sexta-feira, 13 de abril de 2012

A ESCOLHA ENTRE A VERDADE OU A TRADIÇÃO


Por Alan Capriles

Qualquer um que se aventure pela senda do conhecimento, mais cedo ou mais tarde terá que se decidir entre a verdade, ou a tradição. Lamento dizer, mas nem tudo o que aprendemos como verdade absoluta é, de fato, a completa verdade. Boa parte daquilo que aprendemos desde a infância nada mais é que um paradigma, sem muita consistência racional, mas consolidado por gerações como regra geral na sociedade.

A busca pelo conhecimento, no entanto, nos ajuda a identificar o que é verdade e o que é paradigma. Quando algum paradigma diz respeito a comportamentos sociais, ou a crenças históricas, o problema não costuma ser tão sério. Mas quando o paradigma diz repeito a assuntos religiosos, prepare-se para o martírio, pois não há nada que cause mais furor nas pessoas do que alguém questionar seu alegado relacionamento com Deus. Por mais que se comprove a verdade, muitos preferem continuar na prática daquilo que chamam de tradição. E a tradição é a continuidade daquilo que os antigos acreditavam, mas que ninguém se aventura a questionar, pois, afinal de contas, se crê nisso há tanto tempo, mas tanto tempo, que só pode ser verdade... Mas, nem sempre é verdade. Alias, quase sempre é mentira.

Jesus denunciava publicamente o erro das tradições religiosas de sua época. No chamado “sermão da montanha”, por exemplo, Jesus começa muitos ensinamentos com a frase: “Ouvistes o que foi dito aos antigos... Mas eu, porém, vos digo...” O que foi dito aos antigos era a tradição, aquele paradigma que ninguém ousava questionar. O que Jesus, porém, dizia era a verdade, a verdade que ele ousava falar. E todos nós sabemos o que os religiosos fizeram para calar Jesus.

Como se vê, dizer a verdade tem um alto custo no meio religioso, podendo custar a própria vida. Mas, na maioria das vezes, o preço por defender a verdade é ser chamado de herege, traidor, ou, no mínimo, esquisito. Não estou com isso dizendo que qualquer um que seja chamado de herege esteja com a verdade. Estou ciente que, mais do que em qualquer outra época, existem hoje muitas pessoas ensinando heresias destruidoras. Por outro lado, também existem aqueles que, por questionar alguma tradição religiosa, são taxados como hereges. E ninguém quer ser chamado de herege, pois isso significa perder amigos, familiares e, em alguns casos, a boa fama e o prestígio.

É justamente quando alguém se dá conta disso, do alto custo de se questionar uma tradição, que tal pessoa precisa escolher entre a verdade que descobriu, ou a crença equivocada de sua religião. E é lamentável que muitos eruditos prefiram a segunda opção. Tal como os intérpretes da Lei, a maioria dos eruditos da Bíblia tem a chave do reino de Deus, que é o conhecimento da verdade, mas não entram e, com isso, se tornam o maior empecilho para que os leigos sejam libertos pela verdade.

Como eu disse no início, qualquer um que se aventure pela senda do conhecimento, mais cedo ou mais tarde terá que se decidir entre a verdade, ou a tradição. Mas, perceba que, para se chegar à verdade, é preciso trilhar o longo caminho do conhecimento, caminho esse que também requer um custo, tanto financeiro, quanto mental e físico.

O custo financeiro é o dinheiro que você precisará gastar adquirindo livros, fazendo cursos, ou mesmo fazendo viagens para entrevistar pessoas, conhecer lugares e participar de eventos. Será necessário abrir mão de gastar dinheiro com vaidades, para se investir em conhecimento.  O custo mental é, obviamente, o esforço para ler livros, estudar contradições e chegar a conclusões. E o custo físico não é outro, senão abrir mão do descanso e da diversão para se dedicar a árdua tarefa de se buscar a verdade.

Mas existem algumas armadilhas na senda do conhecimento, a respeito das quais ainda pretendo escrever. Perigos tais como ficar fascinado por algum mestre, caindo no equívoco de não questionar mais nada que ele diga. Infelizmente, muitos caem nessa armadilha e ficam pelo meio do caminho, tornando-se discípulos de homens, e não discípulos da verdade.

Minha esperança, ao escrever este artigo, é que de alguma forma estas palavras o incentivem a continuar sua busca pela verdade. Você não a encontrará se permanecer sempre dentro do mesmo círculo. Você terá que abrir sua mente. Você não a encontrará a verdade se visitar somente livrarias evangélicas. Espero que você já tenha compreendido que uma coisa é ser evangélico, e outra, muito mais profunda, é ser discípulo de Cristo. Evangélicos, assim como católicos, amam suas tradições mais do que a verdade. Portanto, não tenha medo de ouvir e de ler o que outros têm a dizer, por mais que o seu meio religioso os condene como hereges. Talvez eles sejam mesmo hereges, mas talvez não. Você só poderá saber por sua própria investigação. Investigue! Talvez você descubra que alguns “hereges” são mais fiéis a Cristo que seus líderes religiosos, pois esses defendem suas complicadas tradições, enquanto aqueles defendem a simples e pura verdade... E quanto a você, qual é a sua escolha?

Alan Capriles

5 comentários:

Alan Capriles disse...

"Qualquer um que se aventure pela senda do conhecimento, mais cedo ou mais tarde terá que se decidir entre a verdade, ou a tradição. Lamento dizer, mas nem tudo o que aprendemos como verdade absoluta é, de fato, a completa verdade. Boa parte daquilo que aprendemos desde a infância nada mais é que um paradigma..."
Para se compreender como nascem os paradigmas, aconselho o seguinte vídeo:
http://youtu.be/g5G0qE7Lf0A

Pr. J. Fabio F. Scofield disse...

Olá Amado Pastor Alan, Graça e Paz...

Fiquei maravilhado com a coragem do seu texto, e posso dizer que o seu tema é bíblico.O próprio Deus ao se relacionar com Israel, diante dos seus inumeráveis erros de conduta; o Senhor quando ia castiga-los, antes ele dizia:Vinde, pois, e Argüi-me,diz o Senhor; (Arrazoemos), a mesma frase usada pelo Senhor Jesus nas suas parábolas, quando ele queria expressar uma máxima.Isto prova que a verdade sempre libertará, e a religião sempre escravizará.
Um forte abraço.....

René disse...

Alan, meu caríssimo amigo,

É interessante: há dois dias eu falava sobre isso com uma pessoa religiosa e, após alguns exemplos do que é dito por Jesus e do que é dito pela tradição, a pessoa disse que seguir essa idéia provocaria uma revolução mundial. Então eu a lembrei que foi exatamente isto que Jesus provocou...

Quanto à busca por conhecimento, no início do século XIX, Charles Finney (na qualidade de professor de teologia) dizia: "Os cursos de teologia deveriam ensinar as pessoas a orar e a ter intimidade com Deus". Ou seja, sem o acompanhamento do Espírito Santo, que nos ensina todas as coisas, todo o conhecimento do mundo se torna vão.

Ótima postagem!

Forte abraço e continue na Paz!

Regina Farias disse...

Pastor,

Que texto maravilhoso!
Erroneamente, alguns crentes simplistas e resistentes(E preguiçosos!!!) alegam que Jesus não exigia estudo já que Pedro e outros eram meros pescadores. E quanto ao excelente preparo de Paulo? Deste, eles só querem se apegar neuroticamente a normas que ele cita por questões disciplinares e dentro daquele contexto. Outros mais 'viajados', baseados em um versículo solto, acreditam piamente que o Espírito Santo vai lhes ensinar o que for preciso, como se fosse mágica, ali, na hora agá, feito caldo de cana. Enfim, é uma eterna salada incoerente repassada como em telefone sem fio, enquanto o Pai continua dizendo 'meu povo sofre por falta de entendimento'.

Estes, que ironicamente, usam o nome de Jesus em tudo, são exatamente os que estão tentando matá-Lo, só que desta feita, dentro dos corações das pessoas que a eles se reúnem para fazerem culto 'em nome de Jesus'. Vá entender...

Tô forinha dessa (con)tradição maluca!

Deus te abençõe!

R.

p.s.: e pra esses que gostam de citar versículos soltos das cartas de Paulo, lá vai um:

'Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, BEM COMO OS LIVROS, ESPECIALMENTE, OS PERGAMINHOS'. (2Tm 4.13)caps meus :)

Alan Capriles disse...

Queridos amigos,
Fábio, René e Regina

Não consegui responder a tempo seus comentários, mas fico feliz que vocês tenham contribuído para enriquecer o tema proposto. É muito bom tê-los sempre por aqui!

Deus lhes abençoe cada dia mais!