por Alan Capriles
O Espírito Santo poderia usar um falso crente para operar sinais e prodígios?
Minha tese é que não. Tenho absoluta certeza que não. E, nas linhas abaixo, espero provar que não é o Espírito Santo que está atuando através dos milagreiros que aparecem na televisão.
O texto é um pouco longo, devido a importância desta questão. Mas, acredite: você precisa ler até o fim e orar seriamente a respeito deste assunto.
Antes de prosseguir, é preciso esclarecer que não se trata de julgar uma pessoa como falso crente. Sabemos que o Senhor nos proíbe de julgar (Mt 7:1). Por outro lado, no mesmo capítulo somos advertidos a examinarmos os frutos de alguém que se diga porta-voz do Senhor, a fim de não sermos enganados por um falso profeta, pois eles sempre se “apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.” (Mt 7:15-23)
Perceba que um falso pregador, ou profeta, não é apenas um lobo, mas um lobo “roubador”. E isto é bastante significativo, pois revela qual a real motivação para enganar as pessoas (usando o nome de Jesus): arrancar-lhes dinheiro!
E isto é mau, é um fruto muito mau. A este respeito, confira o que nos ensinou o Senhor:
“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mateus 7:15-20 RA)
Mesmo assim, muitos crentes parecem não enxergar os falsos pregadores, pois o ministério destes costuma ser caracterizado por sinais e prodígios, tais como profecias, exorcismos e milagres de todo tipo. E, além do mais, alguns deles estão na televisão, enfatizando estas extraordinárias manifestações do
... Espírito Santo?
Não... É melhor não se apressar em dizer que são do Espírito Santo.
Afirmo isto porque, no mesmo texto em que o Senhor nos adverte contra os “lobos roubadores”, ele também prossegue dizendo o seguinte:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mateus 7:21-23 RA)
Não é por acaso que este texto é a continuação do anterior. Sem dúvida, o Senhor sabia que os falsos pregadores usariam de sinais e prodígios para tentar nos enganar. Sendo assim, Jesus deixou claro que não basta chamá-lo de Senhor, e nem operar tais manifestações em seu nome, pois a evidência da salvação não é o poder, mas o fruto de uma vida que faça a vontade de Deus.
Chegamos a esta primeira conclusão importante:
profecias, exorcismos e milagres, ainda que realizados usando-se o nome de Jesus, não significam que seja uma obra de Deus.
O problema é que muitos pensam exatamente o contrário. Por não examinarem as Escrituras, a maioria dos crentes conclui que Deus está aprovando o ministério de alguém somente por causa dos sinais e prodígios que nele ocorrem. Isto é um erro gravíssimo, pois o Senhor nos alertou do que aconteceria nestes últimos dias que vivemos:
“porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.” (Mateus 24:24 RA)
O que seriam estes “grandes sinais e prodígios”?
Um paralítico andar não é um grande sinal? Um dente transformar-se em ouro não é um grande prodígio? Assim como pessoas caírem ao chão pelo poder emanado por alguém. Estas manifestações, e outras até mais assombrosas, têm acontecido em alguns ministérios e diariamente são divulgadas em canais abertos de televisão.
Como resultado desta propaganda, multidões têm sido atraídas a estes ministérios. Surge agora uma nova questão: o fato de seus templos estarem lotados não significa uma aprovação de Deus?
Mais uma vez, a resposta é um categórico “não”. Preste bastante atenção no seguinte alerta do Senhor, quanto a estes últimos dias:
“Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos.” (Mateus 24:5 RA)
O Senhor não somente nos adverte que viriam em nome dele, ou seja, realizando seus atos “em nome de Jesus”, mas também revela que estes falsos ungidos enganariam “a muitos”.
Chegamos a outra importante conclusão:
a quantidade de pessoas não significa que Deus esteja aprovando determinado ministério, ainda que sejam milhares de seguidores.
Vejamos um pouco melhor esta questão:
“Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito.” (Mateus 24:23-25 RA)
Talvez muitos não atentem para o cumprimento deste versículo por não saberem o que Jesus quis dizer com “falsos cristos”. A palavra “cristo” é um termo grego que significa “ungido”. A partir do Novo Testamento somente o Senhor Jesus é chamado de “Ungido”, ou Cristo (At 4:26). Mas, não é verdade que atualmente muitos pregadores dizem que são os “ungidos” do Senhor?
Todo aquele que diz, acerca de si mesmo, ser o “ungido do Senhor” é um falso cristo. E todo aquele que prega por dinheiro é um falso profeta. A profecia está se cumprindo.
O Senhor previu que isto aconteceria nestes últimos dias. E isto está acontecendo agora mesmo!
Portanto, não se apresse em dizer que o Espírito Santo está operando através do ministério de supostos ungidos e profetas, ainda que tenham o título de pastor, bispo, missionário, ou até mesmo de apóstolo.
Verifique o fruto! Jesus nos ensinou como não sermos enganados: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:20)
Caso tenhamos dificuldade em saber dos pormenores da vida destes milagreiros, basta analisar suas pregações, que são o fruto de seus lábios (Lc 6:45; Hb 13:15). E, comparando aquilo que pregam com as Escrituras, poderemos reconhecer se estão dando bom ou mau fruto.
Lamentavelmente, o que tenho percebido é que todos os milagreiros evangélicos que aparecem na televisão têm pregado heresias, ou seja, ensinos contrários à Palavra. Aproveitando-se da falta de conhecimento que as pessoas têm da Bíblia, eles ensinam outro evangelho, que não é o da graça de Deus, e até chegam a pregar outro Jesus, diferente do Cristo das Escrituras.
E, quando se prega outro Jesus, as pessoas abraçam outro evangelho e, certamente, receberão outro espírito, que não é o Espírito Santo.
Isto é grave, terrivelmente grave. O apóstolo Paulo parece ter nos alertado a este respeito:
“Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis.” (2 Coríntios 11:4 RC)
Pregar outro evangelho é tão grave, que o apóstolo Paulo declara ser amaldiçoado (anátema) aquele que o fizer (Gl 1:9). A razão de tanto rigor é o risco de as pessoas receberem “outro espírito” nas reuniões em que se prega “outro evangelho”.
Esta é a chave para se entender o que está acontecendo no meio evangélico. É preciso enfatizar isto:
Quando se prega outro Jesus, as pessoas abraçam outro evangelho e recebem outro espírito, que não é o Espírito Santo.
Portanto, não é o Espírito Santo que está operando através dos milagreiros que aparecem nos programas evangélicos da televisão. Não é o Espírito Santo que está fazendo as pessoas darem gargalhadas incontroláveis, caírem ao chão, ou perderem totalmente o controle de si mesmas, em movimentos espasmódicos, giros, ou correrias pelo templo.
Antes de encerrar, gostaria de esclarecer que creio no poder de Deus, seja para profetizar, curar, expulsar demônios ou qualquer outra extraordinária manifestação. Mas, a questão não é esta.
Se os ministros que aparecem na TV estivessem pregando o genuíno evangelho, eu seria o primeiro a crer que seus milagres procedem de Deus. Mas, a questão é: estes milagreiros evangélicos têm sido um escândalo para o evangelho.
Quase sinto vergonha de ser pastor, por causa destes falsos ministros do evangelho, que não medem a conseqüência de seus atos e palavras. Quanta diferença de um verdadeiro apóstolo, como Paulo, que escreveu: “não dando nós nenhum motivo de escândalo em coisa alguma, para que o ministério não seja censurado.” (2 Coríntios 6:3 RA)
Acordem irmãos! Somos testemunhas de um tempo profetizado pelo Senhor. Tempo de falsos ungidos e falsos profetas, que realizam grandes sinais e prodígios, através dos quais muitos têm sido enganados.
E você?