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20 novembro 2012

AS DIVERGÊNCIAS NOS EVANGELHOS SINÓTICOS

TRÊS DIFERENTES HISTÓRIAS, MAS UM SÓ ENSINAMENTO


Por Alan Capriles

Temos a sorte de haver não apenas um, mas quatro evangelhos canônicos, ou seja, reconhecidos pela igreja como inspirados por Deus. [1] Os três primeiros – Mateus, Marcos e Lucas – são chamados de evangelhos sinóticos, pois apresentam a vida de Jesus seguindo uma sinopse bastante parecida. Quase todas as histórias contadas em Marcos, por exemplo, são também contadas em Mateus e em Lucas. No entanto, isso não significa que haja unanimidade quanto à maneira como estas histórias são contadas. Isso fica claramente demonstrado nos relatos a seguir, onde comparo três passagens paralelas dos evangelhos sinóticos:
“Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho.  E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou:  Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?  Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.  Este é o grande e primeiro mandamento.  O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.  Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Mateus 22:34-40)
“Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos?  Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!  Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.  O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.  Disse-lhe o escriba: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que ele é o único, e não há outro senão ele,  e que amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios.  Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém mais ousava interrogá-lo.” (Marcos 12:28-34)
“E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?  Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas?  A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.  Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás.  Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?  Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto.  Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo.  Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo.  Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele.  E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele.  No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar.  Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?  Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo.” (Lucas 10:25-37)*
Apesar de retratarem o mesmo acontecimento da vida de Jesus, todos os evangelistas o relataram de maneira diferente. Segundo Lucas, por exemplo, Jesus não respondeu diretamente qual seria o grande mandamento da Lei, mas devolveu a pergunta para o intérprete da Lei, que lhe dá uma sábia resposta. No entanto, para Mateus e Marcos, é o próprio Jesus quem responde imediatamente a questão. Ora, qual dos dois deu a resposta? Não há como se conciliar essa questão. Mas vejamos ainda como a mesma história tem desfechos diferentes, segundo o relato de cada evangelho.

Em Mateus a história termina mais abruptamente, com Jesus apenas acrescentando que “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” – revelação que, aliás, não consta dos demais evangelhos. Marcos, por outro lado, acrescenta que o escriba teria comentado a resposta de Jesus e que este, vendo “que ele havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus.” Esse é o final da história para Marcos, o qual apenas acrescenta que “já ninguém mais ousava interrogá-lo.”

Em Lucas, como já foi dito, Jesus não responde diretamente a pergunta, mas a devolve para o intérprete da Lei, que acaba respondendo a questão por ele mesmo levantada. Jesus apenas avalia que sua reposta foi correta e acrescenta: “Faze isto e viverás”. Mas, ainda segundo Lucas, o intérprete da Lei “querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?” – uma nova questão, que resulta na famosa parábola do bom samaritano. Mas o diálogo ainda prossegue, com Jesus lhe perguntando, ao final da parábola: “Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo”.

Pois bem, não há como se negar que temos aqui três histórias diferentes. E provavelmente jamais saberemos o que realmente aconteceu: se foi Jesus quem deu a resposta (Mt e Mc) ou se foi o intérprete da Lei (Lc); se houve apenas essa pergunta (Mt) ou se o diálogo se prolongou um pouco mais (Mc) ou muito mais (Lc); se o escriba fez um comentário que foi elogiado por Jesus (Mc), ou se foi o contrário (Lc); se Jesus disse para o intérprete da Lei “não estás longe do reino de Deus” (Mc) ou se disse “faze isto e viverás”(Lc), ou se não disse mais nada (Mt). Não temos como saber os detalhes do que realmente ocorreu. E também não é possível juntar as três histórias em uma só, como você mesmo poderá comprovar.

Mas será que esses detalhes têm alguma relevância quanto ao ensino por detrás dessas histórias? Definitivamente não! Apesar de não sabermos com exatidão o que aconteceu, o fato é que nas três histórias o ensino permanece o mesmo. Esse é apenas um exemplo dentre vários outros que encontramos na leitura comparativa dos evangelhos. E a conclusão será sempre a mesma, a saber, a de que as histórias contém divergência nos detalhes, porém não nos ensinamentos.

Como pode ser isso? Por que motivo há divergências entre os evangelhos, ainda que sejam nos detalhes? A resposta é tão simples que corremos o risco de não considerarmos suas implicações.

As evidências indicam que os acontecimentos ocorridos no ministério público de Jesus não foram imediatamente colocados no papel. Algum tempo teria se passado até que algum discípulo começasse a escrever a respeito do que Jesus disse e do que ele fez. Quanto tempo? Semanas? Meses? Anos? Tenho minhas dúvidas, mas o fato é que a maioria dos estudiosos do assunto assevera que décadas se passaram entre a crucificação de Jesus e a escrita do primeiro evangelho.  Enquanto isso, os ensinamentos de Jesus e as histórias sobre Jesus eram contados de boca, naquilo que os eruditos chamam de tradição oral. Um desses eruditos, por exemplo, concluiu sua pesquisa sobre o assunto com a seguinte consideração:

“Com efeito, não há nesse trabalho a presunção de se identificar por meio de quem as tradições de e sobre Jesus foram transmitidas até o momento em que começaram a ser vertidas por escrito por autores igualmente anônimos. Pois, mesmo que tenham se iniciado com o apóstolo Pedro, ou com familiares de Jesus de Nazaré, é crucial ter em conta as armadilhas da memória.” [2] 

O que esse pesquisador está afirmando, em outras palavras, é que mesmo que as fontes para a escrita dos evangelhos tenham sido testemunhas oculares, essas mesmas testemunhas podiam se equivocar quanto a detalhes dos acontecimentos. De fato, isso explicaria as divergências entre as três histórias que acabamos de analisar – e as demais divergências entre os evangelhos. Se a teoria estiver correta, cada um dos evangelistas teria sido influenciado por diferentes tradições orais que buscavam relatar a mesma história. Como se diz, “quem conta um conto, aumenta um ponto” (e às vezes omite ou até muda um ponto). Felizmente, como ficou demonstrado, os pontos acrescentados ou omitidos não alteraram o cerne da mensagem, que é o amor. 

Mesmo que os autores de Mateus e Lucas tenham se utilizado de Marcos como fonte para seus evangelhos, como creem os eruditos, eles podem ter alterado algumas histórias, não por má fé, mas segundo a influência de outras testemunhas que entrevistaram, ou de tradições orais que já conheciam. 

Como se não bastasse, nenhum dos quatro evangelhos foi escrito por historiadores. Sendo assim, eles não estavam buscando a exatidão histórica quando organizaram os ensinamentos de Jesus, mas sim a maneira mais apropriada para se facilitar sua memorização e meditação. Isso explicaria porque a ordem dos acontecimentos muda em cada um dos evangelhos. Quando o autor de Lucas, por exemplo, tomou conhecimento da parábola do bom samaritano (que não é contada nos outros evangelhos), o melhor lugar que ele encontrou para ela foi inseri-la no contexto do maior mandamento na Lei. 

Portanto, não devemos ler os evangelhos buscando exatidão histórica, mas revelação teológica. Quando nos apercebemos disso, os temores se dissipam, as peças se encaixam e podemos descansar na certeza de que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.” 

Alan Capriles

* Todos os relatos bíblicos na versão Almeida Revista e Atualizada – SBB .
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Notas:

[1] Digo que temos sorte por haver quatro evangelhos na Bíblia Sagrada porque, caso tivéssemos apenas um relato canonizado, dependeríamos da arqueologia ou de alguém encontrar por acaso os fragmentos dos demais evangelhos, tal como ocorreu em 1945, quando evangelhos “apócrifos” foram encontrados em Nag Hammadi.

[2] “Quem vos ouve, ouve a mim”: Oralidade e Memória dos Cristianismo Originários / Lair Amaro dos Santos Faria – Rio de Janeiro: Kline 2011. Pág. 128

20 setembro 2012

CONSTANTINO - PAI DO EDIFÍCIO DA IGREJA


Por Frank Viola

A história de Constantino (285-337 d.C.) abre uma página tenebrosa na história da cristandade. Foi ele quem iniciou a construção dos edifícios eclesiásticos. [1] A história é assombrosa.

Quando Constantino entrou em cena, era favorável que os cristãos escapassem de sua condiçãode desprezo e de minoria. A tentação pela aceitação foi por demais forte para resistir e a bola de neve constantiniana começou a rolar.

Em 312 d.C., Constantino tornou-se César do Império Ocidental.[2] Em 324, ele tornou-se Imperador de todo Império Romano. Pouco tempo depois ele começou a ordenar a construção de edifícios de igreja. Ele fez isso para promover a popularidade e a aceitação da cristandade. Se os cristãos tivessem seus próprios edifícios sagrados — como tinham os judeus e os pagãos — a fé cristã seria legitimada no Império.

É importante entender a tática de Constantino — porque ele foi o útero que concebeu o edifício da igreja. O pensamento de Constantino era dominado pela superstição e pela magia pagã. Mesmo após tornar-se Imperador, ele permitiu às velhas instituições pagãs permanecerem como eram antes.

Mesmo após sua conversão ao cristianismo, Constantino nunca abandonou sua adoração ao deus sol. Ele manteve a imagem do sol cunhada na moeda. Ele montou uma estátua do deus sol que sustentava sua própria imagem no Foro de Constantinopla (sua nova capital). Constantino também mandou construir uma estátua da deusa Cibele, (embora apresentada em postura de adoração cristã).

(Historiadores continuam a debater se Constantino foi ou não um genuíno cristão. O fato de ter ordenado a execução de seu filho mais velho, seu sobrinho, e seu cunhado, não fortalece o expediente no que diz respeito à sua conversão. Mas não estamos aqui para levar avante esse tipo de discussão).

Em 321 d.C., Constantino decretou o domingo como dia de descanso — um feriado legal. Parece que a intenção de Constantino era honrar ao deus Mitras, o Sol Invencível. (Constantino descreveu o domingo como “o dia do sol”). Confirmando sua afinidade com a adoração do sol, as escavações de São Pedro de Roma descobriram um mosaico de Cristo como o Sol Invencível.

Praticamente até o dia de sua morte Constantino “agia como um sumo sacerdote pagão”. Na realidade ele detinha o título pagão de Pontifex Máximus, que significa o chefe dos sacerdotes pagãos! (No século XV este mesmo título chegou a ser o título honorífico do Papa Católico).

Constantino usou decorações e rituais tanto pagãos como cristãos na dedicatória de sua nova capital, Constantinopla. Ele utilizou fórmulas de magia pagã para proteger as colheitas e sanar as enfermidades.

Além disso, toda evidência histórica indica que Constantino era egomaníaco. Quando construiu a nova “Igreja dos Apóstolos”, ele erigiu monumentos aos doze Apóstolos, os quais ladeavam um único sepulcro central. Esta tumba Constantino reservou para si mesmo — nomeando-se o décimo terceiro e principal Apóstolo! Constantino não apenas deu continuidade à prática pagã de veneração aos mortos, ele também pretendeu incluir-se no rol desses mortos ilustres!

Constantino também fortaleceu a noção pagã de objetos e espaços sagrados. Devido principalmente à sua influência, o comércio de relíquias passou a ser bem comum na igreja.Pelo século IV, a obsessão pelas relíquias [3] se disseminou de tal forma que alguns cristãos se posicionaram contra essa prática definindo-a como “Uma odiosa observância introduzida nas igrejas sob o disfarce da religião... Uma obra de idólatras”.

Constantino também se destacou por trazer à fé cristã a idéia de “lugar santo” baseado no modelo do santuário pagão. Foi por causa da aura do “sagrado” que os cristãos do século IV anexaram a Palestina, e a tornaram conhecida como “a Terra Santa” no século VI.

O que mais impressiona é que depois de morto Constantino foi declarado “divino”. (Este foi um costume aplicado a todos os Imperadores pagãos que morreram antes dele). Após a morte de Constantino, o Senado proclamou-o deus pagão. E ninguém os impediu de fazer isso.

Neste ponto, uma palavra precisa ser dita acerca de Helena, mãe de Constantino. Essa mulher ficou famosa por sua obsessão com relíquias. Em 326 d.C., Helena fez uma peregrinação à Terra Santa. Em 327 d.C., em Jerusalém, ela declarou ter encontrado a cruz e os pregos utilizados na crucifixão de Jesus. Consta que Constantino promoveu a idéia de que os pedacinhos de madeira da cruz de Cristo possuíam poderes mágicos! A verdade é que uma mentalidade de magia pagã operou no Imperador Constantino. Indiscutivelmente, o pai do edifício da igreja.

O Programa de Construção de Constantino

Depois da viagem de Helena a Jerusalém em 327 d.C., Constantino começou a construir os primeiros edifícios de igrejas ao longo do Império Romano. Ao fazê-lo, ele seguiu a trilha pagã de erigir templos para honrar a Deus.

É interessante o fato dele ter nomeado suas igrejas com nomes de santos — da mesma forma que os pagãos nomeavam seus templos com nomes de seus deuses. Ele construiu suas primeiras igrejas sobre os cemitérios onde os cristãos honravam seus santos mortos. Quer dizer, ele as construiu sobre os restos mortais dos santos mortos. Por quê? Porque, desde pelo menos um século antes os cemitérios onde os santos foram enterrados eram tidos como “campo santo”.

Muitas dessas gigantescas edificações foram construídas sobre as tumbas dos mártires. Essa prática era baseada na idéia de que os mártires tinham o mesmo poder anteriormente atribuído aos deuses pagãos. Mesmo sendo uma prática pagã os cristãos adotaram esta idéia mordendo o anzol.

Os mais famosos “espaços santos” foram: São Pedro, sobre o Monte do Vaticano (erigido em cima da suposta tumba de Pedro); São Paulo, do lado de fora dos muros da cidade (construída em cima da suposta tumba de Paulo); a deslumbrante e magnífica igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém (construída em cima da suposta tumba de Cristo), e a igreja da Natividade em Belém (construída sobre a suposta gruta onde Cristo nasceu). Constantino construiu nove igrejas em Roma e muitas outras em Jerusalém, Belém e Constantinopla.

Querido cristão observe! As raízes do “sagrado” edifício da igreja são completamente pagãs. O edifício da igreja foi inventado por um professo ex-pagão dotado de uma mente completamente pagã. Tais edifícios da igreja foram construídos sobre a idéia pagã de que o morto cria um espaço santo. Por favor, lembre-se disto toda vez que você escutar alguém se referir a um edifício como casa “santa” e “sagrada” de Deus.

Explorando os Primeiros Edifícios de igrejas

Pelo fato da edificação ser considerada sagrada, o congregante necessitava passar por um ritual de purificação antes de entrar. Então, no século IV, foram construídos tanques no pátio para que os cristãos pudessem lavar-se antes de entrar no edifício.

Os edifícios de Constantino eram espaçosos, magníficos e tidos como “dignos de um Imperador”. Eram tão esplêndidos que seus contemporâneos pagãos notaram que “estes gigantescos edifícios imitavam” a estrutura dos templos pagãos![4] E isto não era por acaso. Constantino decorava abundantemente os novos edifícios com arte pagã![5]

Os edifícios das igrejas construídas por Constantino eram desenhados exatamente conforme o modelo da basílica. A basílica era o edifício governamental mais comum. Era desenhada segundo o estilo dos templos pagãos.

As basílicas cumpriam mesma função dos auditórios das universidades de hoje. Com assentos extremamente confortáveis para acomodar as pessoas dóceis e passivas que presenciavam os eventos. Esta foi uma das razões pelas quais Constantino escolheu ao modelo da basílica.

Ele também a favoreceu por sua fascinação com a adoração ao sol. As basílicas foram desenhadas de tal maneira que os raios solares caíam sobre o orador enquanto este falava à congregação. Igual aos templos gregos e romanos, as basílicas cristãs foram construídas com a fachada voltada para o leste.

Exploremos a basílica cristã por dentro. Era uma réplica exata da basílica romana usada pelos magistrados e oficiais romanos. As basílicas cristãs possuíam uma plataforma elevada de onde os clérigos ministravam. A plataforma tinha uma elevação com vários degraus. Também havia uma grade que separava o clero dos leigos.[6]

No centro do edifício ficava o altar. Era uma mesa (mesa do altar) ou arca coberta por uma tampa. O altar era considerado o lugar mais santo do edifício por duas razões. Primeiramente, este continha relíquias dos mártires. (Após o século V, a presença de uma relíquia no altar era essencial para a legitimação da igreja). Em segundo lugar, a Eucaristia (o pão e o cálice) estavam sobre o altar.

A Eucaristia, agora vista como um sacrifício sagrado, era oferecida sobre o altar. Por serem considerados como “homens santos”, apenas e tão somente ao clero era permitido receber a Eucaristia dentro do cercado!

Em frente ao altar havia a cadeira do Bispo chamada de cátedra. A expressão ex-cátedra deriva desta cadeira. Ex-cátedra significa “desde o trono”. A cadeira do Bispo, ou “trono” segundo seu nome original, era a maior e mais elegante dentro do edifício. Esta cadeira ficava no lugar da cadeira do juiz da basílica romana. Era rodeada por duas fileiras de cadeiras reservadas para os anciãos.

O sermão era pregado desde a cadeira do Bispo. O poder e a autoridade repousavam nessa cadeira. A cadeira era coberta com um pano feito de linho branco. Os anciãos e diáconos se sentavam em ambos os lados, formando um semicírculo. A distinção hierárquica encravada na arquitetura da basílica era inconfundível.

É interessante que a maioria dos edifícios das igrejas modernas possuem cadeiras especiais para o pastor e seus auxiliares situadas sobre a plataforma atrás do púlpito. Assim como no caso do trono do Bispo, a cadeira do pastor geralmente é a maior! Tudo isso são vestígios da basílica pagã.

Somando-se a tudo isso, Constantino não destruiu templos pagãos em uma larga escala, nem tampouco os fechou. Em alguns lugares os templos pagãos existentes foram esvaziados de seus ídolos e convertidos em edifícios cristãos. Os cristãos usaram materiais das ruínas de templos pagãos e construíram novos edifícios cristãos nesses locais.

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Fonte:
Trecho do livro "Cristianismo Pagão - A Origem das Práticas de Nossa Igreja Moderna" (Frank Viola)

As notas deixadas pelo autor são muito mais extensas do que as que seguem abaixo. Estas foram selecionadas por eu considerá-las mais necessárias à compreensão do texto.

[1] A Historical Approach to Evangelical Worship, p. 103; History of the Christian Church: Volume 3, p. 542. Schaff escreve: “Depois da cristandade ser reconhecida pelo estado e autorizada a ter propriedades, ela erigiu casas de adoração em todas as partes do Império Romano. Provavelmente havia mais edifícios deste tipo no século IV do que houve em qualquer período, talvez com exceção do século XIX nos Estados Unidos...” Veja também To Preach or Not to Preach?, p. 29. Norrington mostra que na medida em que os Bispos dos séculos IV e V cresciam em riqueza, eles canalizaram tais riquezas através de um elaborado programa de construção de igrejas. Everett Ferguson escreve, “Até a era Constantino não encontramos edifícios especialmente construídos, primeiro eram simples salões, depois basílicas constantinas. Antes de Constantino, todas as estruturas usadas para reuniões da igreja eram “casas ou edifícios comerciais modificados para uso da igreja” (Early Christians Speak, p. 74).

[2] No ano 312 d.C., Constantino derrotou o Imperador Maxentius do Ocidente na batalha da Ponte Milviana. Constantino afirmou que na véspera da batalha ele viu um sinal da cruz nos céus e foi convertido a Cristo. (Ken Connolly, The Indestructible Book, Grand Rapids: Baker Books, 1996, pp. 39-40)

[3] Relíquia é um material relacionado aos restos materiais de um santo após a morte dele como também qualquer objeto sagrado que entrou em contato com o corpo dele. A palavra “relíquia” vem da palavra latina reliquere, que significa “deixado para trás”. A primeira evidência da reverência a relíquias surgiu por volta de 156 d.C. no Martyrium Polycarpi. Neste documento, as relíquias de Policarpo são consideradas mais valiosas que pedras preciosas e ouro (The Oxford Dictionary of the Christian Church, Terceira Edição, p. 1379); Father Michael Collins and Matthew A. Price, The Story of Christianity (DK Publishing, 1999), p. 91; The Early Liturgy, pp. 184-187.

[4] Esta frase é do escritor anticristão Porfírio (The Secular Use of Church Buildings, p. 8). Porfírio disse que os cristãos eram inconsistentes porque ao mesmo tempo em que criticavam a adoração pagã erguiam edifícios imitando templos pagãos! (Building God’s House in the Roman World, p. 129).

[5] The Story of Christianity (Gonzalez), p. 122. De acordo com o Professor Harvey Yoder, Constantino construiu a igreja original de Hagia Sophia (a igreja de sabedoria) no local de um templo pagão e importou 427 estátuas pagãs do Império para decorá-la. ("From House Churches to Holy Cathedrals,”. Conferência proferida em Harrisburg, VA, Oct., 1993).

[6] “Ver o edifício da igreja dessa forma significava que este não era mais a casa do povo de Deus para seu culto comum, mas a Casa de Deus que lhes permitia prestar a devida reverência. Eles tinham que entrar na nave (onde a congregação sentava ou permanecia em pé) e se abster de entrar no santuário (a plataforma do clero) que era o lugar do coro ou o santuário reservado para o sacerdócio” (From Temple to Meeting House, p 244; The Growth of Church Institutions, pp. 219-220).

13 agosto 2011

POR QUE NÃO GUARDO O SÁBADO


Por Alan Capriles

Sei que meu blog é seguido por alguns irmãos que praticam a guarda do sábado e pelos quais tenho em grande estima. Por isso quero logo esclarecer que não escrevo esse artigo para "alfinetá-los", ou para defender a guarda do domingo. Minha única esperança com este artigo é trazer maior esclarecimento e paz aos que, como eu, também não guardam o sábado. Se você é feliz guardando o sábado, não perca seu tempo lendo esse artigo, a não ser que esteja em dúvida quanto à sua prática.

Começarei analisando os argumentos geralmente usados para se defender a guarda do sábado e porque não os aceito como justificativa. Posteriormente, apresentarei as 11 razões que encontro na Bíblia para não se guardar o sábado, concluindo com uma palavra de paz, que espero não ser mal interpretada. Ao me referir aos que guardam o sábado usarei o termo "sabatistas", mas apenas para simplificar e não de maneira pejorativa.

ARGUMENTOS USADOS ERRONEAMENTE COMO JUSTIFICATIVA PARA SE GUARDAR O SÁBADO


Dizem que, como o Sábado está nos dez mandamentos, deveríamos guardá-lo
Ao ser questionado a respeito de qual seria o maior mandamento, Jesus não mencionou nenhum dos dez mandamentos (Mt 22:36-40). Mesmo assim, os sabatistas contra-argumentam, dizendo que o primeiro e maior mandamento mencionado por Jesus seria o resumo dos quatro primeiros 10 mandamentos e que o segundo mencionado por Jesus seria o resumo dos outros seis mandamentos. Mas esta interpretação não se encaixa no contexto do ensino de Cristo. O que Jesus estava ensinando é que não se pode amar a Deus sem amar ao próximo, por isso ele disse que o segundo maior mandamento é semelhante ao primeiro. João, o apóstolo, nos esclareceu isso em sua epístola (1Jo 4:20). Após nos haver deixado seu próprio exemplo, Jesus encerra seu ministério nos deixando o mandamento do amor: “amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei” (Jo 13:34; 15:12). O amor é a lei régia que Tiago menciona em sua carta (Tg 2:8) chamada também de lei perfeita, ou lei da liberdade (Tg 1:25). Portanto, constar da lista dos 10 mandamentos não é uma justificativa plausível para se guardar o sábado.

Dizem que, se os apóstolos guardaram o sábado, deveríamos fazer o mesmo.
Os sabatistas apoiam-se nos seguintes textos: Atos 13:42,44; 17:2; 18:4. Mas nenhum desses textos, ou qualquer outro, declara que os apóstolos guardavam o sábado. Essas passagens apenas contam que Paulo também pregava no sábado. Mas isso ocorria porque ele usava a estratégia de pregar nas sinagogas, as quais tinham maior contingente no dia de sábado. Ao ser proibido de fazê-lo, mudou de estratégia e passou a pregar todos os dias na escola de Tirano (At 19:8-10). Além disso, há outras passagens que enfatizam reuniões cristãs ocorrendo no primeiro dia da semana, que é o domingo (At 20:7; 1Co 16:1-2).

Dizem que, como discípulas guardaram o sábado, deveríamos também fazê-lo.
Usam o texto das mulheres que prepararam especiarias e unguentos para embalsamar o corpo de Jesus e que “no sábado repousaram, conforme o mandamento” (Lc 23:56). Mas, o texto se refere ao mandamento da Moisés, não de Cristo. Aquelas mulheres eram judias e estavam em Jerusalém, portanto, se não guardassem o sábado seriam apedrejadas (Ex 31:14-15). Risco que, aliás, Jesus também correu (Mc 3:2-6; Jo 5:16-18).

Dizem que, se Jesus guardou o sábado, deveríamos seguir seu exemplo.
Usam o seguinte versículo: “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, como era seu costume, e levantou-se para ler.” (Lc 4:16) Apesar deste versículo não dizer que Cristo guardava o sábado, Jesus foi, de fato, o último homem — e também o único — a guardar toda a lei (Rm 10:4). E não poderia ser diferente, pois se Jesus não cumprisse toda a lei, ele não poderia nos justificar de nossos pecados. Ninguém mais, além de Jesus, conseguiu guardar toda a lei (Jo 7:19; Hb 4:15). Ele cumpriu a lei para nos resgatar da mesma (Gl 4:4-5; Rm 15:8-9; Cl 2:14). No entanto, Jesus permitiu que seus discípulos trabalhassem no sábado, como veremos mais adiante. É importante entender que Jesus não guardou o sábado para que seguíssemos o exemplo de guardar o sábado, mas o exemplo de amar o próximo (Gl 5:13-14). Ele se sacrificou guardando toda a lei por amor a cada um de nós, para que fôssemos libertos desse jugo da lei de Moisés. A lei serviu para nos mostrar o quanto estamos distantes do padrão de Deus, destruindo nosso orgulho, provando que todos somos pecadores, que todos necessitamos ser justificados em Cristo (Gl 3:22-24).

POR QUE UM CRISTÃO NÃO DEVE GUARDAR O SÁBADO

1 - A guarda do sábado faz parte de um pacto exclusivo entre Deus e o povo israelita.
“Os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua. Entre mim e os filhos de Israel será ele um sinal para sempre; pois em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, e ao sétimo dia descansou e tomou alento” (Ex 31:16,17 e também Dt  5:1-3,12; Ez 20:10-12)

2 - A guarda do sábado não existia antes da lei de Moisés.
“E ao homem disse: Porquanto destes ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida” (Gn.3:17).

3 - A lei de Moisés foi cumprida por Jesus Cristo, que a superou com a lei do amor.
“O fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” (Rm 10:4)
“mas o entendimento lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido” (2Co 3:14). O velho pacto é a antiga aliança de Moisés, com suas ordenanças, que em Cristo foi abolida (Ef 2:14-15). “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo” (Cl 2:16-17). Os sabatistas dizem que a palavra “Sábado” em Cl 2:16-17 não se refere ao sábado semanal, mas aos anuais ou cerimoniais (Lv 23). Isso não é verdade, pois:
3.1) Sábados anuais ou cerimoniais já estão inclusos na expressão “dias de festa”.
3.2) A palavra grega usada neste texto é “sabatton” que em outras 59 passagens do NT se referem ao dia de sábado. Por que somente em Cl 2:16 seria diferente?
3.3) Se Paulo estivesse falando do sábado anual, ele deixaria isso bem esclarecido.

4 - Estamos em um novo e melhor concerto, ou aliança.
“Mas agora alcançou ele (Jesus) ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto (aliança ou concerto), o qual está firmado sobre melhores promessas” (Hb. 8:6). Cristo instituiu uma nova aliança (Mt.26:28) que aprofundou os mandamentos da antiga, baseando-as no amor (Jo13:34;15:12,17; Rm 13:8-10; Gl 5:13-14; Tg 2:8). A lei dizia: “olho por olho, e dente por dente”. Jesus disse: “não resistais ao mal; mas se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra” (Mt 5:38-39). Esta é uma mudança baseada no amor (Mt 5:46), que não exclui a lei (Mt 5:18) mas a transforma em lei do Espírito da vida (Rm 8:1-2). Quanto ao Sábado, a Lei dizia que deveria ser guardado e santificado (Ex 20:8), mas no novo pacto quem precisa ser guardado e santificado é o povo de Deus, não só em um dia da semana, mas nos sete. Isso é pelo fato do Sábado ser feito para o homem e não o homem para ser escravo do Sábado (Mc 2:27-28).

5 - O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.
“O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado; porque o Filho do homem é Senhor até do sábado.” (Mc 2:27-28) Jesus chamou a si mesmo de Senhor do sábado, ou seja, ele está acima do sábado. Quem está em Cristo já entrou nesse descanso (Mt 11:30; Hb 4:3).

6 - Jesus permitia que seus discípulos trabalhassem no sábado.
“E sucedeu passar ele num dia de sábado pelas searas; e os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas.” (Mc 2:23) Os discípulos estavam violando a lei e não há como se negar isso. Os fariseus, ao perceberem a infração, questionam Jesus. Porém o Senhor defendeu os discípulos, ao invés de condená-los (Mc 2:23-28).

7 - Os sacerdotes podiam violar o sábado e em Cristo também somos sacerdotes.
“Ou não lestes na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? Digo-vos, porém, que aqui está o que é maior do que o templo.” (Mt 12:5-6) “e nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai” (Ap 1:6a e também 1Pe2:5,9)

8 - Dentre os dez mandamentos, apenas o que trata do sábado não é mencionado no NT.
Todos os outros nove mandamentos são repetidos no Novo Testamento, como se vê: Adorar somente a Deus (50 vezes); contra idolatria (12 vezes); não tomar em vão o nome de Deus (4 vezes); honrar os pais (6 vezes); não matar (mais de 7 vezes); não adulterar (12 vezes); não furtar (6 vezes); não dar falso testemunho (4 vezes); não cobiçar (9 vezes). Mas o mandamento de guardar o sábado não é ordenado em parte alguma dos quatro evangelhos, nem no livro de Atos, nem nas epístolas, nem no apocalipse. No período neo-testamentário milhares de gentios converteram-se a Cristo. Se guardar o sábado fosse realmente necessário, não é óbvio que Paulo, o apóstolo dos gentios, teria ensinado isto aos novos convertidos? E em At 20:27 Paulo declara nunca ter deixado de anunciar todo o conselho de Deus. Logo, se conclui que a guarda do sábado não é aconselhada por Deus.

9 - O sábado não pode ser guardado em todo lugar do planeta.
De acordo com as instruções em Lv 23:32, o sábado deveria ser guardado de um pôr-do-sol até o outro. Mas, devido à inclinação do eixo da Terra, há muitos lugares no planeta em que o sol não se põe durante semanas e até mesmo meses! Isto acontece em determinadas estações do ano naquelas cidades. Como podem seus habitantes guardarem o sábado neste período? É impossível. Portanto, fica esclarecido que a guarda do sábado era um mandamento apenas para os israelitas. Este mandamento é inconciliável com a ordem do Senhor de fazer discípulos em todo o mundo.

10 - Os gentios convertidos não foram obrigados a guardar o sábado. 
Os sabatistas ensinam que não haverá salvação para quem não guardar o sábado. O capítulo 15 de Atos também conta a respeito de judeus convertidos que ensinavam ser necessário aos gentios observar a lei de Moisés para serem salvos (At 15:5). A questão foi tão polêmica que Paulo e Barnabé viajaram à Jerusalém para encontrar-se com os apóstolos a fim de saber a posição destes a respeito. A conclusão de Pedro foi: “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, do mesmo modo que eles também.” (At 15:10-11) Tiago asseverou: “Julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue.” (At 15:19-20) Como se vê, nesta lista não entrou a guarda do sábado. Não teria sido esta uma ocasião imperdível para se ensinar o quarto mandamento? Por que não o fizeram? Simplesmente porque este era um estatuto para os israelitas, não para todo o mundo.

11 - Os que guardam o sábado atualmente, ou ignoram como se deve guardá-lo, ou agem com hipocrisia.
O livro de Êxodo ensina como se devia guardar o sábado. Não se devia acender fogo (Ex 35:3), deveria se obrigar todos os que estivessem dentro de suas casas a também guardar o sábado (Ex 20:10) e, obviamente, não se podia obrigar outra pessoa a trabalhar em seu lugar. No entanto, nenhum destes preceitos bíblicos são observados pelos atuais sabatistas. Há, inclusive, reuniões em suas igrejas no sábado, para os quais muitos vão de ônibus, obrigando motoristas a trabalharem para eles. Até mesmo o simples uso da eletricidade no sábado seria condenável, pois obriga funcionários da companhia de energia a trabalhar no sétimo dia.

Conclusão

Como devemos tratar um cristão que insiste em guardar o sábado? Com misericórdia, pois ainda que não seja necessário guardar o sábado, tal pessoa não o faz por mal, mas por falta de esclarecimento, pensando estar com isso agradando a Deus. Não devemos discutir com eles, pois a questão não é guardar ou não guardar o sábado, mas o ser uma nova criatura em Cristo. Por isso Paulo não condena tal pessoa, mas a vê como alguém “débil na fé”, que ainda não compreendeu plenamente nossa liberdade em Cristo.

Devo acrescentar ainda que este artigo não defende a guarda do domingo. Para quem está em Cristo todos os dias são igualmente santos.

“Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu. Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster. Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus.” (Romanos 14.1-6)
Alan Capriles