sexta-feira, 26 de agosto de 2011

CRUCIFICANDO O ESPÍRITO

Por Nikos Kazantzakis
(Trecho de A Última Tentação de Cristo)
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Tiago já se resignara à morte do mestre e remoia em pensamento o que fariam quando fossem deixados na terra sem ele.

- Não podemos nos opor à vontade divina, nem à do nosso mestre. Como dizem os profetas, mestre, é seu dever morrer; e o nosso, viver. Viver para que as palavras que você proferiu não se percam. Devemos colocá-las por escrito nas novas Santas Escrituras; criaremos leis, construiremos nossas próprias sinagogas e selecionaremos nossos próprios sumos sacerdotes, escribas e fariseus.

- Estarão com isso crucificando o espírito – gritou Jesus, apavorado. – Não, não, não quero nada disso.

- É a única forma de impedir que o espírito se desvaneça no ar – contrapôs Tiago.

- Mas então ele não será mais livre; não será mais espírito.

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Comentário:
Não estou aqui recomendando a leitura desse livro, a não ser que você tenha maturidade espiritual para examiná-lo. Mas, particularmente, considero esse o melhor trecho do livro, o qual não foi retratado no filme que se baseou nessa obra de Kazantzakis. Para ser franco, creio que Jesus não queria mesmo nada disso. Ou queria?

3 comentários:

João Dórea disse...

Que Palavra abençoada Pastor!

fiquei feliz em Deus falar comigo através deste post.

não esquece de me visitar.

Alan Capriles disse...

A paz, João!

É interessante como Deus fala com a gente usando meios que nem esperamos. Foi justamente essa a minha intenção ao publicar esse trecho do polêmico livro de Kazantzakis.

Vou lá no seu blog agora mesmo! Estou precisando mesmo visitar os amigos.

Um forte abraço,
na graça e paz de Jesus!

Cláudio Nunes Horácio disse...

Caramba! Não li o livro, mas esta perícope é impactante. É pedra clamando! Paz de Jesus.