quinta-feira, 22 de julho de 2010

O EQUÍVOCO DA PENA DE MORTE

Por Alan Capriles
Parece não haver limites para a maldade humana. Quando pensamos já termos visto de tudo, os noticiários nos surpreendem com casos de extrema violência e crueldade. Até os mais experientes policiais não conseguem esconder o espanto diante do presente quadro de criminalidade em nosso país. E, não exagero em dizer, do mundo.

Toda vez que casos de violência chocam nossa nação é comum se rediscutir a pena de morte. Formadores de opinião, tais como jornalistas, comentaristas e animadores de auditório defendem abertamente a pena de morte em seus programas de televisão. E alguns o fazem com bastante veemência, apelando para casos que mexem com nossas emoções, tais como os abomináveis crimes de pedofilia.

Não há nada mais doloroso do que ter um filho sequestrado, abusado ou assassinado. Por outro lado, sabemos de casos em que pais conseguiram perdoar tais criminosos. O mais famoso deles talvez seja o "caso Ives Ota". Vamos relembrar:

"No dia 29 de Agosto de 1997, Ives Yoshiaki Ota, oito anos, foi seqüestrado por três homens em sua própria casa, na Vila Carrão, Zona Leste de São Paulo. Neste dia ele brincava na sala, com seu primo, sob os cuidados da babá; na madrugada do dia 30 de Agosto, já estava morto com dois tiros no rosto porque reconheceu um de seus seqüestradores. Os seqüestradores faziam a segurança nas lojas de seu pai, sendo que dois deles eram Policiais Militares."

Durante semanas este caso foi amplamente coberto por todos os noticiários da TV brasileira. As lágrimas dos pais comeveram a toda uma nação. Mas o espanto foi ouvir o Sr. Ota declarar aos jornalistas que havia perdoado os assassinos de seu filho. E ainda foi além, fundando um instituto para promover o perdão e a paz.

O próprio Sr. Ota explicou sua atitude: “Acho que perdoar não é dizer: Soltem os assassinos de meu filho. Perdoar é tirar o ódio de dentro de você. Então, perdão é uma coisa e justiça é outra. A justiça tem de ser cumprida.”

Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, fazer justiça, para o Sr. Ota, não seria condenar à morte os assassinos de seu filho. "Após o seqüestro e assassinato do garoto Ives, o Sr. Masataka Ota, pai de Ives Ota, começou uma caminhada pelo Brasil, a fim de coletar assinaturas para aprovação da lei pela prisão perpétua agrícola, conseguindo mais de 2 milhões de assinaturas que foram entregues ao Congresso Nacional no dia 13 de Maio de 1999, o Movimento teve impacto nacional na conscientização das pessoas em busca pela Paz." Como se vê, o Sr. Ota defende a prisão perpétua agrícola para crimes hediondos, não a pena de morte.

E pouco importa qual a religião do Sr. Ota, pois não é o que estamos discutindo aqui. O fato é que a sua atitude não somente foi nobre, como também cristã. Mas, para minha surpresa, tenho descoberto artigos a favor da pena de morte justamente em blogs de cristãos. Será esta a vontade de Deus? O Senhor Jesus nos ensinou tal procedimento? A pena de morte seria mesmo a solução para nossa sociedade? Ela acabou, ou sequer diminuiu com a violência em outros países?

Apesar de respeitar a opinião contrária de outros irmãos em Cristo - alguns dos quais não somente conheço, mas em verdade os amo - não posso deixar de esclarecer porque considero a pena de morte um equívoco.

Sou contra a pena de morte. E pelas seguintes razões:

1ª) Deus não tem prazer na morte do ímpio, mas em que ele se converta de seus maus caminhos (Ez 18:23, 33:11).

2ª) O evangelho é poderoso para converter o mais vil pecador (Rm 1:16). Sabemos que muitos criminosos se convertem dentro da cadeia, ainda que outros sejam falsos crentes (mas isto também acontece aqui fora). Nossa incompetência para evangelizar criminosos não é desculpa para condená-los à morte.

3ª) O apóstolo Paulo se colocou na condição de o maior dos pecadores regenerados, a fim de que não deixássemos de evangelizar ninguém e de crer na possibilidade de conversão de todos (1Tm 1:15,16). Por outro lado, se alguém resiste em se converter, mesmo na cadeia, isso nos daria o direito de matá-lo? Estaríamos no limiar de uma nova "santa inquisição"?

4ª) Nenhum sistema judicial e penal do mundo está livre de cometer injustiças. Não é raro ouvirmos notícias de que alguém estava preso por engano. A pena de morte sempre tira vidas inocentes, mais cedo ou mais tarde.

5ª) A criminalidade não diminuiu em nenhum país em que a pena de morte tenha sido implantada. Assim como as pessoas não vêm a Cristo por medo do inferno, ninguém deixa o crime por medo da pena de morte. As estatísticas confirmam isto, basta pesquisar.

6ª) A pena de morte nada mais é do que a aplicação do "olho por olho e dente por dente". É incontextável que Jesus nos proibiu de continuar com esta prática (Mt 5:38-48). Se fosse para continuar com a pena de morte, Jesus teria ensinado: "matai os que vos maltratam e perseguem"; mas, ao invés disso, Jesus ordenou: "orai pelos que vos maltratam e perseguem".

7ª) “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” (Romanos 10:4) Nada temos que ver com a Lei de Moisés. Não somos judeus. Para uma nova aliança, um novo mandamento, que supera o antigo: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” (João 13:34) Isto é tão esclarecido nas epístolas (Rm 13:8-10; Gl 5:13-14; Tg 2:8-13, etc.) Como é que cristãos apoiam-se na Lei de Moisés para defenderem  a pena de morte? Será que estes mesmos cristãos estão dispostos a cumprir toda a Lei? “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído.” (Gálatas 5:4)

São estas as minhas razões. Não acredito que violência se combata com violência. Mas, fiquem a vontade para me questionar e criticar em seus comentários. Só não esqueçam de ser bíblicos.

“Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12:21)

10 comentários:

disse...

Olá! que Bom o mmesmo assunto foi debatido lá no Mulheres Sábias e teve muitos comentários pois este assunto mexe com todos. Bom, já pegando um gancho do meu artigo sobre pena de morte no meu blog, não resisti e vim para cá rrs por isso repetirei o que postei lá ok.
Bom o nosso ordenamento jurídico é muito brando com crimes, principalmente os hediondos. Leia-se sequestradores, estrupadores, latrocidas e ainda podemos citar os pedófilos. Deveríamos aproveitar a força da democracia para tentar mudar este código penal arcaico e complacente com o criminoso. Estamos no ano de eleição, acredito ser o melhor momento para a sociedade se mobilizar em favor das pessoas de bem desta nação.
Quero dizer com isso que Deus não nos implica a pecado, se o Estado em que vivermos for adepto a pena de morte como ordenamento jurídico a ser aplicado. E não estaríamos contrariando o testamento que nos diz ''não mataras'',pois não seria em causa própria e quem estaria aplicando a pena seria o Estado. A propósito não sou a favor da pena de morte, antes que me acusem rsrs
e também não há prisao perpétua no brasil, os criminosos só cumprem 30 anos normalmente so 1/3 da pena a lei é frouxa estou só repetindo o que postei no meu blog. Paz Alan, muito boa sua postagem.

Romanos 13:1
13.1 SUJEITAI ÀS AUTORIDADES SUPERIORES. DEUS ordena que o cristão obedeça ao estado, porque este, como instituição, é ordenado e estabelecido por DEUS. DEUS instituiu o governo porque, neste mundo caído, precisamos de leis para nos proteger do caos e da desordem como conseqüências naturais do pecado.
(1) O governo civil, assim como tudo mais na vida, está sujeito à lei de DEUS. ISSO NO CASO DE SE HAVER A PENA AQUI EM NOSSO PAÍS!

Paz Alan, muito boa sua postagem.

Presb. Fabio Scofield disse...

Olá! Pr. Alan, Graça e Paz...

Este assunto é muito complexo, certamente nem mesmo nós com o auxilia da palavra de Deus, não chegaríamos facilmente, a um denominador comum. Mas é muito boa essa nossa discussão sobre o tema, porque certamente iremos aprender, cada vez mais, uns com os outros.
E observando a sua nova postagem, algo me chamou atenção, e sinceramente fiquei muito preocupado com algumas citações que fazemos da palavra de Deus, quando contextualizamos alguns textos.
E o meu alvo é esta citação do irmão no item 7º) da sua postagem.

Com todo respeito amado Pastor, gostaria de fazer algumas correções ao seu texto.

1º)-Verdadeiramente, nada temos que ver com a “Lei de Moisés”. Nem tão pouco somos Judeus. Mesmo porque não existe a Lei de Moisés, (Mas sim a Lei de Deus), em que Moisés foi apenas o legislador.

2º)- (Um novo mandamento vos dou, que ameis uns aos outros, como Eu vos amei). O amado está equivocado, quanto a pratica deste mandamento; pois ele está direcionado ao relacionamento entre irmãos; e não entre os seres humanos em geral.

3º)- Quanto a exortação do Apostolo Paulo, com respeito aos Gálatas, que supostamente estavam voltando aos rudimentos da antiga Lei, ela é verdadeira, porem, precisamos entender melhor o que o Apostolo esta falando. Primeiro, ele não está falando da totalidade da Lei do Decálogo (Os dez Mandamentos), mas sim, da Lei cerimonial; os sacrifícios para justificação, os rituais, os dias festivos, a guarda do sábado, os votos e até a circuncisão.
Porque não seria mais necessário nenhum sacrifício de bodes e toros para justificar pecado, porque Cristo uma única vez se sacrificou, e seu sacrifício é único e vicário.
Nisto Cristo cumpriu toda Lei referente ao seu sacrifício, e nos aboliu de todo e qualquer sacrifício.

4º)- Quanto à totalidade da Lei do Decálogo; Creio que o Senhor não nos aboliu de alguns mandamentos, tais como: (1º - Adorar só o Senhor seu Deus) (2º-Não trazer outros deuses diante do Senhor) (3º- Não invocar o Seu Santo Nome em vão) (5º-Honrar teu pai e tua mãe )(6º- Não matarás) (7º- Não adulterarás) (8º- Não furtarás) (9º-Não dirás falso testemunho) (10º-Não cobiçarás a casa do seu próximo). Como o amado pode ver, do decálogo só não guardamos o 4º-mandamento (A guarda do sábado).

5º)-E o que chamamos de Lei de Moisés, na verdade são os atributos e juízos, ordenados por Deus, para que Moisés ensinasse ao seu povo (As diversas Leis, inclusive as sacrificais e as cerimoniais), das quais o Senhor Jesus nos libertou, cumprido-as em si mesmo.

Pr. Alan esse comentário, se o senhor não quiser, não precisa publicar, se não concordar, por favor, me retorne com o seu parecer. Lembre-se, que, antes de tudo somos irmãos e amigos.

Deus abençoe a sua vida e sua família....

Alan Capriles disse...

Amado Presbítero Fábio

Nossas divergências são teológicas e não pessoais.
Sempre publico os comentários dos seguidores deste blog, por questões de princípio. Ainda que discordem de mim.
Lembrando disto, peço direito a réplica. Estarei respondendo ponto por ponto:

1º) Lei de Moisés é um termo neo-testamentário, não fui eu que inventei, está na Bíblia:
Lucas 2:22 E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor
Lucas 24:44 E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos.
João 7:23 Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque, no sábado, curei de todo um homem?
Atos 13:39 E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê.
Atos 15:5 Alguns, porém, da seita dos fariseus que tinham crido se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés.
Atos 28:23 E, havendo-lhe eles assinalado um dia, muitos foram ter com ele à pousada, aos quais declarava com bom testemunho o Reino de Deus e procurava persuadi-los à fé de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas, desde pela manhã até à tarde.
1 Coríntios 9:9 Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura, tem Deus cuidado dos bois?
Hebreus 10:28 Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas.

2º) Não encontro base bíblica para afirmar que Jesus estive nos mandando amar apenas nossos irmãos. O nosso próximo, como Jesus ilustrou na parábola do bom Samaritano, pode ser qualquer pessoa, independente da raça ou religião.

3º) O seu terceiro argumento é puramente adventista. Não existe lei cerimonial. Isto é invenção de Ellen G. White, como pode ser comprovado em bons sites apologéticos. Para facilitar a pesquisa, sugiro que siga o link:
http://www.cacp.org.br/adventismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=75&menu=1&submenu=8

4º) Só temos um mandamento, que resume todos os outros. Meu artigo é claro e bíblico quanto a este ponto. O sábado não se aplica, pela simples questão de que guardar o sábado não é prova de amor, nem aos homens, nem a Deus, pois era um pacto entre Ele e os israelitas. (Ez 20:12,20)

5º) Alguns dos versículos relacionados na primeira réplica, analisados em seu contexto, mostram que toda a Lei do Antigo Testamento pode ser tratada como Lei de Moisés. Jesus retirou este véu e nos libertou da ilusão desta sombra. Glória a Deus. Na cruz, tudo está consumado! Somos salvos pela fé naquele que tudo consumou, Cristo Jesus. Creio que concordamos neste ponto.

Não pude ser mais detalhista porque estou meio sem tempo. Se precisar, envio novos esclarecimentos quanto a alguns pontos.

Um forte abraço!

“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Efésios 4:15-16)

Presb. Fabio Scofield disse...

Amado Pr. Alan, eu lhe agradeço pelos seus esclarecimentos, mas eu penso, que nos estamos nos distanciando do propósito da nossa postagem; que se tratava da pena de morte no nosso país; e estamos nos enveredando em discussões teológicas, das quais creio, que não vamos chegar tão facilmente a um acordo; discutindo-as através de comentários no nosso blog. Quem sabe, se dispuséssemos de tempo, ou um outro veiculo, isso para mim seria bastante interessante, e edificante.
No mais, lhe peço perdão por qualquer constrangimento, pois tenho pelo senhor um profundo respeito, e quero continuar gozando do seu amor em Cristo Jesus...
Deus te abençoe...

Alan Capriles disse...

Prezado presbítero Fábio

O amado tem toda razão. Ainda que creio que podemos chegar ao mesmo ponto de vista, esta não é a melhor plataforma para isto.
No entanto, seus comentários foram muito importantes. Eles são sempre edificantes, pois nos levam a examinar as Escrituras. Por isso, peço que continue participando ativamente deste humilde blog.
Considero você um verdadeiro amigo. Não precisa pedir perdão de nada, pois pensar diferente é um direito de todos. Também tenho um profundo respeito pelo amado e por toda sua família, a qual também amo.
Deus lhes abençoe cada dia mais!

Alan Capriles disse...

ATENÇÃO:
Acrescento mais uma razão para sermos contra a pena de morte. Creio ser a mais importante de todas.

8ª)JESUS É CONTRA A PENA DE MORTE.
(A prova está em João 8:3-11)

3 Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos,
4 disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.
5 E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?
6 Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo.
7 Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.
8 E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
9 Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava.
10 Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?
11 Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.
(João 8:3-11)

Não é nem preciso estudar hermenêutica para compreendermos a lição deste texto.
Aquela mulher estava no "corredor da morte" e Jesus não somente a tirou deste corredor, afastando seus acusadores, mas também não a condenou a morte.

SE JESUS NÃO CONDENOU NINGUÉM A MORTE, QUEM SOMOS NÓS PARA CONDENARMOS?

Presb. Fabio Scofield disse...

Amado Pr. Alan vejo que eu não me enganei a seu respeito, o senhor verdadeiramente, é um homem sábio e sensato, por isso eu lhe estimo tanto, e nos tornamos amigos.

Bem verdade, que eu já avia encerrado minha participação nesse texto sobre a pena de morte, mas como o amado, fez mais um comentário, tentado nós dissuadir dessa possibilidade, (ou seja, apoiar a legalização da tal pena), e para isso usou mais um texto Bíblico; ai eu não me contive, e voltei, com esse novo comentário.
Onde, devido a sua extensão, será apresentado em duas etapas:

O seu tema:
O senhor citou ( Jo-8:3-11), "A passagem da mulher adultera", para provar que Jesus, não concorda com a pena de morte; e disse, que este texto é muito claro, e não precisa de Hermenêutica, para compreendê-lo, mesmo porque Jesus, não sentenciou a tal mulher, más a absolveu-a, do suposto adultério.

Primeira etapa do meu comentário:
Bem o meu comentário, a respeito desta passagem de Jo-8:3-11, é esse:
Quando estudamos um texto Bíblico, precisamos levar em conta primeiramente, o significado daquilo que significava, pois a narrativa bíblica está na história. Ou seja, cremos que a Palavra de Deus para nós hoje é primeiramente aquilo que Sua Palavra era para eles. Temos, portanto, duas tarefas: Primeiramente, descobrir o que o texto significava originalmente; esta tarefa é chamada "Exegese". Em segundo lugar, devemos aprender a escutar esse mesmo significado na variedade de contextos novos ou diferentes dos nossos próprios dias; chamamos a esta segunda tarefa de "Hermenêutica". No seu sentido clássico, o termo "Hermenêutica", abrange as duas tarefas. Mas como disse D.A. Carson, no seu livro "A exegese e suas falácias", onde ele fala do perigo na interpretação da Bíblia. Segundo ele, não se pode fazer uma boa hermenêutica, sem um bom trabalho de Exegese; ou seja, se não conhece o assunto, dificilmente, saberá explicá-lo bem.

O assunto do texto:
O assunto do texto de Jo-8:3-11 trata-se de um julgamento segundo uma determinada lei.
Quando falamos de direito criminal; na tese: "Acusação e Defesa", podemos observar, que a lei para ambos os casos, é a mesma; e,o que faz, o veredicto, são os atenuantes e os pormenores; "Os detalhes". E nesse ponto meu amado, que eu quero chamar a sua atenção:

Detalhe da acusação
Observem que os acusadores da mulher, disseram: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar.

Varias interpretações do texto:
Quase todos que ler ou tentam interpretar, este texto, o fazem pela resposta de Jesus:
Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.
Bem verdade, é que Jesus não estava julgando o caso daquela mulher. (Ele estava, sim, defendendo a sua missão, salvar o pecador), Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela; nessa indagação, Jesus estava dizendo, todos vocês, são adúlteros igualmente a essa mulher, que vocês estão acusando. Mas esta ainda não é a interpretação correta do texto.

Presb. Fabio Scofield disse...

Segunda etapa do meu comentário:

A interpretação correta:
E a interpretação correta deste texto; encontra-se no tema da acusação:
(Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas). Tu, pois, que dizes? (Aqui sim está a chave da questão)
Vamos pensar como se estivéssemos no tribunal de um jure.
Sempre que um advogado, vai defender ou acusar alguém, ele lê o processo, examina as provas periciais, buscando em ambos os casos , algumas falha, no processo, e sobre elas, é que eles trabalham, para defender ou acusar, ou mesmo atenuar a sentença de um réu confesso.
E nesse caso, a falha estava na acusação:
E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Será que foi mesmo assim, que Moisés ordenou, e onde se encontra essa dita lei?
Bem a referida lei, se encontra aqui nestes dois livros: (Lv-20:10 repetida em Dt-22:22).
Observem, o que verdadeiramente ordenava a tal lei:
(Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera). Moisés não ordenou na lei, que fosse apedrejada apenas a adultera, mais o casal, e eles trouxeram uma mulher para tentar colocar o Senhor em alguma contradição com a lei. Obviamente, que a intenção dos tais acusadores, estava bem claro no texto: (Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar).
Bem, meu amado amigo Pr Alan, eu creio que este texto, o qual o senhor apresentou, como defesa contra a pena de morte, ele é real, não só para aquela mulher, mas para todos os transgressores, independente dos seus crimes, até mesmo aqueles fariseus, que acusavam a mulher, se eles também tivesse se arrependido diante do Senhor, também teriam sido salvos por Ele. Em Cristo Jesus, todos estão justificados dos seus pecados. Graças a Deus por isso.

Quanto a punir um criminoso com a “Morte”, não devemos nos preocupar tanto assim, já disse Jesus: (E digo-vos, amigos meus; Não temais os que matam o corpo e depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo a esse temei). (Lc-12:4,5).

Observem meu amado Pastor, a nossa justiça só pode condenar alguém a morte física, mas espiritualmente, ela não pode fazer nada; mesmo porque, o tipo de morte na qual iremos morrer não fará nenhuma diferença; o que importa é não sofrermos o dano da segunda morte. (Ap-2:11).
Quanto ao termo lei de Moisés, eu sei, que ele é Bíblico, e é usado para identificar a referida lei, mas não por isso, a referida lei, seja propriamente dele; mas sim a lei do Senhor, a qual ele Moisés foi o seu Legislador. (Jo-1:17 – Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo).
Quanto as Leis Sacerdotais, O templo, o Altar e os Sacrifícios e o cerimonial, não foram os adventistas, que a inventaram, não, elas são Bíblica, são a tipologia de Cristo, e se encontra claramente nos livros de (Êxodo e Levítico), basta tão somente o irmão consultá-las.

Quero dizer ao amado irmão, que eu também consulto o site do Centro apologético Cristão de Pesquisa (Cacp). E gostaria de sugerir ao amado Pastor, a leitura de dois excelentes livros, que irá lhe ajudar muito na sua interpretação Bíblica: (À Exegese e suas Falácias –Autor - D. A. Carson), e (Entendes o que lês? - Autor – Gordon D. Fee & Douglas Stuart)


Deus abençoe ricamente a sua vida, e sua família, em nome de Jesus...

Patrícia Teresa disse...

Que a Paz do Querido mestre jesus a todos envolva.
Como gostei desta matéria! Deus ama a seus filhos sem distinção, mesmo sabendo que podem errar, mas, Ele aguarda pacientemente por seu despertar.
Lembremos da parábola do "Filho Pródigo" - Ele o recebe com grande alegria no dia em que resolve retornar ao seu amparo, depois de ter errado e peranbulado pelas trevas exteriores. Um dia reconhece o quanto se afastou do Pai, retorna arrependido. Deus pacientemente o espera e o recebe com muito Amor! Condenar uma Alma à pena de morte é mandar o problema para o futuro. è não consertar nossos problemas já! Afinal estamos todos inseridos no mesmo destino me Jesus nos alertou: "Não faças a outro o que não queres que te façam"... Quem poderia atirar a primeira pedra condenando os erros alheios achando-se um Santinho que não tem erros? O melhor seria adimitirmos: Errei sim, mas não erro mais!!!
Somos todos irmãos e isto é o mais importante! Deus ama a todos por igual e estamos todos tutelados por nosso irmão maior que é Jesus, nosso caminho e vida!!!

Alan Capriles disse...

Diante de tantos comentários interessantes, quero expressar minha gratidão a todos que ajudam a enriquecer esta postagem. Aproveito para acrescentar alguns pensamentos:

Creio que foi Gandhi quem disse que "se fossem perdidos todos os livros do mundo, porém se salvasse o sermão da montanha, proferido por Jesus, nada estaria perdido". E também acrescentou: "olho por olho e o mundo todo acabará cego".

Apesar de não defender as crenças espirituais de Gandhi, preciso concordar com ele nisto. Se as leis de qualquer país fossem formadas com base apenas no sermão da montanha, não haveria espaço para a pena de morte. Precisamos ler mais os evangelhos e compreender a mensagem de Cristo.

Eu não tenho medo de quem mata o corpo. O meu medo é que eu mate alguém, seja direta ou indiretamente. E, por que temo isto?

Porque o mal que os outros me fazem não me faz mal; mas o mal que eu faço aos outros, este sim me faz mal, pois me torna uma pessoa má.

Que Deus nos livre dos pecados de sangue! Não fomos chamados para matar, mas sim para salvar!

Deus lhes abençoe cada dia mais!