terça-feira, 9 de novembro de 2010

VOCÊ SERIA FELIZ NO CÉU, SE DEUS NÃO ESTIVESSE LÁ?

Por Alan Capriles

“Se eu te adorar por medo do inferno,
Queima-me no inferno.
Se eu te adorar pelo paraíso,
Exclua-me do paraíso.
Mas, se eu te adorar pelo que Tu és,
Não esconda de mim a Tua face.”
(Rabia, 800 d.C.)

Paul Washer, um dos pregadores que mais admiro, é um crítico feroz dos métodos de evangelismo moderno. Entre outros problemas, ele aponta para o erro de se evangelizar com a inútil pergunta: “Você quer ir para o céu?” Segundo ele, esta é uma pergunta inútil porque sua resposta é óbvia: “Todos querem ir para o céu, até o diabo, mas a maioria não quer que Deus esteja lá quando chegarem!”

E não é verdade? Todos querem ir para o céu. Ninguém, em sã consciência, desejaria arder no lago de fogo e enxofre, nem mesmo o próprio diabo. Ao mesmo tempo, quem não desejaria passar uma eternidade sem tristeza, dor, cansaço, gozando de perfeita paz e alegria? Todos querem isto! Porém, por pior que seja o inferno, e por melhor que seja o paraíso, não devemos conduzir alguém a Cristo por estes motivos.

Ao contrário do que muitos pensam, tão errado quanto aproximar-se de Jesus por interesses materiais é adorá-lo por interesses espirituais. Sendo assim, a questão é: por qual motivação eu tenho seguido a Cristo?

John Piper faz uma brilhante análise acerca desse tema em seu livro “Deus é o Evangelho”*. Lembrando que muitos não entendem direito o que são as boas novas do evangelho, Piper sugere a seguinte pergunta:

“Por que saber que seus pecados estão perdoados é boas-novas para você?”

“Uma pessoa pode responder: “Ser perdoado é boas-novas, porque eu não quero ir para o inferno”. Outra pode dizer: “Ser perdoado é boas-novas, porque uma consciência culpada é algo horrível, e encontro muito alívio em pensar que meus pecados estão perdoados”. Outra talvez responda: “Quero ir para o céu”. Mas temos de perguntar por que as pessoas querem ir para o céu. Talvez respondam: “Porque o alternativo é doloroso”. Ou: “Porque a minha esposa está lá”. Ou: “Porque haverá um novo céu e uma nova terra, nos quais a justiça e a beleza finalmente estarão em todos os lugares”.

Piper prossegue: “O que há de errado nestas respostas? É verdade que ninguém quer ir para o inferno. O perdão proporciona alívio a uma consciência culpada. No céu, seremos restaurados à comunhão com os queridos que morreram em Cristo, escaparemos do sofrimento do inferno e desfrutaremos da justiça e da beleza da nova terra. Tudo isso é verdade. Então, o que está errado nessas respostas? O que está errado nelas é que não consideram a Deus como o bem final e mais sublime do evangelho.”

Para que definitivamente entendamos a importância deste assunto, John Piper nos deixa uma excelente ilustração, traçando uma analogia perfeita em relação às nossas motivações para com Deus. Imagine a seguinte situação:

“Suponha que eu levante pela manhã e, enquanto caminho em direção ao banheiro, tropeço na cesta de roupas sujas que minha esposa havia deixado ali para lavar no dia seguinte. Em vez de eu mesmo remover a cesta gentilmente e pensar o melhor a respeito de minha esposa, reajo de um modo completamente desproporcional à situação e lhe digo algo bastante grosseiro, quando ela ainda está acordando. Ela se levanta, pega a cesta de roupas e desce a escada diante de mim. Posso dizer pelo silêncio e por minha própria consciência que nosso relacionamento entrou em séria dificuldade.

“Enquanto desço, a consciência me acusa. Sim, a cesta não deveria estar naquele lugar. Sim, eu poderia ter quebrado o pescoço. Contudo, esses pensamentos são principalmente argumentos carnais autodefensivos. A verdade é que minhas palavras foram incoerentes. A dureza emocional não somente fora desproporcional à seriedade da falha como também a Bíblia me ensina a não atentar para o erro. “Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?” (1 Co 6:7)

“Por isso, quando entro na cozinha, há um clima de frieza, e minha esposa está de costas para mim, trabalhando no balcão da cozinha. O que precisa acontecer ali? A resposta é evidente: preciso desculpar-me e pedir perdão. Isto seria o correto a fazer. Mas, eis a analogia: Por que eu quero o perdão de minha esposa? Para que ela faça o meu café da manhã favorito? Para que meus sentimentos de culpa desapareçam e eu consiga me concentrar no trabalho hoje? Para que tenhamos uma boa relação sexual esta noite? Para que nossos filhos não nos vejam em desarmonia? Para que ela finalmente admita que a cesta de roupa suja estava no lugar errado?

“Talvez, cada um desses desejos seja verdadeiro. Mas são todos motivos fracos para eu obter o perdão de minha esposa. O que está faltando é isto: eu quero ser perdoado para que tenha de volta a agradável comunhão com minha esposa. Ela é a razão por que eu desejo ser perdoado. Quero o relacionamento restaurado. O perdão é apenas um meio de remover os obstáculos, de modo que possamos olhar novamente um para o outro, com alegria”.

John Piper, após esta brilhante ilustração, conclui com graves considerações, que transcrevo a seguir. Afinal, este é um assunto de vida e morte, no qual todos devemos meditar muito seriamente.

“[...] todas as bênção do evangelho são meios de remover os obstáculos para que conheçamos a Deus e desfrutemos mais plenamente dEle”.

“O evangelho não é uma maneira de levar as pessoas ao céu; é um meio de trazer as pessoas a Deus”.

“Se não queremos Deus acima de todas as outras coisas, não fomos convertidos pelo evangelho”.

“E as pessoas que seriam felizes no céu sem a presença de Cristo, não estarão no céu”.

Você entendeu bem? Elas simplesmente “não estarão no céu.”

E você, estará?

Por Alan Capriles

* Este artigo contém trechos do livro “Deus é o Evangelho - Um Tratado Sobre o Amor de Deus como Oferta de Si Mesmo” de John Piper, Editora Fiel.

8 comentários:

João Dórea disse...

É tremendo essa mensagem, muitas vezes tentei transmití-la a igreja e não conseguia me expressar, mas como Deus é tremendo usou o pastor para tornar mais compreensível para mim.

Deus seja louvado! felicidade Pastor Alan!

fica na paz do Senhor Jesus.

Alan Capriles disse...

Glória a Deus, pr. João Dórea!

Fico muito feliz com a notícia.

Deus continue abençoando cada dia mais sua vida e ministério!

www.gloriosojesusblogger disse...

Isso é simplesmente maravilhoso! Parece que estamos a dar uma olhada para o céu com Jesus em pé lá, e como a Bíblia diz, "... eles verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória."(Mateus 24)Obrigada, pastor, me senti muito feliz com essa palavra!Deus os abençoe, paz!

René disse...

Essa é uma analogia brilhante, Alan!

E a mensagem dela, o nosso relacionamento com o Senhor, de agora, pelo resto da eternidade, é o que tenho aprendido do Senhor e o que tenho buscado.

Charles Finney também falava disso, alertando que o interesse por alguma recompensa, física ou espiritual, nunca poderia ser a base do nosso relacionamento com Deus. O interesse dele por um relacionamento com Deus, por Ele ser o que é, chegava ao ponto de ele afirmar que, ainda que Deus o enviasse para o inferno, ele estaria feliz e confiante, pois teria a certeza de que Deus teria feito isso para realizar alguma obra lá, através dele, devido à intimidade entre os dois.

É uma grande alegria vir buscar alimento aqui, junto a você, Alan!

Grande abraço e continue na Paz!

Alan Capriles disse...

A paz, René!

Agradeço por edificar ainda mais este artigo com seu comentário.

Você conhece Paul Washer? Em algumas de suas pregações ele afirma o mesmo que vc citou a respeito de Finney. Isso que é confiar em Deus!

Que tenhamos sempre um relacionamento íntimo com nosso Pai!

René disse...

Sim, Alan, conheço Paul Washer e gosto de muitas das suas pregações.

Esse relacionamento íntimo com nosso Pai é importantíssimo, além de agradabilíssimo!! Como você disse, que o tenhamos sempre!

Abração e Paz!

Cláudio Nunes Horácio disse...

Alan, este seu texto é maravilhoso, pura exposição da Palavra de Deus, dos objetivos certos, da consciência no foco. Peço permissão para publicar no meu blog com os devidos créditos a você. Graça, paz e bem.

Alan Capriles disse...

Claro, Cláudio!

Fique a vontade. Será um enorme privilégio ver o texto que escrevi em seu blog. Tudo para glória de Deus. Grande parte do texto é compilação de um livro de John Piper. A ilustração dele é perfeita e ajudou muito a transmitir o que eu almejava.

Aproveito para parabenizar pelo seu blog. Eu tinha certeza que já o estava seguindo, mas por descuido ainda não era seguidor, falha que já corrigi. Seus artigos são ótimos! Procurei um banner seu para divulgar seu blog, mas não encontrei. Caso já tenha feito, me diga onde encontrá-lo em seu blog, ok?!

Um forte abraço, na paz de Cristo Jesus.