sábado, 10 de setembro de 2011

A ADMIRÁVEL FÉ DOS ATEUS


Por Alan Capriles

Tenho alguns amigos que se dizem ateus e pelos quais tenho grande admiração. São pessoas de bem, extremamente sinceras, honestas, trabalhadoras e nas quais percebo que há uma fé bastante incomum. Isso mesmo: fé! Sei que dizer isso de um ateu parece algo incoerente, mas gostaria que você considerasse os meus argumentos:

É preciso ter muita fé para crer que o tudo veio do nada 
Se eu lhe mostrasse a um relógio e dissesse que ninguém o fabricou, você acreditaria? Mas os ateus conseguem ser mais crédulos do que os próprios crentes. Para um ateu é mais fácil crer que todos os corpos celestes do Universo e tudo que neles há surgiram do nada, do que crer que um simples relógio não tenha fabricante. Francamente, eu não consigo entender isso, razão pela qual concluo que somente uma fé descomunal pode justificar tal raciocínio.

É preciso ter muita fé para crer que uma explosão construiu ao invés de destruir
Não é preciso ser especialista em pirotecnia para saber que explosões destroem. Eu nunca soube de alguma explosão que tenha construído alguma coisa, por mais insignificante que seja. No entanto, a maioria dos ateus acredita na teoria do Big Bang, uma grande explosão que teria dado origem ao Universo. Ora, mediante o fato de que explosões destroem, é preciso ter uma fé muito explosiva para conceber tamanha incoerência.

É preciso ter muita fé para se viver sem a esperança da eternidade
Meus amigos ateus trabalham, constituem família, se divertem, constroem planos, os realizam – e tudo isso sem acreditar na vida após a morte! Confesso que admiro muito isso, pois eu mesmo não sei se construiria algo na vida imaginando que ela terminasse por completo na sepultura. Particularmente, tenho muita dificuldade para me dedicar a algo que não faça sentido. Ainda que eu fizesse alguma coisa boa por alguém, de que adiantaria se esta pessoa também seria extinta, não restando nada do seu ser e nem do meu? No entanto, apesar dos meus amigos ateus não crerem na existência do espírito, ainda assim tornaram-se pessoas de bom caráter, mais honestas até do que muitos religiosos. Além do que é preciso ter muita fé para continuar sorrindo mesmo sem a esperança da eternidade.

É preciso ter muita fé para se imaginar como Deus deveria ser
Um dos argumentos prediletos para se defender o ateísmo é o de que “se Deus existisse Ele não permitiria que o mundo fosse dessa maneira”. Por exemplo, sempre que ocorre uma grande catástrofe eles se apressam em questionar: “Onde está Deus?” O que talvez eles não estejam se dando conta é que isso não prova a inexistência de Deus; prova somente que eles creriam em Deus se Ele fosse do jeito que eles gostariam. Portanto, imagine o tamanho da fé necessária para se criar um molde grande o bastante para que Deus possa caber nele...

Realmente, é admirável a fé de meus amigos ateus!

Alan Capriles

7 comentários:

Diego Lopes disse...

Meu caro Alan,

Já há tempo que queria escrever sobre o mesmo tema... Mas lendo suas palavras, vi que voce soube colocar em poucas palavras o que tambem penso e expresso!

Muito bom seu texto! E com sua permissão, gostaria de postá-lo lá no Paixao e Compaixao, com seu link lá, ok?

Abç, meu irmão! Que Deus incremente mais na imensa fé que tens!

Diego

Alan Capriles disse...

Oi, Diego!

Que alegria receber seu comentário! Fico feliz que tenha gostado do texto. Esteja sempre a vontade para compartilhar algo que eu tenha escrito. É para mim uma honra de ter meu texto postado lá no Paixão e Compaixão.

Um forte abraço
na graça e paz de Jesus!

Igo Araujo disse...

Não, nós ateus não temos fé. Fé é a crença em algo sem a contrapartida da prova ou, no mínimo, da evidência. Fé é a confiança em algo que não mereceu essa confiança. Esse é o primeiro ponto equivocado que faz desmoronar toda sua tese.

Segundo: você diz que ateus acreditam que o "tudo" veio do nada, pra depois dizer que os ateus acreditam que o "tudo" se originou do big bang. Percebe a contradição? Mas seguindo... "Não é preciso ser especialista em pirotecnia para saber que" a visão de que explosões apenas destroem é muito simplória. Explosões são liberações súbitas de quantidades massiças de energia; e qualquer pirotécnico sabe que energia não se destrói, apenas se transforma. Quando se detona uma dinamite numa pedreira, a rocha não deixa de ser rocha, só diminui em pedaços menores. E no caso do big bang, a teoria diz que a matéria da qual “tudo” é feito não se originou ou se destruiu por causa da explosão; ela já existia, condensada num ponto muito menor que a cabeça de um alfinete.

E só dizemos “onde está Deus, quando acontece uma catástrofe”; não porque gostaríamos de acreditar num deus benevolente que nos salvasse o tempo todo, mas sim para denunciar a incoerência que as religiões professam o tempo todo e que nunca dão uma resposta concreta para a ausência de Deus diante de tantas mazelas. Se ele fosse realmente bom - já partindo da hipótese de que ele existe - como pastores, padres, rabinos e outros sacerdotes dizem, porque permite que tanto mal aconteça, PRINCIALMENTE à pessoas boas? A resposta favorita dos religiosos para essa pergunta é: ninguém pode entender os motivos de deus... Quais razões benévolas deus pode estar escondendo para massacrar milhões de pessoas todos os dias?...

De novo: nós não temos “fé”, de forma alguma, em coisa alguma. Alguns religiosos tem a equivocada opinião de que ateus têm “fé” na ciência - muitas vezes cega - mas nem isso chega a ser verdade, pois nossa confiança na ciência se baseia em seus fundamentos empíricos, que nos fornece meios para construir essa confiança. Como disse, a fé é a crença irrestrita em algo, sem precisar ou requerer provas ou evidência para essa crença.


ps.: não tratei do terceiro tópico da sua tese, pois ela me parece muito subjetiva (mais do que as outras). Nós, ateus em geral, acreditamos que o que fazemos em vida só tem valor verdadeiro porque esta é nossa única chance de fazer algo valer a pena. Quando se tem a eternidade para viver, têm-se infinitas chances para acertar, como também para errar. Dessa forma, tudo perde seu valor...


Abçs

Alan Capriles disse...

Prezado Igo Araújo

Antes de tudo, agradeço por sua participação neste blog. Seja sempre bem-vindo.

Gostei da maneira como iniciou seu comentário: "Fé é a crença em algo sem a contrapartida da prova ou, no mínimo, da evidência." Pois é exatamente por isso que eu digo terem fé os ateus.

Resumindo: não somos nós que temos que provar que Deus existe, mas os ateus é que precisam provar que Deus não existe.

Achei interessante como você simplesmente "pulou" meu primeiro argumento, no qual eu digo: "Se eu lhe mostrasse a um relógio e dissesse que ninguém o fabricou, você acreditaria? Mas os ateus conseguem ser mais crédulos do que os próprios crentes. Para um ateu é mais fácil crer que todos os corpos celestes do Universo e tudo que neles há surgiram do nada, do que crer que um simples relógio não tenha fabricante."

Quanto a um ateu crer que o tudo veio do nada, ou crer no Big Bang, não há contradição alguma aqui. Alguns ateus creem no Big Bang, outros preferem não apostar suas fichas nessa teoria. Não estou falando de uma mesma pessoa.

Quanto a mim, tenho absoluta certeza da existência de Deus, devido a incontáveis experiências pessoais, inclusive a de ouvir sua voz (audivelmente).

Se me permite, lhe sugiro fazer uma oração sincera, pedindo que Deus se revele a você. Se ele não existe, nada acontecerá, mas se você orar com sinceridade, não por zombaria, tenho certeza da resposta. Sendo assim, por que não fazer isso? A não ser que você não queira aceitar o fato de sua existência - O que é um direito seu, que o próprio Deus lhe dá, e que respeito, de todo meu coração.

Um forte abraço!

Igo Araujo disse...

Olá, Alan,

Primeiramente, fiquei surpreso por ter publicado meu comentário. A maioria dos religiosos simplesmente ignora as falas dos ateus ou, quando no muito, desmerecem... Obrigado por considerar meu comentário e responder respeitosamente.

Segundo: eu não sou muito sucinto. Na verdade, nada sucinto... desde já peço desculpas por ter escrito uma resposta tão longa e, portanto, divida em duas partes.

Continuando...

Quando relacionei “fé” e “evidência” estava me referindo à possibilidade de verificar objetivamente a ocorrência dos fenômenos. A experiência religiosa é, sobretudo, subjetiva. Parte de cada um. Você mesmo admitiu que tem “absoluta certeza da existência de Deus, devido a incontáveis experiências pessoais, inclusive a de ouvir sua voz (audivelmente)”. Na ciência e mesmo na filosofia, opiniões pessoais não constituem valores de Verdade. “Ouvir a voz de Deus” é uma verdade sua, e só sua. Ainda que outros partilhem da sua verdade, ela não pode ser verificada, confirmada ou refutada sistematicamente por outra pessoa que não passou por essa experiência. Ao contrário da teoria do big bang, que, de fato, não é aceita por uma pequena parte da comunidade científica, mas essa pequena parte tem, pelo menos, a chance de tentar refutá-la à luz da ciência, porque ela extrapola a opinião e experiência pessoal daqueles que a conceberam.

Ainda que a sua interpretação da minha relação fé-evidência correspondesse à minha intenção (e, nesse caso, a falha foi minha por não ser suficientemente claro); a responsabilidade é dos teístas de provar a existência de Deus. Explico:

Se alguém chegasse pra você e falasse: “vi um unicórnio prateado na floresta”? Você acreditaria prontamente que, de fato, existe um unicórnio prateado na floresta? Posso afirmar com - quase - toda certeza que não. Para acreditar na existência desse unicórnio seria preciso vê-lo, e não só vê-lo, como examiná-lo e estudá-lo (afinal, pode ser só um pangaré encardido com um desentupidor de pia preso na testa...).

Mesmo que a responsabilidade fosse dos ateus de provar a não-existência de Deus, posso apresentar o que é, no mínimo, uma evidência: um universo de centenas de religiões, muitas delas (se não a totalidade) conflitantes em seus dogmas, rituais, preceitos e códigos de conduta. Os povos da ilhas do pacífico rezam e fazem oferendas a um deus-tubarão; os antigos maias rezavam e sacrificavam crianças para deuses-jaguares; egípcios, para deuses-crocodilos, ou hipopótamos ou gatos... Mesmo, hoje, cristãos rezam à Deus e à Cristo; muçulmanos à Alá e à Maomé; africanos e seus descendentes, à Ogun e Oxalá. Xintoísmo não reza a deus nenhum específico, e o Budismo, à deus nenhum!

Qual deles está reza para o deus certo? Qual deles reza para o deus errado? Não há maneiras de determinar. Ainda que considerássemos que todos os deuses são, na verdade um único Deus, por que em um lugar Ele determina que se reze SEMPRE virado para o leste, em outro que se coma uma hóstia, em outro que não se faça nenhum serviço pesado no sábado? Se fosse um mesmo Deus, era de se esperar que os rituais fossem, pelo menos, parecidos.

(...)

Igo Araujo disse...

(... continuação)

É mais lógico que não exista deus nenhum, e que as religiões e seus rituais sejam criados pelas circunstâncias culturais de cada lugar. Para um povo essencialmente agrícola, o deus mais importante estará inequivocadamente relacionado à terra; para um povo que vive da pesca, algum deus “da água”; para um povo guerreiro, um deus “guerreiro”. Para uma sociedade organizada ao redor de leis, como a nossa é há séculos, um deus ordenador e vigilante, onipresente e onisciente.

Em resumo: não foi Deus que nos fez á Sua imagem e semelhança, mas nós que O fizemos à nossa.

E, não, não pulei o “argumento do relógio”, porque achei que estivesse implícito na minha explicação da “explosão”, mas posso melhorar.

Seu “argumento do relógio” é o mesmo que São Tomás de Aquino usa pra (tentar) provar a existência de deus. De forma simples: se existe uma criatura (ou um objeto), é preciso ter existido, antes, um criador. Se eu existo, então, alguém me criou. Na religião, esse alguém é Deus. Mas, se Deus existe, quem o criou?... E quem criou o criador de Deus?... E quem criou o criador do criador de Deus?... e, assim por diante. A lógica de São Tomás de Aquino, parece lógica, no entanto, falha, pois a condição “então alguém criou” fere sua própria condição inicial “se existe”.

São Tomás de Aquino desconsidera a espontaneidade dos fenômenos - o que não significa aleatoriedade. Ou seja, algumas coisas acontecem sozinhas. Exemplo: nas chuvas ácidas, a água e os óxidos de enxofre se combinam sozinho para formar o ácido sulfúrico. A areia atingida por um relâmpago vira vidro. O universo ao nosso redor acontece sem a ação de um agente consciente. Na verdade, a maioria esmagadora das coisas acontece sem a ação de agentes conscientes. Procurá-los é a tentativa humana de “humanizar” e por sob controle um universo que nada tem de humano e que nada tem de “controlável”.

Só pra concluir. Já fui teísta, até mesmo fervoroso. Já rezei à Deus e, ouso dizer, de forma sincera. E não foi a falta de respostas a minhas orações que me converteu, por assim dizer, ao ateísmo, mas, por causa da minha fé, acabei estudando com profundidade (tanta quando era possível para um garoto) o catolicismo (minha “religião natal”). E meus estudos seguiram pelo cristianismo, e foi se espalhando por outras religiões. Quanto mais estudava, mais parecia incoerente a existência desse mundo e a existência de Deus, ou qualquer outro; principalmente quando cheguei à história das religiões. Havia conflitos demais entre teoria e realidade. Até o momento em que me perguntei “e se deus não existe, o que acontece?”... Os conflitos acabaram e as respostas apareceram... E, surpresa das surpresas, nada de ruim aconteceu...


P.s.¹: de novo, peço desculpas pelo comprimento do texto. É uma falha minha ser prolixo demais. Juro que não estou tentando vencer pelo cansaço. (rs rs)

P.s.²: não estou aqui para persuadir nem convencer nem você nem seus leitores. Muito menos fazer pregação do ateísmo. Minha única intenção é argumentar.


Abraços

Igreja Bíblica Cristã disse...

Se Deus criou o universo, quem criou Deus?

A pergunta é "absurda", diz o matemático John Lennox, da Universidade de Oxford, na Inglaterra. "Deus é eterno; ele não foi criado, sempre existiu", afirma o professor, enfático. "A única razão pela qual alguém pode perguntar isso é para dizer que não há realidade definitiva. Quem criou o Deus, que criou o Deus, que criou o Deus? Vamos retroceder no tempo para sempre."

Confiram a matéria completa no site do Estadão:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,origem-de-deus-e-questao-absurda,360645,0.htm