sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O SINAL MAIS EVIDENTE DO FIM


Por Alan Capriles

Quando os apóstolos perguntaram a Jesus qual o sinal que antecederia sua vinda e o final desta era, sua resposta foi apresentar não apenas um, mas diversos sinais. Nação se levantaria contra nação e reino contra reino; haveria um aumento de grandes terremotos, fome e epidemias em vários lugares; veríamos coisas espantosas e também grandes sinais do céu. Tudo isso, no entanto, seria apenas o princípio das dores. Ainda mais perto do fim, a iniquidade aumentaria e o amor se esfriaria de quase todos. Ao mesmo tempo, o número de falsos profetas cresceria, bem como de escândalos, ódio e traições na igreja. Logo em seguida, uma grande perseguição contra os verdadeiros discípulos, que seriam odiados de todas as nações por manterem sua fidelidade a Cristo. E, finalmente, os poderes dos céus abalados (alterações climáticas?), as nações angustiadas e perplexas por causa do bramido do mar (aumento do nível dos oceanos?) e da agitação das ondas (tsunamis?) e muitos homens desmaiando de terror por causa das coisas que sobrevirão ao mundo.[1]

Praticamente tudo quanto o Senhor predisse como evidência da sua vinda e do fim dos tempos já tem ocorrido. De fato, todos os sinais parecem piscar ao mesmo tempo e cada vez mais intensamente! Mas, a despeito disso, notamos uma quase completa distração dos crentes em relação ao tempo presente. Ao invés de orarem mais, oram menos; de evangelizar mais, evangelizam menos; de se santificar mais, se contaminam com o mundo. Como pode ser isso?

A explicação é, no mínimo, curiosa: Essa distração da igreja, teologicamente chamada de apostasia, vem a ser também um dos sinais da iminência do fim. Na verdade, a apostasia é o penúltimo sinal antes da vinda do Senhor – ou mesmo o último, dependendo da linha escatológica que se queira acreditar.[2]

A revelação se encontra na Segunda Epístola aos Tessalonicenses, onde Paulo nos esclarece que o retorno de Cristo “não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição” (2Ts 2:3). Sendo assim, o tempo da apostasia e o surgimento do anticristo são apontados como os dois últimos sinais que antecedem a “vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com ele”. E, como vimos, todos os outros sinais já estão acontecendo e mesmo assim a igreja atual parece distraída e não tem se preparado para o encontro iminente com o Noivo! Porém, irônica e tragicamente, isso não poderia ser de outra forma, pois caso a igreja estivesse apercebida do tempo final ela não estaria em apostasia e, se não estivesse em apostasia, não estaríamos no tempo do fim!

Portanto, o retorno de Cristo deve estar mais próximo do que imaginamos, pois o tempo da apostasia chegou! Todas as profecias bíblicas acerca desse período estão se cumprindo. Como não poderia deixar de ser, essa derradeira e lamentável fase também foi prevista pelo Senhor. Entre os sinais do sermão escatológico de Jesus, temos alguns que concernem à igreja, tais como: o surgimento de muitos falsos profetas, o aumento dos escândalos, bem como do ódio e da traição entre os irmãos – indicativos claros de que a igreja não estaria nada bem na sua fase final sobre a terra.

Essa triste condição da igreja no tempo do fim também se revela em muitas outras passagens bíblicas. Aliás, algumas parecem até sugerir que precisamente por causa disso retornará o Senhor, ou seja, porque a igreja teria deixado de cumprir sua missão neste mundo.[3] Se relacionarmos esses textos proféticos iremos nos deparamos com descrições que caracterizam grande parte das igrejas atuais. A seguir analisaremos algumas dessas características:

Deturpação da doutrina de Cristo
“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;  e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2 Timóteo 4:3-4)
Não há maior deturpação da doutrina de Cristo que a famigerada Teologia da Prosperidade, a qual se espalhou como câncer pelas igrejas, atraindo pessoas pela cobiça de bens materiais. O tenebroso tempo revelado por Paulo a Timóteo lamentavelmente chegou.
Pouca oração como evidência de fé
“Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lucas 18:7-8)
Reuniões de oração quase já não existem e, quando ocorrem, pouquíssimos crentes comparecem.  E, na passagem acima, o Senhor aponta claramente para a oração como a maior evidência de fé. Sua pergunta, além de ser irônica, sugere que, por ocasião de sua vinda, poucos haverá que ainda clamem a Deus dia e noite. Esse desprezo pela oração é uma descrição exata do que vemos acontecer em nossos dias.
Insubmissão a Cristo como Senhor
“Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.” (2 Pedro 2:1)
Renegar o Soberano Senhor significa rejeitar o governo de Cristo sobre nossas vidas. Muitos não percebem, mas os ensinamentos de Cristo deixaram de ser pregados na maioria das igrejas. Para se atender à pauta humanista – como, por exemplo, a Teologia da Prosperidade – as mensagens geralmente são baseadas em textos do Antigo Testamento, evitando-se falar em arrependimento de pecados, renúncia de si mesmo, perdão ao próximo, atos de misericórdia, humildade sincera e santificação total – práticas ordenadas pelo Senhor. Dessa forma, Cristo deixa de ser soberano e a vontade das pessoas é o que impera. Mas a verdade é que Jesus não será o Salvador de quem o despreza como Senhor.
Líderes libertinos
“E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; [...] Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas por temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas; porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro, prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor.” (2 Pedro 2:2,17-19)
É assustador o número de líderes cristãos que caíram em libertinagem nos últimos anos. Ainda mais assustador é o fato de que muitos desses, além de não se arrependeram, continuam pregando e distorcendo a palavra. Em seus ensinamentos deturpados, transformam graça em desgraça e confundem liberdade com libertinagem, a fim de justificar seus próprios pecados. E, tal como foi profetizado, muitos têm seguido suas práticas libertinas, ajudando a difamar ainda mais o caminho da verdade.
Comércio da fé
“... também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.” (2 Pedro 2:3)
Muitas igrejas hoje mais se parecem com empresas; seus pastores, com homens de negócios; seus membros, com clientes; seus cultos, com espetáculos rentáveis. A visão de reino parece haver se perdido, pois muitas igrejas passaram a concorrer umas com as outras, como se fossem lojas comerciais. Nestas, os milagres são anunciados como se fossem mercadoria em promoção e os dias de culto são variados para se atender ao gosto do "freguês". Isso pode parecer exagero, mas o fato é que a realidade se revela ainda muito pior! Aqueles cambistas que Jesus expulsou do templo pareceriam santos se comparados a muitos (ou todos?) cantores gospel e pregadores profissionais de hoje em dia. São verdadeiros mercenários: quem pagar mais, leva! E multidões de crentes aplaudem esses canalhas, que se enriquecem às custas de sua ingenuidade - ou seria cumplicidade? Enfim, todo esse comércio da fé também foi profetizado, sendo mais um claro sinal de que o juízo de Deus não tardará.
Crentes mundanos
“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.”
(2 Timóteo 3:1-5)

No texto acima Paulo nos dá uma longa descrição de como seriam os crentes nos últimos dias. Como se vê, a situação da igreja no tempo do fim foi profetizada e não é das melhores. Agora julgue por si mesmo se tais características descrevem ou não a maioria daqueles que hoje se dizem evangélicos...

Crentes que promovem divisões
“Vós, porém, amados, lembrai-vos das palavras anteriormente proferidas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: No último tempo haverá escarnecedores andando segundo as suas ímpias paixões. São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito.”
(Judas 1:17-19)

A quantidade absurdamente exagerada de denominações evangélicas é uma clara demonstração de que chegamos ao profetizado “último tempo”. A maioria dessas novas igrejas provém de lamentáveis e desnecessárias divisões, as quais poderiam ser evitadas com oração, humildade, diálogo e perdão. Paralelamente a isso, há os que deixam a congregação fazendo de tudo para levar outros com eles – não para iniciar uma nova igreja, mas apenas pelo prazer mórbido de tirá-los da comunhão dos santos. Isso tem ocorrido com tanta frequência que o número de afastados já supera o de membros que compõem igreja.[4] Claro, há também o caso das igrejas que se desviaram da fé, obrigando crentes fiéis a deixar sua antiga congregação. Neste último caso, os crentes que promovem divisões são os próprios pastores, na medida em que tentam impor heresias à igreja, tais como a Teologia da Prosperidade, o Liberalismo Teológico, ou movimentos e métodos de crescimento contrários à Palavra.

Multidões de crentes enganados
“... levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.”
(Mateus 24:11)

Retornando ao sermão escatológico de Jesus, temos a previsão de que muitos seriam enganados por falsos profetas, ou seja, por pessoas que pregam falsamente em nome de Deus. O rápido crescimento de igrejas lideradas por pastores que deturpam o evangelho é mais um sinal claro de que vivemos na iminência do fim.

Diante de tantas evidências, não é exagero concluirmos que o maior sinal de que o Senhor está às portas é a própria condição atual da igreja. Isso acontece bem diante dos nossos olhos, mas muitos não estão percebendo! Até mesmo os pastores mais famosos, que deveriam aproveitar a fama para alertar a igreja e conclamar os crentes ao arrependimento e oração, ao invés disso parecem distraídos e preocupados em promover a si mesmos, bem como aos congressos rentáveis dos quais participam. Para piorar, ainda escandalizam o evangelho com vídeos e textos onde se acusam mutuamente, cumprindo a profecia de que haveria ódio entre os cristãos no tempo do fim.

É muito importante compreendermos que o Senhor não nos revelou esses sinais para que ficássemos assustados. Embora o susto seja inevitável para quem acabou de acordar, esse primeiro momento deve ser superado pela compreensão do que devemos fazer. Em primeiro lugar, não sermos parte do problema, o que significa não nos enquadrarmos em qualquer uma das características relacionadas acima. Apesar de vivermos no tempo da apostasia, isso não significa que devamos viver em apostasia. Ainda que a maioria tenha se apartado da fé, jamais queiramos nos parecer com eles! Em segundo lugar, redobrarmos a vigilância e a oração, para que não continuemos distraídos e sejamos mal influenciados pelo tempo presente, mas vivamos cheios do Espírito Santo. E, finalmente, permanecermos fiéis a Cristo, perseverarmos na prática do que o Senhor nos ensinou – especialmente no que concerne ao amor ao próximo. Somente se vivermos o verdadeiro evangelho é que seremos ouvidos em nossa evangelização.

E não percamos mais tempo com distrações. Perto está o Senhor!

Alan Capriles

Notas

[1] Para uma análise completa do sermão escatológico de Jesus, confira algumas lições do estudo chamado Perseverando até o Fim.

[2] Uma vertente escatológica defende que o anticristo surgirá somente após o arrebatamento da igreja e, sendo assim, nada mais faltaria ocorrer para o nosso encontro com o Senhor nos ares. Particularmente, creio que o arrebatamento acontecerá somente após o surgimento do anticristo, como parece indicar o referido texto na Segunda Epístola aos Tessalonicenses. Por essa razão somos ensinados a identificar o anticristo e alertados de que devemos rejeitar o seu governo e a sua marca (Ap 13:16-18). De qualquer forma, o retorno de Cristo é iminente, pois o cenário está pronto para um governo único mundial. Falta somente ocorrer uma tragédia global que convença a humanidade de que não há outra saída para a paz e a estabilidade econômica, senão um governo único, uma única moeda e um só líder mundial.

[3] Sempre há exceções, ou seja, crentes que se mantêm fiéis a Cristo e seus ensinamentos, mas parece tratar-se de uma minoria.

[4] Biblicamente falando, igreja é sempre a comunhão dos cristãos e não o local onde estes se reúnem. Portanto, ao falar de igreja não me refiro a templos, ou denominações, mas a irmãos em Cristo que se reúnem regularmente, seja onde for. 


Um comentário:

Levi Matheus disse...

Pr Alan Capriles, assisti algumas de suas pregações pelo Youtube e confesso que temos muito em comum no entendimento das Escrituras Sagradas; porém no tocante à parábola das Dez Virgens, peço que, se você tiver algum tempo disponível, acesse o meu blog: http://igrejaapostolicacristamanancial.blogspot.com.br/search?q=AS+DEZ+VIRGENS e deixe seu comentário.