Por Alan Capriles
Qualquer um que se aventure pela senda do conhecimento, mais cedo ou mais tarde terá que se decidir entre a verdade, ou a tradição. Lamento dizer, mas nem tudo o que aprendemos como verdade absoluta é, de fato, a completa verdade. Boa parte daquilo que aprendemos desde a infância nada mais é que um paradigma, sem muita consistência racional, mas consolidado por gerações como regra geral na sociedade.
A busca pelo conhecimento, no entanto, nos ajuda a identificar o que é verdade e o que é paradigma. Quando algum paradigma diz respeito a comportamentos sociais, ou a crenças históricas, o problema não costuma ser tão sério. Mas quando o paradigma diz repeito a assuntos religiosos, prepare-se para o martírio, pois não há nada que cause mais furor nas pessoas do que alguém questionar seu alegado relacionamento com Deus. Por mais que se comprove a verdade, muitos preferem continuar na prática daquilo que chamam de tradição. E a tradição é a continuidade daquilo que os antigos acreditavam, mas que ninguém se aventura a questionar, pois, afinal de contas, se crê nisso há tanto tempo, mas tanto tempo, que só pode ser verdade... Mas, nem sempre é verdade. Alias, quase sempre é mentira.
Jesus denunciava publicamente o erro das tradições religiosas de sua época. No chamado “sermão da montanha”, por exemplo, Jesus começa muitos ensinamentos com a frase: “Ouvistes o que foi dito aos antigos... Mas eu, porém, vos digo...” O que foi dito aos antigos era a tradição, aquele paradigma que ninguém ousava questionar. O que Jesus, porém, dizia era a verdade, a verdade que ele ousava falar. E todos nós sabemos o que os religiosos fizeram para calar Jesus.
Como se vê, dizer a verdade tem um alto custo no meio religioso, podendo custar a própria vida. Mas, na maioria das vezes, o preço por defender a verdade é ser chamado de herege, traidor, ou, no mínimo, esquisito. Não estou com isso dizendo que qualquer um que seja chamado de herege esteja com a verdade. Estou ciente que, mais do que em qualquer outra época, existem hoje muitas pessoas ensinando heresias destruidoras. Por outro lado, também existem aqueles que, por questionar alguma tradição religiosa, são taxados como hereges. E ninguém quer ser chamado de herege, pois isso significa perder amigos, familiares e, em alguns casos, a boa fama e o prestígio.
É justamente quando alguém se dá conta disso, do alto custo de se questionar uma tradição, que tal pessoa precisa escolher entre a verdade que descobriu, ou a crença equivocada de sua religião. E é lamentável que muitos eruditos prefiram a segunda opção. Tal como os intérpretes da Lei, a maioria dos eruditos da Bíblia tem a chave do reino de Deus, que é o conhecimento da verdade, mas não entram e, com isso, se tornam o maior empecilho para que os leigos sejam libertos pela verdade.
Como eu disse no início, qualquer um que se aventure pela senda do conhecimento, mais cedo ou mais tarde terá que se decidir entre a verdade, ou a tradição. Mas, perceba que, para se chegar à verdade, é preciso trilhar o longo caminho do conhecimento, caminho esse que também requer um custo, tanto financeiro, quanto mental e físico.
O custo financeiro é o dinheiro que você precisará gastar adquirindo livros, fazendo cursos, ou mesmo fazendo viagens para entrevistar pessoas, conhecer lugares e participar de eventos. Será necessário abrir mão de gastar dinheiro com vaidades, para se investir em conhecimento. O custo mental é, obviamente, o esforço para ler livros, estudar contradições e chegar a conclusões. E o custo físico não é outro, senão abrir mão do descanso e da diversão para se dedicar a árdua tarefa de se buscar a verdade.
Mas existem algumas armadilhas na senda do conhecimento, a respeito das quais ainda pretendo escrever. Perigos tais como ficar fascinado por algum mestre, caindo no equívoco de não questionar mais nada que ele diga. Infelizmente, muitos caem nessa armadilha e ficam pelo meio do caminho, tornando-se discípulos de homens, e não discípulos da verdade.
Minha esperança, ao escrever este artigo, é que de alguma forma estas palavras o incentivem a continuar sua busca pela verdade. Você não a encontrará se permanecer sempre dentro do mesmo círculo. Você terá que abrir sua mente. Você não a encontrará a verdade se visitar somente livrarias evangélicas. Espero que você já tenha compreendido que uma coisa é ser evangélico, e outra, muito mais profunda, é ser discípulo de Cristo. Evangélicos, assim como católicos, amam suas tradições mais do que a verdade. Portanto, não tenha medo de ouvir e de ler o que outros têm a dizer, por mais que o seu meio religioso os condene como hereges. Talvez eles sejam mesmo hereges, mas talvez não. Você só poderá saber por sua própria investigação. Investigue! Talvez você descubra que alguns “hereges” são mais fiéis a Cristo que seus líderes religiosos, pois esses defendem suas complicadas tradições, enquanto aqueles defendem a simples e pura verdade... E quanto a você, qual é a sua escolha?
Alan Capriles









