossa vida, ele é nada menos que toda a nossa vida (Cl 3:4).

A nossa vida é Cristo! (Gl 2:20) Somente o resgate desta verdade trará de volta uma igreja que exalte ao Senhor, uma pregação centrada em Cristo, um evangelho da salvação e um povo santo, adquirido para Deus, resgatado das trevas para sua maravilhosa luz.

Concluo minha análise com uma palavra de esperança. Nem tudo está perdido. Deus tem despertado seus servos em todas as partes da terra, nos convidando a um simples retorno a Jesus Cristo e ao seu evangelho. Portanto, não se intimide, nem se isole. Deus não lhe despertou por acaso. Não saia de sua igreja, mas proponha um santo jejum. Divulgue artigos como este, leve-os humildemente ao conhecimento dos pastores e proponha uma assembléia na igreja para se refletir sobre este assunto. Chega de somente criticar, precisamos agir, declarando corajosamente a todos quem é Jesus Cristo: o único Caminho, a plena Verdade e a perfeita Vida.

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11:36)

Alan Capriles