quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A VERDADE SOBRE MISSÕES



Há uma grande necessidade em Missões, ainda maior e mais urgente do que o envio de novos missionários. Quem nos faz o alerta e explica o que está ocorrendo é Paul Washer - pastor, missionário, escritor e fundador da Heart Cry, uma respeitada sociedade missionária norte-americana.

Antes de publicar este vídeo, mostrei-o a um casal de amigos que fazem missões na África. Eles ficaram muito impressionados e confirmaram cada palavra de Paul Washer. Segundo eles, este é mesmo um problema sério, que atinge missionários que eles conhecem. Trata-se de um alerta tão importante que o transcrevi abaixo, a fim de facilitar sua divulgação:

Por Paul Washer

A grande necessidade no campo missionário é de uma teologia sistemática e de uma pregação expositiva que seja cristocêntrica, ou seja, centrada em Jesus Cristo.

Todos falam sobre missões: “Temos que fazer missões!”

Não, nós não precisamos fazer mais missões do que já estamos fazendo. Nós, norte-americanos, somos o povo que mais tem missões em mente sobre a face da Terra.

O problema é que a maior parte do que chamam de missões é anti-bíblico. E isso é muitíssimo grave. As missões tornaram-se ateológicas (sem teologia). E isso é mal.

Missões agora são dirigidas pelo sociólogo, pelo antropólogo e pelo perito em cultura, quando as missões devem ser lideradas pelo teólogo e exegeta. Missões devem estar baseadas na Escritura.

Deixe-me dar um ou dois exemplos:

Anos atrás um jovem no seminário me telefonou, quando eu estava no Peru, e me disse: “Senhor Washer, quero ir trabalhar com o senhor, quero entregar minha vida no Peru”. E eu lhe pedi: “Fale-me sobre sua teologia”. Ele respondeu:

- Minha teologia não é realmente o meu forte, só quero entregar minha vida.

- Fale-me de seus estudos e preparação para pregar.

- Veja, senhor Washer, só quero ir e entregar minha vida.

Eu respondi: “Jovem, ninguém no Peru precisa da sua vida. Então não venha para cá. Eles necessitam de alguém que abra a sua boca e lhes fale sobre Deus. Eles precisam de Deus.”

Outro exemplo:

Simplesmente não consigo entender as idéias que temos acerca de missões! Às vezes estou num aeroporto em outro país e vejo 40 adolescentes e estudantes norte-americanos com suas camisetas e seus grupos cristãos indo para salvar o mundo. E tudo desperdiçado. Gasta-se 80 mil dólares em média por semana para seu “passeio missionário”. São 40 deles. Chegam, pregam o “evangelho” que não é realmente evangelho nenhum. Fazem seus shows, agitam-se, e tudo mais e logo estão de volta dizendo que mil pessoas se salvaram, quando provavelmente ninguém se salvou de fato. Digo isso porque todas essas pessoas que fizeram decisões nunca aparecem na igreja no próximo domingo. Para eles é um exercício e algo banal.

Com este mesmo dinheiro posso colocar 25 pastores peruanos no campo por um ano inteiro, os quais falam o mesmo idioma, pregando o evangelho 24 horas por dia.

De modo que se faz um montão de atividade missionária e a maioria é inútil, pois não se baseia nesta verdade:

Fazer missões não se trata de enviar missionários. Fazer missões é enviar a verdade do evangelho de Deus a este mundo através de homens e mulheres.

Então, se você tem paixão por missões, não me importa... Não me importa. Isto tem pouco valor pra mim. Porque todos estão correndo com sua paixão por missões.

A questão é:

Você tem que se dedicar em conhecer a Deus e conhecer e sua palavra de maneira que quando for ao campo missionário possa abrir sua boca para instruir as pessoas acerca de Deus.

Se você não está preparado, não entre no campo missionário.

Eu conversava com um irmão que ensina teologia sistemática e pregação expositiva na China. E ele dizia que acabara de terminar um trabalho de estatística sobre o campo missionário e muitas missões e agências missionárias. E ele estimava que 4% do dinheiro missionário e de atividade missionária são investidos para proclamar a verdade. Tudo vai para campanhas evangelísticas e quanta gente se batizou e fazer uma porção de eventos e logo, de tudo, não sobra quase nada.

Do que é que necessitamos no campo missionário?

Nós precisamos plantar mais igrejas locais que sejam bíblicas e sãs. E devemos apoiar estas igrejas até que se tornem autônomas, tenham um pastor bíblico e uma liderança bíblica, até que possam multiplicar-se e difundir a verdade que professam.

É um trabalho duro. Missão não se trata de fazer campanhas enviando um montão de pessoas por um tempo, para nada fazer, e que depois voltam relatando contos.

Se você quer se envolver com missões, deixe-me lhe dar um conselho: Pare de juntar-se a grupos e ficar correndo por aí em nome de Jesus. Abra sua Bíblia, consiga bons livros, estude as Escrituras, memorize capítulos, organize suas idéias em uma teologia sistemática e conheça bem o que você crê. Prepare-se para defender a Verdade, conheça algo da história da Igreja. Seja mestre na palavra de Deus e só depois faça missões.

Até que isto aconteça, fique em casa. Fique em casa. Porque não necessitamos mais do desastre que já está lá fora. Soa muito forte, mas lamento:

É a verdade.
Por Paul Washer
____________________

Comentário de Alan Capriles:

Espero que todos tenham compreendido a urgência deste alerta. Se missionários estão indo para o campo sem o estudo adequado da Palavra de Deus e, principalmente, sem compreender o que é o evangelho de Cristo, muito provavelmente não acontecerão genuínas conversões. Mas a culpa não é deles, e sim das igrejas e agências missionárias que não os preparam adequadamente. Aliás, não podemos esperar muito do campo missionário enquanto nossas próprias pregações e ensino não voltarem a ser puramente bíblicos. Lembrando que, graças a Deus, sempre há exceções.

11 comentários:

René disse...

Alan,

Concordo com seu comentário final, sobre a urgência deste alerta.

Creio que o que está acontecendo vem de longa data, por uma exacerbação do "Ide!". Muito se tem pregado sobre isto, quase que constrangendo os ouvintes da Palavra a evangelizarem a todo e qualquer custo, seja onde for. Mas isto é feito sem lembrar que muito antes do 'Ide', o Senhor disse 'Venham a Mim e aprendam de Mim'.

Resultado: pessoas que não fazem nem idéia de qual ou quais dons o Espírito Santo quer manifestar nelas, saem em uma busca desenfreada por cumprirem a 'Lei', não importando, ou não conhecendo, o alto preço de vidas que isto pode custar.

Grande abraço e continue na Paz!

Alan Capriles disse...

É verdade, René.

Esse problema não é de hoje. Tenho alertado aos meus irmãos que nós já nascemos inseridos nesse contexto de um evangelismo antropocêntrico. Como resultado, nossos missionários não levam mais o Jesus que é a salvação, mas o que é "a solução".

Assisti um vídeo denunciando que missionários na África estão levando não mais o evangelho, mas a teologia da prosperidade, e tirando o pouco daquele povo sofrido.

Claro que há missionários realmente compromissados com o verdadeiro evangelho, mas parece ser em número cada vez menor. Nós ajudamos um casal de missionários na África, por exemplo, que pregam a verdade, inclusive sofrendo ameaças da Al-kaeda.

Mas, como você disse, antes do "Ide" existe o "Vinde". É isso mesmo. Muito boa sua colocação!

Um forte abraço, na paz do Senhor Jesus!

disse...

Concordo, a culpa nem é deles mesmo, se aqui as pregações e o ensino é encima de métodos inventados por homens, como vai ser?? concordo com Paul Washer, melhor que fiquem em casa. Paz!

"LABAREDAS DE FOGO" disse...

Alan, a Paz do Senhor!

estava adiando essa visita, por querer, primeiro, responder seu comentário lá no meu blog. É que, diante dele; um comentário que ajuda no desenvolvimento do tema, preciso ir ao site do autor para fundamentar as resposta pelo entender dele. Já que o artigo não é de minha autoria. O problema é que meu inglês “é só para brasileiro ver!” rsrsrs então, vai demorara mais um pouquinho.

E, diante desse excelente e tão pertinente post, já que no Brasil esse problema não é apenas nas missões mas, nas próprias igrejas. Então, se lá isso é visto pelo P. Washer como muitíssimo grave, aqui é uma situação agonizante! Não resisti ler e não comentar.

Em primeiro lugar, creio que esse texto deva ser “confortante” para sua pessoa, porque seu rompimento com o sistema estabelecido o deve ter colocado meio que “marginalizado” por alguns ou até por muitos institucionalistas.

No meu entender; o foco da questão são os Seminários, que em sua, quase, totalidade, creio que deva existir algum que se salve, eu ainda não o conheço, substituíram a Teologia Sistemática por um sistema de ensino“desconstrutivo” das principais doutrinas bíblicas. Tirando assim, Cristo, do centro da Teologia.

E esse sistema de ensino, foi importado dos EUA, onde se têm a melhor e a pior Teologia. O problema é que, também na sua,quase, totalidade, só importaram o que se tem de pior nessa matéria!

Ao ler seu depoimento em “Autor” vejo um movimento inverso ao que “grandes” pastores, líderes em suas denominações, fizeram e ainda continuam fazendo.

Bem recente me sugeriram que postasse algo sobre Seminários. Estou pesquisando e trarei, assim que puder, um ou mais artigos sobre essa questão nos Seminários americanos; que é de lá que foram importadas essas teologias pelos nossos.

Retribuo o forte abraço na Paz do Senhor Jesus!

Alan Capriles disse...

A paz, Labareda!

É com grande alegria que recebo sua visita e comentário.

Concordo plenamente: a situação aqui é agonizante! Mas, graças a Deus, percebemos que o Espírito Santo está despertando sua Igreja para um retorno ao verdadeiro evangelho.

Tenho certeza que será muito edificante sua postagem sobre seminários. Este é um tema pouco abordado nos blogs, e altamente necessário.

Seja sempre bem-vindo para comentar meus artigos, ainda que discorde de alguma coisa.

Um forte abraço, na paz do Senhor Jesus!

disse...

Feliz Natal meu amigo!

Cláudio Nunes Horácio disse...

Passei pra te desejar um Feliz Natal, que o aniversariante permaneça em ti hoje e sempre. Na graça e na paz dEle. Abração.

Pastor Celso disse...

Perdoem-me destoar um pouquinho da unanimidade que a mensagem gerou. Mas dois amigos me recomendaram-na em um mesmo dia e concordo com quase tudo que o pr. Paul diz.
Mas quando ele diz que o campo missionário não precisa de uma campanha de jovens que custa 80 mil dólares e que com esse dinheiro sustentaria não sei quantos pregadores durante um ano inteiro no Peru, sou impelido a discordar. Para mim ele erra em dois pontos:
1º ele reduz demais o campo missionário e o método de se fazer a missão. O coração daqueles jovens que vão realizar a campanha também é um campo missionário. Quem está os guiando é um discipulador que pretende incutir a missão transcultural em seus corações. Eles serão transformados nessa viagem e serão futuros missionários de longo prazo no futuro em potencial. Mas concordo que para o povo que os recebe naquele momento da campanha os resultados não serão compensadores naquele momento.
2º O maior problema da ineficiência da dita campanha não será, em minha opinião, os 80 mil dólares, mas uma pregação de mensagem descontextualizada. Isso poderá ocorrer de forma ainda mais grave se a figura do teólogo, tão valorizada pelo pr. Paul, desconsiderar a importância da missiologia em sua pragmática. E a missiologia, diferentemente do pr. Paul não deverá desprezar a contribuição do sociólogo e do antropólogo. Se os 25 pastores peruanos não trabalharem de acordo com os princípios da missiologia, eles poderão fazer um estrago e um desserviço ainda maior que os jovens da campanha: plantar igrejas sincréticas. Por isso o nosso maior problema não é financeiro. Não se resolve o problema com dinheiro. Para realizar a missão precisamos muito mais que dinheiro!
Que o Senhor da Seara nos abençoe!

Alan Capriles disse...

Prezado pastor Celso

Antes de tudo quero lhe dar as boas vindas ao blog. Esteja a vontade para comentar também outros artigos, assim como nos enriqueceu nesse, com seu excelente comentário.

Compreendo suas colocações. Apenas chamo a atenção para o fator que gerou as críticas do pr Paul às viagens missionárias (tão dispendiosas) com aqueles jovens. Peço que perceba o seguinte: Ele não é contra as viagens, mas contra o tipo de evangelho que eles pregam.

Como se sabe, o "evangelho" pregado atualmente não é mais o evangelho bíblico. O verdadeiro evangelho denuncia o pecado e suas conseqüências, conduzindo o pecador não a uma simples decisão, mas a uma regeneração em Cristo, por meio do arrependimento e fé na obra salvadora do Senhor. Mas "arrependimento" é uma palavra evitada ou, no mínimo, subestimada no evangelismo atual. Por exemplo: o famoso método tão ensinado dos cinco dedinhos. Cadê o dedinho do arrependimento de pecados???

Também não creio que o pr Paul seja contra o sociólogo e o antropólogo. Pelo contrário, pelo que conheço do pr Paul Washer, quanto mais preparo melhor. Antropologia e sociologia não é o problema. O problema é a falta de teologia, a qual deveria ser priorizada. Portanto, a crítica dele é "contra o desprezo à teologia" no preparo do missionário. E isso é mesmo gravíssimo! Teologia deve ser a prioridade, bem como a vida devocional do missionário (para que não haja luz sem calor, ou seja, conhecimento sem unção).

Apenas mais uma observação. Não creio que devamos nos preocupar quanto a missionários teólogos gerarem igrejas sincréticas. Será muito difícil que um missionário bem preparado teologicamente caia no sincretismo. O próprio estudo da Palavra o protegerá contra isso, mais do que o sociólogo e antropólogo juntos.

Mas, como o amado pastor bem colocou, "nosso maior problema não é financeiro". Na minha opinião, o que falta não é dinheiro e nem paixão por missões, mas estudo bíblico consistente e mais unção do Espírito Santo.

Como se percebe, estamos todos unidos por uma obra missionária mais excelente e frutífera. Oremos e trabalhemos por isso!

Um forte abraço, na graça e na paz daquele que nos une, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Pastor Celso disse...

Prezado pastor Alan Capriles,
Também gostei de te conhecer via internet e dá para ver que você faz um trabalho sério no Senhor.
Meu intuito em fazer o comentário foi em aprofundar nossas idéias sobre a missão da igreja. Confesso que não conheço o pastor Paul Washer. Por isso minha análise foi cruamente sobre o trecho filmado e publicado em seu ensino. Seus esclarecimentos são oportunos.
A única coisa que eu gostaria ainda de clarificar entre nossos comentários é que, em minha opinião, “um missionário bem preparado teologicamente não planta, necessariamente, igrejas saudáveis”. Acontece o caso de que nós brasileiros temos visto já muitas igrejas sincréticas e aqui na África não é diferente. É necessário o preparo missiológico. A maioria dos seminários não prepara missionários transculturais. O ambiente dentro das nossas igrejas brasileiras não os prepara tampouco. O fato de ser um teólogo brilhante não garante uma comunicação eficaz. A igreja que será plantada tem que ter pessoas que receberam e entenderam o evangelho. Para esse bom entendimento o missionário tem que ser preparado linguisticamente, antropologicamente, fenomenologicamente, socialmente, etc. Finalmente, pode-se ter um bom teólogo pregando e um público que está interpretando a mensagem de uma forma que o próprio pregador não gostaria de saber como. Por exemplo, como acontece aqui na África a pessoa que antes pedia auxílio espiritual ao feiticeiro agora procura o pastor da mesma forma, pensando em alguém que pode manipular os poderes.
Não sei se consegui expressar bem o meu ponto de vista. Mas vejo que você é uma pessoa aberta para o diálogo.
Abraços

Alan Capriles disse...

Amado pastor Celso

Sim, consegui agora entender melhor seu ponto de vista. Concordo plenamente com sua afirmação de que “um missionário bem preparado teologicamente não planta, necessariamente, igrejas saudáveis”. Missões vai muito além de um bom curso de teologia. Mas, claro, deve passar por isso também.

Quanto ao pastor Paul Washer, pensei que vc o conhecesse. Digo isso porque Paul Washer é também missionário e fundador da Heart Cry, uma respeitada sociedade missionária norte-americana. Por isso ele pode falar do assunto, porque também vive missões, assim como o amado.

Sendo assim, quero incentivá-lo a ouvir algumas pregações de Paul Washer. A mais famosa pode ser encontrada pelo youtube ou vimeo com o título "pregação chocante". Indico também um excelente blog que divulga suas pregações em vídeo: http://voltemosaoevangelho.blogspot.com/

Tenho certeza que as pregações dele, que são sempre carregadas de unção e amor ao Senhor, irão lhe edificar muito, assim como aconteceu comigo.

Agradeço muito pela atenção, orando para que o Pai continue lhe abençoando em toda sua vida e ministério.

Um forte abraço, na paz do Senhor Jesus!