quinta-feira, 7 de julho de 2011

UMA MÚSICA QUE ME FEZ REFLETIR


Por Alan Capriles

Passei toda a manhã de hoje entre jovens e adolescentes de uma escola estadual em Alcântara. Eu atendia ao convite para participar do corpo de jurados de um projeto chamado "Meio Ambiente - Coleta Seletiva". Além dos estandes, que estavam muito bem preparados, o evento contou com a apresentação de cada turma sobre um palco, no qual o objetivo era conscientizar, de forma criativa, acerca do seríssimo problema da poluição no meio ambiente. 

Apesar de quase todas as apresentações terem sido bem sucedidas, houve uma que quase me fez chorar. Os alunos de toda uma turma subiram ao palco, sentando-se ao redor de um jovem que empunhava um violão, e juntos começaram a cantar um antigo sucesso nacional, que eu nem sequer lembrava mais que existia: O Sal da Terra, de Beto Guedes.

Não foi somente pela letra desta canção, que desperta o senso ecológico, mas principalmente pela sinceridade e unidade que vi naqueles jovens alunos ao cantá-la. Na verdade, estou lutando para encontrar palavras que descrevam o que senti naquele momento, mas não consigo. Talvez tenha sido algo como um misto de nostalgia e esperança, de sonho e realidade.

Nosso planeta passa por um momento crítico, no qual toda a humanidade precisa se unir em defesa do meio ambiente. E sei que a minha geração falhou nisso. Apesar desta música ter sido composta quando eu tinha somente onze anos de idade, eis que já se passaram três décadas e nenhum esforço real para se conter uma tragédia que é quase iminente. 

E então me deparo com estes jovens, cantando com tanta seriedade uma letra para a qual eu nunca havia dado a menor importância. Apesar de ter feito relativo sucesso naquela época, talvez ninguém a tenha cantado naqueles dias com a consciência que vi nos olhos destes jovens alunos. Havia mais do que esperança em cada olhar, havia vontade.

O sal da terra... Será que nós, cristãos, temos entendido corretamente o que Jesus quis dizer com isso? Ou nos escondemos entre quatro paredes, torcendo para que o mundo acabe logo de uma vez, e os "ímpios" queimem para sempre e nós, os "santos" vivamos felizes no céu?

Sei muito pouco sobre Beto Guedes, mas me parece que ele entendeu melhor do que nós esta parte do sermão da montanha.
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Dedicado aos professores e alunos da Escola Estadual Desembargador Ferreira Pinto, em Alcântara, São Gonçalo.

2 comentários:

Rosimary disse...

Graça e paz Pr.Alan

Eu também conheço essa música e a muito tempo não a ouvia,de fato os gentios preocupam-se muito mais e tem mais consciência da importância de cuidar do planeta do que nós os chamados filhos de Deus,pena que o zelo deles é sem entendimento,e nós que temos entendimento não temos zelo,fica com Deus.

Alan Capriles disse...

Querida irmã Rosimary

Concordo com você. Mas, por que será que isso acontece? Talvez, porque tenhamos a ideia de que o reino de Deus é algo para depois da morte. Assim, não damos mais a devida atenção a este mundo.

Mas, apesar do reino de Deus se perpetuar na glória, este reino já começa aqui e agora, na vida de todos que estão em Cristo, permanecendo na fé, o que resulta no amor a Deus e ao próximo.

Após nossa conversão o Senhor não nos leva imediatamente para a glória, mas espera que façamos a diferença, em todos os sentidos, inclusive no ecológico. Quem ama a Deus, preserva a sua criação. Quem ama o próximo, cuida do meio ambiente, que é compartilhado por todos nós.

Deus lhe abençoe cada dia mais!