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09 agosto 2015

O TENEBROSO MUNDO APÓS 2015

A nova agenda da ONU e sua tirania global


Por Alan Capriles

A agenda global para os próximos 15 anos já está definida. Todos os 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas, inclusive o Brasil, já deram seu aval para esse acordo histórico e sem precedentes.[1] O novo texto da ONU, que se diz “do povo, pelo povo e para o povo”, (mas sobre o qual você não teve a menor participação), exercerá influência direta em nossas vidas. Ele será sancionado durante a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável – evento que ocorrerá nos próximos dias 25 a 27 de Setembro, em Nova York. A ocasião marcará também o aniversário de 70 anos dessa Organização e contará com a presença do Papa Francisco, que discursará para mais de 150 líderes mundiais.[2] 

“Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” é o título dessa nova agenda global.[3] Ela define 17 objetivos e 169 metas para acabar com a pobreza até 2030 e promover universalmente a prosperidade econômica, o desenvolvimento social e a proteção ambiental. Serão 15 anos, a contar de 1º de Janeiro de 2016, nos quais as nações estarão comprometidas com os termos deste pacto. O texto, que contém 29 páginas, surpreende por sua ousadia, chegando a ser descaradamente utópico. Ele prevê um mundo (o mundo todo!) livre de pobreza, fome, doença e no qual todos irão prosperar num prazo recorde de apenas uma década e meia. Mas a grande questão é: como se alcançar em 15 anos o que a humanidade não alcançou em milênios?

É nesse quesito que o texto me pareceu tenebroso. Ele reconhece a necessidade de soluções integradas para o desenvolvimento sustentável e da adoção de uma nova abordagem para alcança-lo, mas não esclarece que “nova abordagem” seria essa. O que se deixa transparecer, ao longo do texto, é que todos os países trabalharão em parceria, determinados a mobilizar todos os meios necessários para executar esta Agenda. Em outras palavras: custe o que custar.

Parece-me óbvio que o texto sugere, nas entrelinhas, aquilo que a ONU sempre almejou: a nomeação de um líder sobre todas as nações, bem como a unificação mundial da moeda, a exemplo do Euro, que não passou de uma experiência do que está por vir.[4] O propósito desta agenda não é outro, senão respaldar as bases para um futuro, mas iminente, governo global. Sem dúvida, isso será proposto nas próximas assembleias gerais da ONU.

O apelo para que tal governo seja criado é fortíssimo. Além das questões de paz e segurança, que são agravadas pelo crescente terrorismo, temos ainda o risco de um colapso econômico mundial, bem como de um provável e ameaçador caos climático – consequência do aquecimento global [5]. Tudo isso é lembrado repetidas vezes na Agenda da ONU, que ainda promete, com a sua implementação, o fim da pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares, garantindo uma vida saudável para todos em todas as idades. Ora, quem não sonha com um mundo assim? Mascarada com essas boas intenções, a ONU tentará convencer os líderes mundiais de que não há outra alternativa, senão a escolha de alguém que conduza a humanidade por esse caminho de paz, saúde e prosperidade. 

Mas, para que isso aconteça, será necessário que primeiro ocorra algo ainda mais catastrófico que as duas grandes guerras. Algo ainda mais comovente que as bombas de Hiroshima e Nagasaki. Algo ainda mais espantoso que o 11 de Setembro. Algo que abale o mundo inteiro como a um só homem, promovendo uma unidade de propósito na aceitação de um só governo, de uma só moeda e, até mesmo, de uma só religião.[6] O que ocorrerá? Francamente, não sei. 

Mas sei que uma liderança mundial não dará certo. Pelo contrário, será catastrófica. O governo do mundo não pode recair sobre a responsabilidade de um homem, pois não há homem sobre a terra que suporte tamanha provação. Ainda que comece bem, teremos a pior das tiranias como resultado de tamanha loucura. Além do mais, para se alcançar a prosperidade, paz e segurança que a agenda da ONU promete, o controle necessitará ser absoluto e excessivamente rígido. Talvez não seja por acaso que o texto repita que “ninguém será deixado para trás”. 

O fato é que um plano global está sendo tramado e todos nós seremos diretamente afetados por ele. Não se trata de mais uma teoria da conspiração, mas de algo muito bem documentado, que está às portas e que você mesmo poderá conferir.[7]

Sendo assim, o que podemos fazer? Sugiro que, urgentemente, você faça a leitura reflexiva de outros textos, muito mais antigos e de inestimável valor. Textos que não somente predisseram tudo quanto agora testemunhamos ocorrer, mas que também nos orientam a respeito de como agir nesses últimos dias. Sim, faço menção à Bíblia![8] E aqueles que se incomodam por eu mencioná-la, apenas confirmam a descrição profética do desprezo para com Deus e sua Palavra nesse tenebroso tempo do fim. 

Notas


[1] Confira esta notícia no site da ONU, clicando aqui.

[2] Francisco é o quarto papa que discursa perante a ONU, depois de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI.

[3] O texto completo da Agenda da ONU já está disponível em inglês. Para conferir diretamente sua tradução, clique aqui.

[4] A ONU jamais escondeu sua intenção de pacificar as nações através de um líder mundial soberano. A ideia encontrou apoio no papa Paulo VI, o qual, em 1965 declarou em seu discurso à ONU: “Vós sois uma rede de relações entre os povos. Estaríamos tentados a dizer que a vossa característica reflete de certa maneira na ordem temporal o que a nossa Igreja católica quer ser na ordem espiritual: única e universal. [...]Quem não vê a necessidade de chegar assim progressivamente a instaurar uma autoridade mundial capaz de poder agir eficazmente no plano jurídico e político?” Confira esse discurso completo clicando aqui.

[5] O suposto aquecimento global será usado como fator de unificação entre as nações. Nada melhor que se estabelecer um inimigo em comum para se promover alianças. De fato, é cada vez maior o número de climatologistas que asseguram que o planeta está aquecendo rapidamente. Minha opinião é a de que, sim, isso é verdade. No entanto, o temor de um caos climático será usado pela ONU como chantagem para se alcançar seus objetivos funestos de um só líder mundial, uma só moeda e uma só religião. A grande causa do aquecimento global não é o CO2, mas o gás metano, o qual não está sendo combatido em sua maior fonte: a pecuária. Para entender o problema, e a hipocrisia do sistema, confira o excelente documentário A Conspiração da Vaca.

[6] A expressão Mãe Terra faz parte do texto, que a sugere por ser “uma expressão comum em grande número de países e regiões” (§59). A ONU sanciona uma iniciativa de unificação religiosa, chamada URI (United Religions Initiative) a qual encontra apoio no Papa Francisco e no ex-presidente de Israel, Shimon Peres, que, em visita ao vaticano em 2014, propôs a criação da ONU das religiões: "A Organização das Nações Unidas teve seu tempo e, agora, o que vejo é uma ONU das religiões, uma Organização das Religiões Unidas", disse Peres, que completou: "Seria a melhor maneira para acabar com o terrorismo que mata em nome da fé, já que a maioria das pessoas pratica suas religiões sem matar ninguém". Fonte: Revista Exame.

[7] Todas as referências à Agenda da ONU podem ser conferidas em seu próprio texto e encontram-se precisamente nos seguintes locais, que merecem maior atenção: página 2, preâmbulo; página 3, parágrafo 1 a 7; pág. 4, §13; pág. 5, §18; pág. 6, §21 e 26; pág.8, §34 e 39; pág.10, §48 e §50 a 52; pág.11, §59; pág. 12, todas as metas; pág.18, meta 10,2 e 10,4 a 10,6; pág.21, meta 16,4 e 16,9; pág.22, meta 17,6 e 17,10; pág. 24, §60; pág. 25, §70 e 71; pág. 27, §72 e 73; pág.29; §87.

[8] Referências bíblicas que você não pode deixar de conferir: Mateus 24:9-14; Lucas 21:25-36; 1 Tessalonicenses 5:3; 2 Tessalonicenses 2:1-4; Apocalipse 13:16-18; 14:9-13; 16:2.


28 julho 2014

TRADIÇÃO OU TRAIÇÃO?

Por Alan Capriles

Boa parte daquilo que ocorre no meio religioso pode ser chamado de tradição, ou seja, são práticas perpetuadas por gerações, mas que não possuem real valor para a fé que se diz professar. Em outras palavras, poderíamos viver muito bem sem elas – e, em alguns casos, muito melhor sem elas. No entanto, nem toda tradição é necessariamente negativa. Havendo coerência em tais práticas não há problema algum em mantê-las, especialmente quando servem para auxiliar em nosso desenvolvimento espiritual. O problema está nas tradições que contradizem ensinamentos essenciais da fé que se diz professar. Mais grave ainda é quando crentes decidem ignorar tais ensinamentos por causa de uma tradição. Nesse caso, uma tradição acaba se tornando não somente um empecilho, mas uma traição direta a essa mesma fé.

Encontramos no cristianismo diversos exemplos de tradições que contrariam o que Cristo ensinou. Estou certo de que no budismo também ocorra o mesmo em relação ao Buda, assim como no islamismo, em relação a Maomé.[1] Mas, como pastor, prefiro me ater ao cristianismo, especialmente em sua vertente evangélica – meio religioso que conheço muito bem, a ponto de sentir-me a vontade para questioná-lo. Certamente não conseguirei abordar todas as tradições evangélicas que se constituem numa traição a Cristo, pois temo que sejam muitas! No entanto, espero dar um ponto de partida, a fim de que o leitor faça suas próprias reflexões, descobertas e, se houver coragem, as devidas mudanças.

De fato, é preciso ter o mínimo de coragem para se questionar uma tradição. Recentemente, por exemplo, pensei que fossem me agredir apenas porque apontei, calma e educadamente, uma tradição cristã que se opõe ao que Cristo ensinou. Meu questionamento havia sido em relação às poltronas (geralmente luxuosas) que ficam sobre os altares de algumas igrejas e que dão proeminência para os pastores – uma tradição mantida pela maioria das igrejas evangélicas. Ora, por mais que isso pareça normal, não podemos negar que Cristo foi bastante claro em repudiar aqueles que fazem “as suas obras com o fim de serem vistos pelos homens” e que amam “as primeiras cadeiras” nos locais de culto. E ainda que o Senhor não tivesse sido tão direto, a simples lembrança de que “quem a si mesmo se exaltar será humilhado” deveria ser o bastante para que evitássemos qualquer autopromoção. Mas, lamentavelmente, esse é um cuidado que poucos crentes levam a sério.

E que tal isso: Jesus também ordenou que “o maior dentre vós será vosso servo”, todavia, na maioria das igrejas evangélicas o pastor é servido pelos demais irmãos – algo que é visto com a maior naturalidade. Não seria essa postura mais uma traição a Cristo que se passa por uma tradição cristã? Prova disso é que, como ocorre em toda tradição, fugir a essa regra não somente pode causar estranheza, mas também incômodo. Certa vez um pastor idoso que visitava nossa igreja não conseguiu se conter e repreendeu-me ao perceber que eu ajudava na preparação do culto. Segundo ele, que se julgava bastante experiente no ministério pastoral, deveria eu ficar sentado e não fazer coisa alguma, sugerindo que nós, pastores, seríamos diferentes dos demais irmãos. Prontamente o indaguei: “Mas não foi o próprio Senhor Jesus que disse ter vindo para servir e não para ser servido?” Como eu já imaginava, aquele pastor mudou de assunto e não me deu resposta. Mas, isso não importa – todos nós sabemos que não somos melhores do que Jesus. Da mesma forma, nossas tradições também não estão acima do que Cristo nos ensinou; mas, a despeito disso, milhares de igrejas as mantêm – na maioria das vezes, numa descarada traição ao Senhor.

Outro exemplo desse tipo de traição (alguém poderá rir) é a chamada cantina. Não tenho dúvidas de que esse comércio se tornou uma tradição, pois a cantina está presente em praticamente todas as igrejas evangélicas, funcionando logo após, ou mesmo durante a realização dos cultos. Reconheço que a prática dos cristãos comerem juntos é antiquíssima, remontando ao período apostólico, no qual esses encontros foram apelidados de ágapes. Ora, não há nada de errado nisso. Quando comemos juntos estamos fortalecendo a comunhão e promovendo o amor ao próximo, razão pela qual o termo ágape servia muito bem para tais ocasiões, nas quais o alimento era compartilhado. O problema é que hoje raramente se encontra uma igreja caracterizada pelo amor, ao menos não nesse sentido, pois tudo que se quiser comer ou beber será vendido na cantina – e não doado, como deveria ser. Quem tiver dinheiro, compra; quem não tiver, vai embora com fome. Ou então terá que passar pelo constrangimento de pedir, como já foi sugerido por certo pastor, que sempre anunciava no final de cada culto: “Temos cantina, mas se você não tem como pagar, venha falar comigo.” Até hoje não sei se o pastor pagava por esse lanche, ou se apenas emprestava o dinheiro. Seja como for, por que fazer alguém passar pelo constrangimento de dizer que está duro? Não seria muito melhor acabar com esse comércio e dar de graça o lanche para os irmãos?

Poucos percebem que a cantina, ou lanchonete, não é somente uma tradição nas igrejas, mas também uma traição a Cristo, que nos ensinou justamente o contrário dessa prática. Ou alguém se esqueceu de que foi o próprio Jesus quem expulsou os vendilhões do templo? O recado por trás disso é bastante claro, não fosse ele distorcido por pregadores que tratam de espiritualizar essa passagem bíblica, ao se alegar que o Senhor estaria somente ilustrando a purificação do nosso corpo, o templo do Espírito Santo. E assim, com essa manobra teológica, a cantina tem permanecido, fazendo com que a chamada “casa de Deus” continue sendo lugar de comércio e não da prática de amor ao próximo.

O mesmo aplica-se ao chamado bazar beneficente. Irmãos trazem roupas usadas que depois serão vendidas para a comunidade, geralmente na porta da igreja. Ainda que sejam repassadas por um preço acessível, não seria mais correto que essas roupas fossem doadas? De acordo com o que Jesus nos alertou, devemos proceder de tal forma que, no dia do juízo, o Senhor nos declare: “estava nu e me vestistes”. Ora, isso é muito diferente de “estava nu e me vendestes uma peça de roupa, bem baratinho.” Aliás, nem costuma ser mais tão baratinho assim...

Se você é um cristão evangélico sincero, certamente decidirá romper com essas tradições, mas devo alertá-lo: não espere que sua postura seja aplaudida pelos demais membros de sua igreja. Basta lembrarmos que o próprio Jesus também sofreu com isso, sendo acusado pelos religiosos de estar desprezando a tradição dos anciãos. Sua resposta foi um questionamento que continua válido para os religiosos de nossos dias: “E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?”[2]

Ora, dois mil anos se passaram, mas, como já foi demonstrado, continuam existindo tradições que se opõem à vontade de Deus. O apego a essas tradições é algo extremamente danoso, pois significa preferir o que aparentemente “dá certo” em lugar do que realmente “é certo”. Parece não haver nada de errado nas poltronas sobre o altar, pois elas têm a finalidade prática de facilitar que os pastores supervisionem o culto; mas aqueles que nelas se assentam poderão sentir-se orgulhosos e soberbos – especialmente se essas poltronas forem mais luxuosas que o assento dos demais irmãos – o que não é correto. A cantina pode até facilitar a vida de alguns membros da igreja, os quais não precisarão procurar uma lanchonete após o culto, mas também poderá gerar constrangimento nos irmãos mais pobres, que não terão dinheiro para comprar um lanche. Nesses dois casos, assim como nos exemplos anteriores, não vale à pena insistir na tradição, mas abandoná-la de uma vez por todas! Da mesma forma, deveríamos rejeitar a obrigatoriedade do uso de gravata e paletó para se pregar, algo que se torna sacrificante num país tropical como o Brasil, especialmente no verão. 

Por outro lado, há tradições cristãs que são inofensivas, tais como a bênção apostólica proferida no final de cada culto, ou o cumprimento dos pastores junto à porta de saída do templo, ou ainda a apresentação de crianças recém-nascidas à igreja. Outras, por conseguinte, somente serão tradições inofensivas quando houver a compreensão de que se tratam exclusivamente de tradições e não de mandamentos essenciais à fé. 

Como exemplos de tradições que costumam ser confundidas com ordenanças, podemos citar a prática do dízimo e a edificação de templos. Ainda que não seja errado fazer uma coisa ou outra, torna-se errado quando alguém as confunde com obrigatoriedade, condenando quem decida ofertar livremente, ou quem preferira congregar nos lares, ao invés de filiar-se a denominações cristãs. É importante lembrarmos que a entrega de dízimos, assim como a edificação de templos, não são mandamentos da parte de Deus (ao menos não na Nova Aliança), mas práticas que podem ou não auxiliar em nosso desenvolvimento espiritual. O dízimo, por exemplo, só será benéfico se for entregue espontaneamente e não sob ameaças de maldição; e o templo, por sua vez, se for visto como um local para reuniões e não como “casa de Deus”.[3] Ainda que haja muito barulho a respeito desses temas, o fato é que estamos falando de tradições – tradições sem as quais a igreja de Cristo sobreviveu muito bem nos três primeiros séculos de sua história. Os primeiros cristãos compreendiam que a prática do dízimo judaico caiu juntamente com os muros do templo de Herodes, ao qual ele se destinava. Compreendiam também que a igreja somos nós e não uma construção de pedra, razão pela qual se reuniam nos lares. Por conseguinte, não há nada de errado se, por necessidade de um espaço maior, cristãos decidirem alugar, comprar ou construir uma edificação – contanto que os gastos com esse local não ultrapassem o básico necessário.[4] Também não há nada de errado se cristãos quiserem exercer o dízimo, mas desde que seja uma prática espontânea e que se compreenda o seu propósito prático: o de não se ofertar menos que dez por cento da sua renda, o que não é nada se comparado com a quantia que ofertavam os primeiros cristãos.[5]

Sendo assim, há tradições que, apesar de aparentemente inofensivas, podem tornar-se maléficas quando compreendidas como algo obrigatório. E esse mal consiste não somente no equívoco de se condenar aqueles que não praticam tais tradições, mas também no medo e na culpa que cristãos desinformados podem sentir quando não as mantém. Por outro lado, e como já vimos em exemplos anteriores, há tradições que nada tem de inofensivas, pois contrariam frontalmente o que Cristo nos ensinou. Tais tradições, uma vez identificadas, deveriam ser completamente extirpadas do meio cristão. Quem se omite a esse respeito não somente contribui para perpetuar uma perniciosa tradição, mas também se torna conivente com ela, tornando-se nada menos que um traidor de Cristo – alguém que lhe dá um carinhoso beijo na face, enquanto despreza seus mais claros ensinamentos de humildade e amor.

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NOTAS
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[1] Não estou sugerindo que Jesus deva ser comparado a Buda, ou a Maomé, mas apenas afirmando que o mesmo fenômeno das tradições ocorre tanto no cristianismo, quanto nas demais religiões. 

[2] Esta referência (Mateus 15:3) encontra-se na Nova Versão Internacional. As referências anteriores estão na versão Almeida Revista e Atualizada e podem ser encontradas em Mateus 23:5,6,11,12; 25:36.

[3] A casa de Deus somos nós.

[4] A ostentação com o local de culto é um pecado grave, pois desvia as ofertas de sua correta destinação, que deveria ser o auxílio às pessoas carentes e a evangelização.

[5] Confira: Atos 2:45 e 4:34,35.

Alan Capriles

15 março 2010

O DIABO RESIDE NO VATICANO

O exorcista-chefe da Igreja Católica disse a um jornal italiano que "o Diabo reside no Vaticano" e que bispos estariam "ligados" a ele.

Em entrevista ao diário La Repubblica, o padre Gabriele Amorth, que comanda o departamento de exorcismo em Roma há 25 anos, disse que o ataque ao papa Bento 16 na noite de Natal e os escândalos de pedofilia e abuso sexual envolvendo sacerdotes seriam provas da influência maléfica do Demônio na Santa Sé e que "é possível ver as consequências disso".

O sacerdote, de 85 anos, disse ainda que há, na Igreja, "cardeais que não acreditam em Jesus e bispos ligados ao Demônio".

Amorth, que já teria realizado o exorcismo de 70 mil possuídos, publicou um livro no mês passado, chamado Memórias de um Exorcista, em que narra suas batalhas contra o mal.

A série de entrevistas que compõe o livro foi realizada pelo jornalista Marco Tosatti, que conversou com o programa de rádio Newshour da BBC.

Tosatti disse que o Diabo atua de duas formas. Na primeira, a mais comum, "ele te aconselha a se comportar mal, a fazer coisas ruins e até a cometer crimes".

Na segunda, "que ocorre muito raramente", ele pode possuir uma pessoa. Tosatti disse que, de acordo com Amorth, Adolf Hitler e os nazistas foram possuídos pelo capeta.

O exorcista católico conta em suas memórias que, durante as sessões de exorcismo, os possuídos precisavam ser controlados por seis ou sete de seus assistentes. Eles também eram capazes de cuspir cacos de vidro, "pedaços de metal do tamanho de um dedo, mas também pétalas de rosas", segundo o sacerdote.

Guerra contra a Igreja

Amorth defende que a tentativa de assassinato do papa João Paulo 2º em 1981, assim como o ataque ao atual papa no Natal passado e os casos de abuso sexual cometidos por padres são exemplos de que o Diabo está em guerra com a igreja.

Em entrevista ao La Repubblica, o exorcista contou que o Demônio "pode permanecer escondido, ou falar diferentes línguas, ou mesmo se fazer parecer simpático".

Para Tosatti, não há nada que se possa fazer quando o Diabo está apenas influenciando as pessoas, em vez de estar possuindo-as.

Segundo o exorcista-chefe do Vaticano, o papa Bento 16 apoia o seu trabalho.

"Sua Santidade acredita de todo coração na prática do exorcismo. Ele tem encorajado e louvado o nosso trabalho".

No jornal italiano, Amorth também comentou sobre como o cinema retrata o exorcismo e a magia.

Segundo ele, o filme O Exorcista, de 1973, em que dois padres lutam para exorcizar uma garota possuída é "substancialmente preciso", apesar de "um pouco exagerado".

Já a série do jovem bruxo britânico Harry Potter é descrita como "perigosa" pelo sacerdote, pois traça "uma falsa distinção entre magia negra e magia do bem".

Fonte: BBC Brasil