20 abril 2010

A SEMENTE DO AMOR E A SEMENTE DA GANÂNCIA

Por Alan Capriles

“...recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também me esforcei por fazer.” (Apóstolo Paulo - Gálatas 2:10 RA)


Embora eu não me agrade da maioria dos programas evangélicos da TV, sinto-me na obrigação de assisti-los de vez em quando. Alguns irmãos que pastoreio acompanham esses programas, razão pela qual preciso verificar se neles há algo que possa contaminar o rebanho de Deus. E tenho notado um equívoco grave sendo ensinado em vários desses programas. Como se sabe, a maioria deles tem o mesmo formato: abertura, música, pregação, venda de produtos, pedido de ofertas e oração. Mas, ao contrário do que se poderia esperar, o erro maior não está na pregação, ainda que algumas sejam lamentáveis, mas na forma como se pedem as ofertas para que esses programas se mantenham no ar.

Tornou-se quase unanimidade que os tele-pastores peçam ofertas trocando a palavra “dinheiro” por “semente”. Muitos dizem “semeie no meu ministério”, acrescentando a promessa de uma grande colheita financeira para quem semear mais. E promovem essa ganância usando a Bíblia como respaldo! [1] O texto bíblico mais usado (e abusado) para se pedir ofertas como sementes, encontra-se na segunda carta de Paulo aos Coríntios, onde encontramos o seguinte versículo:

“E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará.” (2 Coríntios 9:6 RA)

Sim, de fato, o contexto revela que o apóstolo Paulo está mesmo falando de ofertas e comparando essas ofertas a sementes. Mas, a questão é: por que Paulo usou dessa comparação? A resposta é surpreendente: porque aquelas ofertas eram destinadas aos pobres! Ao contrário dos tele-evangelistas, Paulo não estava pedindo ofertas para o seu ministério. A razão do seu pedido de ofertas era “a favor dos santos” em necessidade (Confira 2 Co 9:1,12). Tratava-se de um apelo para socorrer financeiramente os cristãos pobres da Judéia (Atos 11:29). Sim, porque, ao contrário do que ensina a teologia da prosperidade, os santos também podem ser pobres, materialmente falando (Confira Apocalipse 2:9). [2]

E, a fim de que ninguém duvidasse de suas corretas intenções, o apóstolo cita a seguinte promessa das Escrituras: “Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre.” (2 Coríntios 9:9 – citando o Salmo 112:9) Como se percebe, a promessa é para quem oferta “aos pobres” e Paulo não deixa dúvidas quanto a isto. Por isso Paulo comparou aquelas ofertas a sementes, porque Deus se compadece de quem ajuda ao pobre. Basta que leiamos o contexto. Paulo poderia também ter acrescentado outros versículos, tais como:

“Bem-aventurado o que acode ao necessitado; o SENHOR o livra no dia do mal. O SENHOR o protege, preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra; não o entrega à discrição dos seus inimigos. O SENHOR o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas a cama.” (Salmos 41:1-3 RA)
 

“Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta, e este lhe paga o seu benefício.” (Provérbios 19:17 RA)
 

“O que semeia a injustiça segará males; e a vara da sua indignação falhará. O generoso será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre.” (Provérbios 22:8-9 RA)

Foi com base em promessas assim, de Deus abençoar quem ajuda “ao pobre”, que Paulo comparou tais ofertas a sementes.

Isso é muito diferente de levantar-se ofertas para se manter programas na televisão, cujo minuto é caríssimo e o benefício, duvidoso. E o pior é que a maioria desses programas nem sequer está pregando o verdadeiro evangelho de Cristo! A maioria das pregações da TV é voltada para satisfazer os interesses do homem.

O fato é que o verdadeiro evangelho causa aversão na maioria das pessoas, porque poucos querem se arrepender de seus pecados e passar a viver em Cristo para salvação. Isso é um dilema para os evangelistas da televisão. Como manter seus programas na TV dizendo a verdade para as pessoas, se essa verdade lhes fará trocar de canal? Sendo assim, os tele-evangelistas fazem um tremendo esforço para agradar seus telespectadores, trocando a verdade por palavras agradáveis e acrescentando promessas grandiosas, a fim de aumentar a audiência e o número de fiéis “semeadores”.

Mas, esta é a verdade: quem ajuda a pagar caros programas evangélicos não pode esperar colheita de coisa alguma, a não ser de possíveis escândalos, como se tem visto ultimamente. Quero deixar como exemplo um episódio lamentável. Enquanto outros canais de televisão mostravam o número de uma conta bancária para ajudar os desabrigados das chuvas, que vitimaram milhares de pessoas no estado do Rio de Janeiro, um famoso pastor mostrava o número de três contas bancárias para que “semeassem” no seu ministério. E, detalhe, sementes de mil reais! Quem não tivesse mil reais poderia parcelar sua “semente” em várias prestações, a fim de não perder a fabulosa colheita de bênçãos e ainda ganhar um lindo certificado do seleto “CLUBE DE 1 MILHÃO DE ALMAS”. Ao invés desse pastor aderir à campanha pelas vítimas das chuvas, entre as quais algumas que perderam tudo, ele preferiu pedir dinheiro para bancar suas mega cruzadas. E, ainda que o dinheiro seja gasto nisso, tais cruzadas evangelísticas não atingem nem de longe o alvo a que se propõem. [3]

Respaldo minha afirmativa no depoimento de Billy Graham, maior evangelista do século XX. Após analisar suas inúmeras cruzadas, ele chegou a uma conclusão alarmante. Pelos seus cálculos, dentre todos que assinaram “cartões de decisão” em suas cruzadas, somente três por cento procuraram uma igreja e chegaram a passar pelas águas do batismo. Apenas três por cento!

Sendo assim, se você almeja receber algum benefício do Senhor, uma verdadeira colheita (que não se trata de bênçãos, mas de ser uma bênção) semeie da forma bíblica e correta: não deixe de socorrer o necessitado, se compadeça do pobre, reparta com ele o seu pão (Sl 41:1; Pv 19:17; 22:8). Muitas vezes trata-se de prestar socorro a um irmão que passa necessidade no campo missionário - e, de fato, devemos primeiro ajudar aos domésticos da fé.

E, por falar em missões, lembre-se que a forma de evangelismo mais eficaz que existe é a prática do amor ao próximo. Aliás, essa é a verdadeira semente de Deus o amor.

“Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.”
(1 João 3:18 RC)



Notas

[1] Devo confessar que eu mesmo, no passado, fui vítima desta heresia. Por não conferir o contexto, cheguei a ensinar a tal “lei da semente”, erro que, pela misericórida de Deus, não demorei a corrigir.

[2] A respeito da Teologia da Prosperidade confira o seguinte texto, clicando aqui. 

[3] Confira o seguinte vídeo (ou texto), a respeito de cruzadas missionárias, clicando aqui.


21 março 2010

PARÁBOLA PARA ESTA GERAÇÃO

Por Alan Capriles

Certo rei partiu para uma terra distante e nomeou ministros para cuidarem de seu reino. A princípio, eles foram bem sucedidos. Plantaram boas sementes, vigiaram contra o aparecimento de pragas, ampliaram os limites do reinado, contrataram novos obreiros e os ensinaram como plantar e colher em todo tempo. Faziam tudo de acordo com os estatutos deixados pelo rei.

Mas, com o passar do tempo, novos ministros assumiram a gestão dos antigos. E, a cada nova gestão, cada ministro decretava novidades que não haviam sido ordenadas pelo rei. Como este demorava em retornar, cada ministro ensinava o que lhe favorecia, e já não havia mais unidade entre eles.

Estas notícias chegaram ao rei, que enviou emissários ao seu reinado, a fim de que os ministros, obreiros e todo o povo se arrependesse, voltando a fazer a sua vontade. Os emissários percorreram o reino, tocando trombetas e dizendo: "O rei está voltando!". E os alertaram da terrível punição que sofreriam os desobedientes.

Porém, ao invés de promoverem uma reforma segundo os estatutos do reino, os ministros tiveram outra idéia: convencer ao rei do quanto o amavam, cantando e dançando para ele.

Sendo assim, os ministros convocaram os obreiros para congressos, a fim de proclamar o início de uma nova e chamada santa geração. Uma geração de adoradores, qua agradaria o rei compondo músicas e criando danças para ele, a fim de que sua ira fosse aplacada no seu retorno.

Isto agradou tanto, que os ministros foram exaltados pelo povo, que agora lhes prestigiavam com grandes títulos e honrarias. E lhes davam até seu pouco dinheiro, pois estavam felizes com suas promessas de que todos também seriam líderes.

Os obreiros já não tinham tempo para selecionar as sementes, preparar a terra,  proteger os frutos, ou mesmo fazer a colheita. Só tinham tempo para ensaiar músicas e danças, e para participar de congressos, shows e festivais. Todo reino acreditava nos ministros que diziam: "O tempo de cantar chegou! O tempo de dançar chegou!" O reino todo havia se transformado numa grande festa.

Os campos estavam prontos para a ceifa, mas os ministros convenceram os obreiros de que seu trabalho agora era cantar o quanto estavam apaixonados pelo rei e desesperados por sua vinda.

Quanto aos poucos ministros e obreiros que se mantiveram fiéis aos estatutos do rei, estes foram zombados, perseguidos e até apedrejados. Afinal, eles não tinham a nova visão, a tremenda revelação, não faziam parte desta "santa geração".

E o que dirá o rei quando voltar, aos desobedientes, por mais que estes tenham cantado e dançado para ele? "Muito bem, servo bom e fiel" ou dirá "Servo inútil, aparta-te de mim e do meu reino, para as trevas exteriores, onde há choro e ranger de dentes?"

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça...
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“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” 
“Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” 
(Jesus Cristo - Mt 7:21 e Lc 6:46)

15 março 2010

O DIABO RESIDE NO VATICANO

O exorcista-chefe da Igreja Católica disse a um jornal italiano que "o Diabo reside no Vaticano" e que bispos estariam "ligados" a ele.

Em entrevista ao diário La Repubblica, o padre Gabriele Amorth, que comanda o departamento de exorcismo em Roma há 25 anos, disse que o ataque ao papa Bento 16 na noite de Natal e os escândalos de pedofilia e abuso sexual envolvendo sacerdotes seriam provas da influência maléfica do Demônio na Santa Sé e que "é possível ver as consequências disso".

O sacerdote, de 85 anos, disse ainda que há, na Igreja, "cardeais que não acreditam em Jesus e bispos ligados ao Demônio".

Amorth, que já teria realizado o exorcismo de 70 mil possuídos, publicou um livro no mês passado, chamado Memórias de um Exorcista, em que narra suas batalhas contra o mal.

A série de entrevistas que compõe o livro foi realizada pelo jornalista Marco Tosatti, que conversou com o programa de rádio Newshour da BBC.

Tosatti disse que o Diabo atua de duas formas. Na primeira, a mais comum, "ele te aconselha a se comportar mal, a fazer coisas ruins e até a cometer crimes".

Na segunda, "que ocorre muito raramente", ele pode possuir uma pessoa. Tosatti disse que, de acordo com Amorth, Adolf Hitler e os nazistas foram possuídos pelo capeta.

O exorcista católico conta em suas memórias que, durante as sessões de exorcismo, os possuídos precisavam ser controlados por seis ou sete de seus assistentes. Eles também eram capazes de cuspir cacos de vidro, "pedaços de metal do tamanho de um dedo, mas também pétalas de rosas", segundo o sacerdote.

Guerra contra a Igreja

Amorth defende que a tentativa de assassinato do papa João Paulo 2º em 1981, assim como o ataque ao atual papa no Natal passado e os casos de abuso sexual cometidos por padres são exemplos de que o Diabo está em guerra com a igreja.

Em entrevista ao La Repubblica, o exorcista contou que o Demônio "pode permanecer escondido, ou falar diferentes línguas, ou mesmo se fazer parecer simpático".

Para Tosatti, não há nada que se possa fazer quando o Diabo está apenas influenciando as pessoas, em vez de estar possuindo-as.

Segundo o exorcista-chefe do Vaticano, o papa Bento 16 apoia o seu trabalho.

"Sua Santidade acredita de todo coração na prática do exorcismo. Ele tem encorajado e louvado o nosso trabalho".

No jornal italiano, Amorth também comentou sobre como o cinema retrata o exorcismo e a magia.

Segundo ele, o filme O Exorcista, de 1973, em que dois padres lutam para exorcizar uma garota possuída é "substancialmente preciso", apesar de "um pouco exagerado".

Já a série do jovem bruxo britânico Harry Potter é descrita como "perigosa" pelo sacerdote, pois traça "uma falsa distinção entre magia negra e magia do bem".

Fonte: BBC Brasil

11 março 2010

ROBERTO MCALISTER ALERTOU: "TELEVISÃO CRIA MONSTROS"

por Alan Capriles

O Bispo Robert McAlister, fundador da Igreja Pentecostal de Nova Vida, foi pioneiro em transmitir o Evangelho pela televisão brasileira. Em 1978, se tornou um dos primeiros televangelistas com o programa "Coisas da Vida", que apresentou por um bom tempo na TV Tupi.

Apesar de já não estar mais conosco desde 1993, somente agora se tornou pública a razão pela qual o bispo Roberto deixara de fazer programas na televisão, abrindo espaço para R.R. Soares, Silas Malafaia, entre outros.

A revelação vem por meio de seu filho, Walter McAlister, bispo primaz da Aliança das Igrejas Cristãs de Nova Vida, que lançou recentemente "O Fim de Uma Era", livro em que traça uma radiografia da Igreja evangélica brasileira desde o início do século XXI.

Numa época de tantos programas evangélicos na TV e de tantas celebridades no mundo gospel, esta revelação soa como um grave alerta, que deveria ser amplamente difundida. Levando em conta que o bispo Roberto McAlister foi pioneiro no televangelismo, aqueles que hoje fazem de tudo para continuar aparecendo na TV deveriam considerar as razões de suas palavras, e a impressionante conclusão de seu filho.

Segue, portanto, o trecho do livro de Walter McAlister, no qual não apenas revela porque seu pai preferiu se afastar da televisão, como também explica porque as programações evangélicas deveriam ser extintas da TV.

Meu pai fez um programa de televisão durante um tempo. Ele me disse: "Televisão cria monstros". Eu vi o quanto ele lutava contra a vaidade gerada pelo fato de ser conhecido na rua. Ele mesmo me confessou como a vaidade dele era um problema para ele, por causa de sua fama. Televisão evangélica apenas cria celebridades, não avança a causa de Cristo. Por quê? Porque não se assiste a televisão para ouvir a verdade. É como levar a mensagem do Evangelho para o circo e pregar entre o show dos macados amestrados e o dos palhaços. Pessoas não vão ao circo para ouvir o Evangelho, e sim para se divertir com os macacos, os palhaços, os acrobatas. Então, de repente, o Evangelho se insere num contexto completamente contrário àquele que tem a estrutura necessária para transmiti-lo. E o que acontece? Leva-se a Arca para fora do Santo dos Santos, para o campo de batalha. No popular: a Igreja vira circo. Com isso, a Igreja perde a batalha, pois, em vez de se concentrar naquilo que é sagrado, construir comunidade, ensinar a verdade e formar bons discípulos, está numa guerra voltada para determinar quem grita mais alto no meio do circo chamado "televisão".
 

O FIM DE UMA ERA - Walter McAlister - Editora Anno Domini - pág. 40
http://www.ofimdeumaera.com.br/

09 março 2010

TEXTO FORA DE CONTEXTO

por Alan Capriles

A frase é famosa no meio teológico: “texto fora de contexto é pretexto para heresia”. A realidade, porém, é que poucos tem o cuidado de averiguar o contexto no qual se encontra um versículo. Muitos pregadores, mesmo com formação em teologia, preparam seus esboços sem nenhuma preocupação em dizer aquilo que o autor do texto bíblico queria dizer. E isto é mais comum do que se imagina!

Como prova do que estou afirmando, deixo três exemplos de versículos famosos, mas que, quando usados fora de contexto, dão margem para heresias.  Que isto sirva de alerta para se verificar o contexto bíblico de qualquer mensagem, principalmente as que são baseadas em apenas um versículo da Bíblia.

Tudo posso naquele que me fortalece

Muito provavelmente, este é o versículo mais distorcido. Tirado de seu contexto, muitos concluem tratar-se de uma frase triunfalista, de alguém que pode conquistar seus alvos, que pode obter todas as coisas.

Por esta razão, este versículo é o mais repetido pelos pregadores da teologia da prosperidade, que apregoam a idéia do super crente. “Você pode ter saúde, você pode ter dinheiro, você pode ter sucesso... tudo posso naquele que me fortalece!” esbravejam os falsos profetas.

Mas o apóstolo Paulo não estava se referindo a conquistar ou a se obter algo. Antes, muito pelo contrário! Vejamos o contexto:

“Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece. Todavia, fizestes bem, associando-vos na minha tribulação.” (Filipenses 4:11-14 RA)
Quando Paulo escreveu o famoso “tudo posso” ele passava por grande tribulação, pois estava encarcerado. Portanto, como se percebe na leitura do contexto, a interpretação correta é: “tudo posso suportar”.

Quer seja humilhado, ou honrado, na fartura, ou na fome, tanto em situação de abundância, quanto de escassez, “tudo posso naquele que me fortalece”.

Pedis e não recebeis porque pedis mal

Por mais de uma vez já ouvi pregadores usarem este versículo para ensinar o seguinte:

“Você precisa ser específico no seu pedido. Se você pede a Deus um carro, diga qual a marca, o modelo, se é completo; se está pedindo uma casa, especifique o bairro, com quantos quartos e banheiros, se quer piscina e churrasqueira; ou seja, você não tem recebido nada disso porque não tem pedido direito. Pedis e não recebeis porque pedis mal!”

Este tipo de ensinamento é ridículo e não tem base nas Escrituras. E nem é preciso examinar o contexto para se revelar a farsa. Basta concluir a leitura do próprio versículo:

“pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.” (Tiago 4:3 RA)

A parte final, que diz “para esbanjardes em vossos prazeres” é omitida por aqueles que desejam ensinar o contrário do que a Bíblia ensina.

Deus não responde orações de pessoas egoístas e mundanas. Nem sequer as ouve (Is 58:3; Jr 14:12-16)  Mas, a fim de que ainda não reste nenhuma dúvida, vejamos então o contexto:

“De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne? Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres. Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:1-4 RA)

Somos mais do que vencedores

Usado fora de seu contexto, esta frase transmite a falsa idéia de que a vida do crente “é só vitória”, como costumam dizer alguns.

Mas o apóstolo Paulo especificou em quais situações é que somos mais do que vencedores. O versículo completo diz o seguinte:

“Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” (Romanos 8:37 RC)

“Em todas estas coisas...” Quais coisas?

A resposta, bem como o entendimento para este versículo, está em seu contexto:

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” (Romanos 8:35-37 RC)

Ao contrário de uma vida isenta de lutas e sofrimento, o apóstolo Paulo declara que somos mais do que vencedores nas seguintes circunstâncias: Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, ou espada.

E, qual a nossa vitória, em meio a tantas adversidades? Novamente, o contexto nos responderá:

“Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!” (Romanos 8:37-39 RC)

A nossa grande vitória é não duvidar deste amor que Deus tem por nós, provado em nosso Senhor Jesus Cristo. Ainda que venha tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, ou mesmo a morte, nada poderá nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!

03 março 2010

OUTRO JESUS, OUTRO ESPÍRITO, OUTRO EVANGELHO

por Alan Capriles

O Espírito Santo poderia usar um falso crente para operar sinais e prodígios?

Minha tese é que não. Tenho absoluta certeza que não. E, nas linhas abaixo, espero provar que não é o Espírito Santo que está atuando através dos milagreiros que aparecem na televisão.

O texto é um pouco longo, devido a importância desta questão. Mas, acredite: você precisa ler até o fim e orar seriamente a respeito deste assunto.

Antes de prosseguir, é preciso esclarecer que não se trata de julgar uma pessoa como falso crente. Sabemos que o Senhor nos proíbe de julgar (Mt 7:1). Por outro lado, no mesmo capítulo somos advertidos a examinarmos os frutos de alguém que se diga porta-voz do Senhor, a fim de não sermos enganados por um falso profeta, pois eles sempre se “apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.” (Mt 7:15-23)

Perceba que um falso pregador, ou profeta, não é apenas um lobo, mas um lobo “roubador”. E isto é bastante significativo, pois revela qual a real motivação para enganar as pessoas (usando o nome de Jesus): arrancar-lhes dinheiro!

E isto é mau, é um fruto muito mau. A este respeito, confira o que nos ensinou o Senhor:

“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mateus 7:15-20 RA)

Mesmo assim, muitos crentes parecem não enxergar os falsos pregadores, pois o ministério destes costuma ser caracterizado por sinais e prodígios, tais como profecias, exorcismos e milagres de todo tipo. E, além do mais, alguns deles estão na televisão, enfatizando estas extraordinárias manifestações do... Espírito Santo?

Não... É melhor não se apressar em dizer que são do Espírito Santo.

Afirmo isto porque, no mesmo texto em que o Senhor nos adverte contra os “lobos roubadores”, ele também prossegue dizendo o seguinte:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mateus 7:21-23 RA)

Não é por acaso que este texto é a continuação do anterior. Sem dúvida, o Senhor sabia que os falsos pregadores usariam de sinais e prodígios para tentar nos enganar. Sendo assim, Jesus deixou claro que não basta chamá-lo de Senhor, e nem operar tais manifestações em seu nome, pois a evidência da salvação não é o poder, mas o fruto de uma vida que faça a vontade de Deus.

Chegamos a esta primeira conclusão importante: profecias, exorcismos e milagres, ainda que realizados usando-se o nome de Jesus, não significam que seja uma obra de Deus.

O problema é que muitos pensam exatamente o contrário. Por não examinarem as Escrituras, a maioria dos crentes conclui que Deus está aprovando o ministério de alguém somente por causa dos sinais e prodígios que nele ocorrem. Isto é um erro gravíssimo, pois o Senhor nos alertou do que aconteceria nestes últimos dias que vivemos:

“porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.” (Mateus 24:24 RA)

O que seriam estes “grandes sinais e prodígios”?

Um paralítico andar não é um grande sinal? Um dente transformar-se em ouro não é um grande prodígio? Assim como pessoas caírem ao chão pelo poder emanado por alguém. Estas manifestações, e outras até mais assombrosas, têm acontecido em alguns ministérios e diariamente são divulgadas em canais abertos de televisão.

Como resultado desta propaganda, multidões têm sido atraídas a estes ministérios. Surge agora uma nova questão: o fato de seus templos estarem lotados não significa uma aprovação de Deus?

Mais uma vez, a resposta é um categórico “não”. Preste bastante atenção no seguinte alerta do Senhor, quanto a estes últimos dias:

“Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos.” (Mateus 24:5 RA)

O Senhor não somente nos adverte que viriam em nome dele, ou seja, realizando seus atos “em nome de Jesus”, mas também revela que estes falsos ungidos enganariam “a muitos”.

Chegamos a outra importante conclusão: a quantidade de pessoas não significa que Deus esteja aprovando determinado ministério, ainda que sejam milhares de seguidores.

Vejamos um pouco melhor esta questão:

“Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito.” (Mateus 24:23-25 RA)

Talvez muitos não atentem para o cumprimento deste versículo por não saberem o que Jesus quis dizer com “falsos cristos”. A palavra “cristo” é um termo grego que significa “ungido”. A partir do Novo Testamento somente o Senhor Jesus é chamado de “Ungido”, ou Cristo (At 4:26). Mas, não é verdade que atualmente muitos pregadores dizem que são os “ungidos” do Senhor?

Todo aquele que diz, acerca de si mesmo, ser o “ungido do Senhor” é um falso cristo. E todo aquele que prega por dinheiro é um falso profeta. A profecia está se cumprindo.

O Senhor previu que isto aconteceria nestes últimos dias. E isto está acontecendo agora mesmo!

Portanto, não se apresse em dizer que o Espírito Santo está operando através do ministério de supostos ungidos e profetas, ainda que tenham o título de pastor, bispo, missionário, ou até mesmo de apóstolo.

Verifique o fruto! Jesus nos ensinou como não sermos enganados: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:20)

Caso tenhamos dificuldade em saber dos pormenores da vida destes milagreiros, basta analisar suas pregações, que são o fruto de seus lábios (Lc 6:45; Hb 13:15). E, comparando aquilo que pregam com as Escrituras, poderemos reconhecer se estão dando bom ou mau fruto.

Lamentavelmente, o que tenho percebido é que todos os milagreiros evangélicos que aparecem na televisão têm pregado heresias, ou seja, ensinos contrários à Palavra.  Aproveitando-se da falta de conhecimento que as pessoas têm da Bíblia, eles ensinam outro evangelho, que não é o da graça de Deus, e até chegam a pregar outro Jesus, diferente do Cristo das Escrituras.

E, quando se prega outro Jesus, as pessoas abraçam outro evangelho e, certamente, receberão outro espírito, que não é o Espírito Santo.

Isto é grave, terrivelmente grave. O apóstolo Paulo parece ter nos alertado a este respeito:

“Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis.” (2 Coríntios 11:4 RC)

Pregar outro evangelho é tão grave, que o apóstolo Paulo declara ser amaldiçoado (anátema) aquele que o fizer (Gl 1:9). A razão de tanto rigor é o risco de as pessoas receberem “outro espírito” nas reuniões em que se prega “outro evangelho”.

Esta é a chave para se entender o que está acontecendo no meio evangélico. É preciso enfatizar isto:

Quando se prega outro Jesus, as pessoas abraçam outro evangelho e recebem outro espírito, que não é o Espírito Santo.

Portanto, não é o Espírito Santo que está operando através dos milagreiros que aparecem nos programas evangélicos da televisão. Não é o Espírito Santo que está fazendo as pessoas darem gargalhadas incontroláveis, caírem ao chão, ou perderem totalmente o controle de si mesmas, em movimentos espasmódicos, giros, ou correrias pelo templo.

Antes de encerrar, gostaria de esclarecer que creio no poder de Deus, seja para profetizar, curar, expulsar demônios ou qualquer outra extraordinária manifestação. Mas, a questão não é esta.

Se os ministros que aparecem na TV estivessem pregando o genuíno evangelho, eu seria o primeiro a crer que seus milagres procedem de Deus. Mas, a questão é: estes milagreiros evangélicos têm sido um escândalo para o evangelho. 

Quase sinto vergonha de ser pastor, por causa destes falsos ministros do evangelho, que não medem a conseqüência de seus atos e palavras. Quanta diferença de um verdadeiro apóstolo, como Paulo, que escreveu: “não dando nós nenhum motivo de escândalo em coisa alguma, para que o ministério não seja censurado.” (2 Coríntios 6:3 RA)

Acordem irmãos! Somos testemunhas de um tempo profetizado pelo Senhor. Tempo de falsos ungidos e falsos profetas, que realizam grandes sinais e prodígios, através dos quais muitos têm sido enganados.

E você?

25 fevereiro 2010

AS 12 RAZÕES PARA ELIMINAR O ENTRETENIMENTO EM SUA IGREJA

Um alerta solene aos pastores

 
Por Alan Capriles

O entretenimento está tão enraizado na cultura evangélica brasileira que parecerá um absurdo a tese que defendo. No entanto, esse não é um problema novo e nem exclusivamente nosso. Já na segunda metade do século 19, em seu famoso artigo "Apascentando ovelhas ou entretendo bodes?" o pastor inglês Charles Haddon Spurgeon, alertava que o fermento diabólico do entretenimento acabaria levedando toda a massa do evangelho.[1] E é nesse lastimável estado de fermentação que se encontra a massa evangélica atual - não somente no Brasil, mas em praticamente todo o mundo.

Hoje em dia é quase impossível que uma igreja não tenha conjuntos musicais, corais, grupos de coreografia, ou cantores para se apresentar durante o culto. Não estou dizendo que seja errado se divertir de vez em quando, ou que seja pecado cantar e dançar. Particularmente, valorizo muito meus momentos de descontração, pois sei o quanto isso me faz bem. No entanto, é de consenso geral que tudo deve ter sua hora e seu apropriado lugar. A despeito disso, vemos na maioria das igrejas o precioso tempo do culto, que deveria ser usado para edificação, ser tomado por todo tipo de apresentações, com a desculpa de que "é tudo pra Jesus". Apenas esqueceram de perguntar-lhe se ele deseja tal coisa... Mas, ironias à parte, a realidade é que tais apresentações não passam de entretenimento vão, que em nada edificam, mas que vem acrescidas de um verniz de santidade, ou capa de religiosidade, para que sejam chamadas de obra de Deus.[2]

Por favor, que ninguém fique ofendido, pois também expresso aqui um mea culpa. Houve época em que também eu desperdiçava horas com ensaios de conjuntos e coreografias, enganando a mim mesmo e convencendo também aos outros de que esse ativismo todo podia ser chamado de obra de Deus. Mas a verdade é que eu sempre senti que havia algo de errado - que não era nisso que deveríamos estar focados - e isso fazia com que eu me sentisse um traidor. Como não havia quem me alertasse, foi por meio de minha própria meditação nos evangelhos que tive meus olhos abertos e fui convencido de meu erro.

Desde então tenho refletido seriamente a respeito disso, percebendo o quanto temos deixado de crescer com nossas distrações pueris e o quanto isso tem prejudicado a propagação do verdadeiro evangelho. Consegui encontrar mais de uma dezena de boas razões para eliminar por completo o entretenimento dos cultos na igreja que pastoreio - algo que logo fizemos! Passamos então a investir melhor nosso tempo, substituindo as horas que antes gastávamos com ensaios entre quatro paredes por evangelização na comunidade, encontros de edificação nos lares e pela realização de projetos sociais relevantes.[3] E, quanto às apresentações nos cultos... sinceramente, não estão fazendo a menor falta.

Sendo assim, compartilho pelo menos 12 razões que nos fizeram eliminar o entretenimento dos cultos que realizamos - lembrando que nossa resolução, aparentemente radical, só nos trouxe benefícios, tanto a nível individual, quanto coletivo.

1 - Não encontramos qualquer incentivo de Cristo ao entretenimento em seu nome
Para os que realmente querem seguir os ensinamentos de Cristo, somente esta razão já seria suficiente e não precisaríamos de qualquer outro argumento. O problema é que raramente se encontra hoje uma igreja que queira levar a sério o que Jesus ensinou. Sendo assim, talvez seja necessário ainda os argumentos a seguir.

2 - Entretenimento não atrai ovelhas
Particularmente, não gosto de rótulos. Mas, a título de melhor compreensão, chamemos de ovelhas aqueles que realmente amam a Jesus e buscam seguir seus ensinamentos (Jo 10:27). Esse argumento interessa principalmente a pastores que buscam atrair pessoas já convertidas para suas igrejas - o que não é necessariamente errado, pois há crentes que mudam de cidade e precisam encontrar uma boa igreja para congregar. Ora, dificilmente a realização de shows na igreja atrairá cristãos fiéis, aqueles que realmente estão interessados em crescimento espiritual. Por outro lado, as apresentações no culto serão um atrativo para os que gostam de uma distração gratuita. Mas, será que podemos chamar esses crentes de ovelhas, ou, como sugeriu Spurgeon, não seria melhor identificá-los como bodes, uma vez que só buscam entretenimento? (Mt 25:32-33)

3 - Entretenimento afasta as ovelhas
As verdadeiras ovelhas não se satisfazem com apresentações durante o culto. Elas querem oração e palavra, edificação e unção. Uma ovelha de Cristo não procura emoções, mas a Verdade, a fim de que se mantenha firme no caminho da vida e na propagação do reino (Jo 6:67). Quanto mais o pastor encher o culto com apresentações, mais rapidamente as verdadeiras ovelhas irão debandar, em busca de uma igreja mais fiel, que priorize a oração e o ensino da Palavra. Aos poucos, a "igreja-show" deixará de ter ovelhas para estar ainda mais cheia, porém de bodes, que gostam de uma boa distração. E, infelizmente, o que muitos pastores buscam hoje é somente quantidade - o crescimento a qualquer custo. E, com este fermento, a massa realmente cresce...

4 - Entretenimento reduz o tempo de oração e palavra
O tempo de culto já é muito limitado, chegando a ter, no máximo, duas horas. Quando se dá oportunidade para apresentações, o tempo que deveria ser usado para oração e ensino torna-se curtíssimo. Em algumas igrejas o momento reservado para a Palavra não chega nem a vinte minutos por culto! Como desenvolver uma mensagem expositiva, que realmente alimente as ovelhas, em tão curto espaço de tempo?

5 - Entretenimento confunde os visitantes
Os visitantes de uma igreja de entretenimento concluirão que ela existe em função disto: de criar conjuntos, corais, coreografias, peças teatrais, ou qualquer outro tipo de apresentação que torne o culto divertido. E eles passarão a frequentar os cultos com esta expectativa, esperando pelo próximo espetáculo e não para se desenvolver espiritualmente.

6 - Entretenimento ilude os membros
É normal que os membros das igrejas voltadas para o entretenimento pensem que estão servindo a Deus com suas apresentações. Desta forma, sua consciência fica cauterizada para atender aos apelos  para participar da escola bíblica, do evangelismo, ou dos projetos de assistência social. Afinal de contas, o membro pensa que seu chamado é para um palco (ao qual chama de altar), e não para serviços que não lhe colocam debaixo de holofotes - os quais são muito comuns nas igrejas hoje em dia.

7 - Entretenimento é um desgaste desnecessário
Quanto esforço é despendido para que tudo saia perfeito: o passo de dança, a afinação do coral, a fala decorada... Tanta energia gasta naquilo que o Senhor nunca mandou fazer! Será que ainda restarão forças e tempo para se fazer o que realmente Cristo nos ordentou fazer? (Lc 6:46; Mt 25:31-46)

8 - Entretenimento coloca os carnais em destaque
Pessoas que raramente aparecem nos cultos de oração e estudo bíblico, e que nunca comparecem ao evangelismo, geralmente são as mesmas que gostam de aparecer cantando, dançando ou representando nos cultos mais cheios. A questão é: Por que dar prioridade e destaque justamente para esses membros que desprezam o próprio crescimento espiritual?

9 - Entretenimento promove disputas
Disputas entre membros, entre conjuntos e até entre igrejas. Quem canta melhor? Quem dança melhor? Que conjunto tem o uniforme mais bonito? Quem recebeu mais oportunidade? (1 Co 3:3; Tg 4:1)

10 - Entretenimento alimenta o ego
O entretenimento não gera fé, mas fortalece o ego dos que amam receber aplausos e elogios. Apesar de sua roupagem "gospel", o fermento dos fariseus continua tão venenoso quanto nos dias de Jesus (Mt 23:5-6; Lc 12:1)

11 - Entretenimento é um desperdício de tempo
Alguém já disse que "a mais lamentável de todas as perdas é a perda do tempo." Se o mesmo tempo que as igrejas gastam com ensaios e apresentações fosse utilizado com oração e evangelismo, este mundo já teria sido alcançado pela graça de Deus! (Ef 5:15-17)

12 - Entretenimento não é fazer a obra de Deus
A desculpa para o entretenimento é que este seria uma forma estratégica de atrair as pessoas. Mas a questão novamente é: que tipo de pessoas? Se entretenimento fosse uma boa alternativa, certamente a igreja apostólica teria usado de entretenimento para atrair as multidões. No entanto, os apóstolos simplesmente pregavam o evangelho, porque sabiam que nele há poder. O evangelho "é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rm 1:16). Mas o entretenimento... O entretenimento é a artimanha do homem para a perdição de todo aquele que se distrai.

Devo concluir com uma palavra direta aos pastores. De pastor para pastor. Amado colega de ministério, não duvide do poder do evangelho para atrair e converter as pessoas. Não queira encher sua igreja com atividades vazias e atraentes ao mundo, mas que não têm o poder do Espírito Santo para converter vidas. Tenha coragem e limpe sua congregação desta imundície egocêntrica. Igreja não é circo, nem clube. Talvez, com tal atitude, você perderá alguns membros - mas, lembre-se: não perderá ovelhas, somente bodes. Tenha fé em Deus e confie no modelo bíblico para o crescimento saudável da igreja, modelo que é pautado na oração, nas boas obras e na pregação ousada do genuíno evangelho de Cristo. Lembre-se também disto: "enquanto os homens procuram melhores métodos, Deus procura melhores homens." Seja você esse homem.

Alan Capriles
(Atualizado em Set/2014)

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Notas

[1]  Confira o alerta de Spurgeon clicando aqui.

[2] Promover a mútua edificação deve ser o propósito de toda reunião cristã (1Co 14:26)

[3] Isso não significa que nossa igreja não tenha atividades divertidas, ou momentos de lazer em comunhão. Significa somente que não usamos mais o tempo do culto para tais atividades, que são importantes, mas não a ponto de permitirmos que roubem o tempo devido a oração e a palavra.

03 fevereiro 2010

EVENTO OU... É VENTO?

Por Alan Capriles

São Gonçalo, município do estado do Rio de Janeiro, é considerado por muitos como a cidade brasileira com o maior número de igrejas por metro quadrado. São tantas as diferentes denominações (e algumas demoniações) que não é raro encontrarmos uma igreja em frente da outra, ou mesmo ao lado, compartilhando da mesma parede, mas disputando decibéis e membros infiéis.

Por ser assim tão grande o número de congregações, vejo São Gonçalo como uma espécie de proveta, um tubo de ensaio do que deve ou deverá acontecer em breve por todo território nacional. Ora, as estatísticas apontam que o crescimento do número de igrejas evangélicas no Brasil é um fenômeno colossal, a ponto de despertar a curiosidade dos mais renomados estudiosos acerca do assunto. Desta forma, em pouco tempo haverá tantas igrejas pelo país quanto bares nas esquinas, coisa que já acontece em São Gonçalo.

A princípio, parece ótimo. Mas, observe: haverá "tantas quanto", e não "tantas no lugar de", ou seja, os bares continuam lá, porque o que está acontecendo em São Gonçalo e em todo território brasileiro não é um avivamento. Todos sabemos que um genuníno avivamento é caracterizado pelo impacto causado na sociedade. Por exemplo, conta-se que certo viajante atravessava uma cidade da Nova Inglaterra e perguntou a um morador onde poderia encontrar um bar para beber e se descontrair. O morador respondeu: "não há mais bares em nossa cidade, porque há 100 anos atrás John Wesley andou pregando por aqui." Aquela cidade sim, havia experimentado um verdadeiro avivamento.

E o que acontecerá no país quando houver tantas igrejas quanto bares?

A resposta é: o que já está acontecendo em São Gonçalo! As igrejas disputando membros, assim como os bares disputam a clientela.

Obviamente, esta disputa acontece de maneira velada, discreta. E de que forma ela acontece? Aqui em São Gonçalo, tubo de ensaio do evangelicalismo nacional, uma igreja é avaliada pela popularidade e quantidade de seus eventos. Uma igreja é avaliada entre o povo e, principalmente, entre os crentes pelo número de Festivais, Congressos, Louvorzões, Vigílias (que de oração não tem é nada) entre muitas outras formas de entretenimento.

Tais eventos precisam ter uma leve maquiagem cristã, como um versículo bíblico no cartaz, para não transparecer suas reais intenções: atrair os membros de outras igrejas. E, claro que não são atraídos pelo versículo, mas pelo cantor ou pregador famoso que lá estará. A presença deste é garantida pelo pagamento de um alto cachê, geralmente com adiantamento, coisa que só igreja grande pode fazer.

Mas, e as outras, que não podem pagar? Há duas alternativas. Colocam seus membros para vender os cds do cantor semanas antes do evento (e nisto há duas infrações: trabalho escravo e sonegação de impostos) ou então criam formas alternativas de arrecadar dinheiro. Por exemplo, conheço um pastor que convenceu os jovens a vender alho no sinal de trânsito, durante mais de um mês, a fim de pagar o cachê da cantora Pâmela, que iria se apresentar no Congresso de jovens.

Outra forma de garantir a presença de membros de outras igrejas é a tal da "oportunidade". Envia-se a carta convite, encaminhada ao líder do ministério que se pretende dar a oportunidade. Sendo assim, tal ministério precisa ter um conjunto bem ensaiado, porque, ao atender o convite, eles irão receber a tal da "oportunidade". Por isso, aqui em São Gonçalo, praticamente todas as igrejas precisam ter diversos conjuntos: masculino (para se apresentar no congresso de varões), conjunto feminino, de jovens, de adolescentes e de crianças. A coisa é tão séria, que se uma igreja não tiver seus conjuntos, ela é desprezada pelas demais e vista com desconfiança pela comunidade. Ora, aqui em São Gonçalo, igreja sem conjunto não é igreja.

Outro dia, estava conversando com um pastor e ele me contava de seu esgotamento espiritual. Ingenuamente, imaginei que fosse pelo excesso de pregações, ou de aconselhamentos, ou de visitas pastorais, ou mesmo de intercessões a favor dos santos. Mas, não! Ele estava esgotado pelo gerenciamento de inúmeros eventos que sua igreja realizou no último ano. Seu esgotamento não era espiritual, mas simplesmente físico...

Meu conselho para aquele amigo foi lembrá-lo de que nós, como pastores, um dia prestaremos contas ao Senhor não apenas de nossa vida pessoal, mas também de como conduzimos as suas ovelhas. Ele não nos cobrará o número de eventos que realizamos, mas o número de almas que ganhamos e mantivemos em santidade e amor, dando frutos de uma vida regenerada em Cristo, para glória exclusiva do próprio Deus.

Quase choro quando percebo que somente naquele grande Dia, quando os livros se abrirem, é que muitos dar-se-ão conta de que tanto desgaste evangélico, com ensaios e apresentações egocêntricas, não significaram nada. Absolutamente nada! Tudo isto será reduzido a pó e cinzas. Pelo simples fato de que o evangelho de Cristo não tem nada haver com tais espetáculos. Nosso Senhor nunca nos mandou realizar tais coisas, e nem mesmo sombra de tais eventos havia na igreja apostólica, na qual devemos nos espelhar.

Falo com propriedade a respeito do assunto porque já fiz parte deste sistema. Apesar de nunca termos chamado ninguém famoso, nossa igreja mantinha seus conjuntos e grupos de coreografia sempre a postos, a fim de atender aos convites ou se apresentarem nos muitos eventos da casa.

Mas um dia o Senhor me despertou. E, como pastor, precisei decidir entre agradar a Deus, ou aos homens. Ora, para um verdadeiro servo de Cristo obedecer a Deus não é uma decisão difícil. Por causa da minha decisão, alguns membros me abandonaram, outros disseram que eu deveria ter me preocupado mais em como eles se sentiriam, mas "se eu estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo." Minha preocupação é como o Senhor se sente em relação a sua Igreja, porque um dia prestarei contas de como conduzi suas ovelhas.

Não espere o juízo final para se arrepender de tanto ativismo inútil. Será tarde demais. Acorde agora para o fato de que o que está por trás de tais eventos é o ego decaído, que deseja somente se divertir e aparecer. Ou ainda pior, o que está mesmo por trás é o próprio diabo, desviando a atenção dos crentes daquilo que realmente importa: a fervorosa oração, a genunína Palavra e a compaixão pelas almas perdidas.

Se não acordarmos agora, temo que será realmente tarde demais. Não sobrará nada de sólido e duradouro deste período da igreja, caracterizado somente por tantos e tantos eventos. Porque, biblicamente falando, no fim das contas, e aos olhos de Deus:
evento, é vento.

03 janeiro 2010

AMBIÇÃO CONTROLADORA


Fiquei surpreso e muito impressionado com o trecho de um livro que terminei de ler dias atrás. Quero muito compartilhar com os leitores deste blog, porque a experiência de Steve Gallagher, autor de "A Grande Apostasia" se parece muito com a própria experiência de libertação pela qual passei em 2009, ano que mudou por completo minha vida.
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Qualquer um com uma personalidade carismática, habilidades naturais e uma mensagem positiva pode desfrutar de enorme fama e sucesso [no mundo gospel].

Conheço muito bem o sistema porque houve um tempo em que vivi atrás do que ele oferecia. De todo coração eu queria obter sucesso nele.

Minha busca por significado interior e honra exterior me levavam a trabalhar incansavelmente e a fazer campanha por causa própria. Tentei conhecer as pessoas certas e estar nos programas mais populares. Lutei e me esforcei muito para subir "essa escada". Orava de todo coração para que Deus abençoasse meu ministério.

Eu até era sincero em meu desejo de ajudar os outros, mas o "eu" dominava grande parte de meus esforços. Em 1992, apareci em diversos programas de rádio e televisão de alcance nacional, então, quando parecia que estava prestes a "estourar", tive uma crise: Deus começou a expor meu orgulho e minha ambição.

Sempre que tentava seguir meu próprio caminho, me deparava com a disciplina de Deus. Foi um período muito difícil de sete anos de severo tratamento.

Hoje sou extremamente grato pelo Senhor ter me libertado de minha ambição controladora.

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Trecho do livro
A Grande Apostasia - Editora Propósito Eterno, 2009. Pág. 201

07 dezembro 2009

REFORMA E REAVIVAMENTO

"A igreja evangélica brasileira precisa de uma nova reforma e de um verdadeiro reavivamento espiritual." Esta declaração, repetida enfaticamente pelo reverendo Hernandes Dias Lopes, vai na contra-mão da grande maioria dos líderes evangélicos desta nação, que insistem na falácia de dizer que os evangélicos experimentam seu melhor momento neste país.

Quase meio milênio depois do início da Reforma Prostestante, é evidente que a igreja evangélica precisa de uma nova reforma. O texto a seguir é esclarecedor neste sentido. Trata-se da compilação de uma mensagem que foi pregada pelo reverendo Hernandes Dias Lopes no dia em que a Reforma Protestante completava 492 anos.

Creio que esta brilhante mensagem (transmitida pela TV aberta em 31 de Outubro de 2009) entrará para a história da igreja evangélica brasileira como o início do despertar para uma nova reforma e reavivamento, assim como aconteceu com as 95 teses de Lutero, em 1517. O tempo se encarregará de provar isto. A Deus seja a glória!

REFORMA E REAVIVAMENTO
Rev. Hernandes Dias Lopes

Hoje eu quero abordar com você um dos temas mais oportunos, mais urgentes e mais necessários pra vida da igreja contemporânea. Eu quero conversar com você sobre o tema: reforma e reavivamento.

Eu tenho, com a graça de Deus, percorrido a nação brasileira, pregado em centenas de igrejas, em várias denominações evangélicas da nossa pátria. E tenho chegado a uma conclusão inequívoca, séria, preocupante: a igreja evangélica brasileira precisa passar por uma nova reforma.
Nós nos chamamos de igreja protestante, mas já não protestamos mais. Nós nos chamamos de igreja evangélica, mas muitas igrejas têm abandonado o verdadeiro evangelho, o antigo evangelho, o evangelho da graça, o evangelho da cruz de Jesus Cristo.

Hoje nós temos uma igreja que tem extensão, mas não tem profundidade. Uma igreja que tem influência política, mas não tem poder espiritual. Uma igreja que tem riqueza material, mas não tem integridade moral. Uma igreja que busca os aplausos dos homens, em vez de levar estes homens ao arrependimento. Uma igreja que prega para agradar e não para levar este homem ao arrependimento e a conversão. Nós precisamos parar e rever isso.

Porque nós temos hoje uma igreja que se diz evangélica, mas que é analfabeta da bíblia. Uma igreja que se diz evangélica, mas abraça todas as novidades estranhas à palavra de Deus. Uma igreja que tem deixado de anunciar o puro e simples evangelho de Jesus Cristo, para abraçar doutrinas estranhas, contrárias a palavra de Deus. Estamos vendo hoje muitos púlpitos evangélicos pregando prosperidade, riquezas e não a salvação em Cristo. E nós estamos vendo que as igrejas estão ficando lotadas de pessoas que estão buscando não a Deus, mas as bênçãos temporais de Deus. Elas não estão verdadeiramente no caminho da salvação, mas elas estão buscando alívios para os seus problemas apenas do aqui e do agora. Estamos vendo hoje uma pregação que enfatiza os milagres, as curas, o sobrenatural, mas não estamos vendo uma igreja conduzindo as pessoas a uma vida de santidade. Não estão mais pregando o evangelho verdadeiro, genuíno e puro da graça de Deus, que transforma o homem e que reconcilia este homem com Deus e que leva este homem a uma experiência verdadeira e genuína de novo nascimento. Nós precisamos de uma nova reforma.

Precisamos, na verdade, voltar àqueles pilares da reforma protestante: o “só a Bíblia”. Hoje, os sonhos, visões, revelações e novas profecias, estranhas e fora das Escrituras, têm substituído a bíblia em muitos púlpitos chamados evangélicos. Nós vemos evangélicos correndo atrás de verdadeiros gurus espirituais, pessoas que não examinam mais as Escrituras, pessoas que não conhecem mais as Escrituras. Pessoas que correm às fontes rotas de novidades forjadas no laboratório do engano, em vez de voltar-se pra verdade das Escrituras e examinar as Escrituras porque são elas que testificam de Cristo, que nos apontam o caminho da verdade, porque a bíblia é a verdade.

Nós precisamos voltar à gloriosa verdade do “só a fé”. Quanto misticismo no meio evangélico! Quantas pessoas botando um copo d’água em cima do rádio, ou da televisão, achando que bebendo aquela água ela está recebendo os fluídos da graça de Deus. Quantas pessoas que crêem numa rosa ungida, num lenço ungido, em coisas que brotam do misticismo e não das Escrituras sagradas. Nós estamos vivendo a realidade onde as pessoas estão trocando o rótulo, mas mantendo os chamados evangélicos prisioneiros do mesmo misticismo pagão. Nós precisamos de uma nova reforma na igreja evangélica brasileira.

Precisamos reafirmar que “só a graça”. Estamos vivendo um período em que as igrejas chamadas evangélicas estão desenterrando as indulgências da idade média. Pessoas que compram as bênçãos de Deus por dinheiro. Pessoas que fazem do púlpito um balcão, do evangelho um produto, da igreja uma empresa e dos crentes consumidores. Igrejas em que não está muito claro se é verdadeiramente uma empresa, cuja finalidade é arrecadar dinheiro, ou se é uma agência do reino de Deus para pregar o evangelho da graça. Nós precisamos de uma nova reforma na igreja evangélica brasileira.

Nós precisamos de uma igreja que pregue somente Cristo. Quantas mensagens que focam os holofotes no ser humano, na grandeza do homem, na importância do homem! Nós estamos vivendo hoje, na realidade evangélica brasileira, o culto à personalidade. Estamos vivendo hoje situações em que pregadores e cantores são tratados como verdadeiros astros de cinema, estamos vivendo o pecado da tietagem evangélica, na realidade evangélica brasileira. A igreja precisa de uma nova reforma.

Estamos vendo a realidade de uma igreja que não tributa e não rende toda a glória apenas a Deus. Nós entendemos que tudo é dele, tudo vem dele, tudo é por meio dele e tudo é para ele. Toda a glória que não é dada a Deus é vanglória, é glória vazia, na verdade é idolatria e nós não podemos aceitar esta realidade no contexto de uma igreja que se chama evangélica. Nós precisamos de uma nova reforma.

Mas é importante ainda dizer o seguinte: eu disse que o meu tema hoje é reforma e reavivamento. Por outro lado, nós temos também uma igreja que se diz reformada, uma igreja que se diz histórica, uma igreja que se diz plantada no solo da verdade, mas que também, por outro lado, professa uma ortodoxia morta, sem vida, sem viço, sem alegria de Deus, sem fervor espiritual. Um intelectualismo árido, seco, morto e vazio. Precisamos de reavivamento. Precisamos de uma vida plena do Espírito Santo de Deus. Não basta apenas ter luz na cabeça, é preciso ter fogo no coração. Não basta apenas ter conhecimento, é preciso ter também experiência. Não basta apenas saber muito a respeito de Deus, é preciso ter intimidade com Deus.

Eu olho para a bíblia e vejo, por exemplo, a igreja de Éfeso. Jesus Cristo elogiou a igreja de Éfeso pela sua ortodoxia. Era uma igreja que não tolerava o engano, que não tolerava as falsas doutrinas, que não tolerava as heresias. Mas Jesus Cristo disse para aquela igreja: “eu tenho uma coisa contra ti” igreja de Éfeso, é que “tu abandonaste o teu primeiro amor”. Doutrina sem vida não glorifica a Deus. Ortodoxia sem piedade não glorifica a Deus. Conhecimento teológico que não se traduz em vida, em prática de cristianismo não glorifica a Deus. Há muitas pessoas ortodoxas, mas estão secas como um poste, sem vida, sem viço, sem alegria de Deus, sem entusiasmo, sem paixão pela obra de Deus, sem envolvimento com o reino de Deus. Nós precisamos de um reavivamento espiritual.

Estamos vendo uma realidade triste no contexto evangélico, de muitas pessoas que se dizem protestantes, que se dizem reformadas, outros que se dizem calvinistas, outros que se dizem ortodoxos, mas que estão com a vida absolutamente murcha, seca, árida. Igrejas que estão morrendo, igrejas que estão minguando, igrejas que estão diminuindo, igrejas que estão encolhendo, igrejas que estão perecendo. Não por falta de conhecimento, mas por falta de aplicar este conhecimento na prática. Igrejas que muitas vezes estão ensimesmadas, soberbas. Que acham que somente elas estão no reduto da verdade e enquanto são absolutamente críticas com os outros, mas não vivem esta verdade que professam crer. Precisamos de um reavivamento.

Você olha, por exemplo, o que Jesus Cristo disse para a Igreja de Esmirna. A igreja de Esmirna era o contrário da igreja de Éfeso. A igreja de Éfeso tinha doutrina, mas não tinha amor – Jesus a corrigiu e a exortou. A igreja de Esmirna tinha amor, mas não tinha doutrina – e Jesus também a corrigiu e a exortou. Nós não podemos ter uma igreja que tem plenitude da sua cabeça e o vazio do seu coração – isso não glorifica a Deus. Nem também glorifica a Deus aquela igreja que tem a plenitude do coração e o vazio da sua cabeça. Nós precisamos voltar a unir o que nunca podia ter sido separado, ou seja: ortodoxia e piedade. Nós precisamos de doutrina certa e de vida certa. Nós precisamos de conhecimento e precisamos de prática de cristianismo. Nós precisamos de teologia certa e de cristianismo certo, nós precisamos de reforma e de reavivamento.

Eu olho pra história da igreja e vejo que muitas vezes a ortodoxia por si mesma não pôde produzir os resultados que a igreja precisava. Só quando a igreja se humilha, só quando a igreja chora pelos seus pecados, só quando a igreja acerta sua vida com Deus, só quando a igreja se prostra sob a onipotente e poderosa mão de Deus e clama por um despertamento e clama pela plenitude do Espírito Santo de Deus, é que esta igreja é revitalizada, é fortalecida, é reavivada e ela se levanta como que de um vale de ossos secos para se tornar um poderoso exército nas mãos do Deus todo-poderoso.

Eu aguardo o tempo em que as igrejas evangélicas desta nação se voltem para as Escrituras. Este é o meu sonho, este é o meu projeto de vida, este é o meu empenho ao percorrer a nação brasileira: é conclamar a igreja evangélica brasileira a voltar para a bíblia, para que os púlpitos se tornem instrumentos da proclamação da verdade do evangelho.

Mas, muito mais do que isso, nós precisamos ter uma vida cheia de Deus, da plenitude de Deus, da plenitude do Espírito Santo de Deus. Por que não basta apenas conhecimento, é preciso ter vida no altar de Deus, vida cheia do Espírito Santo de Deus. Este país, a nação brasileira, precisa experimentar um verdadeiro avivamento espiritual. Não avivamento forjado, fabricado, não fogo estranho, não algo que o homem produz. Nós precisamos entender que avivamento espiritual é obra soberana do Espírito Santo de Deus. A igreja não produz avivamento. A igreja ora por avivamento. A igreja prepara o caminho para a chegada do avivamento. Mas só o Espírito Santo de Deus pode produzir um verdadeiro avivamento espiritual.

Você que está me vendo e ouvindo nesta hora.* Eu gostaria de conclamar você a buscar de Deus uma reforma espiritual na sua vida e a buscar um reavivamento espiritual para sua vida. Para que você ore, para que haja uma reforma espiritual na igreja evangélica brasileira e para que esta igreja, em verdade, ela possa então buscar um reavivamento.

Eu preciso dizer para você: não há reavivamento sem reforma. Não há plenitude do Espírito onde a palavra de Deus está sendo neutralizada por tantas novidades e heresias que tem encontrado guarida no campo e na seara evangélica brasileira. Nós precisamos voltar para a bíblia e então buscar de Deus um verdadeiro e genuíno avivamento espiritual.

Eu quero orar com você. E eu anseio ardentemente que você entre nesta cruzada conosco. Que você abrace esta causa conosco, para que Deus, com sua imensa graça, nos dê a bênção de ver na nação brasileira uma igreja bíblica, uma igreja fiel, uma igreja verdadeira, uma igreja cheia do Espírito Santo de Deus.


*Mensagem transmitida pela televisão no programa “Verdade e Vida”, em 31 de Outubro de 2009.
Confira o vídeo:  parte 1  e  parte 2 

03 dezembro 2009

IGREJA PRIMITIVA: JARDIM DE INFÂNCIA?

Acabo de ouvir um dos maiores absurdos que já foi dito num debate evangélico. Creio que qualquer cristão sincero concordará comigo.

Costumo ouvir os debates da rádio Melodia, que considero melhores do que os da 93FM, mas, de vez em quando, fico indignado com algumas asneiras que são ditas. Geralmente deixo prá lá, embora lamentando pelos ouvintes que não sabem identificar o erro. Porém, ouvi um absurdo tão grande no debate de hoje, que não posso deixar passar em branco.

Uma certa doutora (a quem não estou julgando) declarou que a igreja evangélica atual não precisa de nenhuma nova reforma, pois o modelo bíblico de igreja, segundo o livro de Atos, simplesmente não deve ser seguido.

Segundo ela, "a igreja primitiva foi a infância da igreja" e agora sim é que a igreja estaria amadurecida. Parece inacreditável, mas foram exatamente estas as palavras da erudita debatedora: "a igreja primitiva foi a infância da igreja"!

O mais grave de tudo é que nenhum dos outros debatedores, alguns de carteirinha, e nem mesmo o moderador do debate, nenhum deles manifestou desaprovação ou sequer surpresa com esta declaração absurda. E, como diz o ditado, "quem cala, consente".

Ainda segundo a doutora, os pastores que alertam para a necessidade de uma nova reforma, estariam prejudicando os membros de suas igrejas. As palavras dela foram tão duras contra estes pastores, que chegaram a ser depreciativas e condenatórias. Talvez ela não saiba que, entre os pastores que alertam para a urgente necessidade de reforma, estão verdadeiros homens de Deus, como o reverendo Hernandes Dias Lopes, no Brasil, o bispo Walter McAlister ou o pastor Paul Washer, nos Estados Unidos.

Ao chamar a igreja do livro de Atos de infantil estaria ela afirmando que os apóstolos brincavam com as coisas de Deus? Será que os auto-consagrados "apóstolos" destes últimos dias são mais cheios do Espírito Santo que os apóstolos Pedro, João e Paulo?

Como se atreve esta doutora a dizer um absurdo tão grande assim?!

Aproveito para desabafar que me sinto angustiado contra este modelo de igreja-empresa que hoje se apresenta, onde o que era pra ser casa de oração virou "casa de show", altar virou "palco" e pastor de ovelhas virou "animador de auditório". Será que estão todos dormindo? Talvez estejam sim, a grande maioria, ou pior ainda: talvez estejam cegos!

Mas as palavras absurdas da doutora apenas refletem a característica deste último período da igreja, no qual a maioria dos pastores receberiam do Senhor a mesma mensagem que foi destinada para a igreja de Laodicéia:

“Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu), aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te.” (Apocalipse 3:17-19 RC)

Mas, alguém ainda quer ouvir falar em zelo e arrependimento?

07 novembro 2009

2012 - VERDADE OU MITO?


Por Alan Capriles

Com estréia prevista para a próxima sexta-feira (13 de Novembro), o filme 2012 promete ser o filme catástrofe do ano. Seu diretor, Roland Emerich, já ficou mundialmente conhecido por dois outros filmes do mesmo gênero, "Independence Day" e "O Dia Depois de Amanhã".

Neste filme, nem o famoso monumento do Cristo Redentor escapa da fúria da natureza. A trama se aproveita da polêmica que circula na internet em torno do calendário Maia. A última data deste calendário é o dia 21 de Dezembro de 2012. Como os maias eram peritos em astronomia, muitos acreditam que eles teriam previsto uma catástrofe astronômica para esta data: o fim do mundo, ou o começo de uma nova era para a humanidade.

Coincidência ou não, circula na internet vídeos que anunciam um raro alinhamento cósmico previsto para esta mesma data. Segundo um documentário do History Channel, veiculado pelo youtube, "em dezembro de 2012 o Sol do solstício vai se alinhar com o centro da nossa galáxia, a Via Láctea. É um raro alinhamento cósmico. Acontece uma vez a cada 26 mil anos. [...] Ao mesmo tempo ocorre outro raro fenômeno astrológico: uma mudança do eixo da Terra em relação à esfera celeste. O fenômeno se chama precessão e a data exata em que se dará este estraordinário alinhamento galático será 21 de Dezembro de 2012." Você pode conferir este vídeo, clicando aqui.

Alguns crêem que, após este alinhamento cósmico, o pólo magnético da Terra (que faz com que as bússolas apontem sempre para o Norte) será alterado e, possivelmente, até invertido. Isto causaria catástrofes climáticas inimagináveis. É a chamada teoria da inversão magnética. Mas, lembre-se: é apenas uma teoria. Ou, talvez, mera especulação.

Acrescente-se a isto a previsão científica de que fortes tempestades solares devem ocorrer em 2012. Como se sabe, a Terra sofre influência dos fenômenos ocorridos no Sol, que, quando intensos, podem gerar fortes alterações climáticas em nosso planeta.

O calendário maia é verídico, existe mesmo, apesar de criado por um povo que já foi extinto. No entanto, ele teria que terminar em alguma data, o que não significa ser o fim do mundo, mas apenas o fim de um calendário, nada mais. Quanto ao alinhamento cósmico - se é que ocorrerá mesmo - pode não exercer nenhuma influência sobre a Terra, devido a distância extremamente absurda que nos encontramos em relação ao centro da Via Láctea.

O que não tem nada de verídico são as especulações de alguns ufólogos e espiritualistas acerca do ano 2012. Eles prevêem a chegada de discos voadores e a passagem pelo sistema solar de um enorme planeta, chamado de Nibiru, o que causaria terríveis terremotos e tempestades na Terra, devido a sua influência gravitacional sobre a mesma. Obviamente, tratam-se de oportunistas, que se aproveitam das especulações em torno de 2012 para se auto-promoverem.

A única previsão correta, astronomicamente falando, é a de um período de intensa atividade solar, fenômeno que ocorre a cada 11 anos. Isto sempre ocorreu, desde que a Terra gira em torno do Sol. O último ciclo de tempestades solares aconteceu em 2001 e, como se sabe, o mundo não acabou. Por que acabaria em 2012?

De qualquer forma, como cristãos, devemos estar sempre vigilantes e consagrados a Deus para o dia de nossa partida. Lembre-se de que alguns de nossos irmãos não chegaram nem sequer ao ano de 2009! Para eles, o Senhor já voltou, não é mesmo? Portanto, não espere por 2012 para levar Deus a sério. "Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus." (Romanos 14:12)

E, se porventura os últimos sinais que antecedem a vinda de Cristo começarem a ocorrer, temos uma clara orientação de nosso Senhor a respeito de como devemos agir:

"Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados. Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima." (Lucas 21:25-28)

Porém, não se esqueça que o Senhor Jesus também nos alertou:

"Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai." (Jesus Cristo, em Mt 24:36)

Portanto, que venha 2012! e 2013, 2014... ou não?


Confira também matéria publicada na Revista Galileu, clicando aqui.

05 novembro 2009

O REVERENDO ESTÁ FORA DO AVIVAMENTO TOTAL


O Reverendo Hernandes Dias Lopes não é mais preletor do Congresso Avivamento Total 2009. Ou melhor, nunca foi realmente.

Contrariando o que está sendo divulgado pelo pastor Jabes Alencar, o site do programa Verdade e Vida divulgou, nesta segunda-feira, 02 de Novembro, que o nome do reverendo Hernandes foi colocado entre os preletores sem a autorização do mesmo. E ainda exige que uma retratação esteja indo ao ar no próximo programa da AD Bom Retiro, como se pode ver nesta notícia que está no site verdadeevida.com.br :


No entanto, o reverendo Hernandes continua sendo divulgado pelo site da AD Bom Retiro como um dos preletores. Ao menos até o presente momento.


A questão é: o que teria levado o pastor Jabes a incluir o nome do reverendo entre os preletores? Pricipalmente sem a confirmação do mesmo! Isto é bastante suspeito...

Não seria uma forma sutil de "moldar" a pregação do reverendo ao estilo de mensagem pregada pelos demais preletores? Somente quem acompanha as mensagens pregadas pelo reverendo Hernandes pode compreender o que estou dizendo. Especialmente quem assistiu suas últimas mensagens, entre as quais devo destacar: "Um clamor por avivamento", "A necessidade do evangelho" e "Reforma: o desafio continua".

As pregações do reverendo Hernandes são totalmente opostas aos demais programas do sábado pela manhã! Ele prega o verdadeiro evangelho de Cristo, que exige arrependimento, renúncia, novo nascimento e frutos de conversão. Suas pregações, por serem puramente bíblicas, contrastam com as mensagens ralas dos demais programas evangélicos. E, certamente, está incomodando.

O título do congresso promovido pela AD Bom Retiro é "Avivamento Total". Para que você faça uma idéia do que é um verdadeiro avivamento, à luz das Escrituras, recomendo que assista este vídeo do reverendo Hernandes Dias Lopes, no qual ele deixa bem claro que avivamento não pode ser agendado pelo homem.

Eu não sou presbiteriano, mas reconheço que o programa Verdade e Vida é o único em que ainda se prega o genuíno evangelho de Cristo. Fica muito difícil enganar as pessoas com um falso evangelho, quando alguém ainda tem coragem de expor o que Jesus realmente ensinou.

Glorifico a Deus pela vida do reverendo Hernandes Dias Lopes. Oremos para que os demais pregadores tenham a mesma coragem, de dizer o que as pessoas precisam ouvir, e não o que desejam ouvir.

Não posso concluir sem acrescentar isto. O reverendo está fora do congresso Avivamento Total justamente porque compreende o que é um verdadeiro avivamento.