quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A ENORME RESPONSABILIDADE DO PREGADOR


Por Alan Capriles

A chamada Parábola do Semeador é uma das mais conhecidas ilustrações contadas por Jesus. Sua importância se torna evidente não somente pelo fato de constar em todos os evangelhos sinópticos, mas também por ser uma das poucas parábolas explicadas pelo próprio Senhor. Mas, a despeito de sua clareza, percebo que um ponto crucial  tem passado despercebido no entendimento correto da explicação dada pelo Senhor. Trata-se da responsabilidade do pregador, ou seja, daquele que semeia a palavra.

A Parábola do Semeador é quase sempre interpretada com o foco nos diversos tipos de solos e não na pessoa do semeador. Aliás, alguns teólogos até preferem chamá-la de Parábola dos Solos. Segundo esses intérpretes, a culpa da semente não dar fruto seria exclusivamente do solo na qual ela caiu, ou seja, do coração na qual a palavra foi semeada. Nenhuma culpa teria o pregador se a palavra não vier a dar frutos, pois a responsabilidade seria somente dos ouvintes.

Pois bem, discordo dessa interpretação. Mas, antes de explicar minhas razões, preciso reconhecer que durante anos também pensei como a maioria, tirando qualquer culpa do pregador quanto ao resultado de sua mensagem. O que me fez despertar para o correto entendimento dessa parábola foi uma palavra-chave, que consta da explicação dada pelo Senhor segundo o evangelho de Mateus.

A palavra-chave é o verbo “compreender” que aparece no início e no final da explicação dada por Jesus. Segue o texto, com essa palavra em destaque:
Mateus 13:18-23
18   Atendei vós, pois, à parábola do semeador.
19   A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
20   O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria;
21   mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.
22   O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.
23   Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um. 
Perceba que a explicação começa se referindo àqueles que não compreendem a palavra e termina com os que a compreendem. Desta forma, podemos concluir que entre um e outro estão aqueles que “compreenderam mal” a boa nova do reino.

A fim de que isso fique bem esclarecido, analisarei a seguir cada trecho da explicação que o Senhor deu acerca desta parábola, comentando [entre colchetes] cada tipo de solo onde o semeador lançou a semente. Lembre-se que o foco dessa parábola é o semeador, ou seja, aquele que semeia a palavra. Prova disso é que o próprio Jesus, ao iniciar sua explicação, chamou-a de Parábola do Semeador (v. 18) e não de parábola dos solos, como alguns querem chamá-la:
19   A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
[Não a compreendem por quê? Provavelmente porque o semeador (pregador) não se deu ao trabalho de explicar a palavra. De fato, é cada vez menor o número de pregadores que exponham com fidelidade a palavra de Deus. Muitos apenas leem alguns versículos das Escrituras, que muitas vezes é um trecho do Antigo Testamento, para em seguida falar algo que nem sequer aponta para Cristo e seus ensinamentos. Ora, se nem o pregador sabe o que é o evangelho, como esperar que seus ouvintes o compreendam?]
20   O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria;
21   mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.
[Por que esse ouvinte recebeu prontamente a palavra e também com alegria? Certamente porque ele a compreendeu mal. E a culpa, uma vez mais, recai sobre o pregador, o qual não alertou acerca das renúncias e das provações que necessitam passar todos que se convertem a Cristo. A fim de conseguir um número maior de decisões, esse tipo de evangelista encobre o fato de que seguir a Jesus implica em se carregar uma cruz. Por essa mesma razão é que esse ouvinte recebeu logo a palavra, porque o pregador lhe pressionou a tomar uma decisão emocional e não a considerar os custos de seguir a Cristo. São apelos assim, superficiais, que são realizados por pregadores imediatistas, os quais estão mais preocupados com números do que com a genuína conversão de vidas. Mas o próprio Jesus sempre testava a decisão dos que queriam segui-lo. Sendo assim, devemos desconfiar da veracidade da conversão daqueles que alegremente recebem a Cristo, sem lágrima nos olhos, como se o Caminho da verdade fosse um passeio no parque.]
22   O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.
[Como isso foi acontecer? Ou melhor, por que esse ouvinte continuou entretido com o mundo e fascinado com as riquezas, mesmo se dizendo cristão? Sem dúvida, porque o pregador não lhe explicou que seguir a Cristo significa renunciar a si mesmo. Antes, pelo contrário, prometeu-lhe uma vida de prosperidade, como se fosse possível amar a Deus e continuar amando ao dinheiro, ou ser amigo de Deus e do mundo ao mesmo tempo. São pregadores que misturam a verdade com a mentira, criando expectativas mundanas em seus ouvintes. Atualmente existem igrejas cheias de pseudo-cristãos, os quais buscam a Deus por interesse, motivadas pelo "ter" e não pelo "ser", gente que nunca chega a se converter completamente. Mas estão lá, dizendo ser da igreja. Aliás, prega-se prosperidade com esse fim: o de encher a igreja, ainda que seja de bodes e não de ovelhas.]
23   Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.
[Por que esse ouvinte frutificou? Porque compreendeu a palavra. E por que ele a compreendeu? Ora, porque o pregador demonstrou verdadeiro amor por ele, tendo a paciência de lhe explicar bem a palavra do reino, que é o evangelho da salvação. Salvação, não apenas do inferno pós-morte, mas de sermos um diabo nesta vida. E reino, não apenas como evento futuro, pós-apocalíptico, mas como um estado presente de ser uma nova criatura em Cristo, o que significa (e implica) viver sob o seu reinado, dando frutos de santidade e de boas obras, em amor e para a glória de Deus.]
Como se percebe, Jesus não se equivocou ao dar o título de Parábola do Semeador para o seu ensinamento. A semente é boa - aliás, excelente - o problema está, antes de tudo, no despreparo de quem a semeia.

Alan Capriles

9 comentários:

***Adriana Rocha*** disse...

Caramba! Jamais a olhei por este prisma. MUITO BOM! Obrigado!

Cláudio Nunes Horácio disse...

Amigão, foi mal, o comentário é meu, Cláudio, e não, da Adriana. Abraços.

Rosimary Vasconcelos disse...

Graça e paz,excelente este texto da parábola do semeador pastor Alan,eu nunca tinha ouvido,ou no caso aqui,lido por este angulo,realmente faz todo sentido....aqueles que pregam a mensagem do evangelho tem uma grande parcela de culpa da não conversão de muitos ou da falsa conversão daqueles que até estão listados no roll de membro da igreja,foram batizados,não perdem cultos,dão os dízimos ,etc,etc,e tc...mas que de fato não tem evidências da salvação em si mesmo,é triste ver isto tudo,principalmente nos nossos dias neh,onde ouvimos cada dia mais absurdos sendo pregado em cima dos púlpitos,me alegro quando posso ouvir ou ler pregações de homens como spurgeon,jonathan edwards,e tantos outros.....Fique com Deus e bom fim de semana antecipado....

http://wwwserenissima.blogspot.com/

Renan da Costa disse...

Ótima análise. A pouco tempo ouvi uma pregação na qual o pregador fez a mesma análise, focando o semeador e não os solos.

Paz!

René disse...

Ótima análise do texto, Alan! E, antes que alguém diga que Jesus Se equivocou ao explicar os tipos de solo, querendo falar do semeador, é bom lembrarmos que quem prepara o solo para um plantio adequado é o próprio semeador. E é claro que há diferentes tipos de solos, com necessidades distintas de preparo. O bom semeador reconhece isto e age de acordo com a necessidade, em um verdadeiro trabalho "artesanal".

Em tempo: o Cláudio ficou bem melhor na foto do primeiro comentário dele!!! rsssss

Abração e continue na Paz, amigão!

Daniel Januário disse...

Olá amado Alan , mas discordo da sua visão . Em nenhum momento Jesus crítica o pregador que é a semeador nem na parábola ,nem na explicação da parábola .

Quanto ao verbo compreender , não é culpa do semeador da parábola , porque se fosse , Jesus também seria culpado por falar em parábolas e grande parte do povo não entender . Pois veja está parte do contexto imediato .

E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?
Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;
Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.
Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.
E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis.
Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure.
Mateus 13:10-15

Segundo Jesus , muitos não entendem por que não são dados a eles o entendido e João Batista diz que ninguém recebe nada na Terra se não for autorizado no céu antes , e digo isto com relação ao entendimento do evangelho também . Como Paulo disse : Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.
Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.
1 Coríntios 3:6-7

Na interpretação da parábola , em Mateus 13 , no verso 19 Jesus ensina que o solo é o coração . Mas o ser humano não tem poder de mexer ou mudar seu coração , somente Deus muda . Desta forma então , quem mexe nos solos é o Agricultor , e segundo Jesus em João 15 , o Pai é o Agricultor . Então é ele que decidi em qual solo mexe ou não . O semeador é os cristãos , mas os cristãos apenas semeiam , não mexem nos solos ( corações) e nem sabem como eles são , apenas semeiam , pois a nós não compete saber dos solos , apenas sabemos quando estes dão fruto segundo a operação de Deus .

O primeiro solo não entendeu porque a ele não foi dado entender . O semeador explicou bem , se não Jesus criticaria .

O segundo solo não foi por não entender , mas porque o solo é rochoso , coração duro demais .

O terceiro solo , é um solo sem cuidados de Deus , mas cheio dos cuidados do mundo .

O último solo , é o que tem cuidados de Deus , para receber a semente de Deus , por isso o solo é bom , porque Deus o preparou .

Quanto aos descuidos de pregadores em suas mensagens acredito que haja sim irmão Alan . Mas não usaria esta passagem em Mateus 13 para justificar os atos deles . Antigamente achava que em tal parábola o pregador ou professor devia cuidar do solo , mas quando descobrir que o solo é o coração , deixei tal interpretação de lado . Descobrir que somente Deus lida com os corações e que nós que ganhamos um novo coração da parte de Deus devemos apenas semear e regar e somente Deus dará o crescimento naqueles que nascerem realmente de novo . Assim concluo que o problema na parábola é apenas dos solos , pois Jesus critica abertamente os solos e não o semeador .

Com amor em Cristo .

Alberto Couto Filho disse...

"Egrégio" pastor Alan
A paz
Estudando detidamente o texto de Zaqueu o publicano, tenho como concludente que a importância maior da passagem deve ser dada àquele sicômoro que permitiu o encontro daquele perdido da família de Abraão com Aquele cuja missão era (é) trazer-nos a Salvação.
A tacanhice daquele publicano, não por acaso, foi beneficiada pela morfologia daquele falso plátano. Se não me fiz entender leia, por favor, a Parte II da mensagem DEUS, CIÊNCIA, SICOMOROS – O jogo do mistério, no blog do Alberto. Caso não leia e não comente vou contar pra todo o mundo que vc ainda não me mandou seu livro rsrsrs
Atento à sua linha de raciocínio e à sua ideação, digo que se impõe minha anuência à sua interpretação.
O nosso amado Daniel, posicionado na parábola como causídico dos pregadores, não logrou a minha irrelevante aquiescência. A ação recursória apresentada, contestada em precedência pelo brilhante, senão truístico comentário do irmão Rene, não encontra abrigo nas Sagradas Escrituras e, consequentemente, seu provimento é negado.
Sentenciei
E é só,
Seu conservo n’Aquele que nos amou primeiro

Antonio Batalha disse...

É bom encontrar postagens que se possa ler e meditar, é bom encontrar irmãos que se esforçam para se manterem íntegros, que se afastam do pecado, e o desmascaram. É bom encontrar irmãos que amam mais a Jesus do que aposição que ocupam. É bom encontrar irmãos que se alegram na verdade e falam dela como uma forma de vida, Isto alegra o coração de Deus, e traz verdadeira recompensa. A pessoas assim deixo um abraço em Cristo Jesus, e que a paz e a graça de Jesus sature o seu coração.

Alan Capriles disse...

A Deus seja sempre toda a glória!

Também me alegro com tudo que o amado irmão Antonio escreveu. Agradeço por sua participação neste blog, assim como a dos demais irmãos.

Deus lhes abençoe cada dia mais!