quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL É IMINENTE?


Por Alan Capriles

Não quero ser alarmista, mas tudo indica que o mundo caminha rapidamente para um inevitável conflito de grandes proporções, tendo os EUA e a Rússia como protagonistas. Pensando no assunto, lembrei-me hoje de uma frase dita pelo papa Francisco há dois anos, de que "a terceira guerra mundial pode já ter começado"[1] e de que, por ocasião do natal passado, ele fez uma sombria revelação: "este pode ser o último natal da humanidade".[2] Fico aqui pensando com meus botões que este papa sabe de algo que não pode falar publicamente. Algo que, segundo ele mesmo, poderá ocorrer antes de se findar o ano de 2016. 

Acrescentemos a isso a estranha orientação do ministro do interior da Alemanha que, no final de agosto, recomendou que todos os alemães façam um estoque de água e comida para no mínimo dez dias, com a desculpa de possíveis atendados terroristas.[3] Ora, atentados terroristas não atingem toda a população, muito menos por tanto tempo assim. 

Acrescentemos ainda o estranho alerta do Pentágono, de apenas dois dias atrás, de que "a terceira guerra mundial será muito rápida e muito letal".[4] Por que o Pentágono estaria falando disso exatamente agora, em que as divergências entre os russos e americanos na Síria se agravam? Obviamente, para mandar um recado bem claro aos seus inimigos, o de que os EUA usarão seu arsenal nuclear se for necessário. 

Esse alerta, de que a terceira guerra será bem rápida, me fez lembrar de uma revelação da parte de Deus que uma senhora cristã norueguesa, de 90 anos de idade, teve em 1968.[5] (Sei que alguns leitores não acreditam em profecias, mas a Bíblia nos orienta a não desprezá-las, mas julgá-las confrontando-as com a Palavra.) O Senhor lhe havia revelado a respeito do tempo em que a terceira guerra mundial começaria. E o sinal deste tempo seria que a Europa estaria sendo invadida por refugiados e que, quando os europeus começassem a lhes rejeitar, então se daria o conflito, que, segundo a revelação do Senhor, "será uma guerra curta" - exatamente como prevê o Pentágono! Incrível, não? 

Devo lembrar que esta cristã norueguesa teve sua visão em 1968 e que, além deste sinal, o Senhor lhe deu outros três sinais, os quais também foram se cumprindo a partir da década de 80. Se esta profecia for mesmo da parte de Deus (e me parece que seja) estamos na iminência de uma terceira guerra mundial. 

O consolo é que, segundo a revelação do Senhor, os fiéis a Cristo serão arrebatados neste tempo e que, portanto, não sofrerão as terríveis consequências de um hecatombe nuclear, após o qual o solo, as águas e o ar estarão totalmente contaminados, exatamente como prevê o livro de Apocalipse. Tudo isso significa que precisamos intensificar muito mais nossa vigilância, para não nos contaminarmos com o pecado, e nossas orações, para sermos cheios do Espírito Santo, e nossa evangelização, para que Cristo salve o maior número de pessoas possíveis. Perto, muito perto, está o Senhor. Provavelmente, mais perto do que possamos imaginar. A Deus seja a glória!

Alan Capriles

- Links -

[1] "...a terceira guerra mundial pode já ter começado"
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/09/140913_papa_guerra_lk

[2] "...este pode ser o último natal da humanidade"
http://padom.com.br/papa-francisco-alerta-que-este-pode-ser-ultimo-natal-da-humanidade/
http://www.diariodobrasil.org/o-recado-misterioso-de-francisco-esse-pode-ter-sido-o-ultimo-natal-de-muitas-pessoas/

[3] "...os alemães façam um estoque de água e comida"
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/24/internacional/1472055175_275813.html

[4] "...a terceira guerra mundial será muito rápida e muito letal"
https://br.noticias.yahoo.com/a-terceira-guerra-mundial-ser%C3%A1-muito-r%C3%A1pida-e-123743384.html
https://youtu.be/XVY_3TBPk5Q

[5] "...revelação da parte de Deus que uma senhora cristã norueguesa, de 90 anos de idade, teve em 1968"
http://www.pastorjoaodesouza.com.br/123/?p=219

Alan Capriles

sábado, 20 de agosto de 2016

A RAZÃO PARA OS SINAIS DA VINDA DE CRISTO

Por Alan Capriles

Escatologia é um assunto sobre o qual raramente escrevo. Na verdade, o estudo das últimas coisas me interessava muito mais no início do meu ministério pastoral, a ponto de eu ter conduzido por muito tempo um programa semanal de rádio chamado Jesus está Voltando. Mas os pontos de divergência no meio cristão talvez tenham esmorecido minha empolgação inicial e, aos poucos, fui deixando de estudar o assunto. De tal forma eu havia me desmotivado, que só Deus poderia novamente despertar meu interesse – algo que, de fato, veio a ocorrer. Em meados de 2015, sem qualquer aviso prévio, encontrei-me completamente obcecado pelo estudo de algo que eu não imaginaria: o sermão escatológico de Jesus.

Não tenho dúvidas de que foi o Espírito Santo que me levou a examinar, como nunca antes, as passagens onde o Senhor profetizou sobre o fim dos tempos. A primeira coisa que fiz foi imprimir aqueles textos, que encontramos em Mateus 24, Marcos 13 e parte de Lucas 17 e 21 . Depois os recortei em trechos e os colei, lado a lado, numa grande cartolina, organizados em três colunas, uma para cada evangelho sinótico. Minha primeira descoberta foi a de que o sermão escatológico é como um quebra-cabeça, um enigma que só pode ser decifrado completamente quando visto desta maneira, numa visão panorâmica que englobe Mateus, Marcos e Lucas ao mesmo tempo. Isso foi revelador e me obrigou a reorganizar os trechos. Neste processo o quebra-cabeça foi sendo montado – e o meu interesse foi crescendo.

Uma linha do tempo começou a despontar e os sinais que Cristo nos deixou puderam ser organizados em ordem cronológica. Os primeiros sinais ficaram dentro de um bloco ao qual chamei de “O fim não será logo” (Confira Lc 21:9b). Este é um longo período que vai do século primeiro ao século XIX, tempo marcado pela contínua perseguição aos cristãos (Mc 13:9; Lc 21:12-16), pelo surgimento de muitos falsos cristos (Mt 24:4-5; Mc 13:5-6; Lc 21:8a), de pessoas marcando datas para o fim (Lc 21:8b), e também por guerras, rumores de guerras e revoluções (Mt 24:6; Mc 13:7; Lc 21:9).

Convém salientar que os sinais tem um ponto de início, mas não de final. Por exemplo, o sinal da perseguição aos cristãos iniciou no século primeiro, mas perdura até os nossos dias. Na verdade, será cada vez mais intenso na medida em que se aproximar o fim. O mesmo em relação aos falsos cristos e pessoas que marcam datas para a volta de Cristo - algo que ocorre desde o século II, mas com frequência cada vez maior.  

O segundo bloco é o período conhecido como “O princípio das dores” (Cfr.: Mt 24:8), uma época iniciada com a primeira guerra mundial, na qual o Senhor profetizou que nação se levantaria contra nação (Mt 24:7a; Mc 13:8a; Lc 21:10a) e reino contra reino (Mt 24:7b; Mc 13:8b; Lc 21:10b), haveria muita fome (Mt 24:7c; Mc 13:8d; Lc 21:11c), grandes terremotos em vários lugares (Mt 24:7d; Mc 13:8c; Lc 21:11a), o aumento das epidemias (Lc 21:11b), coisas espantosas (Lc 21:11d) e grandes sinais do céu (Lc 21:11e). De fato, minhas pesquisas comprovaram que a incidência de cada um destes sinais aumentou consideravelmente a partir do século passado. O período chamado de "princípio das dores", portanto, já começou há mais de cem anos.

Nosso próximo bloco se divide em duas partes. O primeiro diz respeito à situação da igreja, que na iminência da grande tribulação estaria espiritualmente adormecida, tendo em vista os sinais de alerta que o Senhor nos deixou: Escândalos, traição e ódio no meio cristão (Mt 24:10), aumento dos falsos ungidos e falsos profetas, que enganariam a muitos (Mt 24:11;23-25; Mc 13:21-23); multiplicação da iniquidade (Mt 24:12a) e o amor se esfriando de quase todos (Mt 24:12b). Muitos não se dão conta de que cada um destes sinais diz respeito à situação da igreja, e não apenas do mundo. São sinais que retratam como a igreja estaria na iminência do fim. Perceba que a igreja, de uma forma geral, não possuía tais características no século 19, mas agora sim, as possui. Logo, não estamos mais no período do princípio das dores, mas no tempo derradeiro, das últimas contrações de parto!

Neste mesmo bloco temos ainda os sinais que revelam a situação da sociedade nos dias finais. O Senhor previu que o mundo será como nos dias de Noé (Mt 24:37-39; Lc 17:26-27) nos quais os valores estavam invertidos, e também como nos dias de Ló (Lc 17:28-30) onde a promiscuidade imperava. Precisamente por causa disso, todas as nações passarão a odiar aqueles que permanecerem fiéis a Cristo (Mt 24:9). O Senhor advertiu que a geração que visse tudo isso acontecer seria a última geração sobre a terra (Mt 24:32-34; Mc 13:28-30; Lc 21:29-32). Talvez não por acaso os pré-adolescentes de hoje sejam classificados por sociólogos e antropólogos como a geração Z. E, finalmente, Cristo advertiu ainda que haveria um laço global, tão perigoso que somente aqueles que vigiassem a todo tempo, orando, conseguiriam escapar de terem seus corações contaminados (Lc 21:34-36). Acaso não seria este laço global a rede mundial de computadores, bem como a mídia como um todo? A meu ver, não resta dúvida de que vivemos neste momento da cronologia do fim.

O que vem a seguir é o último bloco, um período chamado de "a grande tribulação", no qual ainda não adentramos, mas que certamente começará em breve. Nele se desenrolam os eventos finais: o Sol e a Lua escurecerão e as "estrelas" cairão do céu (Mt 24:29a, Mc 13:24,25a; Lc 21:25a – serão possíveis meteoritos que bombardearão a terra, ou mísseis nucleares); angústia das nações pelo bramido do mar e das ondas (Lc 21:25b – tsunamis gerados pela provável queda de asteroides no oceano); e terror pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo (Lc 21:26a) pois os poderes dos céus serão abalados (Mt 24:29b; Mc 13:25b; Lc 21:26b - consequências catastróficas na atmosfera terrestre). Muitos crentes pensam que a igreja não estará mais aqui quando estes terríveis sinais acontecerem, supondo que já teríamos sido arrebatados. Mas, ao invés disso, o Senhor nos advertiu que somente quando víssemos estes últimos sinais começando a ocorrer é que deveríamos saber que a nossa redenção se aproxima (Lc 21:28). Sendo assim, o arrebatamento não ocorrerá sem que tudo isto comece a acontecer.

As conclusões a que cheguei com o sermão escatológico foram depois comparadas com as revelações do livro do Apocalipse, bem como com passagens correlatas de outros livros da Bíblia. E foi neste momento que o estudo ficou ainda mais empolgante, pois algumas lacunas começaram a ser preenchidas, e todas as demais, reforçadas. Por exemplo, a presente situação da igreja, profetizada pelo Senhor, se encaixa perfeitamente com o tempo de apostasia que Paulo pontuou como sendo o penúltimo sinal antes do arrebatamento, em 2 Tessalonicenses 2:3. Depois disso, o sinal derradeiro será o aparecimento do “homem da iniquidade, o filho da perdição”, a quem chamamos de “o anticristo”.  Ora, para que tenhamos a necessidade de um líder mundial que estabeleça a paz, será preciso que primeiro aconteça uma catástrofe mundial, que sem dúvida será o desenrolar dos eventos da grande tribulação. De igual modo, a sétima igreja do Apocalipse, Laodiceia (Ap 3:14-22), é um retrato da igreja dos nossos dias, revelando que vivemos, de fato, no último período da igreja. O tempo de provação, ou tentação, que viria sobre o mundo inteiro, do qual a igreja do sexto período foi poupada (Ap 3:10), obviamente ocorre no período da sétima igreja, que é o mesmo laço a respeito do qual o Senhor nos alertou que viria sobre todos que habitam a terra (Lc 21:34-36). Estou convencido de que este laço é a internet. O episódio que vem a seguir será o anticristo, figura que aparece na abertura do primeiro selo (Ap 6:2). Com ele vem a grande tribulação, que culmina no sexto selo, exatamente como profetizou o Senhor no sermão escatológico.

Não há espaço neste artigo para que eu exponha todas as minhas descobertas. Na verdade, continuo me surpreendendo com novas revelações a respeito do tempo que vivemos e da iminência do que está por vir. Mas, o que realmente importa é compreendermos a razão para o Senhor nos ter deixado tantos sinais a respeito destes dias. Qual a razão? Certamente não foi para nos assustar, mas sim para que pudéssemos identificar o tempo em que vivemos e, desta forma, não nos distrairmos como os demais, mas ficarmos alertas, vigilantes! E por que isso? Ora, porque vivemos os dias mais perigosos de toda a história cristã sobre a terra. Nosso tempo é ainda mais perigoso que o dos primeiros mártires, pois eles não sofreram o nível de tentação a que somos expostos diariamente. Eles sofriam o risco de perderem o corpo, mas nós, de perdermos a alma! Logo, a razão para o Senhor nos alertar sobre esse tempo é o seu grande amor por nós, a fim de que não percamos a nossa salvação. 

Você consegue perceber? Ou também está dormindo? Nenhuma outra geração de cristãos foi tão assediada pelo mundo como a nossa geração. Nenhuma outra foi tão distraída e contaminada. Mas, como a maioria dos crentes não faz oposição ao mundo, nos tornamos uma igreja morna, misturada, que procura se adequar a todo tipo de novidade. Sem exagero, somos a pior geração de cristãos que já passou pela terra! Deixamos muito a desejar em todos os aspectos que concernem à vida cristã, tais como oração, meditação nas escrituras, evangelização, boas obras e santificação. Mas, infelizmente, muitos crentes já não se importam mais com nada disso!

Quanto a mim, perceber o tempo em que vivemos me trouxe despertamento espiritual, salvando-me da mornidão em que me achava. Passei a gastar mais tempo em oração e menos com distração. Passei a cuidar melhor das ovelhas que pastoreio, procurando também despertá-las para que se encham do Espírito Santo e vivam em constante fé, esperança e amor. Passei a mencionar mais vezes em minhas pregações a iminente volta de Cristo e a urgente necessidade da evangelização. E, não menos importante, passei a compreender que as passagens escatológicas da Bíblia não devem ser desprezadas. Quem as despreza faz mal a si mesmo e não está desprezando o homem, mas ao próprio Deus que as revelou. 

Alan Capriles

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A IRA DE DEUS SOBRE O BRASIL

Minha tese para tanta decadência, corrupção e destruição
 


Por Alan Capriles

Primeiro foi a seca em São Paulo, depois a trágica morte do rio Doce, um dos principais rios do Brasil. Ao mesmo tempo vieram as pestes, uma depois da outra: o aumento da dengue, o surgimento da chikungunia, do zika vírus e do surto fora de época da gripe H1N1, cujos casos tem aumentado assustadoramente nos últimos dias. A microcefalia tem apavorado as mulheres grávidas e o número de bebês nascidos com essa terrível anomalia já passa de mil. Acrescente-se a isso uma turbulência política sem precedentes, com escândalos de corrupção que denegriram a nação, e a maior crise econômica de toda nossa história. Ah, esqueci de mencionar o vexame da nossa seleção de futebol na Copa do Mundo de 2014. Aqueles sete gols que sofremos talvez não tenham sido por acaso - e, na verdade, eles marcaram o início de uma estranha sequência de desgraças que têm assolado nosso país. 

O que está ocorrendo? Será tudo isso mera coincidência? 

Para os que não acreditam em Deus e não conhecem sua Palavra, minha tese parecerá tão estranha quanto absurda. Mas o fato é que toda essa negatividade que assombra nosso país começou paralelamente ao término da construção de um mega templo que, do ponto de vista judaico, é uma afronta ao Deus de Israel. 

Refiro-me ao chamado Templo de Salomão, cujas obras se iniciaram em 08 de agosto de 2010, com o significativo enterro de uma enorme Bíblia pelas mãos de Edir Macedo, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus.[1] O evento foi notícia internacional, pois não se tratava apenas de mais uma catedral da IURD, mas de uma réplica do famoso templo que Salomão teria construído sob as diretrizes do próprio Deus. 

Ao saber do início das obras, um respeitado rabino judeu advertiu que mazelas recairiam sobre a nação que ousasse reconstruir o sagrado templo num local em que Deus não determinou. "Profetas advertiram que toda decadência e corrupção, toda destruição pode vir quando o Santo Templo não é construído no lugar que Deus escolheu como a cidade da sua habitação."[2]

Ora, o judeu que nos advertiu não é ninguém menos que Chaim Richman, diretor internacional do Instituto do Templo, a entidade israelita que pretende reconstruir o templo de Salomão em Jerusalém.[3] Sendo assim, não se trata de um leigo no assunto, mas de um judeu seriamente comprometido com sua fé.[4] 

Mas Edir Macedo não deu ouvidos a esta grave advertência e prosseguiu com o andamento das obras, que podiam ser acompanhadas ao vivo pela internet. Em 2013 foram colocadas as pedras vindas de Israel e, finalmente, no dia 31 de Julho de 2014, inaugurou-se o "Templo de Salomão" na capital de São Paulo. Para o espanto e indignação de muitos, participaram da cerimônia a presidente Dilma Rousseff, o vice Michel Temer, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital paulista Fernando Haddad, além de outras autoridades.[5] 

A presença de políticos com tamanha envergadura não deve ser menosprezada. Se a construção deste templo já seria o bastante para desencadear o juízo de Deus sobre uma nação, imagine com a aprovação das maiores autoridades políticas do nosso país, que participaram de sua cerimônia inaugural! 

Não me admira que todos os políticos acima estejam agora sob investigação. A começar pela presidente Dilma Rousseff, que neste momento, no qual escrevo este artigo, sofre um pedido de impeachment e se viu traída por seu vice, Michel Temer, o qual também corre o risco de ter seu mandato cassado por suposto crime eleitoral na campanha da chapa que o elegeu. 

O fato é que, ao invés de bênçãos, a inauguração do Templo de Salomão da IURD coincidiu com esta época de grande decadência, corrupção e destruição em nosso país - exatamente como o rabino Chaim Richman nos advertiu. Fomos avisados! E o pior é que a onda de más notícias parece não diminuir. A última catástrofe ocorreu ontem, com o desabamento da ciclovia que havia sido construída para ser um legado das Olimpíadas. Ao invés disso, causou a morte de pessoas inocentes, repercutindo na mídia internacional como um exemplo de obras construídas às pressas e que colocam em cheque nossa segurança e capacidade para sediar este evento mundial. E o detalhe curioso é que a ciclovia caiu no mesmo instante em que prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, presenciava a cerimônia do acendimento da tocha olímpica na Grécia. Mera coincidência, ou se trata de mais um aviso da parte de Deus?

O que mais virá pela frente? Desde o ano passado, sonhos, visões e revelações de irmãos em Cristo tem sido publicadas na internet com o fim de nos alertar sobre catástrofes ainda maiores que poderão ocorrer em nosso país.[6] Apesar da cautela exigida em relação a profecias desse tipo, penso que deveríamos considerá-las seriamente, especialmente tendo em vista tudo quanto já ocorreu até agora. Não me parece nada normal o que tem ocorrido no Brasil. 

Sendo assim, o que podemos fazer? A direção que recebi do Senhor está em sua Palavra, no livro do profeta Joel: 

"Agora mesmo diz o Senhor: 
Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; 
e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. 
Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar,
e digam:
Poupa o teu povo, ó Senhor." 
(Joel 2: 12,17)

Tenho a esperança de que este humilde texto possa contribuir para o despertamento espiritual de alguns irmãos em Cristo. Atentemos para esta convocação do Senhor! É tempo de cada um de nós apregoarmos um santo jejum, orando com lágrimas de arrependimento em favor do seu perdão sobre nós e os líderes da nossa nação. Não somente os líderes políticos, mas sobretudo os religiosos, que conhecem a Palavra de Deus e mesmo assim o desobedecem. Creio que a paciência do Pai chegou ao fim, Ele está nos disciplinando. E, de fato, nós merecemos isso!

Portanto, clamemos a Deus com sincera conversão, orando com jejuns e com pranto! Quem sabe o Senhor ainda terá misericórdia de nós, aplacando sua ira e tornando a abençoar nossa nação e, ainda mais importante, a nos fazer uma bênção em Suas mãos. 

Com temor e tremor,

Alan Capriles

Notas:

[1] Apesar de alguns defenderem que o enterro da Bíblia abaixo da pedra inicial de um templo seja uma simples tradição, existe a suspeita de que este ritual tenha origem na maçonaria. Assista ao vídeo do enterro da Bíblia que marcou o início da obra do Templo de Salomão: https://youtu.be/3PiPiB8dQ1A

[2] Existem alguns vídeos com a fala deste rabino. Segue o link do mais antigo, mas cujas legendas passam muito depressa. No segundo link a legenda está mais fácil de ser acompanhada, porém a tradução erra no valor do templo, que não foi 200 mil dólares, mas de 200 milhões de dólares. 
Vídeo 1, mais antigo: https://youtu.be/zj6Y4kcFNKE
Vídeo 2, mais fácil de se ler: https://youtu.be/52In5ykKO28

[3] Assista a este vídeo sobre o Instituto do Templo e perceba porque o Templo de Salomão da IURD acaba se tornando ridículo perante a séria reconstrução do Terceiro Templo com o qual sonham os judeus: https://youtu.be/qojgU4tWkEc

[4] Saiba mais sobre o rabino Chaim Richman:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Chaim_Richman

[5] Um dos vídeos que noticiaram a inauguração do Templo de Salomão da IURD:

[6] Um excelente exemplo de advertência profética:


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A GRANDE AMEAÇA AOS DESIGREJADOS

Um alerta contra os papas virtuais 

Por Alan Capriles

Sempre tive simpatia pelos desigrejados, um fenômeno cristão relativamente recente, o qual parece continuar crescendo. Para quem não sabe, um verdadeiro desigrejado não é um crente desviado, mas sim um cristão autêntico que, a contra gosto, precisou deixar a igreja onde congregava quando esta se desviou do evangelho. Sei que isso parece uma contradição - uma igreja se desviar do evangelho - mas é o que tem ocorrido em diversos lugares do Brasil e do mundo.

Muitos pastores tem trocado a simplicidade do evangelho de Cristo pela sedutora "teologia da prosperidade", ou pelo pragmático sistema G12 e suas variantes, ou por atraentes espetáculos durante os cultos, ou por esquisitices atribuídas ao Espírito Santo, ou ainda por tudo isso junto e sabe-se lá mais o quê! Acredito que muitos pastores não façam isso por mal, mas apenas porque foram sutilmente contaminados pelo ensino errôneo de outros pastores mais famosos. De fato, grande parte dos programas que estão na chamada mídia gospel,  bem como de livros que se dizem evangélicos, têm servido mais à propagação de heresias do que para nos edificar na verdade. Pastores brasileiros renomados, que outrora eram conhecidos pela fidelidade bíblica, passaram a pregar e ensinar um outro evangelho, geralmente importado das megaigrejas estrangeiras. E assim, "pacotes" de sucesso numérico e financeiro tem sido adotados por muitos pastores que,  no afã de fazer crescer e enriquecer sua igreja, copiam as pregações e a dinâmica das igrejas que, segundo eles, deram certo. E tais novidades, que não tem respaldo bíblico (e que geralmente são antibíblicas) passam a ser empurradas pela goela abaixo das ovelhas.   

Todo esse mal tem se alastrado como câncer por muitas igrejas evangélicas do nosso país, causando tristeza e frustração naqueles que almejam permanecer fiéis à palavra de Deus. E quase sempre a história se repete: esses irmãos deixam a igreja na qual congregaram por anos, em busca de alguma igreja que não tenha se corrompido, para então descobrir que todas ao seu redor também estão assim, desviadas do evangelho. O que fazer então? Aqueles que saíram sozinhos costumam permanecer solitários, tentando alimentar-se através da leitura bíblica individual e de certas pregações pela internet. Mas outros, que saíram em grupo, decidem continuar se reunindo toda semana, geralmente na casa de um deles - não para iniciar uma nova denominação, mas simplesmente para se manter a edificação mútua e o cuidado de um para com o outro. A meu ver, isso é ser igreja em sua essência. Ou seja, se a compreensão do evangelho for buscada em oração e plena confiança no Espírito Santo, não haverá problemas, mas uma igreja saudável, que crescerá em Cristo.

O problema geralmente começa quando alguém do grupo deseja impor suas ideias e interpretações bíblicas aos demais irmãos. O diálogo respeitoso vai deixando de existir, bem como a mútua edificação ensinada por Paulo aos Coríntios (1 Cor 14:26). E, se ninguém perceber a tempo, logo essa reunião no lar se transformará em algo tão manipulador e danoso quanto o que acontecia nas igrejas de onde esses irmãos saíram.

Como se vê, o problema não está no local, mas na disposição das pessoas que se ali reúnem, seja numa casa, ou em qualquer outra edificação. Este é um ponto crucial, que precisa ser muito bem compreendido, principalmente porque alguns costumam demonizar qualquer denominação, como se o problema estivesse no fator "instituição", ou na sua edificação de alvenaria. No entanto, o verdadeiro problema não consiste em nada disso, mas reside no coração do homem, esteja este homem congregando em casa, ou numa denominação evangélica. Muitos desigrejados com quem converso reconhecem que só deixaram suas antigas denominações porque seus líderes se corromperam, deixando de ensinar na pureza e simplicidade que há em Cristo. Se assim não fosse, teriam eles permanecido na mesma congregação. Isso comprova que o problema não está na denominação em si, mas naqueles que pastoreiam, pregam e ensinam, os quais deveriam se manter sempre submissos a Cristo. Sendo assim, uma igreja não se torna mais santa só porque se reúne nos lares, assim como não se torna infiel só porque se reúne num prédio. Tudo dependerá da sincera devoção a Cristo de quem está se reunido, seja lá onde for. 

Todavia, não bastasse o risco de que alguém do pequeno grupo queira dominar sobre os demais, percebo que há um perigo ainda maior sondando as igrejas nos lares. Falo dos indivíduos que se promovem pela internet com a duvidosa intenção de oferecer ajuda espiritual aos desigrejados. Não estou criticando quem se presta ao aconselhamento virtual, pois eu mesmo respondo a inúmeros e-mails de pessoas que me pedem conselhos bíblicos. Refiro-me a quem se promove às custas dos desigrejados, ou seja, colocando-se como autoridade papal sobre os mesmos. Sem muito esforço, consigo me lembrar de pelo menos cinco nomes que se tornaram famosos na internet apresentando-se como mestres desse movimento.

Assim como as megaigrejas estrangeiras, esses papinhas nacionais também oferecem seus pacotes, e com a mesma prepotência de quem se acha dono da verdade. Obviamente, eles são carismáticos, simpáticos e falam muito bem - razão pela qual conseguem seguidores. O que tais seguidores talvez não estejam percebendo é que eles saíram de um erro para cair em outro que pode ser ainda pior! Digo isso porque, via de regra, esses mestres dos desigrejados não incentivam as práticas cristãs mais básicas, tais como a constante oração, a meditação na palavra, o bom testemunho, a santificação, o cuidado com outros irmãos, a prática secreta da caridade, bem como a obediência à maioria dos ensinamentos de Cristo - o qual sempre nos exige a renúncia de nossa própria vontade. Ao invés disso, costumam ser agressivos contra quem discorda de suas posições teológicas, pois apresentam-se como sabedores de tudo, apesar de não realizarem nada de produtivo à sociedade. Além de não ensinarem o que Jesus ensinou, passam a maior parte do tempo criticando toda e qualquer denominação cristã, fomentando ódio no coração já ferido de irmãos que precisam tanto de cura. 

Desconfio que esse papas dos desigrejados nunca foram desigrejados de verdade. O que eles realmente querem é aparecer, e não fazer com que Cristo apareça. Não fosse assim, eles promoveriam os ensinamentos de Cristo e não a si mesmos, aconselhariam a que os irmãos confiem na liderança do Espírito Santo e não em sua própria liderança, passariam mais tempo ensinando a reconciliação, o perdão, enfim, a palavra de Deus, ao invés de alimentar a discórdia entre irmãos.

Espero que eu tenha sido claro. Não sou contra um verdadeiro desigrejado, alguém que realmente deseja ser fiel a Cristo, confia no Espírito Santo, e ama reunir-se com irmãos que almejam a mesma fidelidade. Mas sou totalmente contra esses papas que tentam aprisionar os desigrejados em suas denominações virtuais, como se isso fosse o verdadeiro evangelho. Não, não é. Por isso encerro minhas palavras com o mesmo alerta indignado de Paulo aos gálatas, os quais, após experimentarem a liberdade em Cristo, estavam se deixando aprisionar por uma deturpação do evangelho:

"Estai pois firmes na liberdade com que Cristo nos libertou,
e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão."
Gálatas 5:1


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

PROSPERANDO SEM A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

Como manter uma igreja sem enganar os fiéis


Por Alan Capriles

Desta vez meu artigo será bastante pessoal e não há como ser de outra forma. Trata-se da minha resposta a uma carta que recebi por e-mail e que me deixou bastante comovido. Pedi autorização à remetente para que eu pudesse respondê-la por aqui, em meu blog, a fim de ajudar outros pastores que talvez estejam enfrentando a mesma situação.

“Olá, pastor Alan! Eu e meu marido fomos por 20 anos da Igreja “X” onde ele foi Pastor e por motivo de estarmos cansados de tanta cobrança financeira foi que saímos. Já estava fazendo mal para a saúde física e espiritual dele! Resumindo: saímos faz 5 meses e, como ele ama pregar e salvar as pessoas, decidiu abrir uma igreja, mas nossa maior luta é manter ela aberta, pagar o aluguel e as despesas nossas e da igreja! Pastor Alan, acompanhei seus posts e gostaria de pedir esta direção para o senhor, de como o senhor faz para manter a igreja sem a teologia da prosperidade, campanhas e tudo mais. Estou vendo esta dificuldade no meu marido; afinal, ele ficou 20 anos e não tem como sair tão cedo! Por favor, nos oriente neste caso. Como vamos fazer para pedir a contribuição das pessoas sem apelar pra estas coisas? Pois vejo que quando pedimos para as pessoas dar por amor elas não dão nada, mas se você lança um propósito ou dízimo, aí algumas dão, mas não está dando pra arcar com as despesas! Por favor, gostaria da sua ajuda pra dizer como é feita a contribuição dos fiéis aí e com que argumentos.”

A pessoa que me escreveu, a qual eu não conheço, certamente deve saber um pouco da minha história pastoral. Talvez tenha sido por meio de algumas pregações e artigos, onde deixo transparecer meu “estranho” modo de pastorear. Na verdade, não sou eu que estou contrariando a maioria das igrejas de hoje em dia, mas são muitos pastores que estão na contramão do que Jesus ensinou. Se isso for mesmo um fenômeno recente, imagino que se eu pastoreasse no século 19 não haveria nada de estranho em minhas posições.

Mesmo sendo breve, a carta que recebi nos revela uma sociedade cada vez mais consumista e individualista, onde muitos pastores têm caído na tentação de atrair esse público com a promessa de bens materiais. Por isso, parece mentira que alguém consiga manter uma igreja apenas com o evangelho de Cristo. Sim, porque o verdadeiro evangelho de Cristo nada tem a ver com ganância e avareza. Muito pelo contrário, enquanto muitos pastores hoje ensinam como acumular bens materiais, o Senhor nos ordenou a repartir o que temos com os pobres. Aos olhos de Deus, rico não é aquele que mais acumula e sim o que sempre compartilha.

Eu poderia comprovar isso através de muitos versículos bíblicos, mas já o fiz em textos anteriores, tais como “Onde está o erro na teologia da prosperidade” - um artigo que não deixa margem para contestação. Noutro post, mais antigo, relatei sobre um pastor que me convidou para pregar numa campanha de sua igreja, orientando-me a que ensinasse o povo a conquistar seu carro zero e sua casa própria. Ora, ele não conversava comigo há bastante tempo e não sabia que eu havia mudado, isto é, me convertido ao verdadeiro evangelho. No culto da referida campanha iniciei a pregação com a seguinte frase: “Quem veio aqui hoje para buscar a Deus por causa de uma casa própria, ou de um carro zero, ou mesmo de qualquer outro bem deste mundo está muito enganado com Jesus e o seu evangelho. Muito enganado!” O restante da pregação, bem como o final dessa história, pode ser lido no artigo intitulado “Quebra da maldição financeira” onde também apresento diversos versículos que contrariam a pregação gananciosa de hoje em dia.

Provavelmente, foi através desses textos que a irmã do e-mail soube que pastoreio uma igreja que prospera sem a teologia da prosperidade. Sei que não sou o único, mas nossa igreja é uma das denominações que comprova ser possível permanecer fiel a Cristo e prosperar frente ao desamor e avareza deste século. Nossa prosperidade não é a riqueza material, pois não é isso que almejamos, mas sim o nosso relacionamento com Deus por meio de Jesus Cristo, que nos enche de paz, alegria e amor ao próximo. 

A partir de agora compartilho minha resposta, na esperança de ajudar também a outros pastores que estejam dispostos a abandonar a maligna teologia da prosperidade e experimentar como Deus abençoa os que permanecem fiéis à sua Palavra. Segue o que respondi:

Prezada irmã em Cristo,

Apesar de objetiva, percebo que sua carta me dá oportunidade para comentar diversos pontos interessantes. Sendo assim, vamos por partes:

“Eu e meu marido fomos por 20 anos da Igreja “X” onde ele foi Pastor e por motivo de estarmos cansados de tanta cobrança financeira foi que saímos. Já estava fazendo mal para a saúde física e espiritual dele!”

Não duvido nem por um segundo da sinceridade que você e seu marido tiveram em servir a Cristo por mais de vinte anos na igreja que você mencionou. Por outro lado, também não acredito nem por um segundo que a pressão por ofertas mais altas possa caracterizar uma verdadeira igreja cristã. Isso me preocupa muito, pois talvez vocês não estivessem numa igreja de verdade, mas numa empresa com fachada de igreja. E talvez não tenham conhecido o genuíno evangelho da graça de Cristo, mas uma religião que barganha com Deus. Por outro lado, tenho a esperança de que vocês não tenham saído de lá somente por causa do estresse provocado por “tanta cobrança financeira” e sim porque tenham despertado espiritualmente, percebendo que tal opressão nada tem a ver com o genuíno evangelho. Eu também tive o meu despertar e foi a partir de então que decidi romper por completo com esse sistema. Lembro-me do dia em que sentei ao lado de minha esposa e desabafei com ela: “Ou passamos a viver segundo o evangelho, ou prefiro deixar o pastorado.” Como sempre, ela me apoiou a fazer o que é certo, e corajosamente fomos deixando as práticas contrárias ao que Cristo ensinou. Como pastor titular tive a vantagem de não precisar mudar de igreja - do contrário eu seria mais um desigrejado, pois eu não teria pra onde ir.[1] Por outro lado, precisei começar um longo processo (que talvez nunca termine) de ensinar a meus irmãos o que Cristo realmente nos ordenou. Parte do fruto literário desta época foram textos que acabaram gerando polêmica na internet, tais como “Evento ou é vento?” e “As doze razões para eliminar o entretenimento em sua igreja”. De fato, quando escrevi esses textos, nós já havíamos abolido qualquer tipo de apresentação durante os cultos, que ficaram completamente voltados para a Palavra, a oração e o louvor de adoração. E, graças a Deus, assim continuamos até hoje. Ou seja, passamos a não mais atrair pessoas que estavam buscando na igreja uma distração, mas sim aquelas que desejavam uma verdadeira conversão. Descobri pela prática que só existem dois tipos de igreja: a verdadeira, que é centrada em Cristo e seu evangelho; e a falsa igreja, que procura agradar ao homem e realizar sua vontade. O pastor que tenta fazer as duas coisas comete um grande erro, assemelhando-se aos crentes mornos de Laodicéia, que dão náuseas no Senhor (Ap 3:15-17). Não é possível ficar em cima do muro. Vocês precisam escolher de que lado estão, se do evangelho ou do sistema gospel. Se escolherem o evangelho, precisam  deixar bem claro para os irmãos que a igreja pastoreada por vocês é muito diferente de onde vocês saíram. Não queiram ser mais uma variação do mesmo tema, pois não precisamos de mais igrejas evangélicas, mas sim de mais evangelho nas igrejas.

“Resumindo: saímos faz 5 meses e, como ele ama pregar e salvar as pessoas, decidiu abrir uma igreja, mas nossa maior luta é manter ela aberta, pagar o aluguel e as despesas nossas e da igreja!”

Sei que talvez você não tenha querido dizer isso, pois não cabe a qualquer um de nós decisão de “abrir uma igreja”. Quem deve decidir isso é Cristo, o Senhor da igreja. Somos apenas seus mordomos, nada mais. O que podemos, e devemos, é decidir obedecê-lo. Mas, supondo que realmente Deus tenha lhes confirmado que vocês formassem um novo ministério, tudo que posso lhes dizer é isto: confiem em Deus, pois a porta que Ele abre ninguém fecha, e a que Ele fecha ninguém abre. Você disse também que seu marido “ama pregar e salvar as pessoas” e isso é ótimo! Porém, fico me perguntando se ele continua pregando o que ouviu por 20 anos, ou se fez uma releitura dos evangelhos e, assim como aconteceu comigo, percebeu que precisava reformar sua teologia. Não me refiro a tornar-se calvinista ou coisa parecida, mas a se estudar o que os apóstolos pregavam (que é também o que o próprio Cristo pregava) a fim de se pregar com fidelidade as escrituras. O resultado de minha própria análise do evangelismo de Jesus e dos apóstolos foi publicado em 2014 no e-book intitulado “Manual prático para evangelização – o método de Jesus e dos apóstolos.” Humildemente, recomendo sua leitura, que está disponível gratuitamente em nosso site.

“Pastor Alan, acompanhei seus posts e gostaria de pedir esta direção para o senhor, de como o senhor faz para manter a igreja sem a teologia da prosperidade, campanhas e tudo mais. Estou vendo esta dificuldade no meu marido; afinal, ele ficou 20 anos e não tem como sair tão cedo!”

A resposta é simples, mas acho que não há como eu dizer isso sem correr o risco de ofender algum leitor. Por outro lado, a verdade precisa ser dita: Onde se prega teologia da prosperidade e se fazem campanhas pra se conseguir isso e aquilo não há ovelhas, mas bodes. Portanto, a questão se resume a isso: Vocês querem pastorear ovelhas, ou engordar bodes? Em outras palavras, vocês querem orientar pessoas a um relacionamento sadio com Deus e o próximo, ou alimentar a ganância dos que desejam se aproveitar de Deus? É simples assim! O tipo de pessoa que fará parte de sua igreja será determinado pelo tipo de mensagem que for pregada. Meu conselho é que vocês sejam radicais como eu fui, abolindo completamente (e agora mesmo) todas as campanhas e as pregações que promovem a ganância. Preguem o arrependimento de pecados e a sincera conversão a Cristo. Acredite no que vou lhe dizer: há milhares (talvez milhões) de pessoas em busca de uma igreja que ainda pregue o genuíno evangelho. São pessoas que não aguentam mais tanta conversa fiada, tanta pregação mundana, tanto amor ao dinheiro. São pessoas que querem Deus, que precisam conhecer o verdadeiro Jesus! Sejam fiéis a Cristo, sejam simples e humildes como Jesus, preguem seu evangelho, divulguem a verdadeira mensagem da salvação, e o Senhor mesmo conduzirá suas ovelhas ao aprisco.

“Por favor, nos oriente neste caso. Como vamos fazer para pedir a contribuição das pessoas sem apelar pra estas coisas? Pois vejo que quando pedimos para as pessoas dar por amor elas não dão nada, mas se você lança um propósito ou dízimo, aí algumas dão, mas não está dando pra arcar com as despesas! Por favor, gostaria da sua ajuda pra dizer como é feita a contribuição dos fiéis aí e com que argumentos.”

Meu conselho é que vocês sejam sinceros e transparentes. Digam claramente aos irmãos que Deus não precisa do dinheiro deles, mas que é um privilégio que o Senhor nos convide a fazer parte de Sua obra. Procurem sempre divulgar algo que foi recentemente adquirido com o valor das ofertas, ou que ainda está sendo pago através da fidelidade deles. Comecem (ou continuem) a ajudar missionários e pessoas carentes. Façam os irmãos perceberem que suas ofertas abençoarão essas vidas. Em nossa igreja não pedimos mais mantimentos (campanha do quilo), mas anunciamos os produtos que precisamos comprar por atacado para que nada falte nas cestas básicas que distribuímos. Assim, nossos irmãos são motivados a contribuir ainda mais, a fim de que possamos abastecer a despensa da igreja e ajudar as famílias carentes. Como pastores, precisamos despertar nos irmãos a alegria de contribuir, de ajudar o próximo. Não há outra forma de se combater a falta de amor, senão com demonstrações de amor. Se nós, como pastores, nos importarmos realmente com a dor do próximo, toda a igreja também se importará. Se os irmãos perceberem o quanto sua igreja faz a diferença na comunidade, todos eles desejarão contribuir cada vez mais para o crescimento desse ministério. Tenho mais algumas dicas. Jamais troquem a oferta por qualquer “patuá”, ou seja lá o que for. Nada de brindes para quem der a oferta acima de determinado valor, ou envelope de ofertas em que se obrigue a escrever o nome, ou que tenha espaço para um pedido de oração. Uma coisa não tem nada a ver com outra. O valor da oferta deve ser sigiloso, a fim de que o ofertante possa contribuir segundo propôs em seu coração. Outra coisa (não estou dizendo que vocês devam fazer isso, mas...) em nossa igreja não vendemos nada na cantina. Além de constranger os irmãos que não podem comprar um lanche, a cantina compete com as ofertas, pois há pessoas que deixam de ofertar, ou que ofertam menos, para que depois do culto possam comprar na cantina. Optamos por oferecer gratuitamente cafezinho ou refresco nesse espaço e compartilhamos com todos qualquer doce ou salgado que os irmãos tenham levado. Resumindo, não vendemos nada na igreja, nem trocamos oferta por qualquer coisa, mas ensinamos que ofertar é um ato de amor, um ato que será honrado por Deus. Quanto à questão do dízimo, escrevi recentemente um artigo sobre o assunto, intitulado “As controvérsias cristãs sobre o dízimo – e a destinação correta das ofertas”.

E, finalmente, procurem pregar mais nos textos do Novo Testamento. Não estou desprezando o Antigo Testamento, mas lembrando que a missão da igreja é formar discípulos de Cristo, ensinando-os a obedecer tudo o que ele nos ordenou (Cfr. Mt 28:20). Na maioria das igreja se prega mais sobre Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, Salomão, Elias e Eliseu do que sobre os ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas foi minha insistência em pregar nesses ensinamentos que transformou o coração dos que congregam em nossa igreja, fazendo-os, entre outras coisas, ofertar por amor e não mais por interesse.

Espero ter ajudado a irmã de alguma forma, colocando-me a disposição para responder a novos questionamentos, tanto seus quanto de outros leitores. E já que seu marido é pastor e foi você quem decidiu escrever para mim, quero terminar com uma frase que minha esposa costuma repetir de vez em quando, e que me deixa emocionado, como também agora estou: “Nossa igreja é um milagre, um grande milagre...” E quem nos conhece pessoalmente sabe que é mesmo.[2]

A Deus toda a glória!

Alan Capriles

Notas

[1] Revelo minha posição sobre os desigrejados no seguinte texto e vídeo:
"Igrejados, desigrejados e o que realmente importa"
"Há salvação para os desigrejados?"

[2] Minha esposa costuma dizer isso quando comentamos sobre a assistência que, mesmo sendo uma igreja pequena, conseguimos prestar mensalmente a duas instituições, três casais de missionários (residentes no Níger, Indonésia e Moçambique) e diversas famílias carentes da comunidade e além. Não temos explicação pra isso, a não ser a providência de Deus.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O SINAL MAIS EVIDENTE DO FIM


Por Alan Capriles

Quando os apóstolos perguntaram a Jesus qual o sinal que antecederia sua vinda e o final desta era, sua resposta foi apresentar não apenas um, mas diversos sinais. Nação se levantaria contra nação e reino contra reino; haveria um aumento de grandes terremotos, fome e epidemias em vários lugares; veríamos coisas espantosas e também grandes sinais do céu. Tudo isso, no entanto, seria apenas o princípio das dores. Ainda mais perto do fim, a iniquidade aumentaria e o amor se esfriaria de quase todos. Ao mesmo tempo, o número de falsos profetas cresceria, bem como de escândalos, ódio e traições na igreja. Logo em seguida, uma grande perseguição contra os verdadeiros discípulos, que seriam odiados de todas as nações por manterem sua fidelidade a Cristo. E, finalmente, os poderes dos céus abalados (alterações climáticas?), as nações angustiadas e perplexas por causa do bramido do mar (aumento do nível dos oceanos?) e da agitação das ondas (tsunamis?) e muitos homens desmaiando de terror por causa das coisas que sobrevirão ao mundo.[1]

Praticamente tudo quanto o Senhor predisse como evidência da sua vinda e do fim dos tempos já tem ocorrido. De fato, todos os sinais parecem piscar ao mesmo tempo e cada vez mais intensamente! Mas, a despeito disso, notamos uma quase completa distração dos crentes em relação ao tempo presente. Ao invés de orarem mais, oram menos; de evangelizar mais, evangelizam menos; de se santificar mais, se contaminam com o mundo. Como pode ser isso?

A explicação é, no mínimo, curiosa: Essa distração da igreja, teologicamente chamada de apostasia, vem a ser também um dos sinais da iminência do fim. Na verdade, a apostasia é o penúltimo sinal antes da vinda do Senhor – ou mesmo o último, dependendo da linha escatológica que se queira acreditar.[2]

A revelação se encontra na Segunda Epístola aos Tessalonicenses, onde Paulo nos esclarece que o retorno de Cristo “não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição” (2Ts 2:3). Sendo assim, o tempo da apostasia e o surgimento do anticristo são apontados como os dois últimos sinais que antecedem a “vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com ele”. E, como vimos, todos os outros sinais já estão acontecendo e mesmo assim a igreja atual parece distraída e não tem se preparado para o encontro iminente com o Noivo! Porém, irônica e tragicamente, isso não poderia ser de outra forma, pois caso a igreja estivesse apercebida do tempo final ela não estaria em apostasia e, se não estivesse em apostasia, não estaríamos no tempo do fim!

Portanto, o retorno de Cristo deve estar mais próximo do que imaginamos, pois o tempo da apostasia chegou! Todas as profecias bíblicas acerca desse período estão se cumprindo. Como não poderia deixar de ser, essa derradeira e lamentável fase também foi prevista pelo Senhor. Entre os sinais do sermão escatológico de Jesus, temos alguns que concernem à igreja, tais como: o surgimento de muitos falsos profetas, o aumento dos escândalos, bem como do ódio e da traição entre os irmãos – indicativos claros de que a igreja não estaria nada bem na sua fase final sobre a terra.

Essa triste condição da igreja no tempo do fim também se revela em muitas outras passagens bíblicas. Aliás, algumas parecem até sugerir que precisamente por causa disso retornará o Senhor, ou seja, porque a igreja teria deixado de cumprir sua missão neste mundo.[3] Se relacionarmos esses textos proféticos iremos nos deparamos com descrições que caracterizam grande parte das igrejas atuais. A seguir analisaremos algumas dessas características:

Deturpação da doutrina de Cristo
“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;  e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2 Timóteo 4:3-4)
Não há maior deturpação da doutrina de Cristo que a famigerada Teologia da Prosperidade, a qual se espalhou como câncer pelas igrejas, atraindo pessoas pela cobiça de bens materiais. O tenebroso tempo revelado por Paulo a Timóteo lamentavelmente chegou.
Pouca oração como evidência de fé
“Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lucas 18:7-8)
Reuniões de oração quase já não existem e, quando ocorrem, pouquíssimos crentes comparecem.  E, na passagem acima, o Senhor aponta claramente para a oração como a maior evidência de fé. Sua pergunta, além de ser irônica, sugere que, por ocasião de sua vinda, poucos haverá que ainda clamem a Deus dia e noite. Esse desprezo pela oração é uma descrição exata do que vemos acontecer em nossos dias.
Insubmissão a Cristo como Senhor
“Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.” (2 Pedro 2:1)
Renegar o Soberano Senhor significa rejeitar o governo de Cristo sobre nossas vidas. Muitos não percebem, mas os ensinamentos de Cristo deixaram de ser pregados na maioria das igrejas. Para se atender à pauta humanista – como, por exemplo, a Teologia da Prosperidade – as mensagens geralmente são baseadas em textos do Antigo Testamento, evitando-se falar em arrependimento de pecados, renúncia de si mesmo, perdão ao próximo, atos de misericórdia, humildade sincera e santificação total – práticas ordenadas pelo Senhor. Dessa forma, Cristo deixa de ser soberano e a vontade das pessoas é o que impera. Mas a verdade é que Jesus não será o Salvador de quem o despreza como Senhor.
Líderes libertinos
“E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; [...] Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas por temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas; porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro, prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor.” (2 Pedro 2:2,17-19)
É assustador o número de líderes cristãos que caíram em libertinagem nos últimos anos. Ainda mais assustador é o fato de que muitos desses, além de não se arrependeram, continuam pregando e distorcendo a palavra. Em seus ensinamentos deturpados, transformam graça em desgraça e confundem liberdade com libertinagem, a fim de justificar seus próprios pecados. E, tal como foi profetizado, muitos têm seguido suas práticas libertinas, ajudando a difamar ainda mais o caminho da verdade.
Comércio da fé
“... também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.” (2 Pedro 2:3)
Muitas igrejas hoje mais se parecem com empresas; seus pastores, com homens de negócios; seus membros, com clientes; seus cultos, com espetáculos rentáveis. A visão de reino parece haver se perdido, pois muitas igrejas passaram a concorrer umas com as outras, como se fossem lojas comerciais. Nestas, os milagres são anunciados como se fossem mercadoria em promoção e os dias de culto são variados para se atender ao gosto do "freguês". Isso pode parecer exagero, mas o fato é que a realidade se revela ainda muito pior! Aqueles cambistas que Jesus expulsou do templo pareceriam santos se comparados a muitos (ou todos?) cantores gospel e pregadores profissionais de hoje em dia. São verdadeiros mercenários: quem pagar mais, leva! E multidões de crentes aplaudem esses canalhas, que se enriquecem às custas de sua ingenuidade - ou seria cumplicidade? Enfim, todo esse comércio da fé também foi profetizado, sendo mais um claro sinal de que o juízo de Deus não tardará.
Crentes mundanos
“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.”
(2 Timóteo 3:1-5)

No texto acima Paulo nos dá uma longa descrição de como seriam os crentes nos últimos dias. Como se vê, a situação da igreja no tempo do fim foi profetizada e não é das melhores. Agora julgue por si mesmo se tais características descrevem ou não a maioria daqueles que hoje se dizem evangélicos...

Crentes que promovem divisões
“Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: No último tempo haverá escarnecedores andando segundo as suas ímpias paixões. São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito.”
(Judas 1:17-19)

A quantidade absurdamente exagerada de denominações evangélicas é uma clara demonstração de que chegamos ao profetizado “último tempo”. A maioria dessas novas igrejas provém de lamentáveis e desnecessárias divisões, as quais poderiam ser evitadas com oração, humildade, diálogo e perdão. Paralelamente a isso, há os que deixam a congregação fazendo de tudo para levar outros com eles – não para iniciar uma nova igreja, mas apenas pelo prazer mórbido de tirá-los da comunhão dos santos. Isso tem ocorrido com tanta frequência que o número de afastados já supera o de membros que compõem igreja.[4] Claro, há também o caso das igrejas que se desviaram da fé, obrigando crentes fiéis a deixar sua antiga congregação. Neste último caso, os crentes que promovem divisões são os próprios pastores, na medida em que tentam impor heresias à igreja, tais como a Teologia da Prosperidade, o Liberalismo Teológico, ou movimentos e métodos de crescimento contrários à Palavra.

Multidões de crentes enganados
“... levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.”
(Mateus 24:11)

Retornando ao sermão escatológico de Jesus, temos a previsão de que muitos seriam enganados por falsos profetas, ou seja, por pessoas que pregam falsamente em nome de Deus. O rápido crescimento de igrejas lideradas por pastores que deturpam o evangelho é mais um sinal claro de que vivemos na iminência do fim.

Diante de tantas evidências, não é exagero concluirmos que o maior sinal de que o Senhor está às portas é a própria condição atual da igreja. Isso acontece bem diante dos nossos olhos, mas muitos não estão percebendo! Até mesmo os pastores mais famosos, que deveriam aproveitar a fama para alertar a igreja e conclamar os crentes ao arrependimento e oração, ao invés disso parecem distraídos e preocupados em promover a si mesmos, bem como aos congressos rentáveis dos quais participam. Para piorar, ainda escandalizam o evangelho com vídeos e textos onde se acusam mutuamente, cumprindo a profecia de que haveria ódio entre os cristãos no tempo do fim.

É muito importante compreendermos que o Senhor não nos revelou esses sinais para que ficássemos assustados. Embora o susto seja inevitável para quem acabou de acordar, esse primeiro momento deve ser superado pela compreensão do que devemos fazer. Em primeiro lugar, não sermos parte do problema, o que significa não nos enquadrarmos em qualquer uma das características relacionadas acima. Apesar de vivermos no tempo da apostasia, isso não significa que devamos viver em apostasia. Ainda que a maioria tenha se apartado da fé, jamais queiramos nos parecer com eles! Em segundo lugar, redobrarmos a vigilância e a oração, para que não continuemos distraídos e sejamos mal influenciados pelo tempo presente, mas vivamos cheios do Espírito Santo. E, finalmente, permanecermos fiéis a Cristo, perseverarmos na prática do que o Senhor nos ensinou – especialmente no que concerne ao amor ao próximo. Somente se vivermos o verdadeiro evangelho é que seremos ouvidos em nossa evangelização.

E não percamos mais tempo com distrações. Perto está o Senhor!

Alan Capriles

Notas

[1] Para uma análise completa do sermão escatológico de Jesus, confira algumas lições do estudo chamado Perseverando até o Fim.

[2] Uma vertente escatológica defende que o anticristo surgirá somente após o arrebatamento da igreja e, sendo assim, nada mais faltaria ocorrer para o nosso encontro com o Senhor nos ares. Particularmente, creio que o arrebatamento acontecerá somente após o surgimento do anticristo, como parece indicar o referido texto na Segunda Epístola aos Tessalonicenses. Por essa razão somos ensinados a identificar o anticristo e alertados de que devemos rejeitar o seu governo e a sua marca (Ap 13:16-18). De qualquer forma, o retorno de Cristo é iminente, pois o cenário está pronto para um governo único mundial. Falta somente ocorrer uma tragédia global que convença a humanidade de que não há outra saída para a paz e a estabilidade econômica, senão um governo único, uma única moeda e um só líder mundial.

[3] Sempre há exceções, ou seja, crentes que se mantêm fiéis a Cristo e seus ensinamentos, mas parece tratar-se de uma minoria.

[4] Biblicamente falando, igreja é sempre a comunhão dos cristãos e não o local onde estes se reúnem. Portanto, ao falar de igreja não me refiro a templos, ou denominações, mas a irmãos em Cristo que se reúnem regularmente, seja onde for. 


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

AS CONTROVÉRSIAS CRISTÃS SOBRE O DÍZIMO

E a correta destinação das ofertas


Por Alan Capriles

Qualquer pessoa que pesquise na internet sobre a questão do dízimo irá se deparar com diversas e contraditórias posições a respeito do assunto. Algo extremamente confuso e perigoso para quem não sabe como fazer uma boa investigação online.[1] Muitos acreditam no primeiro "estudo" encontrado, ou no primeiro vídeo assistido, sem compará-lo com qualquer interpretação contrária. Outros prosseguem na pesquisa, mas acabam abraçando a posição teológica que mais lhes agrada, sem fazer um exame sério das Escrituras. Também há quem busque a verdade com a sua própria "verdade" preconcebida. Esse tipo de atitude, muito comum na internet,  ignora qualquer opinião divergente, mas prossegue na busca até encontrar apoio para si mesmo. E, como disse o Senhor: "quem procura... acha!"

Antes de deixar o meu parecer, apresento abaixo alguns vídeos com diferentes posições a respeito da questão do dízimo. Começando pela opinião mais tradicional, defendida nos dois primeiros vídeos - a de que o dízimo continuaria valendo para hoje - até a posição mais controvertida, ou seja, a de que o dízimo não faz parte da nova aliança. Entre os extremos, dois vídeos de pastores que são da mesma denominação cristã, a Presbiteriana do Brasil, mas que divergem quanto ao assunto. Para Hernandes Dias Lopes, o dízimo é mandamento de Deus; para Augustus Nicodemus, uma "tradição da igreja de Cristo", mas que deve ser mantido, pois segundo ele, "sempre funcionou". Ora, isso não seria pragmatismo?! Porém, o que mais me chama a atenção nestes quatro vídeos é que todos se dizem pastores reformados. Mas, como você verá a seguir, parece que alguns se reformaram mais e outros menos:

Posição de Walter McAlister, bispo primaz da aliança das Igrejas Cristãs de Nova Vida



Posição de Hernandes Dias Lopes, pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil



Posição de Augustus Nicodemus, pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil



Posição de Tim Conway, pastor na Graça Church, mesma igreja de Paul Washer



Espero que você tenha assistido a todos os vídeos, especialmente aos dois últimos, nos quais Nicodemus reconhece que o dízimo "não é obrigatório, mas um referencial" e Tim Conway chama de mito a ideia de que o dízimo seria padrão do donativo na igreja cristã do Novo Testamento. O fato, admitido por todos,  é que apenas uma vez o dízimo é mencionado no Novo Testamento, na passagem onde o Senhor critica os fariseus que davam o dízimo de tudo, mas omitiam o principal da Lei (Mateus 23:23 - o mesmo versículo também em Lc 11:42). O Senhor conclui com a seguinte orientação: "Façam isso, sem omitir aquilo". Como se percebe, Cristo não condenou o dízimo, mas parece tê-lo incentivado. Mas será que foi mesmo? E, caso tenha sido, o Senhor ainda o incentivaria hoje?

Antes de uma conclusão precipitada, consideremos algumas questões:
  • Em primeiro lugar, o dízimo destinava-se à manutenção do templo de Herodes. Ora, quando Jesus falou sobre o dízimo esse templo ainda estava em pleno funcionamento, mas sabemos que o mesmo foi completamente destruído no ano 70 d.C. Se o dízimo tinha um propósito que não existe mais, para onde os cristãos de hoje deveriam destiná-lo? 
  • Além disso, por que o livro de Atos e as epístolas nada falam sobre o assunto? Lembre-se de que a maioria das epístolas foi escrita para gentios (não judeus). Com certeza eles nada sabiam sobre dízimo. Sendo assim, por que nenhuma epístola trás orientações a respeito do assunto?
  • E, finalmente, quando a igreja se reúne para normatizar a conduta dos cristãos gentios (Atos 15) a questão do dízimo nem sequer entra na pauta. Não seria essa uma excelente oportunidade para se ensinar que os gentios deveriam também pagar o dízimo? Por que os apóstolos se calaram a esse respeito?
A resposta para todas as perguntas acima é simples e óbvia: o dízimo não era praticado pela igreja apostólica. Ao menos, e com toda certeza, não pela igreja formada por gentios. Pode até ser que os primeiros judeus convertidos a Cristo tenham continuado a pagar o dízimo ao Templo, mas apenas enquanto ainda existia um templo. Quanto aos gentios, muito provavelmente eles nem sequer foram ensinados a respeito do dízimo, visto que tratava-se de uma questão concernente ao templo judeu e seus sacerdotes.

Por outro lado, as ofertas eram incentivadas pelos apóstolos e praticadas pelos verdadeiros cristãos. E quanto cada um deveria ofertar? Ora, o máximo que fosse possível! Isso fica evidente em certas passagens do Novo Testamento, tais como na Segunda Carta de Paulo aos Coríntios, capítulos 8 e 9. Sendo assim, o valor sempre superava os dez por cento do dízimo, como vemos no exemplo de Barnabé, que deixou aos pés dos apóstolos toda a quantia do terreno que vendeu (Atos 4:37).

A ênfase no dízimo se torna um limitador na arrecadação da igreja. Desculpe-me a comparação, mas o dízimo acaba sendo um tiro pela culatra. O fato é que, após a entrega do dízimo, que geralmente ocorre uma vez por mês, o valor de cada oferta costuma não ser maior que o de uma esmola. Muitos cristãos não tem consciência de que devem ofertar sempre o melhor que puderem, mas pensam que seu dever é limitado a dez por cento do que recebem. Cumpri minha obrigação e o que passar disso será lucro, argumentam.

Se o dízimo não era praticado pela igreja bíblica, por que as igrejas de hoje o praticam?

Identifico três principais motivos:

  • Falta de fé por parte da liderança: Existe o temor de que, se a verdade for descoberta, os irmãos ofertarão menos do que deveriam. Ou seja, menos de dez por cento. De fato, numa época materialista e de tanto egocentrismo é bem provável que isso realmente aconteça.
  • Avareza por parte da igreja: Pela mesma razão do ponto anterior é muito provável que a maioria prefira continuar dando somente dez por cento. Além do mais, o dízimo trás a promessa de que se abrirão as janelas do céu e é nisso que o povo quer acreditar. Ou seja, os crentes dão, mas apenas pelo interesse de ganhar algo em troca e não simplesmente pelo prazer de ajudar.
  • O mau uso das finanças: Sem dúvida, esse é o maior dos problemas. Quando a arrecadação de uma igreja é mal empregada por seus dirigentes isso pode gerar insatisfação, desmotivando a entrega de maiores ofertas por parte dos irmãos. Isto é, refiro-me a irmãos que realmente conheçam a Palavra - e não a falsos convertidos, que gostam de ser enganados. Prosseguirei comentado melhor esse último ponto.

Primeiramente, pergunto a você:
- Como eram utilizadas as ofertas na época em que Barnabé se sentiu motivado a vender seu terreno e doar toda a quantia para a igreja ? 

Não me admira se você disser que não sabe, pois quase ninguém prega ou ensina sobre isso. Mas, vejamos o que nos revela o livro de Atos dos Apóstolos:

"Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha. Então, José, cognominado, pelos apóstolos, Barnabé (que, traduzido, é Filho da Consolação), levita, natural de Chipre, possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos." (Atos 4:34-37)

Barnabé se sentiu motivado a fazer tamanha doação porque a quantia seria repartida segundo a necessidade de cada irmão. Mas de quem os apóstolos aprenderam isso? Ora, do próprio Senhor Jesus:

"Vendei o que tendes, e dai esmolas, e fazei para vós bolsas que não se envelheçam, tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão, e a traça não rói. Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração." (Lucas 12:33)

Jesus não era hipócrita. O que Cristo ensinava, isso mesmo ele praticava. Ora, é sabido que o Senhor vivia da coleta de ofertas, mas o principal objetivo dessa arrecadação não era para o seu  enriquecimento. Jesus, assim como os apóstolos, vivia de forma simples e compartilhava o que recebia com os mais pobres. Por esse motivo alguns apóstolos pensaram que Judas (que era quem carregava a bolsa) havia deixado a última ceia por ordem do Senhor "para que desse alguma coisa aos pobres". (João 13:29)

Infelizmente, não vemos mais essa prática de caridade nas igrejas. Geralmente, os mais pobres são esquecidos. Alguns até sofrem preconceito, como se fossem pobres porque não tem fé, ou porque estão em pecado.[2]

Ao invés de se ajudar os irmãos mais pobres, o que temos visto é o uso das ofertas para o embelezamento do templo, para o maior conforto dos frequentadores e para o enriquecimento do pastor, bispo, ou "apóstolo". Com o agravante de que essas igrejas não ajudam irmãos que padecem no campo missionário. 

Porém o que mais me entristece é que grande parte dos que se dizem cristãos aprovam que o dinheiro seja usado dessa forma. O fato é que eles gostam disso! Recentemente eu soube que alguém teria ficado muito impressionado com o luxo de uma certa igreja e que teria dito a respeito do seu rico pastor: "Ele vive a prosperidade que prega!" - Sem se dar conta de que o pastor está rico por meio das ofertas que lhe são entregues com promessas de riqueza para quem as dá. E quem vai ficando cada vez mais rico é ele mesmo, o pastor! Mas o povo ganancioso gosta desse tipo de expectativa. Eles querem mesmo acreditar que ficarão tão ricos quanto o pastor. E por que desejam isso? Ora, porque nunca compreenderam o evangelho, jamais se converteram a Cristo. Ainda que chamem Jesus de Senhor, seus anseios e práticas revelam que na verdade são servos de Mamom![3]

E, concluindo, mais triste ainda é perceber que muitos dos que condenam o dízimo são motivados pela própria avareza. Eles não buscam a verdade, que nos orienta a dar muito além do dízimo, mas buscam uma desculpa para dar muito menos do que isso. Como se percebe, o problema não está no dízimo, mas no próprio homem, na sua hipocrisia, no seu apego aos bens materiais, na sua falta de conversão a Cristo.

Notas

[1] Confira o artigo: Fatos ou boatos - dez dicas para uma boa investigação.

[2] Confira o artigo: Onde está o erro na teologia da prosperidade.

[3] Mamom: Palavra de origem aramaica, utilizada pelo Senhor para se referir ao falso deus filisteu que personificava as riquezas. (Mateus 6:24)

Alan Capriles

domingo, 9 de agosto de 2015

O TENEBROSO MUNDO APÓS 2015

A nova agenda da ONU e sua tirania global


Por Alan Capriles

A agenda global para os próximos 15 anos já está definida. Todos os 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas, inclusive o Brasil, já deram seu aval para esse acordo histórico e sem precedentes.[1] O novo texto da ONU, que se diz “do povo, pelo povo e para o povo”, (mas sobre o qual você não teve a menor participação), exercerá influência direta em nossas vidas. Ele será sancionado durante a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável – evento que ocorrerá nos próximos dias 25 a 27 de Setembro, em Nova York. A ocasião marcará também o aniversário de 70 anos dessa Organização e contará com a presença do Papa Francisco, que discursará para mais de 150 líderes mundiais.[2] 

“Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” é o título dessa nova agenda global.[3] Ela define 17 objetivos e 169 metas para acabar com a pobreza até 2030 e promover universalmente a prosperidade econômica, o desenvolvimento social e a proteção ambiental. Serão 15 anos, a contar de 1º de Janeiro de 2016, nos quais as nações estarão comprometidas com os termos deste pacto. O texto, que contém 29 páginas, surpreende por sua ousadia, chegando a ser descaradamente utópico. Ele prevê um mundo (o mundo todo!) livre de pobreza, fome, doença e no qual todos irão prosperar num prazo recorde de apenas uma década e meia. Mas a grande questão é: como se alcançar em 15 anos o que a humanidade não alcançou em milênios?

É nesse quesito que o texto me pareceu tenebroso. Ele reconhece a necessidade de soluções integradas para o desenvolvimento sustentável e da adoção de uma nova abordagem para alcança-lo, mas não esclarece que “nova abordagem” seria essa. O que se deixa transparecer, ao longo do texto, é que todos os países trabalharão em parceria, determinados a mobilizar todos os meios necessários para executar esta Agenda. Em outras palavras: custe o que custar.

Parece-me óbvio que o texto sugere, nas entrelinhas, aquilo que a ONU sempre almejou: a nomeação de um líder sobre todas as nações, bem como a unificação mundial da moeda, a exemplo do Euro, que não passou de uma experiência do que está por vir.[4] O propósito desta agenda não é outro, senão respaldar as bases para um futuro, mas iminente, governo global. Sem dúvida, isso será proposto nas próximas assembleias gerais da ONU.

O apelo para que tal governo seja criado é fortíssimo. Além das questões de paz e segurança, que são agravadas pelo crescente terrorismo, temos ainda o risco de um colapso econômico mundial, bem como de um provável e ameaçador caos climático – consequência do aquecimento global [5]. Tudo isso é lembrado repetidas vezes na Agenda da ONU, que ainda promete, com a sua implementação, o fim da pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares, garantindo uma vida saudável para todos em todas as idades. Ora, quem não sonha com um mundo assim? Mascarada com essas boas intenções, a ONU tentará convencer os líderes mundiais de que não há outra alternativa, senão a escolha de alguém que conduza a humanidade por esse caminho de paz, saúde e prosperidade. 

Mas, para que isso aconteça, será necessário que primeiro ocorra algo ainda mais catastrófico que as duas grandes guerras. Algo ainda mais comovente que as bombas de Hiroshima e Nagasaki. Algo ainda mais espantoso que o 11 de Setembro. Algo que abale o mundo inteiro como a um só homem, promovendo uma unidade de propósito na aceitação de um só governo, de uma só moeda e, até mesmo, de uma só religião.[6] O que ocorrerá? Francamente, não sei. 

Mas sei que uma liderança mundial não dará certo. Pelo contrário, será catastrófica. O governo do mundo não pode recair sobre a responsabilidade de um homem, pois não há homem sobre a terra que suporte tamanha provação. Ainda que comece bem, teremos a pior das tiranias como resultado de tamanha loucura. Além do mais, para se alcançar a prosperidade, paz e segurança que a agenda da ONU promete, o controle necessitará ser absoluto e excessivamente rígido. Talvez não seja por acaso que o texto repita que “ninguém será deixado para trás”. 

O fato é que um plano global está sendo tramado e todos nós seremos diretamente afetados por ele. Não se trata de mais uma teoria da conspiração, mas de algo muito bem documentado, que está às portas e que você mesmo poderá conferir.[7]

Sendo assim, o que podemos fazer? Sugiro que, urgentemente, você faça a leitura reflexiva de outros textos, muito mais antigos e de inestimável valor. Textos que não somente predisseram tudo quanto agora testemunhamos ocorrer, mas que também nos orientam a respeito de como agir nesses últimos dias. Sim, faço menção à Bíblia![8] E aqueles que se incomodam por eu mencioná-la, apenas confirmam a descrição profética do desprezo para com Deus e sua Palavra nesse tenebroso tempo do fim. 

Notas


[1] Confira esta notícia no site da ONU, clicando aqui.

[2] Francisco é o quarto papa que discursa perante a ONU, depois de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI.

[3] O texto completo da Agenda da ONU já está disponível em inglês. Para conferir diretamente sua tradução, clique aqui.

[4] A ONU jamais escondeu sua intenção de pacificar as nações através de um líder mundial soberano. A ideia encontrou apoio no papa Paulo VI, o qual, em 1965 declarou em seu discurso à ONU: “Vós sois uma rede de relações entre os povos. Estaríamos tentados a dizer que a vossa característica reflete de certa maneira na ordem temporal o que a nossa Igreja católica quer ser na ordem espiritual: única e universal. [...]Quem não vê a necessidade de chegar assim progressivamente a instaurar uma autoridade mundial capaz de poder agir eficazmente no plano jurídico e político?” Confira esse discurso completo clicando aqui.

[5] O suposto aquecimento global será usado como fator de unificação entre as nações. Nada melhor que se estabelecer um inimigo em comum para se promover alianças. De fato, é cada vez maior o número de climatologistas que asseguram que o planeta está aquecendo rapidamente. Minha opinião é a de que, sim, isso é verdade. No entanto, o temor de um caos climático será usado pela ONU como chantagem para se alcançar seus objetivos funestos de um só líder mundial, uma só moeda e uma só religião. A grande causa do aquecimento global não é o CO2, mas o gás metano, o qual não está sendo combatido em sua maior fonte: a pecuária. Para entender o problema, e a hipocrisia do sistema, confira o excelente documentário A Conspiração da Vaca.

[6] A expressão Mãe Terra faz parte do texto, que a sugere por ser “uma expressão comum em grande número de países e regiões” (§59). A ONU sanciona uma iniciativa de unificação religiosa, chamada URI (United Religions Initiative) a qual encontra apoio no Papa Francisco e no ex-presidente de Israel, Shimon Peres, que, em visita ao vaticano em 2014, propôs a criação da ONU das religiões: "A Organização das Nações Unidas teve seu tempo e, agora, o que vejo é uma ONU das religiões, uma Organização das Religiões Unidas", disse Peres, que completou: "Seria a melhor maneira para acabar com o terrorismo que mata em nome da fé, já que a maioria das pessoas pratica suas religiões sem matar ninguém". Fonte: Revista Exame.

[7] Todas as referências à Agenda da ONU podem ser conferidas em seu próprio texto e encontram-se precisamente nos seguintes locais, que merecem maior atenção: página 2, preâmbulo; página 3, parágrafo 1 a 7; pág. 4, §13; pág. 5, §18; pág. 6, §21 e 26; pág.8, §34 e 39; pág.10, §48 e §50 a 52; pág.11, §59; pág. 12, todas as metas; pág.18, meta 10,2 e 10,4 a 10,6; pág.21, meta 16,4 e 16,9; pág.22, meta 17,6 e 17,10; pág. 24, §60; pág. 25, §70 e 71; pág. 27, §72 e 73; pág.29; §87.

[8] Referências bíblicas que você não pode deixar de conferir: Mateus 24:9-14; Lucas 21:25-36; 1 Tessalonicenses 5:3; 2 Tessalonicenses 2:1-4; Apocalipse 13:16-18; 14:9-13; 16:2.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

SERÁ QUE DEUS EXISTE?

Como manter a fé em meio a tanto sofrimento

 

Por Alan Capriles

Questionar a existência de Deus não é algo que ocorre somente aos ateus e agnósticos.[1] E também não se trata de modismo passageiro. Essa dúvida tem ocorrido até mesmo nas pessoas mais religiosas, especialmente quando se deparam com tragédias pessoais, como a perda de um ente querido.

Por mais religioso que alguém seja, o que dizer para um pai que está em prantos pela morte do filho? Os amigos de Jó bem que tentaram lhe dizer alguma coisa, mas melhor seria se houvessem permanecido calados.[2] E aquela costumeira frase, de que “Deus sabe de todas as coisas”, dificilmente consolará pais que só querem ter o seu filho de volta.

Ainda que quase ninguém o diga, muitos na hora da dor se perguntam: “Será que Deus existe mesmo?”[3] E, se existe, por que permite que tamanho mal aconteça? O fato é que, mais cedo ou mais tarde, todos que dizem acreditar em Deus terão sua fé provada pelo sofrimento. Ninguém escapa de sofrer, nem o mais rico dos homens.

Mas, então, se todos sofrem, por que insistimos na crença em Deus?

Não é bem assim. Tem sido cada vez maior o número dos que se dizem ateus e agnósticos devido ao sofrimento. E o mais curioso é que a maioria desses professava determinada religião. Alguns passaram a duvidar da existência de Deus mesmo após chegar ao sacerdócio, como foi o caso do historiador Bart Ehrman. Em um de seus livros, intitulado O Problema com Deus, Ehrman tenta justificar seu agnosticismo elaborando perturbadoras questões relacionadas ao sofrimento:

“Por que os doentes continuam a definhar com dores indizíveis? Por que bebês ainda nascem com defeitos congênitos? Por que crianças são sequestradas, estupradas e assassinadas? Por que há secas que deixam milhões de pessoas famintas, levando vidas horrendas e excruciantes que terminam com mortes horrendas e excruciantes? [...] Por que uma criança – uma simples criança! – morre de fome a cada cinco segundos?”

Por que Deus permitiria tanta dor e maldade? Não ter encontrado uma resposta plausível para tanto sofrimento no mundo levou Ehrman a duvidar que Deus exista. Nesse mesmo capítulo ele completa: “Eu não sei se existe um Deus; mas acho que se houver um, ele certamente não é aquele proclamado pela tradição judaico-cristã, aquele poderosa e ativamente envolvido com este mundo. E assim, deixei de ir à igreja.”

Bart Ehrman parece ter sido sincero ao apontar o sofrimento como principal motivo para abandonar sua fé. Mas ele também se revelou humilde ao confessar algo que os ateus não estão dispostos a reconhecer: “eu não sei se existe um Deus”.

Certamente, esse é o ponto crucial. Não se pode comprovar que Deus não exista. Mas, se Deus fosse do jeito que Ehrman gostaria que fosse, então ele aceitaria que existe um Deus e não haveria problema. Ou melhor, nenhum problema, pois o mundo seria perfeito e todos seriam felizes para sempre! Agnósticos – a exemplo de Barth Ehrman – criam a imagem do deus que eles gostariam que existisse, mas quando percebem que o seu deus não se encaixa com a realidade que há, então passam a duvidar que Deus realmente exista. Os ateus também fazem o mesmo, embora neguem sequer imaginar qualquer tipo de deus, bem como a possibilidade de haver um Criador. Como se vê, os agnósticos parecem ser mais humildes e honestos, pois os ateus também não podem provar que não haja um Criador, a não ser pela desculpa de que Deus não é como eles gostariam que fosse. Mas admitir isso é algo que os ateus não estão dispostos a fazer.

Portanto, o x da questão é a premissa na qual ateus e agnósticos se baseiam para que Deus possa existir, ou seja, a de que a felicidade suprema e pessoal seria o propósito de toda existência humana. Mas, como há sofrimento e pessoas infelizes, então eles concluem que Deus não deve existir.

Essa noção, de que a existência do sofrimento implique na inexistência de Deus, não é uma ideia recente.[4] Porém, numa sociedade cada vez mais individualista, é natural que o número de pessoas que pense assim esteja crescendo rapidamente. Um crescimento alimentado pela mídia, que todos os dias tenta nos fazer acreditar que somos especiais e merecedores de todo conforto, luxo e divertimento possíveis. Evidentemente, essa mentalidade deturpada também contamina o meio religioso. Não por acaso o slogan “chega de sofrer” tornou-se um chamariz (que funciona) para igrejas onde os pregadores prometem o céu na terra. Essas igrejas estão sempre lotadas porque é nisso que as pessoas querem acreditar! O problema é que isso não é verdade.

Os crentes, assim como os ateus e agnósticos, também estão sujeitos a sofrer. A despeito do que ensinam certos pregadores, o sofrimento não é consequência da falta de fé. A pregação religiosa que promete uma vida sem sofrimento pode surtir efeito a curto prazo, atraindo os mais carentes e incautos. Mas, a longo prazo, quando esses voltarem a sofrer, ou eles irão procurar outra igreja, que não lhes engane, ou abandonarão de vez a fé, traumatizados por uma expectativa de plena prosperidade que não se concretizou. Temo que esse último cenário esteja ocorrendo com maior frequência. Uma religião deturpada pode gerar muito mais ateus que o secularismo hodierno.

Como se vê, não é difícil identificar as causas do crescente ateísmo. Mas, quanto ao sofrimento, identificar o seu porquê não é tarefa tão simples assim. Há muitas explicações, que variam de acordo com as mais diversas posições religiosas e filosóficas. Não caberia nesse texto esmiuçar as diferentes respostas apresentadas para se explicar o sofrimento. Obviamente, algumas se contradizem e não é possível que todas estejam certas.

Mas, francamente, não penso que a crença religiosa ou filosófica seja tão relevante quanto a compreensão e aceitação do óbvio: por mais doloroso que seja, o sofrimento faz parte da vida. E talvez faça parte da vida porque o sofrimento é bastante didático e revelador. Didático, porque aprendemos mais quando nos deparamos com o sofrimento do que quando tudo vai bem. E revelador, porque no sofrimento manifesta-se quem realmente somos. Foi o que ocorreu, por exemplo, na conhecida parábola do bom samaritano. Os religiosos, que aparentavam ser pessoas melhores, revelaram-se indiferentes à dor alheia, enquanto aquele desprezado samaritano se revelou misericordioso e solidário para com um estranho que sofria.[5]

Não obstante, além de nos ensinar sobre nós mesmos e sobre o próximo, o sofrimento também é a melhor oportunidade para exercitarmos a fé e o amor que dizemos ter. É provável que você já tenha notado que as maiores manifestações de fé geralmente ocorrem quando somos diretamente atingidos pela dor. São nesses momentos difíceis que passamos a buscar a Deus com mais intensidade – o que também revelará se confiamos ou não na providência divina. Mas é quando nos deparamos com a dor alheia que temos a chance de exercitar o verdadeiro amor, o qual se concretiza na compaixão pelo próximo, levando-nos a socorrer aos que precisam de ajuda.

Suponho que não haveria fé e amor neste mundo se não houvesse também o sofrimento, que os promove por toda parte. Se não houvesse sofrimento seríamos todos indiferentes ao próximo e descrentes em Deus, pois não necessitaríamos buscá-lo. Seríamos também insuportavelmente arrogantes e soberbos, julgando sermos grande coisa por não conhecermos qualquer aflição. Tudo e todos perderiam seu valor, pois nunca saberíamos o que é a dor de uma perda.[6]

Como se vê, o sofrimento não é de todo mal. Porém, em alguns casos, o sofrimento parece mesmo não fazer o menor sentido e jamais conseguiremos entender plenamente o seu propósito. Resta-nos apenas confiar em Deus – algo que não deveria nos surpreender e nem mesmo incomodar. Ora, se soubéssemos de tudo, nós é que seríamos Deus e não apenas homens.

Porém, se pudéssemos ver além de nossas limitações humanas e temporais, perceberíamos que todo sofrimento sempre resultará em algo bom e melhor; compreenderíamos que toda dor pela qual passamos foi terminantemente necessária para sermos edificados e fortalecidos; reconheceríamos o quanto Deus nos ama, a ponto de sofrer juntamente conosco, se fazendo um homem experimentado em dores, na pessoa do seu filho, Jesus.

Notas


[1] Diferença entre ateus e agnósticos: ateus negam categoricamente que possa existir um deus; agnósticos dizem que não há como alguém saber se Deus existe ou não.

[2] Referência ao livro de Jó, personagem bíblico que num só dia perdeu todos os seus bens e também todos os filhos. Três amigos tentaram consolá-lo, buscando justificativas para sua dor, mas tudo quanto disseram foi repreendido por Deus. Confira em Jó 2:11-13, 4:1, 42:7.

[3] Por exemplo, questionar se Deus existe foi o compreensível desabafo do pai do cantor sertanejo Cristiano Araújo, cuja carreira foi abruptamente interrompida num acidente de carro.

[4] Essa discussão é tecnicamente chamada de Teodicéia, um termo que se refere a resolver a seguinte questão: como pode haver sofrimento no mundo se Deus é amor e tem todo o poder? Embora esse termo tenha surgido somente a partir do século XVII, o problema já havia sido apresentado muito antes, há cerca de 2.500 anos, pelo filósofo grego Epícuro.

[5] Uma das parábolas mais famosas de Jesus Cristo, registrada em Lucas 10:25-37.

[6] Coincidência ou não, na semana em que escrevi esse texto tornei a assistir, pela enésima vez, ao documentário “Estou Vivo – O milagre nos Andes”, que conta como 16 jovens conseguiram sobreviver por 70 dias na cordilheira andina, após a queda do avião em que estavam. Dois deles, Nando Parrado e Roberto Canessa, precisaram caminhar na neve por exaustivos 60 quilômetros, atravessando as montanhas, até conseguirem ajuda. Considero inteiramente apropriado, como complemento desse texto, parte do depoimento que eles deram neste documentário, revelando as lições que aprenderam com todo aquele sofrimento:

“Percebi que precisamos de coisas simples para sermos felizes. E como exigimos mais do que precisamos na vida!” - Roberto Canessa

“Aprecio o fato incrível de estar vivo, todo dia, a cada respiração... A vida é mais simples do que parece. Para mim o amor é a coisa mais importante do mundo. O amor por nossas famílias nos mantém vivos.” - Nando Parrado

Você pode conferir esse incrível documentário clicando aqui.

Alan Capriles