27 setembro 2009

O SEGREDO DE UM EVANGELISTA


Charles G. Finney

Para honra exclusiva de Deus, contarei um pouco da minha própria experiência no assunto. Fui poderosamente convertido na manhã do dia 10 de outubro. À noitinha do mesmo dia, e na manhã do dia seguinte, recebi batismos irresistíveis do Espírito Santo, que me traspassaram, segundo me pareceu, corpo e alma. 

Imediatamente me achei revestido de tal poder do alto, que umas poucas palavras ditas aqui e ali a indivíduos provocavam a sua conversão imediata. 

Parecia que minhas palavras se fixavam como flechas farpadas na alma dos homens. Cortavam como espada; partiam como martelo os corações. Multidões podem confirmar isso. Muitas vezes uma palavra proferida, sem que disso eu me lembrasse, trazia convicção, resultando, em muitos casos, na conversão quase imediata.

Algumas vezes me achava vazio desse poder: saía a fazer visitas e verificava que não causava nenhuma impressão salvadora. Exortava e orava, com o mesmo resultado.

Separava então um dia para jejum e oração, temendo que o poder me houvesse deixado e indagando ansiosamente pela razão desse estado de vazio.

Após ter-me humilhado e clamado por auxílio, o poder voltava sobre mim em todo o seu vigor. Tem sido essa a experiência da minha vida.

Poderia encher um volume com a história da minha própria experiência e observação com respeito a esse poder do alto. É um fato que se pode perceber e observar, mas é um grande mistério. [...]

Esse poder é uma grande maravilha! Muitas vezes já vi pessoas incapazes de suportar a palavra. As declarações mais simples e comuns cortavam os homens como espada, onde se achavam sentados, tirando-lhes a força física e tornando-os desamparados como mortos. Várias vezes já fiquei impossibilitado de levantar a voz, ou de falar em oração ou exortar a não ser de modo bem suave, sem dominar inteiramente os presentes. Não que eu pregasse de modo a aterrorizar o povo: os mais doces sons do evangelho os submergiam. Parece que às vezes esse poder permeia o ambiente das pessoas que o possuem. Muitas vezes em uma comunidade grande número de pessoas é revestido desse poder, e então toda a atmosfera do lugar parece ficar impregnada com a vida de Deus. Os estranhos que ali chegam de fora, de passagem pelo lugar, são, de repente, tomados de convicção de pecado e, em muitos casos, se convertem a Cristo.

Quando os cristãos se humilham e consagram novamente a Cristo tudo o que possuem, pedindo então esse poder, recebem muitas vezes esse batismo e se tornam instrumentos da conversão de mais almas em um dia do que em toda a sua vida até então. Enquanto os crentes permanecem humildes bastante para continuar de posse desse poder, a obra da conversão prossegue até que comunidades e mesmo regiões inteiras se convertem a Cristo. O mesmo acontece com pastores.
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Charles G. Finney

Trecho do livro "Uma Vida Cheia do Espírito"

23 setembro 2009

SEM CUSTOS PARA SUA IGREJA?



Na semana passada recebi em meu orkut a propaganda de uma tal "Conferência de Milagres e Finanças". Eu estava prestes a deletar o "scrap" quando uma frase naquele folder chamou minha atenção. Em letras amarelas, a frase dizia: "sem custos para sua igreja".

Mas, como assim, sem custos para a sua igreja? Pareceu-me óbvio que aquilo não era verdade. Como já estou enojado deste tipo de artimanha, decidi não ignorar desta vez. Respondi ao "scrap", somente para ter certeza de que era mesmo um golpe.

Eis o que escrevi para o tal conferencista:

"Recebi a propaganda da Conferência em meu orkut. Fiquei curioso:
Como assim, "sem custos para a sua igreja"?
Nestes dias de comércio da fé (2 Pe 2:3) acho quase impossível que um pregador itinerante se contente apenas com a gasolina e um lanche no final do culto.
Sei que ainda existem, pois, pela graça de Deus, eu mesmo nunca cobrei para pregar, ou palestrar. Nem exigi vendagem de cds, apesar de tê-los. Muito menos jamais combinei que a oferta (ou uma porcentagem dela) viesse pro meu bolso. A oferta, assim como o dízimo, é do SENHOR. (Ml 3:8)
É realmente sem custo para a igreja? Lembrando que a igreja são os membros que a compõem. Se for, quero parabenizá-lo por isso.
Aguardo, por gentileza, um esclarecimento."

Como eu suspeitava que ele fosse apagar minha resposta, fiz logo um "print screen" desta conversa, e a tenho arquivada. De fato, quando me respondeu, conferi que ele já havia mesmo apagado o que lhe escrevi.

E, como resposta, obtive apenas um cínico:
"obrigado pelo carinho"

Digo cínico, porque se minha resposta tivesse sido realmente interpretada como um gesto de carinho, ele não a teria deletado de sua página de recados. Não satisfeito, escrevi novamente:

"Apesar de perceber que a resposta que lhe enviei foi apagada, ainda tenho esperanças de saber mais a respeito da gratuidade do seu evento."

Desta vez ele não me respondeu mais, e deletou novamente o que lhe escrevi.

O que teria causado raiva neste conferencista de prosperidade, a ponto de apagar meus recados e não mais me responder?

Talvez tenha sido o texto de 2 Pe 2:3, que declara:
“também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.” (2 Pedro 2:3 RA)

Ou talvez ele tenha ficado com raiva pela surpresa de saber que ainda existem pregadores que não cobram absolutamente nada para pregar a palavra de Deus. E nem exigem a venda de qualquer material.

Ou quem sabe não tenha ficado com raiva de mim, mas do profeta Malaquias, que nos alerta o perigo de tocar nos dízimos e ofertas. Afinal, os roubadores não herdarão o reino de Deus (1 Co 6:10).

De uma coisa tenho certeza: não é sem custos para a igreja. Pois ainda que, excepcionalmente, o conferencista não cobrasse nada, parte de seus ensinos são pura heresia, como eu pude conferir no orkut dele, e divulgo abaixo.




E isto sim, o ensino de heresias, é o maior custo para a igreja. Ou alguém concordaria que é bíblico constranger os membros a dar dízimo de 20 porcento? E quanto a Deus cancelar dívidas? Estaria Deus apoiando a inadimplência? Até onde sei, a Bíblia ensina que não devemos dever nada, o que é muito diferente de não pagar nada.

Mas o pior foi constatar que diversos pastores responderam com bastante entusiasmo ao conferencista! O que será que os animou tanto? Acreditar que alguém faria uma conferência de graça, ou sonhar com seus membros dando 20 porcento de dízimo? Talvez eles não tenham percebido que, onde deveria dizer que os membros se comprometem, estava escrito "compromentem".

 
Como se vê, o diabo sempre deixa o rabinho aparecendo em algum lugar.

“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.” (Mateus 7:15 RA)

 

14 setembro 2009

POR QUE TARDA O AVIVAMENTO?

O impressionante texto abaixo foi escrito em 1959, mas nunca esteve tão atual e urgentemente necessário.

Antes de tudo, quero lembrar que "avivamento" nada tem haver com pula-pula, gritaria, ou cai-cai. Trata-se de um despertamento espiritual e pleno para Deus e sua vontade, resultando em vidas realmente convertidas a Cristo. Nada parecido com os supostos "cultos de avivamento" propagados em nossos dias.

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Por Leonard Ravenhill

Por que tarda o avivamento? A resposta é muito simples.

Tarda porque os pregadores e evangelistas estão mais preocupados com dinheiro, fama e aceitação pessoal, do que em levar os perdidos ao arrependimento.


Tarda porque nossos cultos evangelísticos parecem mais shows teatrais do que pregação do evangelho.


O avivamento tarda porque os evangelistas de hoje têm receio de falar contra as falsas religiões.

Elias zombou dos profetas de Baal, e debochou da sua incapacidade de fazer chover. Seria melhor que saíssemos à noite (como fez Gideão), e derrubássemos os postes-ídolos dos falsos deuses, do que deixar de realizar a vontade de Deus. As seitas anticristãs e as religiões ímpias desta nossa hora final constituem um insulto contra Deus. Será que ninguém fará soar o alarme?
Por que não protestamos? Se tivéssemos metade da importância que julgamos ter e um décimo do poder que pensamos possuir, estaríamos recebendo um batismo de sangue, tanto quanto recebemos de água e fogo.
As portas das igrejas da Inglaterra se fecharam para João Wesley. E um de seus críticos disse que “ele e seus tolos pregadores leigos — esses grupos de funileiros, garis, carroceiros e limpadores de chaminés — estão saindo por aí a envenenar a mente das pessoas”. Que linguagem abusiva! Mas Wesley não tinha medo nem de homens nem de demônios. E se Whitefield era ridicularizado nas peças de teatro da Inglaterra da maneira mais vergonhosa possível, e se os cristãos do Novo Testamento foram apedrejados e sofreram todo tipo de ignomínia, por que será que nós, hoje em dia, não provocamos mais a ira do inferno, já que o pecado e os pecadores continuam sempre os mesmos? Por que será que somos tão gelados e enfadonhos? É bem verdade que pode haver muito tumulto sem avivamento. Mas, à luz do ensino bíblico e da história da igreja, não podemos ter avivamento sem tumulto.

O avivamento tarda porque não temos mais intensidade e fervor na oração.
Há algum tempo, um famoso pregador, ao iniciar uma série de conferências, fez a seguinte declaração: “Vim para esta série de conferências com grande desejo de orar. Agora peço àqueles que gostariam de carregar junto comigo esse peso que ergam uma das mãos, e que ninguém seja hipócrita”.
Um bom número de pessoas levantou a mão. Mas, lá pelo meio da semana, quando alguns resolveram promover uma vigília, o grande pregador foi dormir. Que hipocrisia!
Já não existe mais integridade. Tudo é superficial. O fator que mais retarda a vinda de um avivamento do Espírito Santo é essa ausência de angústia de alma. Em vez de buscarmos a propagação do reino de Deus, estamos fazendo mais propaganda. Que loucura! Quando Tiago (5.17) diz que Elias “orou”, estava acrescentando um valioso adendo à biografia dele registrada no Velho Testamento. Sem essa observação, ao lermos ali: “Elias profetizou”, concluiríamos que a oração não fez parte da vida dele.

Em nossas orações ainda não resistimos até o sangue; não mesmo. Como diz Lutero, “nem ao menos fizemos suar nossa alma”. Oramos com uma atitude tipo “o que vier está bom”. Deixamos tudo ao acaso. Nossas orações não nos custam nada. Nem mesmo demonstramos forte desejo de orar. Fica tudo na dependência de nossa disposição, e por isso oramos de forma intermitente e espasmódica.
A única força diante da qual Deus se rende é a oração. Escrevemos muito sobre o poder da oração, mas ao orar não temos aquele espírito de luta. Nós fazemos tudo: exibimos nossos dons espirituais ou naturais; expomos nossas opiniões, políticas ou religiosas; pregamos sermões ou escrevemos livros para corrigir desvios doutrinários. Mas quem quer orar e atacar as fortalezas do inferno? Quem irá resistir ao diabo? Quem quer privar-se de alimento, descanso e lazer, para que os infernos o vejam lutando, envergonhando os demônios, libertando os cativos, esvaziando o inferno, e sofrendo as dores de parto para deixar atrás de si uma fileira de pessoas lavadas pelo sangue de Cristo?


Em último lugar, o avivamento tarda porque roubamos a glória que pertence a Deus.
Reflitamos um pouco sobre essas palavras de Jesus: “Eu não aceito glória que vem dos homens”. “Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros, e contudo não procurais a glória que vem do Deus único?” (Jo 5.41,44.) Chega de toda essa autopromoção nos púlpitos. Chega de tanto exaltar “meu programa de rádio”, “minha igreja”, “meus livros”. Ah, que repulsiva demonstração carnal vemos nos púlpitos: “Hoje, temos o grande privilégio...” E os pregadores aceitam isso; não, eles já o esperam. (E se esquecem de que só estão ali pela graça de Deus.) E a vaidade é que, quando ouvimos tais homens pregar, notamos que nunca ficaríamos sabendo que eram tão importantes, se não tivessem sido apresentados como tal.

Coitado de Deus! Ele não está recebendo muita glória! Então, por que ele ainda não cumpriu sua terrível mas bendita ameaça de que iria vomitar-nos de sua boca? Nós fracassamos; estamos impuros. Apreciamos os louvores dos homens. Buscamos nossos próprios interesses. Ó Deus, liberta-nos dessa existência egoística, egocêntrica! Dá-nos a bênção do quebrantamento! O juízo deve começar por nós, pelos pregadores!

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Trecho do livro "Por que Tarda o Pleno Avivamento?"
Leonard Ravenhill

11 setembro 2009

CONFRONTANDO A IGREJA PÓS-MODERNA


Este é um teste que deve ser respondido com sinceridade, seriedade e, obviamente, à luz da palavra de Deus. O objetivo é que venhamos refletir naquilo que se apresenta hoje como igreja evangélica.

Pense nisso e responda se quiser:

1. O Evangelho
O genuíno evangelho de Jesus Cristo é o que tem sido pregado?

2. A Salvação
Uma pessoa é salva somente porque repetiu uma oração, supostamente “aceitando Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador”? Se não, porque se diz para alguém que repetiu esta oração que agora o seu nome está no livro da vida? Nascer de novo se resume nisto, em levantar a mão e fazer uma oração?

3. A Pregação
O tempo concedido para a pregação tem sido suficiente? Ele é maior que o tempo concedido para outras partes do culto, tais como apresentações musicais, por exemplo?

4. A Adoração
A adoração deve ser entendida como sendo somente o período de louvor no culto? Se não, por que esta parte do culto é chamada de adoração? O restante é o que, então?

5. O Ofertório
A maioria das pessoas tem ofertado sem constrangimento? Elas tem sido ensinadas a ofertar por amor, ou por interesse de algo em troca?

6. O Altar
O altar é um lugar onde somente Deus tem sido exaltado? Ou cada vez mais o altar se parece com um palco para apresentações?

7. O Comércio
É correto a igreja receber cantores e pregadores que estipulem “cachê”? Se sim, qual a base bíblica para isso? Se não, por que tal coisa se tornou uma prática?

8. A Igreja
É correto que uma igreja seja avaliada pelo número de membros que a compõe?

9. O Culto
As orientações de Paulo em relação a ordem no culto (1 Cor 14:23-32) devem ser ignoradas?

10. O Pastor
Pastor que não conhece de perto as ovelhas do Senhor (que ele deve apascentar) é, de fato, um pastor? Se não, por que cantores gospel, que não tem tempo de apascetar ovelhas, recebem o ministério pastoral?

07 fevereiro 2009

SEJA UM CRISTÃO PERSEGUIDO

Por Alan Capriles
Se você não é novo no meio evangélico, certamente já ouviu falar nos “cristãos perseguidos”. São assim chamados nossos irmãos que vivem nas nações onde o cristianismo é proibido. Não duvido que estes missionários realmente paguem um alto preço para se apregoar o evangelho, muitas vezes pagando com a própria vida. O que me deixa preocupado é que raramente se sabe de um cristão perseguido em nosso país. A tal ponto que o termo “cristão perseguido” virou sinônimo apenas de crentes que vivem na janela 10x40.
Será que um cristão precisa viver em outras nações, como a Coréia do Norte, o Irã ou a Arábia Saudita para ser perseguido? O apóstolo Paulo declarou enfaticamente que “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12 RA) Como se percebe, meditando neste versículo, não é a localidade que torna um cristão perseguido, mas a qualidade do seu cristianismo.
Não creio que Paulo estivesse exagerando. A perseguição é a conseqüência inevitável de uma vida cristã autêntica, o preço a se pagar por preferir agradar a Deus e não aos homens. Desta forma, a quase ausência de cristãos perseguidos em nosso país reflete a superficialidade do evangelho vivido pela maioria dos crentes brasileiros.
Ou será que eu é que estou exagerando? Creio que não. Quanto mais medito na palavra de Deus – especialmente nos evangelhos, no livro de Atos e nas epístolas – mais me dou conta de quão superficial tem sido a mensagem pregada na maioria das igrejas. Suponho que no afã pelo aumento do número de membros, muitos pregadores não dizem mais o que se precisa ouvir, mas buscam pregar apenas o que se deseja ouvir. Mensagens triunfalistas estão na moda, especialmente aquelas que não exigem nenhum concerto para se obter o favor de Deus. Uma igreja caracterizada por mensagens de auto-motivação certamente vai crescer mais rápido que as igrejas onde se prega o verdadeiro evangelho; porque esta mensagem exige arrependimento, conversão e compromisso com Deus, enquanto aquela se trata de uma mensagem humanista, centralizada no homem e não em Cristo.
O rápido crescimento destas igrejas não me fascina, porque não me ilude. Quando penso nisso me lembro de um jardim que está sob meus cuidados. Toda semana preciso arrancar o mato e as ervas daninhas que surgem naquele jardim. É impressionante como elas crescem rápido! Em poucos dias elas ultrapassam o tamanho das belas plantas ornamentais, que levaram meses para crescer. Mas quando vou arrancá-las, aquelas ervas daninhas saem com a maior facilidade, porque não tem raiz profunda. Aliás, quase não tem raiz nenhuma! Será que não é este o problema da igreja contemporânea? O número de evangélicos tem crescido rapidamente, mas o evangelho pregado para maioria destes crentes não tem tido profundidade alguma. Como conseqüência, muitos crentes da atualidade não se parecem com Cristo, pois não tem compromisso com seu evangelho.
A realidade é que os crentes de hoje não são mais perseguidos. Pelo menos, não no Brasil. E por que seriam? Afinal, eles não mais incomodam. Eles estão cada vez mais parecidos com o mundo! Percebo que a maioria destes não quer se indispor com ninguém; preferem fazer “vista grossa” para o erro dos outros. A filosofia do “to nem aí” e do “não tem nada a ver” está ganhando muitos adeptos nas igrejas. São crentes que não se posicionam, que não definem claramente de qual lado estão, se da carne, ou do Espírito. São como os crentes mornos da igreja de Laodicéia, que o Senhor estava a ponto de vomitar. (Apocalipse 3:16)
Deste modo, se você se preocupa em agradar a todos, talvez esteja enganado com o evangelho (Gl 1:10). Nosso Senhor foi bem claro: “Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros” (Jo 15:20). Quanto mais nos parecemos com Cristo, mais seremos perseguidos, assim como ele mesmo sofreu perseguição. Chegaram a ponto de acusá-lo de estar endemoninhado e, a respeito disso, ele nos alertou: “Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?” (Mateus 10:25)
Nenhum de nós é melhor do que Jesus (Lc 6:40). Como é que alguém pode ousar dizer-se cristão sem ser odiado por ninguém? O próprio Senhor denunciou esta hipocrisia, quando asseverou: “Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas.” (Lucas 6:26 RA) Em outras palavras, para um crente ser louvado por todos, basta que ele seja falso.
Portanto, se um crente não sofre nenhum tipo de perseguição é hora de rever seu cristianismo. Mas quero concluir lembrando que vale muito a pena ser perseguido por amor a Cristo. E que esta bem-aventurança conforte você, assim como tem fortalecido a mim, toda vez que descubro ser um cristão perseguido em minha própria nação.
“Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.” (Mateus 5:11-12 RA)
Por Alan Capriles

08 outubro 2008

REVENDO MEUS CONCEITOS DE LIDERANÇA CRISTÃ


A Bíblia é surpreendente! Diariamente sou edificado por textos que falam direto ao meu coração. Mas a maior surpresa que a Bíblia me causou ocorreu há poucos dias atrás. Foi devido a uma palavra que nela não encontrei. Isso mesmo: por uma palavra que não encontrei. Por acaso você já foi surpreendido por aquilo que não encontrou na Bíblia?

Eu pretendia começar um estudo pessoal sobre liderança cristã. Como de costume, iniciei minha pesquisa através da busca de palavras chaves na própria Bíblia. Achei que seria uma boa idéia relacionar primeiro todos os textos em que aparecesse a palavra “líder”. Para ser mais rápido e exato, decidi encontrar aquelas passagens através do programa da Bíblia que tenho no computador. Esta é a maneira mais segura de se saber quantas vezes uma mesma palavra se repete na Bíblia. Portanto, digitei “líder” no campo de busca e, ao clicar “enter”, preparei-me para uma enorme listagem de referências bíblicas.

Contudo, que grande surpresa! O resultado da busca foi “zero”! Cheguei a pensar que eu tivesse digitado errado. Tentei novamente... Outra vez, nada. Tentei nas duas versões mais usadas da Bíblia, a de “Almeida Revista e Corrigida” e a “Revista e Atualizada”; em nenhuma delas aparece a palavra “líder”.

O mesmo aconteceu com a palavra “liderança”: absolutamente nenhuma referência bíblica. Quando tentei o plural “líderes”, surgiu apenas uma referência, e somente na versão Revista e Corrigida, em Isaías 29:10. E esta passagem se refere aos líderes dos videntes, que estavam cegos.

Mas, por que fiquei tão surpreso? Minha reação, que depois se transformou em indignação, se deve a enorme quantidade de livros evangélicos a respeito de “liderança cristã” e também a tendência de se fazer de cada crente um líder de alguma coisa na Igreja. Pergunto: como é que se pode dar tanta ênfase a um termo que sequer é mencionado na Bíblia? Como isto virou moda, não demorou muito para lançarem no mercado a "Bíblia da Liderança Cristã", com notas e artigos de John C. Maxwell, que declara, logo na introdução, que "Deus chamou você para liderar!"

Sei muito bem que o conceito de liderança existe na Bíblia e é amplamente encontrado em diversos textos. Mas eu me refiro a chamar as pessoas pelo título de líder. E, principalmente, refiro-me a ambição que existe em muitos crentes pela conquista de tal título.

Entretanto, como eu já suspeitava, versões mais “moderninhas” da Bíblia trazem, de fato, a palavra “líder”. Provavelmente, concluo, para se adequar ao modismo de liderança que se instalou nas igrejas evangélicas. É o caso da Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH). Mesmo assim, a palavra líder só aparece dez vezes no Novo Testamento; em duas delas, de forma pejorativa. Nas demais, três passagens se referem a Jesus, três aos fariseus, uma fala de Davi e outra de Moisés.

Porém, a passagem que mais me chamou a atenção nesta versão moderna, foi a seguinte:
“Vocês não devem também ser chamados de “líderes” porque vocês têm um líder, o Messias.” (Mateus 23:10 NTLH)

Vocês não devem ser chamados de líderes! Se alguém quiser usar a NTLH para justificar seu título, terá que “engolir” este versículo também. Quanto a obedecê-lo, tenho certeza de que poucos estarão dispostos.

Qual o problema de alguém ser chamado de líder? Prefiro responder a esta pergunta contando um testemunho pessoal.

Recentemente, passei por um problema de divisão em nossa igreja. Um grupo de irmãos decidiu sair e o fizeram da pior forma possível. Na verdade, só existem duas maneiras de uma ovelha mudar de congregação: a maneira certa, ou a errada. Muitas vezes alertei sobre isto. Mas, como percebo que as pessoas se esquecem, aproveito para relembrar: a maneira correta de se sair é recebendo a bênção de seu pastor.

Mas, o que vem ao caso, foi minha triste descoberta. Praticamente todos os pastores que me procuraram, a fim de me consolar, disseram a mesma coisa: “nossa igreja também já passou por isso.” Certo pastor, cujo ministério tem mais de 40 anos, chegou a dizer que enfrentara esta situação cerca de dez vezes. Na última, o líder de louvor havia saído e levado junto todos os jovens da igreja. Isso eu pude constatar pessoalmente. Só ficaram os adultos e, em sua maioria, idosos.

Por que as diversas denominações têm passado por este problema de divisão? Constatei que em todos os casos a divisão era promovida por pessoas com cargos de liderança na igreja. Geralmente, um ou mais líderes que saem da igreja, levando consigo os membros que trabalhavam em seus departamentos.

Aliás, diga-se de passagem, o termo “departamento” também é ausente das Escrituras. Esta expressão, tão usada nas igrejas atuais, não aparece nem mesmo na versão NTLH. E, quanto a palavra “ministério” (que é como algumas igrejas preferem chamar seus departamentos) apesar de aparecer na Bíblia, parece não ter a mesma conotação que lhe dão atualmente, quando se abusa do termo.

E, será que não reside justamente aí a raiz do problema? O modelo de igreja que está sendo adotado pela maioria não corresponde ao modelo bíblico. Quantos departamentos havia na igreja de Jerusalém? E na de Antioquia? Nem o livro de Atos e nem as epístolas mencionam qualquer tipo de idéia semelhante a esta.

As divisões que acontecem hoje estão muito longe de se parecer com as divergências que deram origem às grandes denominações cristãs. Antigamente, as divergências aconteciam por discordância doutrinária. Atualmente, as divisões acontecem por mera vaidade. Faz lembrar o levante de Coré, Datã e Abirão, que afrontaram Moisés, lhe dizendo: “Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o SENHOR está no meio deles; por que, pois, vos exaltais sobre a congregação do SENHOR?” (Números 16:3 RA)

Repito: a maioria das divisões que tem acontecido são geradas por vaidade. A história tem se repetido: o membro recebe um título de líder e acha que pode tomar decisões em seu departamento sem prestar contas ao pastor. Quando o pastor toma alguma decisão que não agrade ao líder, o mal estar começa. Os membros do departamento são influenciados pela sua liderança, geralmente em reuniões fora da igreja, e pronto! Na primeira oportunidade, o líder deixa a igreja – se fazendo de vítima – porque sabe que tem a simpatia dos membros do seu departamento. Tenho certeza que, se você é antigo no evangelho, já presenciou tal situação.

E, lamentavelmente, as divisões vão continuar acontecendo, dando início a ministérios que não conseguirão ir muito longe. A não ser que, o quanto antes, os pastores revejam seus conceitos quanto ao modelo bíblico de igreja.

Eu, particularmente, estou revendo meus conceitos de igreja. Tenho chegado a algumas conclusões, que compartilho a seguir:

O Líder supremo e absoluto da Igreja é o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Cada pastor é apenas o seu representante e referencial na terra para as ovelhas do Senhor, revestido de autoridade para orientá-las espiritualmente. Não existe mais de uma autoridade em cada igreja. Existem serviços diferentes, mas autoridade é o pastor, como imitador de Cristo. O apóstolo Paulo deixa isto bem claro em suas epístolas, especialmente as pastorais (Tt 1:13, 2:15; 1 Tm 4:12; 2 Tm 4:2; etc.) Ao nomear líderes o pastor termina por não fazer o seu serviço, e o seu cajado fica abandonado, ou na mão dos membros que ele mesmo envaideceu com lideranças.

O termo “líder” deveria ser extinto das igrejas. Além de fomentar a competição e facções entre os irmãos, o título de líder ainda trás o agravante de não ser jamais usado na Bíblia, especialmente no Novo Testamento. 


Somente departamentos essencias deveriam existir. Conjuntos para homens, mulheres, jovens e crianças são realmente necessários? Além de tais conceitos serem estranhos às Escrituras, acabam por fazer do altar um palco de apresentações, e do culto um programa de auditório.

Não é de se admirar que os pastores se pareçam cada vez menos com imitadores de Cristo e cada vez mais com animadores de festas.

Concluo, afirmando que nossa preocupação não deve ser imitar os modismos evangélicos, mas buscar o modelo bíblico para uma verdadeira igreja cristã. Respeito meus colegas e amigos que pensam diferente. Não tenho direito algum de me intrometer no sistema organizacional de sua denominação. Mas, aqui fica registrado este alerta e o meu ponto de vista. Tenho todo direito de ser diferente da maioria.

Não sei quanto a você, mas, quanto a mim, já estou revisando meus conceitos à luz das Escrituras.

“Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.”
(Gálatas 1:10 RA)

01 agosto 2008

ESCOLA DE IMPOSTOR?


Por Alan Capriles

Sou assinante da Revista Igreja, que deveria trazer informações importantes para o ministério pastoral contemporâneo. Mas fiquei bastante indignado ao receber a edição de junho/julho de 2008. O texto ressaltado acima refere-se a uma propaganda publicada pela revista, no qual destaco em vermelho a maneira absurda com a qual as igrejas são tratadas: como concorrentes!

O que mais impressiona é o fato de tal propaganda vir assinada por um seminário pastoral. E, ainda pior, trata-se da divulgação de um curso em dvd chamado "O Segredo para Ficar Rico". A impressão final, analisando a propaganda como um todo, é que abrir uma igreja seria o tal segredo para ficar rico!

Como pastor, quero deixar aqui o meu protesto. Ainda que hajam impostores se dizendo pastores, creio que são minoria. Mas, quando vejo um seminário fazer uma colocação como esta, fico bastante preocupado com tamanha deturpação do evangelho. Preocupa-me porque muitos estão fazendo escola com esta filosofia satânica!

A Igreja local, quando fiel ao evangelho de Cristo, é a esperança do mundo, razão pela qual precisamos de unidade, não de competição. Nossos membros são pessoas, não clientes, o evangelho é a salvação e não um produto de mercado.

Mas eu não deveria ficar tão surpreso. A Bíblia relata que, nos últimos dias, fariam dos crentes negócio (2Pedro 2:3). Certamente já chegamos neste tempo.

"Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão." (1 Timóteo 6:9-11 RA)

"E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme." (2 Pedro 2:2-3 RA)


P.S.:  No dia 01 de Agosto enviei um email de protesto contra o referido anúncio. Não obtive resposta. Ou melhor, obtive sim. Na edição seguinte a propaganda continuava sendo destaque, sem nenhuma alteração, ocupando uma página inteira da revista.
Cancelei minha assinatura.

Por Alan Capriles