25 fevereiro 2010

AS 12 RAZÕES PARA ELIMINAR O ENTRETENIMENTO EM SUA IGREJA

Um alerta solene aos pastores

 
Por Alan Capriles

O entretenimento está tão enraizado na cultura evangélica brasileira que parecerá um absurdo a tese que defendo. No entanto, esse não é um problema novo e nem exclusivamente nosso. Já na segunda metade do século 19, em seu famoso artigo "Apascentando ovelhas ou entretendo bodes?" o pastor inglês Charles Haddon Spurgeon, alertava que o fermento diabólico do entretenimento acabaria levedando toda a massa do evangelho.[1] E é nesse lastimável estado de fermentação que se encontra a massa evangélica atual - não somente no Brasil, mas em praticamente todo o mundo.

Hoje em dia é quase impossível que uma igreja não tenha conjuntos musicais, corais, grupos de coreografia, ou cantores para se apresentar durante o culto. Não estou dizendo que seja errado se divertir de vez em quando, ou que seja pecado cantar e dançar. Particularmente, valorizo muito meus momentos de descontração, pois sei o quanto isso me faz bem. No entanto, é de consenso geral que tudo deve ter sua hora e seu apropriado lugar. A despeito disso, vemos na maioria das igrejas o precioso tempo do culto, que deveria ser usado para edificação, ser tomado por todo tipo de apresentações, com a desculpa de que "é tudo pra Jesus". Apenas esqueceram de perguntar-lhe se ele deseja tal coisa... Mas, ironias à parte, a realidade é que tais apresentações não passam de entretenimento vão, que em nada edificam, mas que vem acrescidas de um verniz de santidade, ou capa de religiosidade, para que sejam chamadas de obra de Deus.[2]

Por favor, que ninguém fique ofendido, pois também expresso aqui um mea culpa. Houve época em que também eu desperdiçava horas com ensaios de conjuntos e coreografias, enganando a mim mesmo e convencendo também aos outros de que esse ativismo todo podia ser chamado de obra de Deus. Mas a verdade é que eu sempre senti que havia algo de errado - que não era nisso que deveríamos estar focados - e isso fazia com que eu me sentisse um traidor. Como não havia quem me alertasse, foi por meio de minha própria meditação nos evangelhos que tive meus olhos abertos e fui convencido de meu erro.

Desde então tenho refletido seriamente a respeito disso, percebendo o quanto temos deixado de crescer com nossas distrações pueris e o quanto isso tem prejudicado a propagação do verdadeiro evangelho. Consegui encontrar mais de uma dezena de boas razões para eliminar por completo o entretenimento dos cultos na igreja que pastoreio - algo que logo fizemos! Passamos então a investir melhor nosso tempo, substituindo as horas que antes gastávamos com ensaios entre quatro paredes por evangelização na comunidade, encontros de edificação nos lares e pela realização de projetos sociais relevantes.[3] E, quanto às apresentações nos cultos... sinceramente, não estão fazendo a menor falta.

Sendo assim, compartilho pelo menos 12 razões que nos fizeram eliminar o entretenimento dos cultos que realizamos - lembrando que nossa resolução, aparentemente radical, só nos trouxe benefícios, tanto a nível individual, quanto coletivo.

1 - Não encontramos qualquer incentivo de Cristo ao entretenimento em seu nome
Para os que realmente querem seguir os ensinamentos de Cristo, somente esta razão já seria suficiente e não precisaríamos de qualquer outro argumento. O problema é que raramente se encontra hoje uma igreja que queira levar a sério o que Jesus ensinou. Sendo assim, talvez seja necessário ainda os argumentos a seguir.

2 - Entretenimento não atrai ovelhas
Particularmente, não gosto de rótulos. Mas, a título de melhor compreensão, chamemos de ovelhas aqueles que realmente amam a Jesus e buscam seguir seus ensinamentos (Jo 10:27). Esse argumento interessa principalmente a pastores que buscam atrair pessoas já convertidas para suas igrejas - o que não é necessariamente errado, pois há crentes que mudam de cidade e precisam encontrar uma boa igreja para congregar. Ora, dificilmente a realização de shows na igreja atrairá cristãos fiéis, aqueles que realmente estão interessados em crescimento espiritual. Por outro lado, as apresentações no culto serão um atrativo para os que gostam de uma distração gratuita. Mas, será que podemos chamar esses crentes de ovelhas, ou, como sugeriu Spurgeon, não seria melhor identificá-los como bodes, uma vez que só buscam entretenimento? (Mt 25:32-33)

3 - Entretenimento afasta as ovelhas
As verdadeiras ovelhas não se satisfazem com apresentações durante o culto. Elas querem oração e palavra, edificação e unção. Uma ovelha de Cristo não procura emoções, mas a Verdade, a fim de que se mantenha firme no caminho da vida e na propagação do reino (Jo 6:67). Quanto mais o pastor encher o culto com apresentações, mais rapidamente as verdadeiras ovelhas irão debandar, em busca de uma igreja mais fiel, que priorize a oração e o ensino da Palavra. Aos poucos, a "igreja-show" deixará de ter ovelhas para estar ainda mais cheia, porém de bodes, que gostam de uma boa distração. E, infelizmente, o que muitos pastores buscam hoje é somente quantidade - o crescimento a qualquer custo. E, com este fermento, a massa realmente cresce...

4 - Entretenimento reduz o tempo de oração e palavra
O tempo de culto já é muito limitado, chegando a ter, no máximo, duas horas. Quando se dá oportunidade para apresentações, o tempo que deveria ser usado para oração e ensino torna-se curtíssimo. Em algumas igrejas o momento reservado para a Palavra não chega nem a vinte minutos por culto! Como desenvolver uma mensagem expositiva, que realmente alimente as ovelhas, em tão curto espaço de tempo?

5 - Entretenimento confunde os visitantes
Os visitantes de uma igreja de entretenimento concluirão que ela existe em função disto: de criar conjuntos, corais, coreografias, peças teatrais, ou qualquer outro tipo de apresentação que torne o culto divertido. E eles passarão a frequentar os cultos com esta expectativa, esperando pelo próximo espetáculo e não para se desenvolver espiritualmente.

6 - Entretenimento ilude os membros
É normal que os membros das igrejas voltadas para o entretenimento pensem que estão servindo a Deus com suas apresentações. Desta forma, sua consciência fica cauterizada para atender aos apelos  para participar da escola bíblica, do evangelismo, ou dos projetos de assistência social. Afinal de contas, o membro pensa que seu chamado é para um palco (ao qual chama de altar), e não para serviços que não lhe colocam debaixo de holofotes - os quais são muito comuns nas igrejas hoje em dia.

7 - Entretenimento é um desgaste desnecessário
Quanto esforço é despendido para que tudo saia perfeito: o passo de dança, a afinação do coral, a fala decorada... Tanta energia gasta naquilo que o Senhor nunca mandou fazer! Será que ainda restarão forças e tempo para se fazer o que realmente Cristo nos ordentou fazer? (Lc 6:46; Mt 25:31-46)

8 - Entretenimento coloca os carnais em destaque
Pessoas que raramente aparecem nos cultos de oração e estudo bíblico, e que nunca comparecem ao evangelismo, geralmente são as mesmas que gostam de aparecer cantando, dançando ou representando nos cultos mais cheios. A questão é: Por que dar prioridade e destaque justamente para esses membros que desprezam o próprio crescimento espiritual?

9 - Entretenimento promove disputas
Disputas entre membros, entre conjuntos e até entre igrejas. Quem canta melhor? Quem dança melhor? Que conjunto tem o uniforme mais bonito? Quem recebeu mais oportunidade? (1 Co 3:3; Tg 4:1)

10 - Entretenimento alimenta o ego
O entretenimento não gera fé, mas fortalece o ego dos que amam receber aplausos e elogios. Apesar de sua roupagem "gospel", o fermento dos fariseus continua tão venenoso quanto nos dias de Jesus (Mt 23:5-6; Lc 12:1)

11 - Entretenimento é um desperdício de tempo
Alguém já disse que "a mais lamentável de todas as perdas é a perda do tempo." Se o mesmo tempo que as igrejas gastam com ensaios e apresentações fosse utilizado com oração e evangelismo, este mundo já teria sido alcançado pela graça de Deus! (Ef 5:15-17)

12 - Entretenimento não é fazer a obra de Deus
A desculpa para o entretenimento é que este seria uma forma estratégica de atrair as pessoas. Mas a questão novamente é: que tipo de pessoas? Se entretenimento fosse uma boa alternativa, certamente a igreja apostólica teria usado de entretenimento para atrair as multidões. No entanto, os apóstolos simplesmente pregavam o evangelho, porque sabiam que nele há poder. O evangelho "é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rm 1:16). Mas o entretenimento... O entretenimento é a artimanha do homem para a perdição de todo aquele que se distrai.

Devo concluir com uma palavra direta aos pastores. De pastor para pastor. Amado colega de ministério, não duvide do poder do evangelho para atrair e converter as pessoas. Não queira encher sua igreja com atividades vazias e atraentes ao mundo, mas que não têm o poder do Espírito Santo para converter vidas. Tenha coragem e limpe sua congregação desta imundície egocêntrica. Igreja não é circo, nem clube. Talvez, com tal atitude, você perderá alguns membros - mas, lembre-se: não perderá ovelhas, somente bodes. Tenha fé em Deus e confie no modelo bíblico para o crescimento saudável da igreja, modelo que é pautado na oração, nas boas obras e na pregação ousada do genuíno evangelho de Cristo. Lembre-se também disto: "enquanto os homens procuram melhores métodos, Deus procura melhores homens." Seja você esse homem.

Alan Capriles
(Atualizado em Set/2014)

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Notas

[1]  Confira o alerta de Spurgeon clicando aqui.

[2] Promover a mútua edificação deve ser o propósito de toda reunião cristã (1Co 14:26)

[3] Isso não significa que nossa igreja não tenha atividades divertidas, ou momentos de lazer em comunhão. Significa somente que não usamos mais o tempo do culto para tais atividades, que são importantes, mas não a ponto de permitirmos que roubem o tempo devido a oração e a palavra.

03 fevereiro 2010

EVENTO OU... É VENTO?

Por Alan Capriles

São Gonçalo, município do estado do Rio de Janeiro, é considerado por muitos como a cidade brasileira com o maior número de igrejas por metro quadrado. São tantas as diferentes denominações (e algumas demoniações) que não é raro encontrarmos uma igreja em frente da outra, ou mesmo ao lado, compartilhando da mesma parede, mas disputando decibéis e membros infiéis.

Por ser assim tão grande o número de congregações, vejo São Gonçalo como uma espécie de proveta, um tubo de ensaio do que deve ou deverá acontecer em breve por todo território nacional. Ora, as estatísticas apontam que o crescimento do número de igrejas evangélicas no Brasil é um fenômeno colossal, a ponto de despertar a curiosidade dos mais renomados estudiosos acerca do assunto. Desta forma, em pouco tempo haverá tantas igrejas pelo país quanto bares nas esquinas, coisa que já acontece em São Gonçalo.

A princípio, parece ótimo. Mas, observe: haverá "tantas quanto", e não "tantas no lugar de", ou seja, os bares continuam lá, porque o que está acontecendo em São Gonçalo e em todo território brasileiro não é um avivamento. Todos sabemos que um genuníno avivamento é caracterizado pelo impacto causado na sociedade. Por exemplo, conta-se que certo viajante atravessava uma cidade da Nova Inglaterra e perguntou a um morador onde poderia encontrar um bar para beber e se descontrair. O morador respondeu: "não há mais bares em nossa cidade, porque há 100 anos atrás John Wesley andou pregando por aqui." Aquela cidade sim, havia experimentado um verdadeiro avivamento.

E o que acontecerá no país quando houver tantas igrejas quanto bares?

A resposta é: o que já está acontecendo em São Gonçalo! As igrejas disputando membros, assim como os bares disputam a clientela.

Obviamente, esta disputa acontece de maneira velada, discreta. E de que forma ela acontece? Aqui em São Gonçalo, tubo de ensaio do evangelicalismo nacional, uma igreja é avaliada pela popularidade e quantidade de seus eventos. Uma igreja é avaliada entre o povo e, principalmente, entre os crentes pelo número de Festivais, Congressos, Louvorzões, Vigílias (que de oração não tem é nada) entre muitas outras formas de entretenimento.

Tais eventos precisam ter uma leve maquiagem cristã, como um versículo bíblico no cartaz, para não transparecer suas reais intenções: atrair os membros de outras igrejas. E, claro que não são atraídos pelo versículo, mas pelo cantor ou pregador famoso que lá estará. A presença deste é garantida pelo pagamento de um alto cachê, geralmente com adiantamento, coisa que só igreja grande pode fazer.

Mas, e as outras, que não podem pagar? Há duas alternativas. Colocam seus membros para vender os cds do cantor semanas antes do evento (e nisto há duas infrações: trabalho escravo e sonegação de impostos) ou então criam formas alternativas de arrecadar dinheiro. Por exemplo, conheço um pastor que convenceu os jovens a vender alho no sinal de trânsito, durante mais de um mês, a fim de pagar o cachê da cantora Pâmela, que iria se apresentar no Congresso de jovens.

Outra forma de garantir a presença de membros de outras igrejas é a tal da "oportunidade". Envia-se a carta convite, encaminhada ao líder do ministério que se pretende dar a oportunidade. Sendo assim, tal ministério precisa ter um conjunto bem ensaiado, porque, ao atender o convite, eles irão receber a tal da "oportunidade". Por isso, aqui em São Gonçalo, praticamente todas as igrejas precisam ter diversos conjuntos: masculino (para se apresentar no congresso de varões), conjunto feminino, de jovens, de adolescentes e de crianças. A coisa é tão séria, que se uma igreja não tiver seus conjuntos, ela é desprezada pelas demais e vista com desconfiança pela comunidade. Ora, aqui em São Gonçalo, igreja sem conjunto não é igreja.

Outro dia, estava conversando com um pastor e ele me contava de seu esgotamento espiritual. Ingenuamente, imaginei que fosse pelo excesso de pregações, ou de aconselhamentos, ou de visitas pastorais, ou mesmo de intercessões a favor dos santos. Mas, não! Ele estava esgotado pelo gerenciamento de inúmeros eventos que sua igreja realizou no último ano. Seu esgotamento não era espiritual, mas simplesmente físico...

Meu conselho para aquele amigo foi lembrá-lo de que nós, como pastores, um dia prestaremos contas ao Senhor não apenas de nossa vida pessoal, mas também de como conduzimos as suas ovelhas. Ele não nos cobrará o número de eventos que realizamos, mas o número de almas que ganhamos e mantivemos em santidade e amor, dando frutos de uma vida regenerada em Cristo, para glória exclusiva do próprio Deus.

Quase choro quando percebo que somente naquele grande Dia, quando os livros se abrirem, é que muitos dar-se-ão conta de que tanto desgaste evangélico, com ensaios e apresentações egocêntricas, não significaram nada. Absolutamente nada! Tudo isto será reduzido a pó e cinzas. Pelo simples fato de que o evangelho de Cristo não tem nada haver com tais espetáculos. Nosso Senhor nunca nos mandou realizar tais coisas, e nem mesmo sombra de tais eventos havia na igreja apostólica, na qual devemos nos espelhar.

Falo com propriedade a respeito do assunto porque já fiz parte deste sistema. Apesar de nunca termos chamado ninguém famoso, nossa igreja mantinha seus conjuntos e grupos de coreografia sempre a postos, a fim de atender aos convites ou se apresentarem nos muitos eventos da casa.

Mas um dia o Senhor me despertou. E, como pastor, precisei decidir entre agradar a Deus, ou aos homens. Ora, para um verdadeiro servo de Cristo obedecer a Deus não é uma decisão difícil. Por causa da minha decisão, alguns membros me abandonaram, outros disseram que eu deveria ter me preocupado mais em como eles se sentiriam, mas "se eu estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo." Minha preocupação é como o Senhor se sente em relação a sua Igreja, porque um dia prestarei contas de como conduzi suas ovelhas.

Não espere o juízo final para se arrepender de tanto ativismo inútil. Será tarde demais. Acorde agora para o fato de que o que está por trás de tais eventos é o ego decaído, que deseja somente se divertir e aparecer. Ou ainda pior, o que está mesmo por trás é o próprio diabo, desviando a atenção dos crentes daquilo que realmente importa: a fervorosa oração, a genunína Palavra e a compaixão pelas almas perdidas.

Se não acordarmos agora, temo que será realmente tarde demais. Não sobrará nada de sólido e duradouro deste período da igreja, caracterizado somente por tantos e tantos eventos. Porque, biblicamente falando, no fim das contas, e aos olhos de Deus:
evento, é vento.

03 janeiro 2010

AMBIÇÃO CONTROLADORA


Fiquei surpreso e muito impressionado com o trecho de um livro que terminei de ler dias atrás. Quero muito compartilhar com os leitores deste blog, porque a experiência de Steve Gallagher, autor de "A Grande Apostasia" se parece muito com a própria experiência de libertação pela qual passei em 2009, ano que mudou por completo minha vida.
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Qualquer um com uma personalidade carismática, habilidades naturais e uma mensagem positiva pode desfrutar de enorme fama e sucesso [no mundo gospel].

Conheço muito bem o sistema porque houve um tempo em que vivi atrás do que ele oferecia. De todo coração eu queria obter sucesso nele.

Minha busca por significado interior e honra exterior me levavam a trabalhar incansavelmente e a fazer campanha por causa própria. Tentei conhecer as pessoas certas e estar nos programas mais populares. Lutei e me esforcei muito para subir "essa escada". Orava de todo coração para que Deus abençoasse meu ministério.

Eu até era sincero em meu desejo de ajudar os outros, mas o "eu" dominava grande parte de meus esforços. Em 1992, apareci em diversos programas de rádio e televisão de alcance nacional, então, quando parecia que estava prestes a "estourar", tive uma crise: Deus começou a expor meu orgulho e minha ambição.

Sempre que tentava seguir meu próprio caminho, me deparava com a disciplina de Deus. Foi um período muito difícil de sete anos de severo tratamento.

Hoje sou extremamente grato pelo Senhor ter me libertado de minha ambição controladora.

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Trecho do livro
A Grande Apostasia - Editora Propósito Eterno, 2009. Pág. 201

07 dezembro 2009

REFORMA E REAVIVAMENTO

"A igreja evangélica brasileira precisa de uma nova reforma e de um verdadeiro reavivamento espiritual." Esta declaração, repetida enfaticamente pelo reverendo Hernandes Dias Lopes, vai na contra-mão da grande maioria dos líderes evangélicos desta nação, que insistem na falácia de dizer que os evangélicos experimentam seu melhor momento neste país.

Quase meio milênio depois do início da Reforma Prostestante, é evidente que a igreja evangélica precisa de uma nova reforma. O texto a seguir é esclarecedor neste sentido. Trata-se da compilação de uma mensagem que foi pregada pelo reverendo Hernandes Dias Lopes no dia em que a Reforma Protestante completava 492 anos.

Creio que esta brilhante mensagem (transmitida pela TV aberta em 31 de Outubro de 2009) entrará para a história da igreja evangélica brasileira como o início do despertar para uma nova reforma e reavivamento, assim como aconteceu com as 95 teses de Lutero, em 1517. O tempo se encarregará de provar isto. A Deus seja a glória!

REFORMA E REAVIVAMENTO
Rev. Hernandes Dias Lopes

Hoje eu quero abordar com você um dos temas mais oportunos, mais urgentes e mais necessários pra vida da igreja contemporânea. Eu quero conversar com você sobre o tema: reforma e reavivamento.

Eu tenho, com a graça de Deus, percorrido a nação brasileira, pregado em centenas de igrejas, em várias denominações evangélicas da nossa pátria. E tenho chegado a uma conclusão inequívoca, séria, preocupante: a igreja evangélica brasileira precisa passar por uma nova reforma.
Nós nos chamamos de igreja protestante, mas já não protestamos mais. Nós nos chamamos de igreja evangélica, mas muitas igrejas têm abandonado o verdadeiro evangelho, o antigo evangelho, o evangelho da graça, o evangelho da cruz de Jesus Cristo.

Hoje nós temos uma igreja que tem extensão, mas não tem profundidade. Uma igreja que tem influência política, mas não tem poder espiritual. Uma igreja que tem riqueza material, mas não tem integridade moral. Uma igreja que busca os aplausos dos homens, em vez de levar estes homens ao arrependimento. Uma igreja que prega para agradar e não para levar este homem ao arrependimento e a conversão. Nós precisamos parar e rever isso.

Porque nós temos hoje uma igreja que se diz evangélica, mas que é analfabeta da bíblia. Uma igreja que se diz evangélica, mas abraça todas as novidades estranhas à palavra de Deus. Uma igreja que tem deixado de anunciar o puro e simples evangelho de Jesus Cristo, para abraçar doutrinas estranhas, contrárias a palavra de Deus. Estamos vendo hoje muitos púlpitos evangélicos pregando prosperidade, riquezas e não a salvação em Cristo. E nós estamos vendo que as igrejas estão ficando lotadas de pessoas que estão buscando não a Deus, mas as bênçãos temporais de Deus. Elas não estão verdadeiramente no caminho da salvação, mas elas estão buscando alívios para os seus problemas apenas do aqui e do agora. Estamos vendo hoje uma pregação que enfatiza os milagres, as curas, o sobrenatural, mas não estamos vendo uma igreja conduzindo as pessoas a uma vida de santidade. Não estão mais pregando o evangelho verdadeiro, genuíno e puro da graça de Deus, que transforma o homem e que reconcilia este homem com Deus e que leva este homem a uma experiência verdadeira e genuína de novo nascimento. Nós precisamos de uma nova reforma.

Precisamos, na verdade, voltar àqueles pilares da reforma protestante: o “só a Bíblia”. Hoje, os sonhos, visões, revelações e novas profecias, estranhas e fora das Escrituras, têm substituído a bíblia em muitos púlpitos chamados evangélicos. Nós vemos evangélicos correndo atrás de verdadeiros gurus espirituais, pessoas que não examinam mais as Escrituras, pessoas que não conhecem mais as Escrituras. Pessoas que correm às fontes rotas de novidades forjadas no laboratório do engano, em vez de voltar-se pra verdade das Escrituras e examinar as Escrituras porque são elas que testificam de Cristo, que nos apontam o caminho da verdade, porque a bíblia é a verdade.

Nós precisamos voltar à gloriosa verdade do “só a fé”. Quanto misticismo no meio evangélico! Quantas pessoas botando um copo d’água em cima do rádio, ou da televisão, achando que bebendo aquela água ela está recebendo os fluídos da graça de Deus. Quantas pessoas que crêem numa rosa ungida, num lenço ungido, em coisas que brotam do misticismo e não das Escrituras sagradas. Nós estamos vivendo a realidade onde as pessoas estão trocando o rótulo, mas mantendo os chamados evangélicos prisioneiros do mesmo misticismo pagão. Nós precisamos de uma nova reforma na igreja evangélica brasileira.

Precisamos reafirmar que “só a graça”. Estamos vivendo um período em que as igrejas chamadas evangélicas estão desenterrando as indulgências da idade média. Pessoas que compram as bênçãos de Deus por dinheiro. Pessoas que fazem do púlpito um balcão, do evangelho um produto, da igreja uma empresa e dos crentes consumidores. Igrejas em que não está muito claro se é verdadeiramente uma empresa, cuja finalidade é arrecadar dinheiro, ou se é uma agência do reino de Deus para pregar o evangelho da graça. Nós precisamos de uma nova reforma na igreja evangélica brasileira.

Nós precisamos de uma igreja que pregue somente Cristo. Quantas mensagens que focam os holofotes no ser humano, na grandeza do homem, na importância do homem! Nós estamos vivendo hoje, na realidade evangélica brasileira, o culto à personalidade. Estamos vivendo hoje situações em que pregadores e cantores são tratados como verdadeiros astros de cinema, estamos vivendo o pecado da tietagem evangélica, na realidade evangélica brasileira. A igreja precisa de uma nova reforma.

Estamos vendo a realidade de uma igreja que não tributa e não rende toda a glória apenas a Deus. Nós entendemos que tudo é dele, tudo vem dele, tudo é por meio dele e tudo é para ele. Toda a glória que não é dada a Deus é vanglória, é glória vazia, na verdade é idolatria e nós não podemos aceitar esta realidade no contexto de uma igreja que se chama evangélica. Nós precisamos de uma nova reforma.

Mas é importante ainda dizer o seguinte: eu disse que o meu tema hoje é reforma e reavivamento. Por outro lado, nós temos também uma igreja que se diz reformada, uma igreja que se diz histórica, uma igreja que se diz plantada no solo da verdade, mas que também, por outro lado, professa uma ortodoxia morta, sem vida, sem viço, sem alegria de Deus, sem fervor espiritual. Um intelectualismo árido, seco, morto e vazio. Precisamos de reavivamento. Precisamos de uma vida plena do Espírito Santo de Deus. Não basta apenas ter luz na cabeça, é preciso ter fogo no coração. Não basta apenas ter conhecimento, é preciso ter também experiência. Não basta apenas saber muito a respeito de Deus, é preciso ter intimidade com Deus.

Eu olho para a bíblia e vejo, por exemplo, a igreja de Éfeso. Jesus Cristo elogiou a igreja de Éfeso pela sua ortodoxia. Era uma igreja que não tolerava o engano, que não tolerava as falsas doutrinas, que não tolerava as heresias. Mas Jesus Cristo disse para aquela igreja: “eu tenho uma coisa contra ti” igreja de Éfeso, é que “tu abandonaste o teu primeiro amor”. Doutrina sem vida não glorifica a Deus. Ortodoxia sem piedade não glorifica a Deus. Conhecimento teológico que não se traduz em vida, em prática de cristianismo não glorifica a Deus. Há muitas pessoas ortodoxas, mas estão secas como um poste, sem vida, sem viço, sem alegria de Deus, sem entusiasmo, sem paixão pela obra de Deus, sem envolvimento com o reino de Deus. Nós precisamos de um reavivamento espiritual.

Estamos vendo uma realidade triste no contexto evangélico, de muitas pessoas que se dizem protestantes, que se dizem reformadas, outros que se dizem calvinistas, outros que se dizem ortodoxos, mas que estão com a vida absolutamente murcha, seca, árida. Igrejas que estão morrendo, igrejas que estão minguando, igrejas que estão diminuindo, igrejas que estão encolhendo, igrejas que estão perecendo. Não por falta de conhecimento, mas por falta de aplicar este conhecimento na prática. Igrejas que muitas vezes estão ensimesmadas, soberbas. Que acham que somente elas estão no reduto da verdade e enquanto são absolutamente críticas com os outros, mas não vivem esta verdade que professam crer. Precisamos de um reavivamento.

Você olha, por exemplo, o que Jesus Cristo disse para a Igreja de Esmirna. A igreja de Esmirna era o contrário da igreja de Éfeso. A igreja de Éfeso tinha doutrina, mas não tinha amor – Jesus a corrigiu e a exortou. A igreja de Esmirna tinha amor, mas não tinha doutrina – e Jesus também a corrigiu e a exortou. Nós não podemos ter uma igreja que tem plenitude da sua cabeça e o vazio do seu coração – isso não glorifica a Deus. Nem também glorifica a Deus aquela igreja que tem a plenitude do coração e o vazio da sua cabeça. Nós precisamos voltar a unir o que nunca podia ter sido separado, ou seja: ortodoxia e piedade. Nós precisamos de doutrina certa e de vida certa. Nós precisamos de conhecimento e precisamos de prática de cristianismo. Nós precisamos de teologia certa e de cristianismo certo, nós precisamos de reforma e de reavivamento.

Eu olho pra história da igreja e vejo que muitas vezes a ortodoxia por si mesma não pôde produzir os resultados que a igreja precisava. Só quando a igreja se humilha, só quando a igreja chora pelos seus pecados, só quando a igreja acerta sua vida com Deus, só quando a igreja se prostra sob a onipotente e poderosa mão de Deus e clama por um despertamento e clama pela plenitude do Espírito Santo de Deus, é que esta igreja é revitalizada, é fortalecida, é reavivada e ela se levanta como que de um vale de ossos secos para se tornar um poderoso exército nas mãos do Deus todo-poderoso.

Eu aguardo o tempo em que as igrejas evangélicas desta nação se voltem para as Escrituras. Este é o meu sonho, este é o meu projeto de vida, este é o meu empenho ao percorrer a nação brasileira: é conclamar a igreja evangélica brasileira a voltar para a bíblia, para que os púlpitos se tornem instrumentos da proclamação da verdade do evangelho.

Mas, muito mais do que isso, nós precisamos ter uma vida cheia de Deus, da plenitude de Deus, da plenitude do Espírito Santo de Deus. Por que não basta apenas conhecimento, é preciso ter vida no altar de Deus, vida cheia do Espírito Santo de Deus. Este país, a nação brasileira, precisa experimentar um verdadeiro avivamento espiritual. Não avivamento forjado, fabricado, não fogo estranho, não algo que o homem produz. Nós precisamos entender que avivamento espiritual é obra soberana do Espírito Santo de Deus. A igreja não produz avivamento. A igreja ora por avivamento. A igreja prepara o caminho para a chegada do avivamento. Mas só o Espírito Santo de Deus pode produzir um verdadeiro avivamento espiritual.

Você que está me vendo e ouvindo nesta hora.* Eu gostaria de conclamar você a buscar de Deus uma reforma espiritual na sua vida e a buscar um reavivamento espiritual para sua vida. Para que você ore, para que haja uma reforma espiritual na igreja evangélica brasileira e para que esta igreja, em verdade, ela possa então buscar um reavivamento.

Eu preciso dizer para você: não há reavivamento sem reforma. Não há plenitude do Espírito onde a palavra de Deus está sendo neutralizada por tantas novidades e heresias que tem encontrado guarida no campo e na seara evangélica brasileira. Nós precisamos voltar para a bíblia e então buscar de Deus um verdadeiro e genuíno avivamento espiritual.

Eu quero orar com você. E eu anseio ardentemente que você entre nesta cruzada conosco. Que você abrace esta causa conosco, para que Deus, com sua imensa graça, nos dê a bênção de ver na nação brasileira uma igreja bíblica, uma igreja fiel, uma igreja verdadeira, uma igreja cheia do Espírito Santo de Deus.


*Mensagem transmitida pela televisão no programa “Verdade e Vida”, em 31 de Outubro de 2009.
Confira o vídeo:  parte 1  e  parte 2 

03 dezembro 2009

IGREJA PRIMITIVA: JARDIM DE INFÂNCIA?

Acabo de ouvir um dos maiores absurdos que já foi dito num debate evangélico. Creio que qualquer cristão sincero concordará comigo.

Costumo ouvir os debates da rádio Melodia, que considero melhores do que os da 93FM, mas, de vez em quando, fico indignado com algumas asneiras que são ditas. Geralmente deixo prá lá, embora lamentando pelos ouvintes que não sabem identificar o erro. Porém, ouvi um absurdo tão grande no debate de hoje, que não posso deixar passar em branco.

Uma certa doutora (a quem não estou julgando) declarou que a igreja evangélica atual não precisa de nenhuma nova reforma, pois o modelo bíblico de igreja, segundo o livro de Atos, simplesmente não deve ser seguido.

Segundo ela, "a igreja primitiva foi a infância da igreja" e agora sim é que a igreja estaria amadurecida. Parece inacreditável, mas foram exatamente estas as palavras da erudita debatedora: "a igreja primitiva foi a infância da igreja"!

O mais grave de tudo é que nenhum dos outros debatedores, alguns de carteirinha, e nem mesmo o moderador do debate, nenhum deles manifestou desaprovação ou sequer surpresa com esta declaração absurda. E, como diz o ditado, "quem cala, consente".

Ainda segundo a doutora, os pastores que alertam para a necessidade de uma nova reforma, estariam prejudicando os membros de suas igrejas. As palavras dela foram tão duras contra estes pastores, que chegaram a ser depreciativas e condenatórias. Talvez ela não saiba que, entre os pastores que alertam para a urgente necessidade de reforma, estão verdadeiros homens de Deus, como o reverendo Hernandes Dias Lopes, no Brasil, o bispo Walter McAlister ou o pastor Paul Washer, nos Estados Unidos.

Ao chamar a igreja do livro de Atos de infantil estaria ela afirmando que os apóstolos brincavam com as coisas de Deus? Será que os auto-consagrados "apóstolos" destes últimos dias são mais cheios do Espírito Santo que os apóstolos Pedro, João e Paulo?

Como se atreve esta doutora a dizer um absurdo tão grande assim?!

Aproveito para desabafar que me sinto angustiado contra este modelo de igreja-empresa que hoje se apresenta, onde o que era pra ser casa de oração virou "casa de show", altar virou "palco" e pastor de ovelhas virou "animador de auditório". Será que estão todos dormindo? Talvez estejam sim, a grande maioria, ou pior ainda: talvez estejam cegos!

Mas as palavras absurdas da doutora apenas refletem a característica deste último período da igreja, no qual a maioria dos pastores receberiam do Senhor a mesma mensagem que foi destinada para a igreja de Laodicéia:

“Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu), aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te.” (Apocalipse 3:17-19 RC)

Mas, alguém ainda quer ouvir falar em zelo e arrependimento?

07 novembro 2009

2012 - VERDADE OU MITO?


Por Alan Capriles

Com estréia prevista para a próxima sexta-feira (13 de Novembro), o filme 2012 promete ser o filme catástrofe do ano. Seu diretor, Roland Emerich, já ficou mundialmente conhecido por dois outros filmes do mesmo gênero, "Independence Day" e "O Dia Depois de Amanhã".

Neste filme, nem o famoso monumento do Cristo Redentor escapa da fúria da natureza. A trama se aproveita da polêmica que circula na internet em torno do calendário Maia. A última data deste calendário é o dia 21 de Dezembro de 2012. Como os maias eram peritos em astronomia, muitos acreditam que eles teriam previsto uma catástrofe astronômica para esta data: o fim do mundo, ou o começo de uma nova era para a humanidade.

Coincidência ou não, circula na internet vídeos que anunciam um raro alinhamento cósmico previsto para esta mesma data. Segundo um documentário do History Channel, veiculado pelo youtube, "em dezembro de 2012 o Sol do solstício vai se alinhar com o centro da nossa galáxia, a Via Láctea. É um raro alinhamento cósmico. Acontece uma vez a cada 26 mil anos. [...] Ao mesmo tempo ocorre outro raro fenômeno astrológico: uma mudança do eixo da Terra em relação à esfera celeste. O fenômeno se chama precessão e a data exata em que se dará este estraordinário alinhamento galático será 21 de Dezembro de 2012." Você pode conferir este vídeo, clicando aqui.

Alguns crêem que, após este alinhamento cósmico, o pólo magnético da Terra (que faz com que as bússolas apontem sempre para o Norte) será alterado e, possivelmente, até invertido. Isto causaria catástrofes climáticas inimagináveis. É a chamada teoria da inversão magnética. Mas, lembre-se: é apenas uma teoria. Ou, talvez, mera especulação.

Acrescente-se a isto a previsão científica de que fortes tempestades solares devem ocorrer em 2012. Como se sabe, a Terra sofre influência dos fenômenos ocorridos no Sol, que, quando intensos, podem gerar fortes alterações climáticas em nosso planeta.

O calendário maia é verídico, existe mesmo, apesar de criado por um povo que já foi extinto. No entanto, ele teria que terminar em alguma data, o que não significa ser o fim do mundo, mas apenas o fim de um calendário, nada mais. Quanto ao alinhamento cósmico - se é que ocorrerá mesmo - pode não exercer nenhuma influência sobre a Terra, devido a distância extremamente absurda que nos encontramos em relação ao centro da Via Láctea.

O que não tem nada de verídico são as especulações de alguns ufólogos e espiritualistas acerca do ano 2012. Eles prevêem a chegada de discos voadores e a passagem pelo sistema solar de um enorme planeta, chamado de Nibiru, o que causaria terríveis terremotos e tempestades na Terra, devido a sua influência gravitacional sobre a mesma. Obviamente, tratam-se de oportunistas, que se aproveitam das especulações em torno de 2012 para se auto-promoverem.

A única previsão correta, astronomicamente falando, é a de um período de intensa atividade solar, fenômeno que ocorre a cada 11 anos. Isto sempre ocorreu, desde que a Terra gira em torno do Sol. O último ciclo de tempestades solares aconteceu em 2001 e, como se sabe, o mundo não acabou. Por que acabaria em 2012?

De qualquer forma, como cristãos, devemos estar sempre vigilantes e consagrados a Deus para o dia de nossa partida. Lembre-se de que alguns de nossos irmãos não chegaram nem sequer ao ano de 2009! Para eles, o Senhor já voltou, não é mesmo? Portanto, não espere por 2012 para levar Deus a sério. "Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus." (Romanos 14:12)

E, se porventura os últimos sinais que antecedem a vinda de Cristo começarem a ocorrer, temos uma clara orientação de nosso Senhor a respeito de como devemos agir:

"Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados. Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima." (Lucas 21:25-28)

Porém, não se esqueça que o Senhor Jesus também nos alertou:

"Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai." (Jesus Cristo, em Mt 24:36)

Portanto, que venha 2012! e 2013, 2014... ou não?


Confira também matéria publicada na Revista Galileu, clicando aqui.

05 novembro 2009

O REVERENDO ESTÁ FORA DO AVIVAMENTO TOTAL


O Reverendo Hernandes Dias Lopes não é mais preletor do Congresso Avivamento Total 2009. Ou melhor, nunca foi realmente.

Contrariando o que está sendo divulgado pelo pastor Jabes Alencar, o site do programa Verdade e Vida divulgou, nesta segunda-feira, 02 de Novembro, que o nome do reverendo Hernandes foi colocado entre os preletores sem a autorização do mesmo. E ainda exige que uma retratação esteja indo ao ar no próximo programa da AD Bom Retiro, como se pode ver nesta notícia que está no site verdadeevida.com.br :


No entanto, o reverendo Hernandes continua sendo divulgado pelo site da AD Bom Retiro como um dos preletores. Ao menos até o presente momento.


A questão é: o que teria levado o pastor Jabes a incluir o nome do reverendo entre os preletores? Pricipalmente sem a confirmação do mesmo! Isto é bastante suspeito...

Não seria uma forma sutil de "moldar" a pregação do reverendo ao estilo de mensagem pregada pelos demais preletores? Somente quem acompanha as mensagens pregadas pelo reverendo Hernandes pode compreender o que estou dizendo. Especialmente quem assistiu suas últimas mensagens, entre as quais devo destacar: "Um clamor por avivamento", "A necessidade do evangelho" e "Reforma: o desafio continua".

As pregações do reverendo Hernandes são totalmente opostas aos demais programas do sábado pela manhã! Ele prega o verdadeiro evangelho de Cristo, que exige arrependimento, renúncia, novo nascimento e frutos de conversão. Suas pregações, por serem puramente bíblicas, contrastam com as mensagens ralas dos demais programas evangélicos. E, certamente, está incomodando.

O título do congresso promovido pela AD Bom Retiro é "Avivamento Total". Para que você faça uma idéia do que é um verdadeiro avivamento, à luz das Escrituras, recomendo que assista este vídeo do reverendo Hernandes Dias Lopes, no qual ele deixa bem claro que avivamento não pode ser agendado pelo homem.

Eu não sou presbiteriano, mas reconheço que o programa Verdade e Vida é o único em que ainda se prega o genuíno evangelho de Cristo. Fica muito difícil enganar as pessoas com um falso evangelho, quando alguém ainda tem coragem de expor o que Jesus realmente ensinou.

Glorifico a Deus pela vida do reverendo Hernandes Dias Lopes. Oremos para que os demais pregadores tenham a mesma coragem, de dizer o que as pessoas precisam ouvir, e não o que desejam ouvir.

Não posso concluir sem acrescentar isto. O reverendo está fora do congresso Avivamento Total justamente porque compreende o que é um verdadeiro avivamento.

30 outubro 2009

A NECESSIDADE DO ARREPENDIMENTO


O evangelho de Jesus Cristo é, antes de tudo, um alerta para a urgente necessidade do arrependimento de pecados. Um pregador que não mencione a importância de arrepender-se, simplesmente não está pregando o evangelho. Pode ser que ele esteja pregando qualquer outra coisa, menos o evangelho de Jesus Cristo.

Pense nisso... quantas vezes, ou qual foi a última vez, que você ouviu um pregador exortar seus ouvintes a que se arrependam? No entanto, a pregação bíblica, principalmente a neotestamentária, é um convite insistente ao arrependimento. Não somente o próprio Senhor Jesus, mas também Pedro, Paulo, os demais apóstolos, e até mesmo João Batista, precursor do Cristo, pregavam assim.

“E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.” (Mateus 3:1-2)

“Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.” (Mateus 4:17)

“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” (Atos 2:38)

“Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam, porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos.” (Paulo, em Atos 17:30-31)

O Senhor Jesus nos deu a ordem: "pregai o evangelho" (Mc 16:15). Ele não disse "pregai motivação e auto-ajuda" ou "pregai vitória e prosperidade" ou ainda "pregai promessas de milagres" - mensagens que são comuns hoje em dia.  Para quem conhece o Novo Testamento, assistir como a mensagem de Cristo tem sido cada vez mais deturpada é algo assustador!

No entanto, o sucesso dos pregadores de ilusões é cumprimento de profecias da Bíblia, dentre as quais destaco a seguinte:

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2 Timóteo 4:3-4 RA)

E a verdade, que a maioria se recusa ouvir, é que sem o verdadeiro arrependimento de pecados, não há salvação. Esta é a verdade. Mas, como se arrependerão, se não houver mais quem pregue sobre o juízo de Deus? Como se arrependerão, se não houver mais quem pregue sobre o pecado? Como se arrependerão, se não houver quem pregue a justiça quem vem pela fé no Senhor Jesus?

Oremos para que o evangelho volte a ser pregado, na unção do Espírito Santo, que convence do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). Oremos para que os pregadores queiram agradar a Deus e não aos homens (Gl 1:10), dizendo-lhes a verdade que precisam ouvir para serem salvos, e não a mentira que desejam ouvir para se sentirem bem. Oremos para que os homens se arrependam com lágrimas (Tg 4:4-10) e realmente se convertam a Cristo (Atos 3:19), a fim de serem reconciliados com Deus e salvos da ira (Rm 5:9-10). Oremos para que não seja pregado legalismo, mas sim a graça da salvação por meio da fé em Jesus Cristo (Ef 2:8). Oremos para que os crentes professos sejam regenerados (1Pe 1:23), e obedeçam a Deus porque houve uma transformação, e não por obrigação (1 João 3:9). Oremos para que hajam verdadeiros cristãos e não esta religiosidade hipócrita, que hoje se vê.

Oremos, porque...
"se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis."
(Jesus Cristo, em Lc 13:3,5)

27 setembro 2009

O SEGREDO DE UM EVANGELISTA


Charles G. Finney

Para honra exclusiva de Deus, contarei um pouco da minha própria experiência no assunto. Fui poderosamente convertido na manhã do dia 10 de outubro. À noitinha do mesmo dia, e na manhã do dia seguinte, recebi batismos irresistíveis do Espírito Santo, que me traspassaram, segundo me pareceu, corpo e alma. 

Imediatamente me achei revestido de tal poder do alto, que umas poucas palavras ditas aqui e ali a indivíduos provocavam a sua conversão imediata. 

Parecia que minhas palavras se fixavam como flechas farpadas na alma dos homens. Cortavam como espada; partiam como martelo os corações. Multidões podem confirmar isso. Muitas vezes uma palavra proferida, sem que disso eu me lembrasse, trazia convicção, resultando, em muitos casos, na conversão quase imediata.

Algumas vezes me achava vazio desse poder: saía a fazer visitas e verificava que não causava nenhuma impressão salvadora. Exortava e orava, com o mesmo resultado.

Separava então um dia para jejum e oração, temendo que o poder me houvesse deixado e indagando ansiosamente pela razão desse estado de vazio.

Após ter-me humilhado e clamado por auxílio, o poder voltava sobre mim em todo o seu vigor. Tem sido essa a experiência da minha vida.

Poderia encher um volume com a história da minha própria experiência e observação com respeito a esse poder do alto. É um fato que se pode perceber e observar, mas é um grande mistério. [...]

Esse poder é uma grande maravilha! Muitas vezes já vi pessoas incapazes de suportar a palavra. As declarações mais simples e comuns cortavam os homens como espada, onde se achavam sentados, tirando-lhes a força física e tornando-os desamparados como mortos. Várias vezes já fiquei impossibilitado de levantar a voz, ou de falar em oração ou exortar a não ser de modo bem suave, sem dominar inteiramente os presentes. Não que eu pregasse de modo a aterrorizar o povo: os mais doces sons do evangelho os submergiam. Parece que às vezes esse poder permeia o ambiente das pessoas que o possuem. Muitas vezes em uma comunidade grande número de pessoas é revestido desse poder, e então toda a atmosfera do lugar parece ficar impregnada com a vida de Deus. Os estranhos que ali chegam de fora, de passagem pelo lugar, são, de repente, tomados de convicção de pecado e, em muitos casos, se convertem a Cristo.

Quando os cristãos se humilham e consagram novamente a Cristo tudo o que possuem, pedindo então esse poder, recebem muitas vezes esse batismo e se tornam instrumentos da conversão de mais almas em um dia do que em toda a sua vida até então. Enquanto os crentes permanecem humildes bastante para continuar de posse desse poder, a obra da conversão prossegue até que comunidades e mesmo regiões inteiras se convertem a Cristo. O mesmo acontece com pastores.
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Charles G. Finney

Trecho do livro "Uma Vida Cheia do Espírito"

23 setembro 2009

SEM CUSTOS PARA SUA IGREJA?



Na semana passada recebi em meu orkut a propaganda de uma tal "Conferência de Milagres e Finanças". Eu estava prestes a deletar o "scrap" quando uma frase naquele folder chamou minha atenção. Em letras amarelas, a frase dizia: "sem custos para sua igreja".

Mas, como assim, sem custos para a sua igreja? Pareceu-me óbvio que aquilo não era verdade. Como já estou enojado deste tipo de artimanha, decidi não ignorar desta vez. Respondi ao "scrap", somente para ter certeza de que era mesmo um golpe.

Eis o que escrevi para o tal conferencista:

"Recebi a propaganda da Conferência em meu orkut. Fiquei curioso:
Como assim, "sem custos para a sua igreja"?
Nestes dias de comércio da fé (2 Pe 2:3) acho quase impossível que um pregador itinerante se contente apenas com a gasolina e um lanche no final do culto.
Sei que ainda existem, pois, pela graça de Deus, eu mesmo nunca cobrei para pregar, ou palestrar. Nem exigi vendagem de cds, apesar de tê-los. Muito menos jamais combinei que a oferta (ou uma porcentagem dela) viesse pro meu bolso. A oferta, assim como o dízimo, é do SENHOR. (Ml 3:8)
É realmente sem custo para a igreja? Lembrando que a igreja são os membros que a compõem. Se for, quero parabenizá-lo por isso.
Aguardo, por gentileza, um esclarecimento."

Como eu suspeitava que ele fosse apagar minha resposta, fiz logo um "print screen" desta conversa, e a tenho arquivada. De fato, quando me respondeu, conferi que ele já havia mesmo apagado o que lhe escrevi.

E, como resposta, obtive apenas um cínico:
"obrigado pelo carinho"

Digo cínico, porque se minha resposta tivesse sido realmente interpretada como um gesto de carinho, ele não a teria deletado de sua página de recados. Não satisfeito, escrevi novamente:

"Apesar de perceber que a resposta que lhe enviei foi apagada, ainda tenho esperanças de saber mais a respeito da gratuidade do seu evento."

Desta vez ele não me respondeu mais, e deletou novamente o que lhe escrevi.

O que teria causado raiva neste conferencista de prosperidade, a ponto de apagar meus recados e não mais me responder?

Talvez tenha sido o texto de 2 Pe 2:3, que declara:
“também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.” (2 Pedro 2:3 RA)

Ou talvez ele tenha ficado com raiva pela surpresa de saber que ainda existem pregadores que não cobram absolutamente nada para pregar a palavra de Deus. E nem exigem a venda de qualquer material.

Ou quem sabe não tenha ficado com raiva de mim, mas do profeta Malaquias, que nos alerta o perigo de tocar nos dízimos e ofertas. Afinal, os roubadores não herdarão o reino de Deus (1 Co 6:10).

De uma coisa tenho certeza: não é sem custos para a igreja. Pois ainda que, excepcionalmente, o conferencista não cobrasse nada, parte de seus ensinos são pura heresia, como eu pude conferir no orkut dele, e divulgo abaixo.




E isto sim, o ensino de heresias, é o maior custo para a igreja. Ou alguém concordaria que é bíblico constranger os membros a dar dízimo de 20 porcento? E quanto a Deus cancelar dívidas? Estaria Deus apoiando a inadimplência? Até onde sei, a Bíblia ensina que não devemos dever nada, o que é muito diferente de não pagar nada.

Mas o pior foi constatar que diversos pastores responderam com bastante entusiasmo ao conferencista! O que será que os animou tanto? Acreditar que alguém faria uma conferência de graça, ou sonhar com seus membros dando 20 porcento de dízimo? Talvez eles não tenham percebido que, onde deveria dizer que os membros se comprometem, estava escrito "compromentem".

 
Como se vê, o diabo sempre deixa o rabinho aparecendo em algum lugar.

“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.” (Mateus 7:15 RA)

 

14 setembro 2009

POR QUE TARDA O AVIVAMENTO?

O impressionante texto abaixo foi escrito em 1959, mas nunca esteve tão atual e urgentemente necessário.

Antes de tudo, quero lembrar que "avivamento" nada tem haver com pula-pula, gritaria, ou cai-cai. Trata-se de um despertamento espiritual e pleno para Deus e sua vontade, resultando em vidas realmente convertidas a Cristo. Nada parecido com os supostos "cultos de avivamento" propagados em nossos dias.

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Por Leonard Ravenhill

Por que tarda o avivamento? A resposta é muito simples.

Tarda porque os pregadores e evangelistas estão mais preocupados com dinheiro, fama e aceitação pessoal, do que em levar os perdidos ao arrependimento.


Tarda porque nossos cultos evangelísticos parecem mais shows teatrais do que pregação do evangelho.


O avivamento tarda porque os evangelistas de hoje têm receio de falar contra as falsas religiões.

Elias zombou dos profetas de Baal, e debochou da sua incapacidade de fazer chover. Seria melhor que saíssemos à noite (como fez Gideão), e derrubássemos os postes-ídolos dos falsos deuses, do que deixar de realizar a vontade de Deus. As seitas anticristãs e as religiões ímpias desta nossa hora final constituem um insulto contra Deus. Será que ninguém fará soar o alarme?
Por que não protestamos? Se tivéssemos metade da importância que julgamos ter e um décimo do poder que pensamos possuir, estaríamos recebendo um batismo de sangue, tanto quanto recebemos de água e fogo.
As portas das igrejas da Inglaterra se fecharam para João Wesley. E um de seus críticos disse que “ele e seus tolos pregadores leigos — esses grupos de funileiros, garis, carroceiros e limpadores de chaminés — estão saindo por aí a envenenar a mente das pessoas”. Que linguagem abusiva! Mas Wesley não tinha medo nem de homens nem de demônios. E se Whitefield era ridicularizado nas peças de teatro da Inglaterra da maneira mais vergonhosa possível, e se os cristãos do Novo Testamento foram apedrejados e sofreram todo tipo de ignomínia, por que será que nós, hoje em dia, não provocamos mais a ira do inferno, já que o pecado e os pecadores continuam sempre os mesmos? Por que será que somos tão gelados e enfadonhos? É bem verdade que pode haver muito tumulto sem avivamento. Mas, à luz do ensino bíblico e da história da igreja, não podemos ter avivamento sem tumulto.

O avivamento tarda porque não temos mais intensidade e fervor na oração.
Há algum tempo, um famoso pregador, ao iniciar uma série de conferências, fez a seguinte declaração: “Vim para esta série de conferências com grande desejo de orar. Agora peço àqueles que gostariam de carregar junto comigo esse peso que ergam uma das mãos, e que ninguém seja hipócrita”.
Um bom número de pessoas levantou a mão. Mas, lá pelo meio da semana, quando alguns resolveram promover uma vigília, o grande pregador foi dormir. Que hipocrisia!
Já não existe mais integridade. Tudo é superficial. O fator que mais retarda a vinda de um avivamento do Espírito Santo é essa ausência de angústia de alma. Em vez de buscarmos a propagação do reino de Deus, estamos fazendo mais propaganda. Que loucura! Quando Tiago (5.17) diz que Elias “orou”, estava acrescentando um valioso adendo à biografia dele registrada no Velho Testamento. Sem essa observação, ao lermos ali: “Elias profetizou”, concluiríamos que a oração não fez parte da vida dele.

Em nossas orações ainda não resistimos até o sangue; não mesmo. Como diz Lutero, “nem ao menos fizemos suar nossa alma”. Oramos com uma atitude tipo “o que vier está bom”. Deixamos tudo ao acaso. Nossas orações não nos custam nada. Nem mesmo demonstramos forte desejo de orar. Fica tudo na dependência de nossa disposição, e por isso oramos de forma intermitente e espasmódica.
A única força diante da qual Deus se rende é a oração. Escrevemos muito sobre o poder da oração, mas ao orar não temos aquele espírito de luta. Nós fazemos tudo: exibimos nossos dons espirituais ou naturais; expomos nossas opiniões, políticas ou religiosas; pregamos sermões ou escrevemos livros para corrigir desvios doutrinários. Mas quem quer orar e atacar as fortalezas do inferno? Quem irá resistir ao diabo? Quem quer privar-se de alimento, descanso e lazer, para que os infernos o vejam lutando, envergonhando os demônios, libertando os cativos, esvaziando o inferno, e sofrendo as dores de parto para deixar atrás de si uma fileira de pessoas lavadas pelo sangue de Cristo?


Em último lugar, o avivamento tarda porque roubamos a glória que pertence a Deus.
Reflitamos um pouco sobre essas palavras de Jesus: “Eu não aceito glória que vem dos homens”. “Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros, e contudo não procurais a glória que vem do Deus único?” (Jo 5.41,44.) Chega de toda essa autopromoção nos púlpitos. Chega de tanto exaltar “meu programa de rádio”, “minha igreja”, “meus livros”. Ah, que repulsiva demonstração carnal vemos nos púlpitos: “Hoje, temos o grande privilégio...” E os pregadores aceitam isso; não, eles já o esperam. (E se esquecem de que só estão ali pela graça de Deus.) E a vaidade é que, quando ouvimos tais homens pregar, notamos que nunca ficaríamos sabendo que eram tão importantes, se não tivessem sido apresentados como tal.

Coitado de Deus! Ele não está recebendo muita glória! Então, por que ele ainda não cumpriu sua terrível mas bendita ameaça de que iria vomitar-nos de sua boca? Nós fracassamos; estamos impuros. Apreciamos os louvores dos homens. Buscamos nossos próprios interesses. Ó Deus, liberta-nos dessa existência egoística, egocêntrica! Dá-nos a bênção do quebrantamento! O juízo deve começar por nós, pelos pregadores!

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Trecho do livro "Por que Tarda o Pleno Avivamento?"
Leonard Ravenhill

11 setembro 2009

CONFRONTANDO A IGREJA PÓS-MODERNA


Este é um teste que deve ser respondido com sinceridade, seriedade e, obviamente, à luz da palavra de Deus. O objetivo é que venhamos refletir naquilo que se apresenta hoje como igreja evangélica.

Pense nisso e responda se quiser:

1. O Evangelho
O genuíno evangelho de Jesus Cristo é o que tem sido pregado?

2. A Salvação
Uma pessoa é salva somente porque repetiu uma oração, supostamente “aceitando Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador”? Se não, porque se diz para alguém que repetiu esta oração que agora o seu nome está no livro da vida? Nascer de novo se resume nisto, em levantar a mão e fazer uma oração?

3. A Pregação
O tempo concedido para a pregação tem sido suficiente? Ele é maior que o tempo concedido para outras partes do culto, tais como apresentações musicais, por exemplo?

4. A Adoração
A adoração deve ser entendida como sendo somente o período de louvor no culto? Se não, por que esta parte do culto é chamada de adoração? O restante é o que, então?

5. O Ofertório
A maioria das pessoas tem ofertado sem constrangimento? Elas tem sido ensinadas a ofertar por amor, ou por interesse de algo em troca?

6. O Altar
O altar é um lugar onde somente Deus tem sido exaltado? Ou cada vez mais o altar se parece com um palco para apresentações?

7. O Comércio
É correto a igreja receber cantores e pregadores que estipulem “cachê”? Se sim, qual a base bíblica para isso? Se não, por que tal coisa se tornou uma prática?

8. A Igreja
É correto que uma igreja seja avaliada pelo número de membros que a compõe?

9. O Culto
As orientações de Paulo em relação a ordem no culto (1 Cor 14:23-32) devem ser ignoradas?

10. O Pastor
Pastor que não conhece de perto as ovelhas do Senhor (que ele deve apascentar) é, de fato, um pastor? Se não, por que cantores gospel, que não tem tempo de apascetar ovelhas, recebem o ministério pastoral?

07 fevereiro 2009

SEJA UM CRISTÃO PERSEGUIDO

Por Alan Capriles
Se você não é novo no meio evangélico, certamente já ouviu falar nos “cristãos perseguidos”. São assim chamados nossos irmãos que vivem nas nações onde o cristianismo é proibido. Não duvido que estes missionários realmente paguem um alto preço para se apregoar o evangelho, muitas vezes pagando com a própria vida. O que me deixa preocupado é que raramente se sabe de um cristão perseguido em nosso país. A tal ponto que o termo “cristão perseguido” virou sinônimo apenas de crentes que vivem na janela 10x40.
Será que um cristão precisa viver em outras nações, como a Coréia do Norte, o Irã ou a Arábia Saudita para ser perseguido? O apóstolo Paulo declarou enfaticamente que “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12 RA) Como se percebe, meditando neste versículo, não é a localidade que torna um cristão perseguido, mas a qualidade do seu cristianismo.
Não creio que Paulo estivesse exagerando. A perseguição é a conseqüência inevitável de uma vida cristã autêntica, o preço a se pagar por preferir agradar a Deus e não aos homens. Desta forma, a quase ausência de cristãos perseguidos em nosso país reflete a superficialidade do evangelho vivido pela maioria dos crentes brasileiros.
Ou será que eu é que estou exagerando? Creio que não. Quanto mais medito na palavra de Deus – especialmente nos evangelhos, no livro de Atos e nas epístolas – mais me dou conta de quão superficial tem sido a mensagem pregada na maioria das igrejas. Suponho que no afã pelo aumento do número de membros, muitos pregadores não dizem mais o que se precisa ouvir, mas buscam pregar apenas o que se deseja ouvir. Mensagens triunfalistas estão na moda, especialmente aquelas que não exigem nenhum concerto para se obter o favor de Deus. Uma igreja caracterizada por mensagens de auto-motivação certamente vai crescer mais rápido que as igrejas onde se prega o verdadeiro evangelho; porque esta mensagem exige arrependimento, conversão e compromisso com Deus, enquanto aquela se trata de uma mensagem humanista, centralizada no homem e não em Cristo.
O rápido crescimento destas igrejas não me fascina, porque não me ilude. Quando penso nisso me lembro de um jardim que está sob meus cuidados. Toda semana preciso arrancar o mato e as ervas daninhas que surgem naquele jardim. É impressionante como elas crescem rápido! Em poucos dias elas ultrapassam o tamanho das belas plantas ornamentais, que levaram meses para crescer. Mas quando vou arrancá-las, aquelas ervas daninhas saem com a maior facilidade, porque não tem raiz profunda. Aliás, quase não tem raiz nenhuma! Será que não é este o problema da igreja contemporânea? O número de evangélicos tem crescido rapidamente, mas o evangelho pregado para maioria destes crentes não tem tido profundidade alguma. Como conseqüência, muitos crentes da atualidade não se parecem com Cristo, pois não tem compromisso com seu evangelho.
A realidade é que os crentes de hoje não são mais perseguidos. Pelo menos, não no Brasil. E por que seriam? Afinal, eles não mais incomodam. Eles estão cada vez mais parecidos com o mundo! Percebo que a maioria destes não quer se indispor com ninguém; preferem fazer “vista grossa” para o erro dos outros. A filosofia do “to nem aí” e do “não tem nada a ver” está ganhando muitos adeptos nas igrejas. São crentes que não se posicionam, que não definem claramente de qual lado estão, se da carne, ou do Espírito. São como os crentes mornos da igreja de Laodicéia, que o Senhor estava a ponto de vomitar. (Apocalipse 3:16)
Deste modo, se você se preocupa em agradar a todos, talvez esteja enganado com o evangelho (Gl 1:10). Nosso Senhor foi bem claro: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros” (Jo 15:20). Quanto mais nos parecemos com Cristo, mais seremos perseguidos, assim como ele mesmo sofreu perseguição. Chegaram a ponto de acusá-lo de estar endemoninhado e, a respeito disso, ele nos alertou: “Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?” (Mateus 10:25)
Nenhum de nós é melhor do que Jesus (Lc 6:40). Como é que alguém pode ousar dizer-se cristão sem ser odiado por ninguém? O próprio Senhor denunciou esta hipocrisia, quando asseverou: “Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas.” (Lucas 6:26 RA) Em outras palavras, para um crente ser louvado por todos, basta que ele seja falso.
Portanto, se um crente não sofre nenhum tipo de perseguição é hora de rever seu cristianismo. Mas quero concluir lembrando que vale muito a pena ser perseguido por amor a Cristo. E que esta bem-aventurança conforte você, assim como tem fortalecido a mim, toda vez que descubro ser um cristão perseguido em minha própria nação.
“Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.” (Mateus 5:11-12 RA)
Por Alan Capriles