terça-feira, 24 de julho de 2012

MUDANÇA DE RUMO


Por Alan Capriles

Alguém que se dedique na busca pela verdade certamente chegará a algumas conclusões. Não é possível que anos de leitura, reflexão, pesquisa e investigações não nos levem a lugar algum.

Pois bem, digamos que você seja tal pessoa. Suponhamos que você tenha dedicado toda sua vida, desde o início da adolescência, a buscar a verdade. E imaginemos que agora, depois de tanta informação adquirida, você comece a identificar onde estão as ilusões e falhas, e esteja finalmente conseguindo as respostas que tanto buscava, como se fosse o juntar das peças de um complicado quebra-cabeça. Não seria maravilhoso? Seria, se não fôssemos confrontados com a seguinte questão:

O que fazer quando nossos velhos conceitos estão em rota de colisão com a verdade?

Essa é a pergunta que me tem afligido, a ponto de me tirar o sono. Minha procura pela verdade, que se arrasta por anos e anos de inquirições, finalmente está me conduzindo a encontrar as respostas que eu tanto buscava. O problema é que tais respostas, que são claras e irrefutáveis, não se coadunam com minhas velhas e tão seguras convicções.

O que fazer? Acovardar-me, ou mudar e sofrer as trágicas consequências da incompreensão?

Penso que a direção me chegou por meio de uma pequena e verídica história, que compartilho a seguir:
Durante vários dias, dois navios de guerra entregues ao esquadrão de treinamento estavam realizando manobras sob condições climáticas desfavoráveis. Eu me encontrava prestando serviços no navio de guerra principal, e estava na vigilância na ponte de comando quando caiu a noite. A visibilidade era pouca com a neblina, de modo que o capitão se mantinha na ponte de comando observando todas as atividades.
Pouco depois de ter escurecido, o sentinela que se encontrava na asa da ponte de comando informou:
— Observa-se uma luz a estibordo.
— Está fixa, ou move-se para a popa? — gritou o capitão.
A sentinela respondeu:
— Fixa, capitão.
Nesse caso, estávamos rumo a uma perigosa colisão contra aquele barco. Então o capitão chamou o encarregado da comunicação por sinais e lhe disse:
— Comunique àquele barco: “Encontramo-nos rumo a uma colisão. Aconselhamos-lhes que mudem seu rumo 20 graus”.
Então recebemos sinais que diziam: “Seria melhor vocês mudarem seu rumo 20 graus”.
O capitão disse:
— Envie-lhe o seguinte: “Eu sou capitão! mude seu rumo 20 graus”.
“Eu sou um marinheiro de segunda classe”, foi a resposta. “É melhor que você mude seu rumo 20 graus”.
A estas alturas, o capitão estava furioso.
— Envie-lhe o seguinte: “Eu sou um navio de guerra. Mude seu rumo 20 graus”.
E então recebemos a breve e clara mensagem: “E eu sou um farol em terra firme”.
Nós mudamos o rumo. (*)
Essa pequena história me fez compreender que não preciso de coragem para mudar. Coragem não me falta. Preciso é de humildade! Humildade para reconhecer que minhas velhas convicções podem estar erradas, mesmo que tenham sido consolidadas por séculos de tradição, ou perpetuadas por dogmas que agora se revelam equivocados, quando expostos pela luz da verdade. Os homens são falhos, tanto agora, quanto há milhares de anos atrás. Somente a verdade é e sempre será imutável. Quando somos confrontados com ela, nós é que precisamos mudar.

Mas e quanto às trágicas consequências de uma mudança de rumo? Nossa mudança poderá nos custar a rejeição da família, a incompreensão dos amigos, a exclusão de círculos sociais...

Não ignoro nada disso. Sei que existe um alto preço a se pagar pela verdade. Mas estou convencido de que todas as consequências serão ínfimas se nos lembrarmos de que não há desgraça maior que a traição da própria consciência. Essa sim é a pior das tragédias, o suicídio da alma.

Alan Capriles
__________________

* História verídica, relatada por Frank Koch, em Proceedings (a revista do Instituto Naval dos Estados Unidos) e encontrada no e-book "O Reino que Alvoroçou o Mundo".

6 comentários:

Bruno Abreu disse...

Glória a Deus que Ele nos mostra o caminho!

E a gente só vai vendo que o caminho é estreito mesmo, bem diferente do que é aceito

abraços

Henrique disse...

Pastor Alan,

Perfeito teu texto. Ele vem de encontro com a minha situação atual, como membro de uma igreja pentecostal tradicional e também líder na minha comunidade.

Fomos ensinados oralmente sobre a Palavra de Deus, mas por não termos estudos bíblicos, muitas características doutrinárias foram usurpadas e certo legalismo foi implantado dentro da igreja. Há entre muitos membros um sentimento que nossa igreja “é a graça de Deus na terra”, sentimento este que já foi maior e vem pouco-a-pouco diminuindo, graças a Deus.

Como hoje sou líder dentro da minha comunidade, muitas vezes tenho me deparado com problemas. Como pregar a verdade da Palavra de Deus se os costumes arraigados na nossa igreja são diferentes e que líderes acima de mim são ferrenhos defensores?

Tenho tomado cuidado para não criar problemas. De um lado quero que a verdadeira mensagem de Deus chegue a todos na minha comunidade e os transforme (como eu me sinto transformado), mas se o fizer de maneira impactante, penso que poderei ser repreendido e meu maior medo é que em caso algo ocorra comigo, possa haver alguma divisão na igreja. Meu maior medo é causar divisão e que os mais débeis na fé venham a apostatar por minha causa.

Se Deus te fizer sentir de me dar algum conselho, estou pronto para escutar. Caso contrário, ore por mim.

Deus te ilumine e encoraje cada vez mais na fé em Cristo.

Henrique

Regina Farias disse...

Pastor Alan,

Simples e claro!

A tal da resistência é que é o xis da questão.

Valeu pelo texto.

Abs,

R.

Bárbara Helen disse...

Estava pensando esta semana justamente sobre a verdade! A verdade que poucos conseguem encontrar e que muitos procuram, mas acabam se perdendo pelo meio do caminho. Digo isto em relação a tantos acadêmicos que buscam a verdade mas nunca a encontram, dedicam suas vidas em busca da verdade, e alguns até ficam loucos, perdem o juízo, ou se tornam alienados ao mundo em sua volta, quando vão em busca da Verdade. Estava pensando ontem sobre o propósito pelo qual pessoas assim dedicam (ou perdem) suas vidas em busca de uma verdade! Então descobri que existem duas coisas imprescindiveis para não se perder pelo caminho e para não se perder a vida nesta busca: Primeiro ter o motivo certo e segundo ter o alvo certo! Assim a busca tem mais sentido e a verdade quando encontrada não deixará duvidas. O alvo certo é Cristo, é Deus, o motivo certo o amor. Porque, o que somos nós sem Deus? E o que é nossa vida se vivermos apenas para nós mesmos? Mas com Deus e com amor, sendo que Deus é amor, poderemos ter uma vida plena e verdadeira. Por que se não há verdade, não há história, não há sentido, não há vida!

Busquemos a Verdade pela qual vale a pena darmos nossas vidas, perdermos pessoas que amamos tentando ganha-lás, e negarmos nossos próprios sonhos e planos em prol dela!

Porque assim Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida, nimguém vem ao Pai, senão por mim!" Jo 14:6

Tudo de Deus pra todos!

Rosimary Vasconcelos disse...

Graça e paz Pr.Alan,fiquei muito contente com este texto,mesmo porque como o senhor mesmo sabe passei por tudo isto,realmente o mais difícil é ter que tomar uma decisão,pois sabemos que o preço pode ser altíssimo,mas mesmo assim fico com o Salmo que diz que mesmo em prejuízo próprio não volta atrás,a frase que me chamou mais a atenção foi no final do texto quando o senhor diz que não podemos trair nossa consciência,pois eu disse essa frase mil vezes ao meu antigo pastor,pena que ele não entendeu.....e o preço que pagamos foi bem alto....continue escrevendo e alertando sobre a verdade,pois os verdadeiramente salvos ouvirão e acordão para a realidade,fica com Deus.

DE BONIS, Debora disse...

Perfeito. Eu mudei de rumo e estou pagando o preço, mas não queria voltar a ser o que era jamais. Não troco o que estou vivendo por nada. O preço é alto, mas vale a pena. Antes eu ganhava tapinha nas costas, mas evangelho com tapinha nas costas tem alguma coisa errada.