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12 setembro 2014

APASCENTANDO OVELHAS OU ENTRETENDO BODES?

Por Charles Haddon Spurgeon

Algo mal acontece no declarado arraial do Senhor, tão grosseiro em seu descaramento, que até os cegos espirituais dificilmente deixarão de perceber. Este mal tem se desenvolvido em proporções anormais durante os últimos anos e vem agindo como o fermento, até que toda a massa fique levedada. Raramente o diabo fez algo tão engenhoso quanto sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo.

Da pregação ousada, como faziam os Puritanos, a igreja foi baixando o tom de seu testemunho; depois, tolerou e justificou as frivolidades de sua época, para, em seguida, começar a aceitá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.

Meu primeiro argumento é este: as Escrituras não afirmam, em parte alguma, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela?

"Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura." (Mc 16:15) Isto está bastante claro. Se Cristo tivesse acrescentado: "E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho", assim teria acontecido. No entanto, não se encontram tais palavras. Nem sequer lhe ocorreram.

E mais: "Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres" (Ef 4:11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.

Em segundo lugar, prover distração está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? "Vós sois o sal da terra", algo que o mundo desprezará, não o "docinho". Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: "Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos". Ele estava falando com terrível seriedade!

Se Cristo tivesse introduzido mais brilho e elementos agradáveis em seu ministério ele teria sido mais popular, ao invés de as pessoas O deixarem por causa da natureza inquiridora do seu ensino. Porém, não O vejo dizendo: "Pedro, corra atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza gostarão desse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas a qualquer custo!"

Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou entretê-los.

Pesquisaremos em vão as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício deste evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: "Retirai-vos, separai-vos e mantenham-se afastados!" É evidente a ausência de qualquer coisa que tenha aparência de brincadeira. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam qualquer outra arma.

Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram: "Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da inocente recreação, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos." Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram por todo lugar lugar pregando o evangelho. Eles "transtornaram o mundo." (Atos 17:6) Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e futilidade que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta ao método dos apóstolos.

Por último, a missão de prover entretenimento falha em alcançar os fins desejados. Ela causa danos entre os novos convertidos. Permita que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! Ninguém irá responder! A razão é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros.

A necessidade imediata para o atual ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma é resultado da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, de tal forma entendida e experimenta, que ponha os homens em chamas.

Charles Haddon Spurgeon
Pastor britânico (1834-1892)
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Leia também: As 12 razões para eliminar o entretenimento em sua igreja

Vídeos recomendados sobre Charles Haddon Spurgeon:
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01 outubro 2012

COMO O PASTOR DESTRÓI A SI MESMO

Por Frank Viola

O moderno pastor prejudica não apenas o povo de Deus, ele prejudica a si mesmo. A posição de pastor, de uma forma ou de outra, atrofia os que assumem essa função. As freqüentes depressões, vazio, estresse, e o desequilíbrio emocional são terrivelmente constantes entre os pastores. Nesse momento há mais de 500 mil pastores servindo nas igrejas nos Estados Unidos. [1] Deste grande número, considere a seguinte estatística que revela o perigo mortal da posição de pastor:

  • 94 % sentem-se pressionados a ter uma família ideal.
  • 90 % trabalham mais de 46 horas por semana.
  • 81 % reportam uma insuficiência de tempo com seu cônjuge.
  • 80 % crêem que o ministério pastoral prejudica a família.
  • 70 % não têm o que se considera um amigo íntimo.
  • 70 % têm menos auto-estima agora do que tinham quando entraram no ministério.
  • 50 % sentem-se incapazes de cumprir as necessidades de sua posição.
  • 80 % estão desanimados ou tratando de uma depressão.
  • 40 % reportam sofrer pela timidez, horários frenéticos e falsas expectativas.
  • 33 % consideram o ministério pastoral um perigo para a família.
  • 33 % consideraram renunciar suas posições durante o último ano.
  • 40 % das renúncias pastorais devem-se ao vácuo (a chama se apagou).

Espera-se que a maioria dos pastores exerça 16 tarefas simultâneas. E a maioria acaba pulverizada pelas pressões. Por esta razão, mensalmente, 1.600 ministros entre todas as denominações nos Estados Unidos são demitidos ou são forçados a renunciar. Durante os últimos 20 anos a média do pastoreado reduziu de sete para pouco mais de dois anos!

Lamentavelmente, poucos pastores se dão conta de que é a posição de pastor que causa esta turbulência subjacente. Naturalmente, Jesus Cristo nunca desejou que alguma pessoa desempenhasse a variedade de coisas que se requer do pastor! Ele nunca desejou que alguém carregasse uma carga tão pesada.

As demandas do pastorado são terríveis. Tanto que leva qualquer mortal ao esgotamento. Imagine-se por um momento trabalhando em uma companhia que lhe paga para manter seus colegas de trabalho animados. Que você faria se seu pagamento dependesse do teu grau de ocupação e amistosidade, da popularidade de sua esposa e filhos, da qualidade de suas roupas, e da perfeição de seu comportamento?

Dá para imaginar o completo estresse que isso lhe causaria? Dá para ver o papel que seria obrigado a exercer, da presunção a arrogância — tudo para poder manter seu poder, prestígio e segurança no trabalho? (Por esta razão, a maioria dos pastores é insensível quanto a receber qualquer tipo de ajuda).

A profissão de pastor dita padrões de conduta como qualquer outra profissão como professor, médico ou advogado. A profissão dita como o pastor deve vestir-se, falar e atuar. Esta é uma das principais razões pela qual tantos pastores vivem vidas tão artificiais.

Nesse aspecto, o rol pastoral fomenta a desonestidade. A congregação espera que seu pastor esteja sempre alegre, disponível a todo o momento, nunca ressentido, nunca amargurado, espera que ele tenha uma família perfeitamente disciplinada, e que seja completamente espiritual a todo o momento. Os pastores exercem este papel como atores de um drama grego. Isto explica a voz afetada da maioria dos pastores em suas pregações e orações. Isto explica a maneira piedosa de cumprimentar, a maneira peculiar com que dizem “o Senhor” e a maneira especial como se vestem.[2]

Todas estas coisas são em grande parte fumaça e luar — totalmente desprovidas de realidade espiritual. A maioria dos pastores não pode permanecer nesse ofício sem ser corrompido em algum nível. O endêmico poder político do ofício é um problema enorme que isola muitos deles e envenena a relação deles uns com os outros.

Em um inquietante artigo para pastores intitulado Prevenindo a Cauterização do Clero, o autor sugere algo assustador. O conselho dele para os pastores nos dá uma visão clara do poder político que ronda o pastorado. Ele implora aos pastores: “Exerça uma posição de companheirismo com o clero de outras denominações. Estas pessoas não podem prejudicá-lo eclesiasticamente, porque eles não pertencem ao seu círculo oficial. Não há nenhum tapete político que eles possam puxar para derrubá-lo”.

A solidão profissional é outro vírus que contamina fortemente os pastores. A praga da ilha solitária leva alguns pastores a buscar outras carreiras. Outros encontram destino mais cruel.

Todas estas patologias encontram sua raiz na história do pastorado. É “solitário o cume” porque Deus nunca quis que ninguém fosse para o cume — exceto Seu Filho! Com efeito, o pastor moderno coloca sobre seus ombros as 58 exortações do Novo Testamento que deveriam ser mutuamente compartilhadas pelos crentes. Não é de admirar que a maioria dos pastores sofre esmagada pelo peso.
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Fonte:
Trecho do livro "Cristianismo Pagão - A Origem das Práticas de Nossa Igreja Moderna" (Frank Viola)

As notas deixadas pelo autor são muito mais extensas do que as que seguem abaixo. Estas foram selecionadas por eu considerá-las mais necessárias à compreensão do texto.

[1] Este número foi extraído do Barna Research Group (East Hillsborough Christian Voice, February 2002, p. 3). Metade destas igrejas tem menos de 100 membros ativos (“Flocks in Need of Shepherds”, The Washington Times, July 2, 2001).

[2] Sei que nem todos os pastores caem nesta armadilha. Mas os poucos que podem resistir esta incrível pressão são exoticamente raros. Eles constituem dramáticas exceções a uma norma bem trágica.

05 fevereiro 2011

PASTOR TEM QUE TRABALHAR!

Por Alan Capriles

Pastor tem que trabalhar!
Levantar cedo, ao amanhecer, e consagrar-se em secreta oração;
Estudar diariamente a Bíblia, com planejamento e perseverança;
Preparar estudos e sermões, com correta interpretação;
Pregar o verdadeiro evangelho
E ensinar todo o conselho de Deus...

Pastor tem que trabalhar!
Acolher novos membros, com paciência e dedicação;
Assumir seu papel, conduzindo as ovelhas que houver;
Aconselhar sabiamente os irmãos, com sigilo e compaixão;
Liderar o rebanho de Deus
Mostrando o caminho que devem andar...

Pastor tem que trabalhar!
Levar a santa ceia aos membros acamados;
Orar com fé pelos enfermos em nome do Senhor;
Acudir irmãos carentes e visitar os afastados
Promover a caridade
Dando exemplo prático de serviço e amor...

Pastor tem que trabalhar!
Realizar batismos, casamentos, bodas, funerais;
Consolar os abatidos e os fracos acolher;
Interromper seu descanso, mesmo em alta madrugada,
Sempre disponível e amável
A quem for socorrer.

Pastor tem que trabalhar!
E se algum pastor não quiser cumprir seu chamado,
Que procure um emprego assalariado,
Desses com horário de entrada, saída,
Descanso certo e remunerado.

Mas, se ainda houver alguém
Que aspire ao santo episcopado
Servindo a Cristo simplesmente por amor
Que não se engane
Com o que irão lhe falar.
Porque pastor,
Sim...
Pastor tem que trabalhar!

Alan Capriles

22 junho 2010

ANÁLISE DE CANDIDATOS BÍBLICOS AO PASTORADO DE UMA IGREJA MODERNA

Uma igreja moderna constituiu um Comitê de Púlpito para sugerir nomes para avaliação pela congregação, para a escolha do futuro pastor da igreja. Entre tantos candidatos, apenas um foi selecionado. Aqui está o relatório que o Comitê apresentou:

Adão: É um bom homem, mas parece não ter nenhum controle sobre sua mulher. Existem rumores que ambos gostam de caminhar pelados nos bosques. Quando o confrontamos com esse pecado, jogou a culpa na mulher.

Noé: No pastorado anterior, que durou 120 anos, não conseguiu ganhar nenhuma alma. Susceptível a projetos de construção irrealistas. Após receber um grande livramento de Deus, esse homem demonstrou ser um fraco e passou a embriagar-se.

Abraão: Existiam rumores que praticava a troca de casais. No entanto, quando investigamos, constatamos que na verdade ele nunca dormiu com a mulher de ninguém, embora realmente tenha oferecido sua mulher para outros homens, apesar de que nada se concretizou de fato. Em certa ocasião, quase matou seu filho, sendo detido no último segundo. Teve a oportunidade de viver em uma região muito bonita e próspera, mas passou a chance para seu sobrinho. Tememos que possa vir a cair na pobreza e tornar-se um peso para a igreja na velhice. Existem rumores de que, com o consentimento da sua mulher, engravidou uma empregada doméstica, que depois de alguns anos foi demitida e enviada para longe com a criança.

José: Um estrategista de grande visão, mas parece orgulhar-se de suas capacidades. Acredita em interpretação de sonhos e já esteve preso por quase dez anos. Parece que viveu grande parte de sua vida em abjeta escravidão, o que nos faz pensar se está preparado para lidar com homens de negócios bem-sucedidos e líderes da comunidade. Certa vez acusou um homem de furto e fez com que ele fosse preso injustamente.

Moisés: Um homem manso e modesto, mas não se expressa bem, chegando a gaguejar. Isso nos faz duvidar de seu passado como membro da família real do Egito. Se ele realmente tivesse essa origem, seria um orador seguro. Algumas vezes, levanta ameaçadoramente seu cajado e tem acessos de raiva. Existem rumores de que abandonou uma igreja anterior após ser acusado de assassinato. Além disso, achamos que seu casamento inter-racial com uma mulher etíope possa vir a causar tensão na nossa igreja.

Davi: Era o líder mais promissor de todos, até que descobrimos que envolveu-se em um relacionamento extraconjugal com a mulher de um militar. Além disso, parece gostar de matar seus inimigos, em vez de procurar formar associações ecumênicas.

Salomão: É um ótimo pregador e tem uma coleção enorme de provérbios que ele mesmo criou. No entanto, a casa pastoral não é grande o suficiente para abrigar todas as suas mulheres.

Elias: Tende a cair em depressão. Desestrutura-se completamente quando é colocado sob intensa pressão. Não sabe se comportar em reuniões ecumênicas, pois zomba enquanto os outros ministros adoram e em certa ocasião até os incentivou a se cortarem com lâminas. Foi visto correndo, tentando alcançar um carro, o que nos faz suspeitar de sua sanidade.

Eliseu: Tivemos informações que morou na casa de uma mulher viúva enquanto estava em uma igreja anterior, o que pode gerar rumores e suspeitas.

Oséias: Um pastor amoroso e gentil, mas jamais poderíamos tolerar a ocupação de sua mulher.

Jeremias: É instável emocionalmente, alarmista, negativista, sempre está lamentando por alguma coisa. Soubemos que fez uma longa viagem apenas para enterrar uma peça de roupa nas margens de um rio na Síria. Um rei que leu seus escritos lançou o manuscrito no fogo imediatamente, por causa da linguagem ofensiva, mas Jeremias, teimosamente, escreveu tudo de novo.

Isaías: Parece ser fronteiriço. Afirma ter visto anjos na igreja. Tem problemas com sua linguagem. Admite abertamente que seus lábios são impuros.

Ezequiel: Este homem está completamente louco. Durante muitos dias, alimentou-se de uma ração mínima, cozida sobre o esterco de vacas. Quando sua jovem mulher morreu, não esboçou a menor reação. Afirma ter visto sacerdotes e líderes políticos praticando abominações no Templo, o que é uma acusação totalmente absurda. Achamos que precisa de internação urgente.

Jonas: Recusou o chamado de Deus para pregar no exterior, mas foi forçado a obedecer após ser engolido por um grande peixe em uma tempestade no mar. Diz que o peixe o vomitou em uma praia. Além disso, parece que prega, mas sem desejar que as pessoas realmente se convertam. Recomendamos não arriscar com esse candidato.

Amós: Devido a sua formação de homem do campo, tem a mentalidade estreita e é grosseiro ao lidar com pessoas de nível social elevado. Sua maior experiência é em tanger o gado e em colher figos. Talvez possa melhorar após estudar em um dos nossos seminários, mas parece ter um bloqueio natural contra os ricos. Achamos que seja um pastor adequado para uma igreja situada em um bairro mais pobre.

Melquizedeque: Temos ótimas referências do emprego atual dele, mas de onde vem esse homem? Não preencheu as informações no currículo sobre os empregos anteriores, nem sobre sua filiação. Recusa-se a informar a data do nascimento.

João: Diz que é batista, mas não se veste como tal. Passa vários meses dormindo ao relento, ou em cavernas, tem uma dieta totalmente estranha e provoca os líderes de outras denominações. Tem pouco tato ao lidar com os políticos de alto escalão, fazendo-lhes acusações severas. É totalmente intransigente e não sabe contemporizar.

Pedro: Um homem rude. Dizem que retorna à antiga ocupação de pescador nos momentos mais impróprios. Tem um péssimo temperamento e pragueja quando fica nervoso. Teve um entrevero com Paulo, em Antioquia. É agressivo, mas na verdade é um frouxo e chora às escondidas.

Paulo: Líder nato e um pregador fascinante. No entanto, parece ter pouco tato, é impaciente com os pastores jovens, é severo e dizem que gosta de pregar até as altas horas da noite. Além disso, sofre de um problema de visão que o incapacita até para escrever. Certa vez, provocou uma agitação civil e depois fugiu da cidade, escondido em um grande cesto. Morou durante vários meses na casa de Públio, um notório pagão, na ilha de Malta, no Mediterrâneo. Dizem que nesse lugar, fundou uma igreja e iniciou um ministério de manipulação de serpentes. Além disso, tem o inconveniente de ser solteiro.

Tiago & João: São dois irmãos que gostam de trabalhar juntos. A princípio, o pacote de pregador & assistente parece bom, mas descobrimos que têm um problema de ego com relação aos demais pregadores e que gostam de ocupar posições de destaque nas festas. Certa vez, ameaçaram fazer descer fogo do céu e destruir uma cidade, só por terem sido insultados. Tivemos informações que tentam desencorajar aqueles que não seguem exatamente suas orientações. Diótrefes, que foi líder em uma igreja informa que foi sumariamente desligado após João escrever uma carta instruindo a igreja a tomar essa atitude.

Timóteo: É jovem e inexperiente demais. Não conseguiria se impor diante dos outros jovens e dos homens mais velhos. É mestiço, e sabemos o que isso significa. Além disso, um diácono que o visitou, viu uma garrafa de vinho na estante da sua sala.

Matusalém: É velho demais, sem a menor condição de assumir um pastorado.

Jesus: Teve seus momentos de popularidade, mas depois que sua igreja atingiu 5000 membros, conseguiu ofender, escandalizar e afugentar a quase todos com sermões muito duros. Raramente fica muito tempo em um só lugar. Não tem nenhuma propriedade, bens ou patrimônio pessoal e seria um homem muito necessitado se o chamássemos, pois praticamente pede tudo emprestado e seus amigos precisam sustentá-lo e abrigá-lo em suas casas. Foi visto várias vezes saindo de tavernas e em conversações com prostitutas e com notórios pecadores na região da boca do lixo. Dizem que gosta de tomar bons vinhos e que não recusa convites para festas e banquetes. Parece estar muito preocupado com os demônios, e, por toda a parte, expulsa-os das pessoas. Elogia aqueles que contribuem com pouco para a obra de Deus e critica aqueles que contribuem com muito. Já recebeu várias ameaças de morte, devido a sua intransigência e a rejeição aberta aos grandes líderes ecumênicos. Certa vez, adentrou na maior igreja da cidade, onde havia um bazar para levantamento de fundos, e, transtornado, derrubou todas as barracas e expulsou o povo utilizando um azorrague que ele mesmo improvisou. Estar próximo de Jesus parece ser muito perigoso. Ele adverte seus seguidores que terão aflições e que serão perseguidos por serem seus discípulos. Além disso, tem a desvantagem de ser solteiro, com o agravante de não demonstrar interesse em desenvolver um relacionamento afetivo com nenhuma mulher. Grande parte de seus ensinos parece suicida, falando de sua própria morte. Seria um ministério muito negativista para a nossa igreja, lembrando que desejamos um pastor que fale sobre o poder do pensamento positivo.

Judas: As referências aqui são boas. É eficiente, discreto e tem perfil conservador. Gosta de organizar campanhas de arrecadação de fundos para ajudar as obras assistenciais. Tem boas ligações com políticos de alto escalão e com líderes eclesiásticos. Foi tesoureiro durante o tempo em que acompanhou Jesus, e sempre gozou da confiança do grupo. Recentemente, diante de uma multidão, abraçou e beijou Jesus, em uma demonstração singular de confiança e de amizade. Nós o convidamos para pregar no próximo domingo. Temos possibilidades aqui. Há um rumor que ele se suicidou ontem, mas deve ser um boato sem fundamento, tendo em vista seu tremendo potencial.

Autor: desconhecido.
Adaptação: Alan Capriles
Fonte: http://www.espada.eti.br/candpast.asp

22 maio 2010

O FIM DE UMA ERA - UM ALERTA PARA A IGREJA

Por Alan Capriles 

Sinto-me no dever de recomendar a todos, especialmente aos que se preocupam com os rumos da Igreja, a leitura de O Fim de Uma Era.  Além das razões teológicas, há um pouco de sentimento envolvido nesta recomendação. Seu escritor, bispo Walter McAlister, foi meu primeiro pastor, no final da década de 80, época de minha conversão a Cristo. Lembro-me do quanto eu gostava de ouvi-lo pregar, o que acontecia geralmente às quartas-feiras, na Igreja de Nova Vida em Botafogo. Seu pai, saudoso bispo Roberto, era quem costumava pregar aos domingos. Mas, confesso que não tinha tanta admiração pelo meu pastor quanto agora, depois da leitura de seu livro. Fiquei extremamente feliz ao constatar que, apesar dos desvarios de muitos líderes da igreja evangélica brasileira, o bispo Walter continua fiel às Escrituras e zeloso para com a obra de Deus.

Posso garantir que O Fim de Uma Era não é apenas uma opção de leitura, mas é uma obra que precisava ser escrita. As coisas não vão bem com a igreja e alguém precisava mostrar de forma clara e corajosa "o que" não vai bem. A verdade é que muitos líderes simplesmente não querem enxergar no que tem se tornado a Igreja em nosso país. Mas agora não terão mais desculpas para tamanha cegueira. Alguém deu o alerta.  E muito me alegra que tenha sido meu primeiro pastor, hoje bispo, Walter McAlister. Que Deus lhe conceda cada dia mais coragem, direção e sabedoria para continuar despertando, através do Espírito Santo, a Igreja do Senhor Jesus.

Eis a seleção de apenas alguns trechos de O Fim de Uma Era - editora Anno Domini:
Estamos no fim de uma era. A Igreja está definhando, se não no seu tamanho, certamente no seu testemunho. Nunca houve tantos que proclamaram a luz de Deus e que, paradoxalmente, vivem como filhos das trevas. Mais do que nunca precisamos ouvir a conclamação: "Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te ilumiará. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus." (Efésios 5.14-16, NVI)
É altamente possível que a Igreja como nós a conhecemos hoje esteja prestes a desaparecer. Porque, quando a coisa apertar, e vai apertar, quando mais difícil for a situação, mais as pessoas vão abandonar as soluções imediatistas para procurar as verdadeiras. E, se a Igreja não as apresentar, pode definhar rapidamente, como já aconteceu na Europa e está ocorrendo nos Estados Unidos. As projeções nos Estados Unidos são que, dentro de trinta a quarenta anos, a Igreja caia para um quinto do seu tamanho.
A Igreja não é chamada para ser eficiente, grande ou rica. Ela é chamada para ser fiel. E fidelidade pode ser algo muito pequeno, demorado e sofrido. Para sermos fiéis temos de estar dispostos a sermos considerados malsucedidos pela sociedade - até irrelevantes -, porque a verdadeira Igreja é irrelevante para a sociedade.
Mas a Igreja quer aplausos, e já. Faz um grande evento, o governador aparece e todos acham que uma grande coisa aconteceu. (...) A busca de comendas, aplausos e reconhecimento da nossa contribuição à sociedade é vaidade e correr atrás do vento. Quem faz isso desperdiça seu ministério e sua vida.
Dentro desse contexto, creio que a Igreja está prestes a ser desagradavelmente surpreendida, pois vem usando sua liberdade religiosa como um marinheiro embriagado. No Brasil, a percepção de que a igreja é um bom negócio, de que o sacerdote é um sem-vergonha e de que tudo gira apenas em torno do dinheiro provavelmente fará com que a Igreja seja surpreendida por medidas do governo federal que poderão colibir sua liberdade. E uma Igreja banalizada não tem tônus espiritual para fazer frente a uma verdadeira perseguição. Então uma grande parte vai simplesmente fugir da igreja, que vai se esvaziar. Muitas vão quebrar. Essa festa vai acabar...
Os trechos acima podem ser conferidos na íntegra no site oficial do livro, que disponibiliza o primeiro capítulo para leitura:
http://www.ofimdeumaera.com.br/

25 fevereiro 2010

AS 12 RAZÕES PARA ELIMINAR O ENTRETENIMENTO EM SUA IGREJA

Um alerta solene aos pastores

 
Por Alan Capriles

O entretenimento está tão enraizado na cultura evangélica brasileira que parecerá um absurdo a tese que defendo. No entanto, esse não é um problema novo e nem exclusivamente nosso. Já na segunda metade do século 19, em seu famoso artigo "Apascentando ovelhas ou entretendo bodes?" o pastor inglês Charles Haddon Spurgeon, alertava que o fermento diabólico do entretenimento acabaria levedando toda a massa do evangelho.[1] E é nesse lastimável estado de fermentação que se encontra a massa evangélica atual - não somente no Brasil, mas em praticamente todo o mundo.

Hoje em dia é quase impossível que uma igreja não tenha conjuntos musicais, corais, grupos de coreografia, ou cantores para se apresentar durante o culto. Não estou dizendo que seja errado se divertir de vez em quando, ou que seja pecado cantar e dançar. Particularmente, valorizo muito meus momentos de descontração, pois sei o quanto isso me faz bem. No entanto, é de consenso geral que tudo deve ter sua hora e seu apropriado lugar. A despeito disso, vemos na maioria das igrejas o precioso tempo do culto, que deveria ser usado para edificação, ser tomado por todo tipo de apresentações, com a desculpa de que "é tudo pra Jesus". Apenas esqueceram de perguntar-lhe se ele deseja tal coisa... Mas, ironias à parte, a realidade é que tais apresentações não passam de entretenimento vão, que em nada edificam, mas que vem acrescidas de um verniz de santidade, ou capa de religiosidade, para que sejam chamadas de obra de Deus.[2]

Por favor, que ninguém fique ofendido, pois também expresso aqui um mea culpa. Houve época em que também eu desperdiçava horas com ensaios de conjuntos e coreografias, enganando a mim mesmo e convencendo também aos outros de que esse ativismo todo podia ser chamado de obra de Deus. Mas a verdade é que eu sempre senti que havia algo de errado - que não era nisso que deveríamos estar focados - e isso fazia com que eu me sentisse um traidor. Como não havia quem me alertasse, foi por meio de minha própria meditação nos evangelhos que tive meus olhos abertos e fui convencido de meu erro.

Desde então tenho refletido seriamente a respeito disso, percebendo o quanto temos deixado de crescer com nossas distrações pueris e o quanto isso tem prejudicado a propagação do verdadeiro evangelho. Consegui encontrar mais de uma dezena de boas razões para eliminar por completo o entretenimento dos cultos na igreja que pastoreio - algo que logo fizemos! Passamos então a investir melhor nosso tempo, substituindo as horas que antes gastávamos com ensaios entre quatro paredes por evangelização na comunidade, encontros de edificação nos lares e pela realização de projetos sociais relevantes.[3] E, quanto às apresentações nos cultos... sinceramente, não estão fazendo a menor falta.

Sendo assim, compartilho pelo menos 12 razões que nos fizeram eliminar o entretenimento dos cultos que realizamos - lembrando que nossa resolução, aparentemente radical, só nos trouxe benefícios, tanto a nível individual, quanto coletivo.

1 - Não encontramos qualquer incentivo de Cristo ao entretenimento em seu nome
Para os que realmente querem seguir os ensinamentos de Cristo, somente esta razão já seria suficiente e não precisaríamos de qualquer outro argumento. O problema é que raramente se encontra hoje uma igreja que queira levar a sério o que Jesus ensinou. Sendo assim, talvez seja necessário ainda os argumentos a seguir.

2 - Entretenimento não atrai ovelhas
Particularmente, não gosto de rótulos. Mas, a título de melhor compreensão, chamemos de ovelhas aqueles que realmente amam a Jesus e buscam seguir seus ensinamentos (Jo 10:27). Esse argumento interessa principalmente a pastores que buscam atrair pessoas já convertidas para suas igrejas - o que não é necessariamente errado, pois há crentes que mudam de cidade e precisam encontrar uma boa igreja para congregar. Ora, dificilmente a realização de shows na igreja atrairá cristãos fiéis, aqueles que realmente estão interessados em crescimento espiritual. Por outro lado, as apresentações no culto serão um atrativo para os que gostam de uma distração gratuita. Mas, será que podemos chamar esses crentes de ovelhas, ou, como sugeriu Spurgeon, não seria melhor identificá-los como bodes, uma vez que só buscam entretenimento? (Mt 25:32-33)

3 - Entretenimento afasta as ovelhas
As verdadeiras ovelhas não se satisfazem com apresentações durante o culto. Elas querem oração e palavra, edificação e unção. Uma ovelha de Cristo não procura emoções, mas a Verdade, a fim de que se mantenha firme no caminho da vida e na propagação do reino (Jo 6:67). Quanto mais o pastor encher o culto com apresentações, mais rapidamente as verdadeiras ovelhas irão debandar, em busca de uma igreja mais fiel, que priorize a oração e o ensino da Palavra. Aos poucos, a "igreja-show" deixará de ter ovelhas para estar ainda mais cheia, porém de bodes, que gostam de uma boa distração. E, infelizmente, o que muitos pastores buscam hoje é somente quantidade - o crescimento a qualquer custo. E, com este fermento, a massa realmente cresce...

4 - Entretenimento reduz o tempo de oração e palavra
O tempo de culto já é muito limitado, chegando a ter, no máximo, duas horas. Quando se dá oportunidade para apresentações, o tempo que deveria ser usado para oração e ensino torna-se curtíssimo. Em algumas igrejas o momento reservado para a Palavra não chega nem a vinte minutos por culto! Como desenvolver uma mensagem expositiva, que realmente alimente as ovelhas, em tão curto espaço de tempo?

5 - Entretenimento confunde os visitantes
Os visitantes de uma igreja de entretenimento concluirão que ela existe em função disto: de criar conjuntos, corais, coreografias, peças teatrais, ou qualquer outro tipo de apresentação que torne o culto divertido. E eles passarão a frequentar os cultos com esta expectativa, esperando pelo próximo espetáculo e não para se desenvolver espiritualmente.

6 - Entretenimento ilude os membros
É normal que os membros das igrejas voltadas para o entretenimento pensem que estão servindo a Deus com suas apresentações. Desta forma, sua consciência fica cauterizada para atender aos apelos  para participar da escola bíblica, do evangelismo, ou dos projetos de assistência social. Afinal de contas, o membro pensa que seu chamado é para um palco (ao qual chama de altar), e não para serviços que não lhe colocam debaixo de holofotes - os quais são muito comuns nas igrejas hoje em dia.

7 - Entretenimento é um desgaste desnecessário
Quanto esforço é despendido para que tudo saia perfeito: o passo de dança, a afinação do coral, a fala decorada... Tanta energia gasta naquilo que o Senhor nunca mandou fazer! Será que ainda restarão forças e tempo para se fazer o que realmente Cristo nos ordentou fazer? (Lc 6:46; Mt 25:31-46)

8 - Entretenimento coloca os carnais em destaque
Pessoas que raramente aparecem nos cultos de oração e estudo bíblico, e que nunca comparecem ao evangelismo, geralmente são as mesmas que gostam de aparecer cantando, dançando ou representando nos cultos mais cheios. A questão é: Por que dar prioridade e destaque justamente para esses membros que desprezam o próprio crescimento espiritual?

9 - Entretenimento promove disputas
Disputas entre membros, entre conjuntos e até entre igrejas. Quem canta melhor? Quem dança melhor? Que conjunto tem o uniforme mais bonito? Quem recebeu mais oportunidade? (1 Co 3:3; Tg 4:1)

10 - Entretenimento alimenta o ego
O entretenimento não gera fé, mas fortalece o ego dos que amam receber aplausos e elogios. Apesar de sua roupagem "gospel", o fermento dos fariseus continua tão venenoso quanto nos dias de Jesus (Mt 23:5-6; Lc 12:1)

11 - Entretenimento é um desperdício de tempo
Alguém já disse que "a mais lamentável de todas as perdas é a perda do tempo." Se o mesmo tempo que as igrejas gastam com ensaios e apresentações fosse utilizado com oração e evangelismo, este mundo já teria sido alcançado pela graça de Deus! (Ef 5:15-17)

12 - Entretenimento não é fazer a obra de Deus
A desculpa para o entretenimento é que este seria uma forma estratégica de atrair as pessoas. Mas a questão novamente é: que tipo de pessoas? Se entretenimento fosse uma boa alternativa, certamente a igreja apostólica teria usado de entretenimento para atrair as multidões. No entanto, os apóstolos simplesmente pregavam o evangelho, porque sabiam que nele há poder. O evangelho "é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rm 1:16). Mas o entretenimento... O entretenimento é a artimanha do homem para a perdição de todo aquele que se distrai.

Devo concluir com uma palavra direta aos pastores. De pastor para pastor. Amado colega de ministério, não duvide do poder do evangelho para atrair e converter as pessoas. Não queira encher sua igreja com atividades vazias e atraentes ao mundo, mas que não têm o poder do Espírito Santo para converter vidas. Tenha coragem e limpe sua congregação desta imundície egocêntrica. Igreja não é circo, nem clube. Talvez, com tal atitude, você perderá alguns membros - mas, lembre-se: não perderá ovelhas, somente bodes. Tenha fé em Deus e confie no modelo bíblico para o crescimento saudável da igreja, modelo que é pautado na oração, nas boas obras e na pregação ousada do genuíno evangelho de Cristo. Lembre-se também disto: "enquanto os homens procuram melhores métodos, Deus procura melhores homens." Seja você esse homem.

Alan Capriles
(Atualizado em Set/2014)

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Notas

[1]  Confira o alerta de Spurgeon clicando aqui.

[2] Promover a mútua edificação deve ser o propósito de toda reunião cristã (1Co 14:26)

[3] Isso não significa que nossa igreja não tenha atividades divertidas, ou momentos de lazer em comunhão. Significa somente que não usamos mais o tempo do culto para tais atividades, que são importantes, mas não a ponto de permitirmos que roubem o tempo devido a oração e a palavra.

08 outubro 2008

REVENDO MEUS CONCEITOS DE LIDERANÇA CRISTÃ


A Bíblia é surpreendente! Diariamente sou edificado por textos que falam direto ao meu coração. Mas a maior surpresa que a Bíblia me causou ocorreu há poucos dias atrás. Foi devido a uma palavra que nela não encontrei. Isso mesmo: por uma palavra que não encontrei. Por acaso você já foi surpreendido por aquilo que não encontrou na Bíblia?

Eu pretendia começar um estudo pessoal sobre liderança cristã. Como de costume, iniciei minha pesquisa através da busca de palavras chaves na própria Bíblia. Achei que seria uma boa idéia relacionar primeiro todos os textos em que aparecesse a palavra “líder”. Para ser mais rápido e exato, decidi encontrar aquelas passagens através do programa da Bíblia que tenho no computador. Esta é a maneira mais segura de se saber quantas vezes uma mesma palavra se repete na Bíblia. Portanto, digitei “líder” no campo de busca e, ao clicar “enter”, preparei-me para uma enorme listagem de referências bíblicas.

Contudo, que grande surpresa! O resultado da busca foi “zero”! Cheguei a pensar que eu tivesse digitado errado. Tentei novamente... Outra vez, nada. Tentei nas duas versões mais usadas da Bíblia, a de “Almeida Revista e Corrigida” e a “Revista e Atualizada”; em nenhuma delas aparece a palavra “líder”.

O mesmo aconteceu com a palavra “liderança”: absolutamente nenhuma referência bíblica. Quando tentei o plural “líderes”, surgiu apenas uma referência, e somente na versão Revista e Corrigida, em Isaías 29:10. E esta passagem se refere aos líderes dos videntes, que estavam cegos.

Mas, por que fiquei tão surpreso? Minha reação, que depois se transformou em indignação, se deve a enorme quantidade de livros evangélicos a respeito de “liderança cristã” e também a tendência de se fazer de cada crente um líder de alguma coisa na Igreja. Pergunto: como é que se pode dar tanta ênfase a um termo que sequer é mencionado na Bíblia? Como isto virou moda, não demorou muito para lançarem no mercado a "Bíblia da Liderança Cristã", com notas e artigos de John C. Maxwell, que declara, logo na introdução, que "Deus chamou você para liderar!"

Sei muito bem que o conceito de liderança existe na Bíblia e é amplamente encontrado em diversos textos. Mas eu me refiro a chamar as pessoas pelo título de líder. E, principalmente, refiro-me a ambição que existe em muitos crentes pela conquista de tal título.

Entretanto, como eu já suspeitava, versões mais “moderninhas” da Bíblia trazem, de fato, a palavra “líder”. Provavelmente, concluo, para se adequar ao modismo de liderança que se instalou nas igrejas evangélicas. É o caso da Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH). Mesmo assim, a palavra líder só aparece dez vezes no Novo Testamento; em duas delas, de forma pejorativa. Nas demais, três passagens se referem a Jesus, três aos fariseus, uma fala de Davi e outra de Moisés.

Porém, a passagem que mais me chamou a atenção nesta versão moderna, foi a seguinte:
“Vocês não devem também ser chamados de “líderes” porque vocês têm um líder, o Messias.” (Mateus 23:10 NTLH)

Vocês não devem ser chamados de líderes! Se alguém quiser usar a NTLH para justificar seu título, terá que “engolir” este versículo também. Quanto a obedecê-lo, tenho certeza de que poucos estarão dispostos.

Qual o problema de alguém ser chamado de líder? Prefiro responder a esta pergunta contando um testemunho pessoal.

Recentemente, passei por um problema de divisão em nossa igreja. Um grupo de irmãos decidiu sair e o fizeram da pior forma possível. Na verdade, só existem duas maneiras de uma ovelha mudar de congregação: a maneira certa, ou a errada. Muitas vezes alertei sobre isto. Mas, como percebo que as pessoas se esquecem, aproveito para relembrar: a maneira correta de se sair é recebendo a bênção de seu pastor.

Mas, o que vem ao caso, foi minha triste descoberta. Praticamente todos os pastores que me procuraram, a fim de me consolar, disseram a mesma coisa: “nossa igreja também já passou por isso.” Certo pastor, cujo ministério tem mais de 40 anos, chegou a dizer que enfrentara esta situação cerca de dez vezes. Na última, o líder de louvor havia saído e levado junto todos os jovens da igreja. Isso eu pude constatar pessoalmente. Só ficaram os adultos e, em sua maioria, idosos.

Por que as diversas denominações têm passado por este problema de divisão? Constatei que em todos os casos a divisão era promovida por pessoas com cargos de liderança na igreja. Geralmente, um ou mais líderes que saem da igreja, levando consigo os membros que trabalhavam em seus departamentos.

Aliás, diga-se de passagem, o termo “departamento” também é ausente das Escrituras. Esta expressão, tão usada nas igrejas atuais, não aparece nem mesmo na versão NTLH. E, quanto a palavra “ministério” (que é como algumas igrejas preferem chamar seus departamentos) apesar de aparecer na Bíblia, parece não ter a mesma conotação que lhe dão atualmente, quando se abusa do termo.

E, será que não reside justamente aí a raiz do problema? O modelo de igreja que está sendo adotado pela maioria não corresponde ao modelo bíblico. Quantos departamentos havia na igreja de Jerusalém? E na de Antioquia? Nem o livro de Atos e nem as epístolas mencionam qualquer tipo de idéia semelhante a esta.

As divisões que acontecem hoje estão muito longe de se parecer com as divergências que deram origem às grandes denominações cristãs. Antigamente, as divergências aconteciam por discordância doutrinária. Atualmente, as divisões acontecem por mera vaidade. Faz lembrar o levante de Coré, Datã e Abirão, que afrontaram Moisés, lhe dizendo: “Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles; por que, pois, vos exaltais sobre a congregação do SENHOR?” (Números 16:3 RA)

Repito: a maioria das divisões que tem acontecido são geradas por vaidade. A história tem se repetido: o membro recebe um título de líder e acha que pode tomar decisões em seu departamento sem prestar contas ao pastor. Quando o pastor toma alguma decisão que não agrade ao líder, o mal estar começa. Os membros do departamento são influenciados pela sua liderança, geralmente em reuniões fora da igreja, e pronto! Na primeira oportunidade, o líder deixa a igreja – se fazendo de vítima – porque sabe que tem a simpatia dos membros do seu departamento. Tenho certeza que, se você é antigo no evangelho, já presenciou tal situação.

E, lamentavelmente, as divisões vão continuar acontecendo, dando início a ministérios que não conseguirão ir muito longe. A não ser que, o quanto antes, os pastores revejam seus conceitos quanto ao modelo bíblico de igreja.

Eu, particularmente, estou revendo meus conceitos de igreja. Tenho chegado a algumas conclusões, que compartilho a seguir:

O Líder supremo e absoluto da Igreja é o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Cada pastor é apenas o seu representante e referencial na terra para as ovelhas do Senhor, revestido de autoridade para orientá-las espiritualmente. Não existe mais de uma autoridade em cada igreja. Existem serviços diferentes, mas autoridade é o pastor, como imitador de Cristo. O apóstolo Paulo deixa isto bem claro em suas epístolas, especialmente as pastorais (Tt 1:13, 2:15; 1 Tm 4:12; 2 Tm 4:2; etc.) Ao nomear líderes o pastor termina por não fazer o seu serviço, e o seu cajado fica abandonado, ou na mão dos membros que ele mesmo envaideceu com lideranças.

O termo “líder” deveria ser extinto das igrejas. Além de fomentar a competição e facções entre os irmãos, o título de líder ainda trás o agravante de não ser jamais usado na Bíblia, especialmente no Novo Testamento. 


Somente departamentos essencias deveriam existir. Conjuntos para homens, mulheres, jovens e crianças são realmente necessários? Além de tais conceitos serem estranhos às Escrituras, acabam por fazer do altar um palco de apresentações, e do culto um programa de auditório.

Não é de se admirar que os pastores se pareçam cada vez menos com imitadores de Cristo e cada vez mais com animadores de festas.

Concluo, afirmando que nossa preocupação não deve ser imitar os modismos evangélicos, mas buscar o modelo bíblico para uma verdadeira igreja cristã. Respeito meus colegas e amigos que pensam diferente. Não tenho direito algum de me intrometer no sistema organizacional de sua denominação. Mas, aqui fica registrado este alerta e o meu ponto de vista. Tenho todo direito de ser diferente da maioria.

Não sei quanto a você, mas, quanto a mim, já estou revisando meus conceitos à luz das Escrituras.

“Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.”
(Gálatas 1:10 RA)

01 agosto 2008

ESCOLA DE IMPOSTOR?


Por Alan Capriles

Sou assinante da Revista Igreja, que deveria trazer informações importantes para o ministério pastoral contemporâneo. Mas fiquei bastante indignado ao receber a edição de junho/julho de 2008. O texto ressaltado acima refere-se a uma propaganda publicada pela revista, no qual destaco em vermelho a maneira absurda com a qual as igrejas são tratadas: como concorrentes!

O que mais impressiona é o fato de tal propaganda vir assinada por um seminário pastoral. E, ainda pior, trata-se da divulgação de um curso em dvd chamado "O Segredo para Ficar Rico". A impressão final, analisando a propaganda como um todo, é que abrir uma igreja seria o tal segredo para ficar rico!

Como pastor, quero deixar aqui o meu protesto. Ainda que hajam impostores se dizendo pastores, creio que são minoria. Mas, quando vejo um seminário fazer uma colocação como esta, fico bastante preocupado com tamanha deturpação do evangelho. Preocupa-me porque muitos estão fazendo escola com esta filosofia satânica!

A Igreja local, quando fiel ao evangelho de Cristo, é a esperança do mundo, razão pela qual precisamos de unidade, não de competição. Nossos membros são pessoas, não clientes, o evangelho é a salvação e não um produto de mercado.

Mas eu não deveria ficar tão surpreso. A Bíblia relata que, nos últimos dias, fariam dos crentes negócio (2Pedro 2:3). Certamente já chegamos neste tempo.

"Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão." (1 Timóteo 6:9-11 RA)

"E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme." (2 Pedro 2:2-3 RA)


P.S.:  No dia 01 de Agosto enviei um email de protesto contra o referido anúncio. Não obtive resposta. Ou melhor, obtive sim. Na edição seguinte a propaganda continuava sendo destaque, sem nenhuma alteração, ocupando uma página inteira da revista.
Cancelei minha assinatura.

Por Alan Capriles