sábado, 27 de novembro de 2010

PARA QUE O EVANGELHO SEJA REALMENTE UMA BOA NOVA

Por Alan Capriles
"E esta é a promessa
que ele mesmo nos fez, a vida eterna.
Isto que vos acabo de escrever
é acerca dos que vos procuram enganar."
(1 João 2:25-26)

O evangelho de Cristo é a mais extraordinária e fantástica notícia! Não é por acaso que o termo evangelho significa “boa nova”. No entanto, muitos que se dizem alcançados pelo evangelho não parecem ter a alegria de alguém que foi alvo de tão grande bênção. E muitos crentes, quando evangelizam, já não o fazem mais com o entusiasmo de alguém que é porta voz da notícia mais maravilhosa de todas.

O que está acontecendo?

A resposta é simples: já não se evangeliza mais o verdadeiro evangelho. E como isso já vem acontecendo por décadas, grande parte dos crentes de hoje (que atenderam a um falso evangelho), talvez estejam na igreja pelas razões erradas. Não é difícil chegar a essa conclusão. A lógica é a seguinte: Se o convite evangelístico está errado, a motivação para atendê-lo também será equivocada. Ou seja, desde que se passou a anunciar outro evangelho, conseqüentemente temos passado a atrair outro público.

Antigamente se anunciava Jesus como a salvação para nós, pecadores. Agora, e desde há muito tempo, anuncia-se Jesus como a solução para nossos problemas.

Prova disso é o tão famoso slogan “Cristo é a solução”. Solução para o desemprego, para a doença, para a solidão, para o vício, para as causas impossíveis, solução para todos os nossos problemas! “Venha para Jesus e sua vida vai melhorar” – é assim que muitos “evangelizam” hoje em dia. O problema é que isso não é evangelizar, simplesmente porque essa não é a mensagem do evangelho.

Sabemos que essa alteração no convite evangelístico se deve à influência que a pós-modernidade tem exercido sobre a igreja. Ao invés de não se conformarem com o presente século, como nos alertou Paulo, a maioria dos crentes está tomando a forma deste mundo. Analisamos isso no artigo anterior.

Apresentar Jesus como a solução se tornou cada vez mais atrativo para uma sociedade cada dia mais materialista e egocêntrica. E uma tentadora saída para “fisgar os peixes” em nosso evangelismo. A busca insaciável por números e resultados, que também caracteriza nossa sociedade, contaminou o coração de muitos líderes evangélicos. Numa sede por quantidade maior de membros, a maioria dos pastores busca estratégias que dêem resultados, ainda que não haja embasamento bíblico para tais estratégias. A isso se dá o nome de “pragmatismo”, a filosofia que não se importa com o que é certo, mas com o que dá certo.

Dá certo apresentar Jesus como a solução? Atrai o público? É isso que eles querem ouvir? Então chamemos isso de evangelho! – Esse é o pensamento pragmático que tem dominado a maioria das igrejas evangélicas da atualidade. E, com isso, muitos não têm sequer idéia do que seja o verdadeiro evangelho.

Este evangelho pragmático tem atraído justamente o tipo de pessoas que Jesus mais repelia. Qualquer um que leia o capítulo seis do Evangelho de João chegará a esta conclusão. Quando o Senhor Jesus percebeu que uma grande multidão o seguia por causa do milagre da multiplicação de pães e peixes, ele passou a pregar aquilo que esta mesma multidão classificou como um “duro discurso”. E, por fim, quando perceberam que Jesus falava mesmo sério, a multidão se dispersou, comentando: “Quem o pode ouvir?”

É importante ressaltar que o Senhor não correu atrás daquela multidão, como fariam muitos pregadores da atualidade. Muito pelo contrário, Jesus encarou seus doze discípulos e lhes perguntou se eles também não gostariam de se retirar!

Por que Jesus fez aquilo?

Pedro nos dá uma boa pista, ao explicar: “Para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” É isso que o Senhor espera daqueles que o seguem, a percepção de que somente ele pode nos dar vida verdadeira, vida que perdure além da vida, vida eterna!

Quando se anuncia Jesus por qualquer outro motivo, que não seja a nossa salvação, se reduz o Senhor ao mesmo nível de qualquer ícone religioso existente. Cristo é assim colocado no mesmo leque de opções no qual está Buda, Maomé, Alan Kardec, ou ainda qualquer entidade do chamado baixo espiritismo. Por isso a evangelização que é feita com promessas de cura e prosperidade não pode gerar a alegria de uma verdadeira boa nova. Pois, afinal de contas, o que há de novo com esta mensagem? Qualquer seita promete também cura, sucesso e prosperidade.

“Para quem iremos nós?” – Esta indagação de Pedro revela a singularidade de Jesus: Somente ele tem as palavras da vida eterna. Cristo nos dá o que nenhum outro jamais poderia ou poderá nos dar: uma vida com Deus.

Neste ponto nos deparamos com outra realidade.

Quem ainda insiste na mensagem de que Jesus é o Salvador sabe muito bem disso: a sociedade na qual vivemos não se importa mais com a eternidade. Ninguém deseja pensar nisso. Esse é um assunto que não desperta mais interesse. Talvez estejamos todos entorpecidos com a mensagem subliminar contida em filmes, novelas, músicas, programas de televisão, e sites de relacionamento da internet. Em todos eles uma mesma mensagem oculta, que nos diz repetidamente: “Tudo está bem sem Deus... Tudo está bem sem Deus... Tudo está bem sem Deus...”

Não é isso mesmo que a mídia nos diz? Ao apresentar suas programações totalmente desvinculadas do conceito da existência de Deus, a mensagem que diariamente nos é transmitida, direta ou indiretamente, é essa: “Toda história pode ter um final feliz, ainda que Deus não seja buscado, ou sequer lembrado.” Será que temos idéia do quanto o conceito de “uma vida boa e normal sem Deus” está enraizado na mente da maioria das pessoas que desejamos evangelizar?

Para que a mensagem da salvação seja de fato uma boa nova precisamos primeiramente despertar os ouvintes para esta cruel realidade, que deve ser dita sem rodeios: “Não, sua vida não vai nada bem. Acorde! Se você não tem Cristo, sua condição atual é a de ser inimigo de Deus, e se você morrer sem se converter a Ele o seu destino final será a perdição eterna.”

Enquanto uma pessoa não for convencida de sua triste realidade sem Cristo, de nada adiantará apresentar-lhe a vida eterna em Jesus. Afinal de contas, ela já se acha salva. A grande maioria das pessoas não se preocupa com a eternidade porque acreditam que, de alguma forma, Deus terá misericórdia delas.

Pergunte a qualquer um que não seja evangélico se ele acredita no inferno. Dentre vários que confessarão não acreditar, alguém dirá que acredita, mas com a certeza de que só irão para o inferno os piores pecadores, tais como assassinos e pedófilos. Todas as pessoas, independentemente de seu credo religioso, acreditam que algo melhor virá depois desta vida. E isso porque todos se acham “bonzinhos”, apesar de Jesus ter dito claramente que nenhum de nós é realmente bom.

Existe um consenso social de que basta ter uma boa conduta para se ter um destino melhor. Seja este destino o céu ou uma reencarnação, como prega o espiritismo. Mas este consenso é totalmente contrário ao ensino bíblico cristão. Aliás, fosse verdade tal idéia, nem precisaria Jesus ter vindo ao mundo. Tanto antes de Cristo, quanto depois dele, houve muitos outros que ensinaram a moralidade como caminho para salvação. Mas a prática de boas obras não leva ninguém para o céu, pelo simples fato de que fazer o bem não passa de nossa obrigação, não havendo mérito algum nisso. Além do mais, a própria Bíblia nos afirma que não há ninguém que faça o bem e nunca peque. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Essa é uma verdade que o evangelismo pós-moderno procura esconder.

Jesus não veio ao mundo para ser um mestre de moralismo, ainda que ele mesmo tenha nos dado bom exemplo, andando por toda parte fazendo o bem; Jesus também não veio para resolver nossos problemas existenciais, ainda que ele tenha curado muitos doentes e até ressuscitado mortos; Jesus veio sim para nos reconciliar com Deus, retirando sua ira de sobre nós, ao tomar sobre si nossos pecados e sofrer na cruz do calvário o castigo que nos traz a paz. Sua ressurreição, ao terceiro dia, é a prova de que o Pai aceitou a remissão de nossos pecados por meio do Filho. Assim como Jesus vive, todos os que nele crêem viverão também através dele, por ele e para ele. E não há nada melhor do que isso! Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, mas Jesus nos oferece gratuitamente a vida, nos purificando e nos enchendo com seu Santo Espírito, a garantia de nossa salvação! Agora sim, temos uma boa nova de grande alegria!

Você percebe? Para que alguém se alegre com o evangelho necessita primeiro reconhecer sua miserável condição sem Cristo. Sendo assim, todo aquele que deseja anunciar a Jesus precisa mostrar o quão perdido alguém está sem ele.

Evangelizar não se trata de uma questão de uma pessoa se sentir melhor, tendo isso ou aquilo por meio de Jesus. Evangelismo é muito mais do que isso! Trata-se de uma questão de vida eterna ou de perdição eterna!

Portanto, se queremos que o evangelho seja realmente reconhecido como uma grande boa nova, estamos diante de um enorme desafio: convencer esta humanidade pós-moderna do quanto ela está perdida e necessita se arrepender, de que há justificação somente pela fé em Cristo e de que haverá um terrível juízo para quem rejeitar este convite de amor.

Mas, graças a Deus, não estamos sozinhos nesta grandiosa missão de evangelizar um mundo perdido. Se fizermos isso com fidelidade, temos a maravilhosa promessa de que o Espírito Santo nos ajudará (Mateus 10:19-20). Ele é quem convence o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo. (João 16:8) Nossa tarefa é somente pregar o verdadeiro evangelho (Marcos 16:15), o restante é por conta dele.

Seja um verdadeiro proclamador das boas-novas, cheio do Espírito Santo, e não de confiança em si mesmo, e jamais esqueça: “maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo.” (1 João 4:4)

Por Alan Capriles

10 comentários:

disse...

A mensagem da cruz foi trocada para uma mensagem de bem estar aqui na terra, esqueceram da eternidade, esqueceram que ele veio para salvação. Quem prega o bem estar daqui, é o anti-cristo preparando o povo para viver aqui. Mas simplesmente esqueceram que ele veio para nossa Salvação, não se prega mais arrependimento, ninguém esta preocupado com a eternidade, só com ganhar esta vida. Paz!

Diego Lopes disse...

"Para que alguém se alegre com o evangelho necessita primeiro reconhecer sua miserável condição sem Cristo. Sendo assim, todo aquele que deseja anunciar a Jesus precisa mostrar o quão perdido alguém está sem ele."

Quando alguém vai a igreja e se senta num banco como quem vai a um teatro, vive como se fosse o centro das coisas, como se o Pai fosse o ator e nós os pagantes, esperando sempre que Ele faça algo por nós. Afinal, "pregaram pra mim dizendo que Ele pode fazer tudo por mim, então quero ver!". É essa a nossa realidade...

Enquanto o que Deus quer realmente é se assentar no seu trono e assistir a todos nós na igreja dizendo que tudo gira em torno dEle e que Ele sim é que deve nos ver atuando... como verdadeiros adoradores, dançarinos, cantores.. tudo por Ele, tudo para Ele...

Alan Capriles disse...

Rô e Diego,

Concordo plenamente com vocês. Seus comentários enriquecem o presente artigo. Agradeço pelo apoio!

Deus lhes abençoe cada dia mais!

René disse...

É, Alan,

Há cada vez mais lobos em pele de ovelhas, arrastando rebanhos inteiros para uma armadilha mortal.

Graças a Deus que Seu Espírito nos prepara e ensina, para sermos Seus instrumentos na pregação do Evangelho da Verdade.

Abração e continue na Paz!

João Dórea disse...

A PAZ DE CRISTO PR. ALAN,



QUE MENSAGEM!ISSO É QUE OS OCUPANTES DE PÚPITOS NECESSITAM SABER, POIS OS PREGADORES ESTÃO MAIS INTERESSADOS EM PREGAR BEM (ENTENDA FAZER UMA BOA APRESENTAÇÃO) EM SER APLAUDIDO POR UMA PLATEIA DE CEGOS DO QUE EXPLANAR O VERDADEIRO EVANGÉLHO.

FICO DOENTE QUANDO VISITO ALGUNS MINISTÉRIOS E VEJO O ESTRELISMO EGOCÊNTRICO TOMANDO CONTA DOS PÚPITOS ENQUANTO É DEVASTADO O MOVER DO ESPÍRITO SANTO ATRAVÉS DA ENUCIAÇÃO DO VERDADEIRO EVANGELHO QUE É A PALAVRA DE DEUS.

DEUS TEM MISERICÓRDIA DE NÓS E QUE POSSAMOS PREGAR O EVANGELHO QUE SALVA O PECADOR DO INFERNO E NÃO DAR CARROS, CASAS, PAGA CONTAS DOS PECADORES.

EM CRISTO.

Alan Capriles disse...

Exatamente, René.
Rebanhos inteiros estão sendo arrastados para uma armadilha mortal. É uma questão de vida ou morte! Milhares de pessoas que foram atraídas por um falso evangelho seguem a outro "Jesus", razão pela qual o verdadeiro Senhor lhes dirá: "Nunca vos conheci".

Que Deus tenha misericórdia e desperte a igreja evangélica brasileira.

Um forte abraço, na paz do Senhor!

Alan Capriles disse...

Pr João Dórea,

Também sinto a mesma indignação que você quando visito algumas igrejas e vejo estrelismo e sensacionalismo tomando o lugar do evangelho da glória de Cristo.

Oremos para que, assim como Deus nos despertou, outros pastores também voltem a pregar a verdadeira mensagem da salvação.

Graça e paz!

Presb. Fabio Scofield disse...

Olá! Amado Amigo, Graça e Paz...

Eu mesmo já me fiz esta pergunta, se a mensagem já não é a mesma, que efeito ela irá produzir? Para ficar mais claro; "Se a fé vem pelo ouvir, e o ouvir da palavra de Deus", mas quando esta palavra, não é a palavra que Deus nos enviou, o que ela irá produzir? Certamente este povo desesperançado que nos podemos ver ao nosso lado, que apesar de terem supostamente a confessado a Cristo como Senhor e salvador, mas continuam como quem foi enganado por alguém.
Mas a responsabilidade é nossa, nós precisamos combater com mais firmeza esta falsa doutrina de perdição.
Suplicamos ao Espírito de Deus, para nós dar intrépides, para exercermo o nosso ministério de Evangelista. (IITm-4:1-5).

Deus te abençoei...

Alan Capriles disse...

Amado Reverendo Fábio
Amigo e irmão em Cristo

Exatamente isso: a responsabilidade é nossa!

Glorifico a Deus por sua vida e ministério, especialmente pelo amado estar combatendo tão próximo a mim, aqui em São Gonçalo, cidade na qual o evangelho tem sido tão deturpado.

Precisamos, mais do que nunca, estar unidos nesta causa. Levando esta verdade, mas sempre em amor.

Um forte abraço, na paz do Senhor Jesus!

P.s.: Chamei o amado de reverendo porque não sei se ainda é presbítero ou se pastor. Sei que o título é o de menos, mas não quero errar no tratamento. Precisamos conversar pessoalmente e colocar em dia essas novidades!

Rita disse...

Olá,
Essa mensagem enquanto lia me trouxe as seguintes palavras
Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. 1 Coríntios 1:18

Infelizmente,o Evangelho pregado hoje é uma religião onde se consegue cura,libertação e até prosperidade,mas a salvação além de não ser pregada,há poucos que receberam o dom da fé salvífica,pois fé que cura ou liberta não é a mesma que salva,afinal até o diabo tem fé...
Mas,isso ja estava previsto,nos resta trabalhar e clamar ao Senhor para que a verdade liberte,e conduza para a salvação.
Que a mensagem real seja pregada,doa a quem doer,a verdade deve ser dita.
belo e edificante texto.
Paz e boa noite!!